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Simplesmente Irresistvel 
Rachel Gibson 

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Disp. Em Espanhol: Grupo Elloras Digital 
Envio e pedido: Nadia Bruna 
Traduo: Gisa 
Reviso Inicial: Anelise Arru 
Reviso Final: Rosimeire 
Formatao: Leniria 



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Georgeanne Howard, uma encantadora beleza sulina, deixa 
seu noivo plantado no altar quando se d conta que no  capaz 
de casar com um homem que poderia ser seu av... Por muito 
dinheiro que este tenha. John Kowalsky, inconscientemente, a 
ajuda a escapar... At que descobre que est fugindo com a noiva 
de seu chefe!!!... Mas j  muito tarde para voltar atrs. 

No alto de sua carreira, esta rebelde estrela do hquei no 
quer ser O Salvador de ningum - a no ser de si mesmo e no 
importa quo bela a dama em questo possa ser. O mal  que os 
espera uma longa noite pela frente -uma noite muito ardente 
para resistir  tentao. 

Anos mais tarde, Georgeanne e John voltam a se encontrar. 
Ela parece ter tomado as rdeas de sua vida e ele deixou para 
trs seus dias de farra. Mas fica completamente assombrado 
quando se inteira de que essa noite inesquecvel com ela teve 
como fruto uma preciosa menina, Lexie- sua filha, e est 
decidido a fazer parte de sua vida. 

Georgeanne amou John desde o momento em que entrou no 


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seu Corvette vermelho sete anos atrs, mas no quer voltar a 
arriscar seu corao na tentativa. Realmente se transformou em 
um homem novo? Ser capaz de enfrentar  fria de seu chefe, 
perdendo sua ltima oportunidade de alcanar a glria, para 
demonstrar que desta vez seu amor ser para sempre? 


Prlogo 

McKinney, Texas 
1976 


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Para Georgeanne Howard matemtica dava dor de cabea e 
ler irritava os olhos. Mas ao menos quando lia movia o dedo sobre 
as palavras que no entendia e podia salt-las. Com a matemtica, 
entretanto, no podia fazer armadilhas. 

Georgeanne apoiou a testa sobre a folha de papel que havia 
em sua carteira e escutou os sons de seus companheiros de 
quarto grau brincando l fora, no recreio, sob o quente sol do 
Texas. Odiava matemtica, mas especialmente odiava contar 
todos esses estpidos palitos. Algumas vezes, cravava os olhos 
nesses desenhos to fixamente que lhe doam  cabea e os 
olhos. Mas cada vez que os contava encontrava a mesma 
resposta: a incorreta. 

Para se distrair da matemtica, Georgeanne ficou pensando 
no ch rosa que sua av e ela desfrutariam depois da escola. A 
av j teria feito os bolinhos rosados, e as duas se vestiriam com 
chiffon rosa e colocariam sobre a mesa uma toalha rosa com 
guardanapos e taas combinando. Georgeanne adorava os chs 
rosa e gostava de servi-los. 

Georgeanne! 

 Prestou ateno imediatamente. 

Sim, senhorita? 

 Sua av a levou ao mdico para que fizesse o exame de que 
falamos? perguntou  senhora Nobre. 

Sim, senhorita. 

E levou tambm para fazer os testes? 

Assentiu com a cabea. Na semana passada, durante trs 

dias, tinha tido que ler para um mdico com grandes orelhas. 
Respondeu as perguntas e escreveu histrias. Fez contas e 
desenhou. Tinha gostado de pintar, mas o resto tinha sido muito 
aborrecido. 

 Acabou ? 

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Georgeanne olhou a pgina rabiscada ante ela. Tinha usado a 
borracha tantas vezes que os pequenos quadros para as 
respostas ficaram num tom de cinza plido, e vrias lgrimas 
manchavam o papel ao lado dos palitos. 

No - disse, cobrindo a folha com a mo. 

 Deixe-me ver o que fez. 
Com temor levantou relutantemente da cadeira, e logo a 
empurrou debaixo da carteira na posio correta. Ouvia o som de 
seus calados de couro enquanto caminhava lentamente para a 
mesa da professora. Sentiu o estmago revolto. 

A senhora Nobre pegou o papel sujo da mo de Georgeanne e 
estudou os problemas de matemtica. 

Voltou a errar -disse com irritao, recalcando as 
palavras. O desagrado esgotou os olhos castanhos da professora 
fazendo destacar seu afilado nariz. Quantas vezes errar as 
respostas? 

Georgeanne olhou por cima do ombro da professora a mesa 
de cincias sociais onde havia vinte pequenos iglus feitos com 
torres de acar. Deveria ter vinte e um, mas devido a sua 
pssima caligrafia Georgeanne teria que esperar para construir 
seu prprio iglu. Talvez amanh. 

No sei - sussurrou ela. 

Eu disse pelo menos umas quatro vezes que a resposta do 
primeiro problema no  dezessete! Ento por que segue 
insistindo? 

No sei - tinha contado vrias vezes cada palito. Havia sete 
em dois grupos e trs no outro. Isso fazia dezessete. 

Expliquei isso repetidamente. Olhe o papel. 

Quando Georgeanne fez o que lhe disse, viu que a senhora 

Nobre apontava ao primeiro grupo. 
Este grupo representa dez -ladrou, e ps seu dedo a um 
lado. Este outro representa dez mais, e temos os trs palitos 


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restantes a um lado. Quanto  dez mais dez? 

Georgeanne somou mentalmente. 

Vinte. 

Mais trs? 

Fez uma pausa, contando para si. 

Vinte e trs. 

Sim! A resposta  vinte e trs. A professora apartou 
bruscamente o papel. Agora v sentar e terminar os outros 
exerccios. 

De novo em seu assento, Georgeanne considerou o segundo 
problema da pgina. Estudou os trs grupos, contou 
cuidadosamente cada palito e logo escreveu vinte e um. 

Logo que o sino soou avisando o final da aula, Georgeanne 
pegou o novo xale que sua av lhe fez e correu para casa. Quando 
entrou pela porta traseira, viu os bolinhos rosados no balco azul 
e branco manchado. A cozinha era pequena, com o papel de 
parede amarelo e vermelho descolando em alguns lugares, mas 
mesmo assim era o local favorito de Georgeanne. Cheirava a 
coisas agradveis, como bolos e po, desinfetante de Pinho ou 
sabonete lquido Ivory. 

A baixela de prata estava colocada sobre o carrinho do ch. 
Estava a ponto de chamar sua av quando ouviu a voz de um 
homem proveniente da sala de estar. Esse ambiente s se 
utilizava quando algum muito importante visitava a av. Sem 
fazer rudo, Georgeanne se aproximou pelo corredor para a parte 
dianteira da casa. 

Sua neta no parece compreender conceitos abstratos. 
Escreve algumas palavras de cabea para baixo ou simplesmente 
no lhe ocorre  palavra que deseja expressar. Por exemplo, 
quando mostrei a foto de um trinco, o chamou de isso para 
entrar em casa. Entretanto, identificou uma escada rolante, 
uma p e a maioria dos cinqenta estados - esclareceu o homem 


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que Georgeanne reconheceu como o doutor de orelhas grandes 
que havia feito os aborrecidos testes na semana anterior. Se 
deteve ao lado da porta e ficou escutando. O bom  que 
pontuou muito alto em compreenso - continuou o doutor. O que 
quer dizer que entende o que l. 

Como  possvel? perguntou sua av. Usa o trinco todos 
os dias e, at onde eu sei, nunca tocou uma p. Como pode se 
confundir com as palavras familiares e, entretanto entender o 
que l? 

No sei por que algumas crianas sofrem desta disfuno 
no crebro, senhora Howard. No sabemos quais as causas 
destas deficincias, tudo o que sei  que no tem cura. 

Georgeanne se apoiou contra a parede sem ser vista. Com as 
bochechas ardendo, e um n se formando no estmago. Uma 
disfuno do crebro? No era to estpida para no saber o que 
queria dizer esse homem. Pensava que era atrasada. 

O que posso fazer por minha Georgie? 

Talvez se lhe fizermos mais testes possamos verificar 
onde se situa a maior parte das dificuldades. Para algumas 
crianas a medicao foi de grande ajuda. 

No darei drogas a Georgeanne. 

Ento pode matricul-la em uma escola para senhoritas aconselhou 
o doutor.  uma garotinha bonita e  provvel que 
se converta em uma bela jovem. No ter nenhum problema em 
encontrar um marido que se ocupe dela. 

Marido? Minha Georgie s tem nove anos, Dr. Aliam. 

No pretendia ser desrespeitoso, Sra. Howard, mas voc  
a av da menina. Quantos anos mais acredita que poder se 
ocupar dela? Em minha opinio Georgeanne nunca ser muito 
esperta. 

O n do estmago de Georgeanne comeou a arder quando 
voltou pelo corredor e saiu pela porta traseira. Chutou uma lata 


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de caf vrios metros e atirou as cinzas da roupa de sua av ao 
cho do pequeno ptio. 

Estacionado no caminho de entrada havia um Chevrolet que 
Georgeanne sempre acreditou ser da cor exata da cerveja. O 
carro descansava sobre quatro pneus furados, pois no tinha sido 
conduzido por mais ningum desde a morte de seu av h dois 
anos. Sua av conduzia um Lincoln, mas Georgeanne considerava 
que o Chevrolet era dela e o utilizava para viajar com a 
imaginao a lugares exticos como Londres, Paris e Texarkana. 

Mas esse dia no conseguia se imaginar viajando a outro 
lugar. Uma vez sentada sobre o assento de vinil, colocou as mos 
em torno do frio volante e cravou os olhos na insgnia do 
Chevrolet que havia na buzina. 

Tinha a vista nublada e esticou os punhos. Talvez sua me, 
Billy Jean, soubesse. Talvez sempre soube que Georgeanne nunca 
seria muito brilhante e por isso a tinha deixado na casa de sua 
av para no voltar nunca para busc-la. A av sempre dizia que 
Billy Jean no estava preparada para ser me, e Georgeanne se 
perguntou o que havia feito para que sua me fosse embora. 
Agora j sabia. 

Enquanto olhava para o futuro, seus sonhos de infncia foram 
se diluindo com as lgrimas que escorregavam pelas bochechas 
quentes, e se deu conta de vrias coisas. Nunca conseguiria sair 
para o recreio outra vez nem construir um iglu como o resto da 
classe. Suas esperanas de ser uma enfermeira ou astronauta 
eram aspiraes muito atrevidas, e sua me jamais voltaria para 
busc-la. Os meninos da escola provavelmente ficariam sabendo 
e ririam dela. 

E Georgeanne odiava ser objeto de brincadeira. 

A ridicularizariam como fizeram com Gilbert Whitley. 
Gilbert molhava suas calas na segunda srie e ningum o deixou 
esquecer disso. Agora era chamado Gilbert Wetly*. Georgeanne 


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no queria nem pensar no que seria chamada. 

Mas no ia permitir nunca que algum soubesse. Jamais 
permitiria que algum descobrisse que Georgeanne Howard tinha 
uma disfuno no crebro. 

*Trocadilho. Wetly significa molhado. 


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Captulo 1 

1989 

A noite anterior ao casamento de Virgil Duffy, uma tormenta 
de vero atingiu a baa de Puget Sound, em Seattle, estado de 
Washington. Mas na manh seguinte as nuvens cinza j tinham 
desaparecido, dando lugar a uma espetacular vista de Elliot Bay e 
a silhueta da cidade de Seattle. Alguns dos convidados de Virgil 
levantaram o olhar para o cu sem nuvens, e se perguntaram se 
Virgil controlaria a me natureza da mesma forma que controlava 
seu imprio naval. Se perguntavam se poderia controlar sua 
jovem prometida ou se seria para ele outro mais de seus 
brinquedos, como a equipe de hquei. 

Enquanto os convidados esperavam a cerimnia comear, 
bebiam das taas alongadas de champanha e especulavam se o 
casamento duraria at dezembro. A maioria opinava que no 
duraria tanto. 

John Kowalsky ignorou os murmrios que havia a seu redor. 
Tinha preocupaes mais importantes. Levou o copo de cristal 
aos lbios e se deu conta que bebeu do Whisky escocs de cem 
anos como se fosse gua. Sentia um zumbido na cabea. Seus 
olhos palpitavam e lhe doam os dentes. 

Provavelmente tinha estado no inferno na noite anterior, 
embora no conseguisse recordar. 

De sua posio no terrao, baixou o olhar em volta da 
brilhante grama verde recm aparada, os macios de flores 
imaculados e as fontes borbulhantes. Os convidados vestidos de 
Armani ou Donna Karan caminhavam sem rumo entre as cadeiras 
brancas adornadas com flores e fitas com algum tipo de flores 
rosa. 

O olhar de John pousou sobre um grupo de companheiros de 


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equipe que, incmodos com os trajes azuis marinho e os 
mocassins, pareciam desconfortveis. Parecia que ele tinha mais 
vontade de se misturar com a alta sociedade, em Seattle. 

A sua esquerda, uma mulher magra com um elegante vestido, 
cor lavanda e sapatos combinando estava sentada atrs de uma 
harpa, apoiou o instrumento no ombro e comeou a tocar; os sons 
mal dissimulavam os rudos provenientes da baa de Puget Sound. 
O olhou e lhe dedicou um sorriso convidativo que ele reconheceu 
imediatamente. No o surpreendeu o interesse da mulher e, de 
propsito, deixou vagar o olhar por seu corpo. Aos vinte e oito 
anos, John tinha estado com mulheres de todas as formas e 
tamanhos, de todas as classes sociais e diferentes graus de 
inteligncia. No era resistente a nadar em todas as guas, mas 
no gostava muito de mulheres ossudas. Embora a maioria de 
seus companheiros de equipe andava com modelos, John gostava 
mais das curvas suaves. Quando tocava em uma mulher, gostava 
de apalpar carne no osso. 

O sorriso da harpista ficou mais gracioso e John olhou para 
longe. No era s pela mulher ser magra, mas sim, alm disso, 
odiava a msica de harpa quase tanto como casamentos. Tinha 
sofrido com o casamento duas vezes em sua prpria carne e em 
nenhum dos dois casos tinha sido uma experincia agradvel. De 
fato, a ltima vez que tentou, tinha sido em Las Vegas fazia seis 
meses, quando despertou em uma sute de lua de mel rodeado de 
veludo vermelho e casado com uma artista de strip-tease 
chamada Deedee Delight. O casamento no durou mais que a 
noite de npcias. E a realidade era que no podia recordar se 
Deedee tinha sido encantadora. 

Obrigado por vir, filho. O dono dos Seattle Chinooks se 
aproximou de John por trs e deu tapinhas em seu ombro. 

Acreditava que no tinha outra escolha -respondeu, 
baixando o olhar  cara enrugada de Virgil Duffy. 


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Virgil riu e continuou caminhando pelo caminho de 
paraleleppedos. Com seu smoking cinza prata era o vivo retrato 
da opulncia. Sob o sol do meio dia Virgil parecia exatamente o 
que era: um membro do Fortune 500 que podia se permitir o 
luxo de possuir uma equipe profissional de hquei e comprar uma 
esposa muito mais jovem que ele. 

Apresentou ontem a noite  mulher com a quem vai se 
casar? 

John olhou por cima do ombro ao mais novo de seus 
companheiros de equipe, Hugh Miner. Os cronistas esportivos 
tinham comparado Hugh com o James Dean por seu aspecto e 
pelo temerrio comportamento que exibia sobre o gelo. Era a 
segunda caracterstica que John mais valorizava. 

No  respondeu enquanto tirava os culos Ray-Ban do 
bolso da camisa. Fui cedo. 

Pois  bastante jovem. Uns vinte e dois anos. 

 o que ouvi. se virou para dar lugar a um grupo de 
senhoras mais velhas a caminho das escadas. Como era um 
mulherengo contumaz, no podia dar uma de moralista arrogante, 
mas achava pattico e doentio que um homem da idade de Virgil 
se casasse com uma mulher mais jovem. 

Hugh deu um cutuco em John, o cotovelo no estmago. 

E tem uns seios que poderiam fazer que um homem 
mendigasse pelo soro de seu leite. 

John colocou seus culos escuros e sorriu s senhoras que 
voltaram o olhar para Hugh. No tinha sido muito discreto ao 
descrever a noiva de Virgil. 

Se criou em uma fazenda, no? 

Sim, a cinqenta milhas de Madison disse o jovem com 
orgulho. 

Pois eu no diria essas coisas sobre o soro do leite se fosse 
voc. As mulheres tendem a ficar ofendidas se as comparar com 


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vacas leiteiras. 

Sim. Hugh riu e negou com a cabea. O que voc acha 
que essa garota v em um homem o suficientemente velho para 
ser seu av? Quero dizer que no  feia, nem gorda, nem nada 
parecido. De fato,  muito boa. 

Com vinte e quatro anos, Hugh no s era mais novo que John, 
mas tambm era, obviamente, mais ingnuo. Ia a caminho de ser 
o melhor goleiro da NHL, a Liga Nacional de Hquei, mas tinha o 
cacoete de parar o disco com a cabea. Em vista da ltima 
pergunta estava claro que necessitava um capacete mais grosso. 

D uma olhada ao redor -respondeu John. A ltima 
notcia que tive foi que a fortuna de Virgil rondava os seiscentos 
milhes. 

Sim, mas o dinheiro no pode comprar tudo - resmungou o 
goleiro enquanto comeava a descer as escadas. Se deteve para 
perguntar por cima do ombro: Vem? 

No - respondeu John. Ele pegou um cubo de gelo na boca, 
logo deixou o copo sobre um vaso de barro, mostrando o mesmo 
desinteresse pelo caro cristal Baccar que tinha mostrado pelo 
Whisky. Ele tinha comparecido na festa da noite anterior; tinha 
dado a cara nesse mesmo dia. De sua parte j era o suficiente, 
no pensava ficar durante muito mais tempo. Tenho uma 
ressaca impressionante - disse enquanto descia as escadas. 

Aonde vai? 

 casa que tenho em Copalis. 

O senhor Duffy no vai gostar disso. 

Que pena  foi o comentrio despreocupado de John 
quando rodeou a manso de tijolo de trs pisos se dirigindo para 

o Corvette ano 66 que estava estacionado em frente. O 
conversvel tinha sido o presente que deu a si mesmo um ano 
antes, ao fechar com os Chinooks assinando um contrato 
milionrio com a equipe de hquei de Seattle. John amava seu 

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Corvette clssico. Adorava aquela grande mquina e todo seu 
poder. J se imaginava queimando pneus sobre a auto-estrada. 

Quando tirou a jaqueta azul, um brilho rosado no alto do 
caminho pavimentado chamou sua ateno. Lanou a jaqueta no 
assento traseiro do brilhante carro vermelho e se deteve para 
observar  mulher que, com um curto vestido rosa, escapulia 
entre as pesadas portas da casa. Golpeou a ncessaire bege 
contra a dura madeira e uma corrente de ar sacudiu seu 
cacheado e escuro cabelo sobre os ombros nus. Parecia envolta 
em cetim das axilas at a metade das coxas. O comprido lao 
branco que adornava o busto do traje pouco ocultava o colo. 
Tinha as pernas longas e bronzeadas, calava sandlias de salto 
alto sem tiras. 

Oua, senhor, espere um momento  ela chamou ofegante 
com um acento claramente sulino. Os saltos de seus ridculos 
sapatos faziam um ligeiro clique-clique enquanto descia a 
escada. O vestido era to apertado que tinha que descer de lado 
e, com cada passo apressado, pressionava os seios que se 
sobressaam pela parte superior. 

John pensou em dizer que parasse antes de se machucar. 
Mas a nica coisa que fez foi trocar o peso de um p para outro, 
cruzar os braos e esperar at que parou do outro lado do carro. 

Acredito que no deveria correr com isso  aconselhou. 

Sob duas sobrancelhas perfeitamente arqueadas, uns olhos 
verdes claro cravaram nos dele. 

Voc  um dos jogadores de hquei de Virgil?  perguntou, 
tirando as sandlias e se agachando para recolh-las. Alguns dos 
brilhantes cachos escuros deslizaram sobre os ombros 
bronzeados e roaram a parte superior dos seios e o lao branco. 

John Kowalsky  se apresentou. Com esses lbios 
exuberantes que convidavam a beij-los e olhos brilhantes, 
recordava-lhe o mito sexual favorito de seu av: Rita Hayworth. 


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Preciso sair daqui. Pode me levar? 

Claro. Aonde quer ir? 

 Para qualquer lugar longe daqui -respondeu ela, lanando a 
ncessaire e os sapatos no cho do carro. 
Um sorriso se insinuou nos lbios de John enquanto deslizava 
no Corvette. No tinha planejado ter companhia, mas ter Miss 
Janeiro no carro no era to mal. Quando ela se acomodou no 
assento do passageiro, arrancou o motor e engatou a marcha. Se 
perguntou quem era e por que tinha tanta pressa. 

OH, Deus -gemeu ela enquanto olhava enquanto se 
afastavam da casa de Virgil. Deixei Sissy ali sozinha. Foi 
recolher seu ramo de lils e rosas, e sa correndo! 

Quem  Sissy? 

Minha amiga. 

Voc foi convidada para o casamento?  perguntou. 
Quando ela assentiu com a cabea, John imaginou que seria uma 
dama de honra ou algo do estilo. Acelerou ao chegar aos abetos e 
quando atravessaram um caminho de fazendas com rododentros 
rosados, estudou-a pela extremidade do olho. Um bronzeado 
saudvel tingia a pele suave e, ao olh-la bem, se deu conta que 
era mais bonita do que tinha pensado a princpio, e bastante 
jovem. 

Ela olhou para frente outra vez, o vento lhe alvoroou o 
cabelo que revoou sobre a face e os ombros. 

OH, Meu deus. Desta vez eu exagerei  gemeu, 
aumentando a voz. 

Se quiser a levo de volta  ofereceu ele, se perguntando o 
que teria acontecido para que essa mulher deixasse plantada a 
sua amiga. 

Ela negou com a cabea, e as prolas de seus brincos roaram 
brandamente a mandbula. 
No,  muito tarde. J o fiz. Quero dizer, faz um momento 


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que o fiz... Ou seja, isto...  algo que j est feito. 

John concentrou a ateno na estrada. Na realidade, que a 
mulher derramasse lgrimas no o incomodava muito, mas odiava 
a histeria e tinha o pressentimento de que essa mulher estava a 
ponto de ficar histrica em sua presena. 

H... Como se chama? perguntou, esperando evitar uma 
cena. 

Ela inalou profundamente, tratando de soltar o ar lentamente 
enquanto apertava o estmago com uma mo. 

Georgeanne, mas todo mundo me chama Georgie. 

Bem, Georgie do que? 

Ela colocou a palma da mo na testa. As unhas estavam 
manicuradas  francesa. 

Howard. 

E onde vive Georgie Howard? 

Em McKinney. 

Justo ao sul de Tacoma? 

Acabarei por lamentar isso -gemeu, respirando 
agitadamente. No posso acreditar no que fiz. No quero 
acreditar. 

Est enjoada? 

Acredito que no - sacudiu a cabea e tomou ar. Mas no 
posso respirar. 

Est abafada? 

No... Sim... No sei! O olhou com olhos assustadios e 
midos. Comeou a arranhar com os dedos o tecido de renda que 
cobria as costelas e a prega do vestido lhe subiu um pouco mais 
pelas coxas suaves. No posso acreditar nisso. No posso 
acreditar - gemeu entre grandes mpetos entrecortados. 

Ponha a cabea entre os joelhos -ele ordenou, olhando 
brevemente  estrada. 

Ela se inclinou um pouco para frente, logo se deixou cair para 


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trs no assento. 

No posso. 

Por que demnios, no pode? 

Tenho o espartilho muito apertado... Meu Deus! Seu 
arrastado acento sulino ficou mais acentuado. Atei bem desta 
vez. No posso acreditar nisso... continuou com a ladainha j 
familiar. 

John comeava a pensar que ajudar Georgeanne no tinha 
sido to boa idia depois de tudo. Pisou at o fundo no 
acelerador, impulsionando o Corvette atravs da ponte que 
cruzava por cima da baa de Puget Sound e rapidamente 
deixaram atrs Bainbridge Island. As sombras verdes deslizaram 
cada vez mais rpido enquanto o Corvette percorria a auto-
estrada 305. 

Sissy no me perdoar nunca. 

No me preocuparia com sua amiga  disse, um tanto 
decepcionado de que sua acompanhante fosse to mole como um 
croassaint. Virgil comprar algo bonito e esquecer de todo o 
resto. 

Ela franziu o cenho. 

Acredito que no  disse. 

Asseguro que o far  insistiu John. Provavelmente a 
levar a um desses lugares to caros... 

Mas Sissy no gosta de Virgil. Pensa que  um velho sujo. 

John sentiu arrepiar os cabelos da nuca e teve um 
pressentimento muito, mas muito ruim. 

Mas Sissy no  a noiva? 

Ela cravou os olhos grandes e verdes nele e sacudiu a cabea. 

A noiva sou eu. 

No tem graa, Georgeanne. 

Sei  gemeu. No posso acreditar que deixei Virgil 
plantado no altar! 


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O n na garganta de John subiu  cabea, recordando-o da 
ressaca. Pisou no freio e desviou o Corvette  direita, detendo-o 
um lado da estrada. Georgeanne caiu contra a porta onde se 
segurou com ambas as mos. 

Jesus! John estacionou de forma brusca o carro na borda 
e tirou os culos de sol. Diga que est brincando! exigiu, 
lanando os Ray-Ban no painel. No queria nem imaginar o que 
aconteceria realmente se fosse pego com a noiva fugitiva de 
Virgil. Mas ento soube que no precisaria imaginar, pois sabia o 
que aconteceria. O passariam para outra equipe num piscar de 
olhos. E gostava dos Chinook. Gostava de viver em Seattle. A 
ltima coisa que desejava era que o mudassem de equipe. 

Georgeanne se endireitou e negou com a cabea. 

Mas no est vestida de noiva.  Se sentia enganado e a 
apontou com um dedo acusador. Que tipo de noiva no veste um 
maldito vestido de noiva? 

Este  um vestido de noiva - pegou a barra e com modstia, 
tratou de pux-la para baixo. Mas o vestido no tinha sido criado 
para ser modesto. Quanto mais puxava para os joelhos, mais 
deslizada sobre seus seios. S que no  um vestido de noiva 
tradicional - explicou enquanto agarrava o lao branco amarrado 
no busto para cima outra vez. Depois de tudo, Virgil foi casado 
cinco vezes e pensou que um traje branco seria de mau gosto. 

Aspirando profundamente, John fechou os olhos e passou 
uma mo pela cara. Tinha que se desfazer dela, e rpido. 

Vive ao sul de Tacoma, no? 

No. Sou de McKinney, McKinney, Texas. At trs dias no 
conhecia Oklahoma City. 

Isto fica cada vez melhor  riu sem humor e comeou a 
consider-la como um pacote bomba a ponto de explodir em sua 
cara. Sua famlia est aqui para o casamento, no? 

De novo ela negou com a cabea. 


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John franziu o cenho. 

Naturalmente. 

Acredito que agora sim estou enjoada. 

John saltou do carro e correu para o outro lado. Se fosse 
vomitar, preferia que no o fizesse em seu Corvette novo. Abriu 
a porta e a pegou pela cintura, e embora John medisse um e 
noventa, pesava noventa e cinco kg e bloqueava facilmente 
qualquer jogador contra a barreira, transportar Georgeanne 
Howard do carro no foi tarefa fcil. Era mais pesada do que 
parecia e, ao senti-la sob as mos, teve a impresso que a tinha 
metido sob presso em uma lata de sopa. 

 Vai vomitar?  perguntou por cima da cabea. 
 Acredito que no  contestou, e o contemplou com olhos 
suplicantes. Esteve com suficientes mulheres para saber do que 
tinha raiva quando estava em casa. Reconhecia a raa "me ame, 
me alimente, tome conta de mim." Gemer e se esfregarem como 
gatos no cio, e para alm de fazer um homem gritar, no eram 
boas para qualquer outra coisa. Iria ajud-la a chegar onde 
queria, mas a ltima coisa que iria fazer era cuidar e alimentar a 
mulher que tinha deixado plantado Virgil Duffy. 
Onde posso deix-la? 

Georgeanne se sentia como se tivesse engolido dzias de 
mariposas e tivesse dificuldade para respirar. Enfiou um vestido 
dois nmeros menor e que quase no conseguia que chegasse ar 
aos pulmes. Levantou a vista para os olhos azuis escuro, 
emoldurados por longas e grossas pestanas e soube que preferia 
cortar os pulsos antes de vomitar diante de um homem to 
escandalosamente bonito. As espessas pestanas e a boca carnuda 
deveriam fazer que parecesse feminino, mas no era assim. 
Aquele homem era muito viril para ser confundido com outra 
coisa que no um homem cem por cento heterossexual. 
Georgeanne, que media um e setenta e cinco e pesava quase 


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sessenta e cinco kg se sentia pequena ao seu lado. 

Onde a deixo, Georgie?  perguntou outra vez. Uma mecha 
do espesso cabelo castanho lhe caa sobre a testa, desviando a 
ateno da pequena cicatriz branca que atravessava sua 
sobrancelha esquerda. 

No sei  sussurrou. Durante meses tinha vivido com um 
horrvel peso no peito. Um peso que estava segura que um homem 
como Virgil poderia fazer desaparecer. Com Virgil nunca teria 
tido que tapear credores ou arrendadores zangados outra vez. 
Tinha vinte e dois anos e tinha tratado de se ocupar de si mesma, 
mas, como sempre, tinha falhado miseravelmente. Sempre tinha 
sido um fracasso. Tinha fracassado na escola e em cada trabalho 
que tinha tido e estava convencida que poderia amar Virgil Duffy. 
At esse dia. Enquanto olhava seu reflexo no espelho e 
examinava o vestido de noiva que ele tinha escolhido para ela, a 
dor no peito ameaava afog-la e soube que no poderia casar 
com o Virgil. Nem sequer todo esse maravilhoso dinheiro poderia 
conseguir que ela se deitasse com um homem que recordava H. 
Ross Perot. 

Onde vive sua famlia? 

Pensou em sua av. 

Tenho uns tios avs que vivem em Duncanville, mas Lolly no 
pode viajar por causa do reumatismo e o tio Clyde teve que ficar 
em casa para cuidar dela. 

John fez um gesto de aborrecimento com a boca. 

Onde vivem seus pais? 

Fui criada por minha av, mas morreu faz vrios anos  
respondeu Georgeanne, esperando que no indagasse sobre o pai 
que nunca conheceu ou a me a que s tinha visto uma vez no 
enterro de sua av. 

Amigos? 

Minha nica amiga est na casa de Virgil.  S de pensar 


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em Sissy comeava a palpitar seu corao. Sua amiga se 
encarregou de que todas as damas de honra vestissem com o 
mesmo tom cor lavanda. Os vestidos combinando pareciam agora 
algo tolo e corriqueiro. 

Ele franziu os lbios. 

Naturalmente.  Retirou as mos grandes da cintura dela e 
passou os dedos pelo cabelo. Tenho a impresso que no tem 
um plano muito firme. 

No, no tinha um plano, nem firme nem de nenhuma outra 
maneira. Tinha pego a ncessaire de maquiagem e tinha sado da 
casa de Virgil sem pensar aonde iria ou como chegaria. 

 Demnios.  Ele deixou cair s mos e olhou  estrada. 
Poderia pensar em algo. 
Georgeanne teve o horrvel pressentimento de que se no 
pensasse em algo nos prximos dois minutos, John voltaria para o 
carro e a deixaria, plantada ali mesmo. E necessitava dele, ao 
menos durante uns dias, at que resolvesse o que ia fazer, assim 
recorreu ao que sempre tinha funcionado. Colocou uma mo no 
brao e se recostou um pouco sobre ele, o justo para faz-lo 
pensar que estava aberta a qualquer sugesto que lhe ocorresse. 

Talvez voc pudesse me ajudar  disse com sua voz mais 
agradvel e suave, completou com um sorriso tipo voc  um 
macho e eu uma dama indefesa. Georgeanne podia ser um 
fracasso em todo o resto, mas era uma coquete consumada e uma 
autentica bomba relgio quando se tratava de manipular aos 
homens. Baixando as pestanas modestamente, o olhou com seus 
belos olhos. Curvou os lbios em um sorriso sedutor que prometia 
algo que no tinha inteno de cumprir. Deslizou as palmas das 
mos pelos duros braos em um gesto que parecia uma carcia, 
mas que em realidade era uma manobra ttica para se defender 
das mos rpidas. Georgeanne odiava que os homens tentassem 
tocar em seus seios. 


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 tentadora disse ele, colocando um dedo sob o queixo 
para obrig-la a olh-lo, mas no vale um preo to alto. 

Um preo to alto? Uma brisa fresca agitou os cachos 
dela, roando-os na face. O que quer dizer? 

H... comeou, logo percorreu com o olhar os seios que 
pressionavam contra seu torso, quero dizer que voc quer algo 
de mim e est disposta a usar seu corpo para obt-lo. Eu gosto 
do sexo tanto como qualquer homem, mas, querida, no vale 
minha carreira. 

Georgeanne o empurrou e afastou o cabelo dos olhos. Tinha 
tido vrias relaes ntimas em sua vida e, segundo ela, o sexo 
estava muito valorizado. Os homens pareciam gozar dele, mas 
para ela s era algo muito embaraoso. O lado positivo que se 
podia dizer disso era que no durava mais de trs minutos. 
Levantou o queixo e o fitou como se a tivesse machucado e 
insultado. 

Est equivocado. No sou esse tipo de garota. 

J vejo. Voltou a olhar para ela como se soubesse 
exatamente que tipo de garota era.  s uma coquete. 

Coquete era uma palavra feia. Ela se considerava, mais uma 
atriz. 

Por que no para de fazer rodeios e me diz o que quer? 

De acordo  disse ela, mudando de ttica. Necessito um 
pouco de ajuda, e necessito um lugar onde ficar uns dias. 

Escuta  suspirou ele, mudando o peso de um p a outro. 
No sou o tipo de homem que anda procurando. No posso te 
ajudar. 

Ento, por que me disse que o faria? 

Ele entrecerrou os olhos, mas no respondeu. 

S uns dias  implorou, desesperada. Necessitava tempo 
para pensar o que fazer nesse momento no que sua vida que 
estava indo a deriva. No serei um problema. 


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Duvido muito  mofou. 

Tenho que chamar minha tia. 

Onde est sua tia? 

L em McKinney  respondeu com sinceridade, embora na 
realidade no desejasse contatar com Lolly. Sua tia estava mais 
que satisfeita com a escolha de marido que havia feito 
Georgeanne. Alm disso, embora Lolly nunca tinha sido to 
descarada para pedir diretamente, Georgeanne suspeitava que 
sua tia esperava conseguir desse casamento uma srie de 
presentes caros como uma televiso de tela gigante e uma cama 
articulada. 

O duro olhar de John a imobilizou durante um longo 
momento. 

Merda, entra  disse, e rodeou o carro. Mas logo que 
faa contato com sua tia levo voc para o aeroporto ou  estao 
de nibus ou aonde demnios queira que v. 

Apesar de que no era nem muito menos uma oferta 
entusiasta, Georgeanne no desperdiou a oportunidade. Subiu 
no carro e bateu a porta com fora. 

John ligou o motor, manobrou o Corvette e o carro voltou 
para a estrada. O som das rodas sobre o asfalto encheu o 
incmodo silncio entre eles, ao menos foi incmodo para 
Georgeanne. Para John no parecia incomodo. 

Durante anos tinha frequentado  Escola de Bal, Claque e 
Maneiras da senhorita Virdie Marshall. Embora nunca tivesse 
sido a aluna mais brilhante, tinha se destacado mais do que as 
demais por sua habilidade para cativar a qualquer pessoa, onde 
fosse e em qualquer momento. Mas agora tinha um pequeno 
problema. John parecia no gostar dela, o que a deixava perplexa 
porque sempre agradava aos homens. Embora no tenha deixado 
de notar que ele no era um cavalheiro. Blasfemava com uma 
frequncia que beirava o obsceno e nem sequer se desculpava 


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depois. Os homens sulinos que conhecia amaldioavam,  obvio, 
mas normalmente pediam perdo logo. John no parecia o tipo de 
homem que pedisse perdo por nada. 

O observou de perfil e tentou identificar encantado John 
Kowalsky. 

 de Seattle?  perguntou, decidida a que babasse por ela 
quando alcanassem seu destino. Simplificaria muitssimo as 
coisas porque, embora parecesse no ter se dado conta, acabava 
de lhe oferecer um lugar onde ficar algum tempo. 

No. 

De onde ? 

De Saskatoon. 

De onde? 

Do Canad. 

O cabelo golpeou sua face, e ela o recolheu com a mo e o 
segurou a um lado do pescoo. 

Nunca estive no Canad. 

Ele no fez comentrios. 

H quanto tempo joga hquei?  perguntou, esperando ter 
uma ligeira e agradvel conversa embora tivesse que arrancar as 
informaes. 

Toda minha vida. 

 H quanto tempo est jogando nos Chinooks? 
Ele pegou os culos de sol do painel e os colocou. 
Um ano. 
Vi jogar aos Stars  disse, se referindo  equipe de hquei 
de Dallas. 

Um grupo de asnos fracos  resmungou ele, ao tempo que 
desabotoava o punho direito da camisa branca para arrega-la 
at o cotovelo. 

No era uma conversa exatamente agradvel, decidiu ela. 
Foi  universidade? 


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No a srio. 

Georgeanne no tinha nem idia do que queria dizer com isso. 

Eu fui  Universidade do Texas  mentiu em um esforo 
para impression-lo. 

Ele bocejou. 

Estava na Irmandade Kappa  seguiu mentindo. 

Sim? Srio? 

Sem fazer caso de sua nada entusiasta resposta, ela 
continuou: 

 casado? 

Cravou os olhos nela atravs dos culos de sol, deixando claro 
que no tinha dado importncia a um assunto espinhoso. 

 Voc  uma reprter do National Enquirer? 
No.  que tenho curiosidade. Como passaremos algum 
tempo juntos, pensei que seria bom ter um bate-papo amistoso 
para nos conhecermos. 

John voltou sua ateno  estrada e comeou a arregaar a 
outra manga. 

Eu no converso. 

Georgeanne alisou a barra do vestido. 

Posso perguntar aonde vamos? 

Tenho uma casa na praia de Copalis. Pode contatar com sua 
tia de l. 

 perto de Seattle?  se inclinou para um lado e continuou 
puxando a barra do vestido. 

No. Caso no tenha percebido, estamos indo para o oeste. 

O pnico a invadiu enquanto se afastavam um pouco mais de 
qualquer lugar remotamente familiar. 

Caramba, como perceberia? 

Pois porque o sol ainda est l atrs. 

Georgeanne no prestou ateno, e embora tivesse prestado, 

no teria pensado em averiguar a direo olhando do sol. Sempre 


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se confundia com isso de norte, sul, leste, oeste. 

Suponho que tenha telefone na casa da praia? 

 obvio. 

Teria que dar uma srie de telefonemas para Dallas. Tinha 
que ligar para Lolly e para os pais de Sissy e contar a eles o que 
tinha acontecido para que pudessem entrar em contato com sua 
filha. Tambm tinha que ligar para Seattle e descobrir como 
poderia enviar o anel de noivado para Virgil. Cravou o olhar na 
aliana com um diamante de cinco quilates em sua mo esquerda e 
esteve a ponto chorar. Adorava esse anel, embora soubesse que 
no podia conserv-lo. Talvez fosse uma coquete incorrigvel, mas 
tinha escrpulos. Devolveria o diamante, mas no nesse momento. 
Tinha que se acalmar antes de sofrer uma crise nervosa. 

Nunca estive no oceano Pacfico  disse, sentindo que o 
pnico diminua um pouco. 

Ele no fez comentrio algum. 

Georgeanne sempre foi considerada perfeita para encontros 
s cegas porque podia falar at da cor da gua, especialmente 
quando estava nervosa. 

Mas fui ao Golfo muitos vezes  comeou . Quando tinha 
doze anos, minha av nos levou Sissy e a mim em seu grande 
Lincoln. Esse carro devia pesar dez toneladas, mas era como se 
voasse. Sissy e eu acabvamos de comprar uns biqunis realmente 
lindos. O dela parecia uma bandeira americana enquanto que o 
meu era de seda como as echarpes. Nunca o esquecerei. Fomos 
at Dallas s para comprar esse biquni no J. C. Penney. Vi ele em 
um catlogo e desejava muito t-lo. De qualquer maneira, Sissy  
uma Miller pelo lado materno e as mulheres Miller so conhecidas 
por todo Collin County pelos quadris largos e os tornozelos 
grossos, mas so um encanto de famlia. Uma vez... 

E o que tem tudo isto?  interrompeu John. 

Logo o ver  disse, tratando de seguir sendo agradvel. 


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Logo? 

S queria saber se a gua da costa de Washington est 
gelada. 

John sorriu e depois a olhou. Pela primeira vez, ela notou a 
covinha de sua bochecha direita. 

Congelar por completo esse traseiro sulino  disse antes 
de baixar o olhar para o painel e agarrar uma fita cassete. 
Colocou-a no toca-fitas e o som de uma gaita ps fim a qualquer 
tentativa de conversa. 

Georgeanne fixou a ateno na paisagem montanhosa 
salpicada de abetos e amieiro de tons vermelho, azul, amarelo, e 
 obvio verde. At esse momento tinha conseguido evitar seus 
pensamentos que agora a afligiam, a assustavam e a paralisavam. 
Mas sem outra distrao se precipitaram sobre ela como uma 
onda de calor no Texas. Pensou em sua vida e o que havia feito 
nesse mesmo dia. Tinha deixado plantado um homem no altar e, 
embora o casamento seria um desastre, ele no merecia. 

Todos seus pertences estavam em quatro malas no Rolls 
Royce de Virgil, tudo exceto a ncessaire que descansava sobre 

o cho do carro de John. Tinha enchido a pequena mala com 
coisas essenciais para a noite de npcias com Virgil. 
Tudo o que tinha ali era uma carteira com sete dlares e trs 
cartes de crdito sem recursos, uma quantidade enorme de 
cosmticos, uma escova de dente e outra para o cabelo, um 
pente, um tubo de spray para cabelo, seis conjuntos de calcinhas 
e sutis, as plulas anticoncepcionais e um sorriso. 

Se superou, inclusive sendo Georgeanne Howard. 

Captulo 2 


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Os intermitentes raios do sol, que arrancavam brilhos azuis 
do agitado mar esverdeado, e a brisa salgada, to densa que se 
podia saborear, deram as boas-vindas a Georgeanne  costa do 
Pacfico. Sentiu um arrepio enquanto se esticava para tentar 
captar um vislumbre do espumoso oceano azul. 

O grito das gaivotas ecoava no ar enquanto John conduzia o 
Corvette pelo caminho de entrada a uma casa cinza de difcil 
descrio com as venezianas brancas. Um ancio com uma 
camiseta sem mangas, uns shorts e um par de chinelos 
permanecia de p no alpendre. 

Logo que o carro parou, Georgeanne abriu a porta e saiu. No 
esperou que John a ajudasse, embora de todas as formas no 
acreditasse que fosse fazer isso. Depois de uma hora e meia 
sentada no carro, o papel de viva alegre se tornou to 
forado que chegou a pensar que depois de tudo ia enjoar. 

Puxou a barra do vestido rosa para baixo e pegou a 
ncessaire e os sapatos. As barbatanas do espartilho 
pressionaram as costelas quando se inclinou para colocar as 
sandlias. 

Por Deus, filho  grunhiu o homem do alpendre com voz 
grave. Outra bailarina? 

John franziu o cenho enquanto guiava Georgeanne  porta 
principal. 

Ernie, eu gostaria de te apresentar  senhorita Georgeanne 
Howard. Georgie, este  meu av, Ernest Maxwell. 

Como senhor est?  Georgeanne ofereceu a mo e 
observou a cara enrugada incrivelmente parecida com a de 
Burgess Meredith. 

Uma sulina... Hum.  Se voltou e entrou na casa. 

John manteve a porta de tela aberta para que Georgeanne 
entrasse. A casa estava mobiliada em tons azuis, verdes 


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brilhantes e marrons claros, de tal maneira, que um tinha a 
impresso que a paisagem exterior, visvel atravs da grande 
janela panormica, formava parte da sala de estar. Tudo parecia 
ter sido escolhido para combinar com o oceano e a praia arenosa, 
tudo menos a poltrona com tapearia Naugahy prateada e os dois 
tacos de hquei que formavam X sobre a parte superior da 
prateleira repleta de trofus. 

John tirou os culos de sol e os atirou sobre a mesinha de 
caf de madeira e vidro. 

H um quarto de hspedes neste corredor,  a ltima porta 
 esquerda. O banheiro  junto , disse a Georgeanne e indo em 
direo da cozinha. Ele pegou uma garrafa de cerveja na 
geladeira e abriu. Levou a garrafa aos lbios, ombros encostados 
 porta fechada da geladeira. Desta vez, tinha cometido um 
grande erro. Georgeanne no deveria ser ajudada e sabia que era 
um erro lev-la com ele. No queria, mas quando mirou seus 
olhos, to vulnervel e com medo foi incapaz de deix-la na beira 
da estrada. Inferno. Que Virgil no ficasse sabendo jamais. 

Ele saiu do bar e voltou para a sala. Ernie estava 
sentado em sua poltrona favorita com foco em Georgeanne. Ela 
estava de p ao lado da lareira, com cabelos soprando no vento e 

o vestidinho rosa totalmente amassado. Ela parecia muito 
cansada, mas mesmo debaixo do olhar de Ernie, a achou mais 
tentadora que um Buffet. 
O que aconteceu, Georgie?  perguntou John, levando a 
cerveja aos lbios. Por que no trocou de roupa? 

Existe um pequeno problema  disse com seu acento 
arrastado ao tempo que o encarava. No tenho nada para 
trocar. 

Ele a apontou com a garrafa. 
O que h nessa maleta? 
Cosmticos. 



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S isso? 

No.  Lanou um olhar a Ernie. Tenho alguma outra 
coisa e a carteira. 

E onde est sua roupa? 

Em quatro malas no porta-malas do Rolls Royce de Virgil. 

Assim, no final de contas, ele teria que aliment-la, aloj-la... 
E vesti-la. 

Venha comigo  disse, logo colocou a cerveja na mesinha 
de caf e a guiou pelo corredor que levava a seu quarto. Procurou 
no armrio e pegou uma velha camiseta negra e uma bermuda 
verde de cordes de amarrar na cintura.  Vista  disse, 
lanando-os sobre o edredom azul que cobria a cama antes de 
voltar para a porta. 

John? 

Se deteve ao ouvir seu nome em seus lbios, mas no se 
virou. No queria ver o olhar assustado desses olhos verdes. 

O que?  No posso tirar este vestido sozinha. Necessito 
de ajuda. 

Alguns botes so muito altos  assinalou com estupidez. 

John pensou que no s queria que a vestisse, ainda por cima 
queria que a despisse. 

So muito escorregadios  explicou. 

Vire-se  ordenou ele com voz rouca enquanto dava um 
passo para ela. 

Sem pigarrear, deu-lhe as costas e olhou para o espelho que 
havia em cima da penteadeira. Entre as suaves omoplatas ficavam 
os quatro botes pequenos que fechavam a parte superior do 
vestido. Afastou o cabelo para o lado, deixando  vista os 
pequenos cachos do nascimento do cabelo. Tudo nela era suave: a 
pele, o cabelo, esse acento sulino. 

Como se meteu nesta coisa? 

Com ajuda.  O olhou atravs do espelho. 


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John no podia recordar outro momento em que ajudasse 
uma mulher a tirar a roupa sem planejar ir para cama com ela 
depois, mas no tinha inteno de tocar na fugitiva noiva de 
Virgil mais do que o necessrio. Levantou as mos e puxou com 
fora at que um dos pequenos botes se soltou da escorregadia 
casa. 

No posso imaginar o que estaro pensando todos agora 
mesmo. Sissy me avisou para no me casar com Virgil. Pensei que 
poderia faz-lo, mas no final no fui capaz. 

No acredita que deveria ter chegado antes a essa 
concluso?  perguntou ele, deslocando os dedos mais abaixo. 

Fiz isso. Disse para Virgil que tinha dvidas. Tratei de falar 
com ele sobre isso ontem a noite, mas no quis me escutar. Logo 
vi o faqueiro.  Balanou a cabea e um suave cacho de cabelo 
caiu sobre as costas roando a pele suave. Escolhi de presente 
de casamento um faqueiro Francis I, e seus amigos nos deram de 
presente  disse distrada como se ele soubesse de que diabos 
falava. Ah, s ver todas essas peas com frutas esculpidas me 
produziu calafrios. Sissy acredita que deveria ter escolhido algo 
como uma escultura, mas sempre fui uma garota Francis I. 
Mesmo quando era pequena... 

John no era nada tolerante com o bate-papo das mulheres. 
Nesse momento desejava ter  mo um toca-fitas e outra fita de 
Tom Petty. Dado que no tinha essa sorte, se desconectou 
mentalmente da conversa. Muito freqentemente o acusavam de 
ser um malvado insensvel, uma reputao que considerava 
vantajosa. Dessa maneira, no tinha que se preocupar que as 
mulheres considerassem a relao como algo permanente. 

J que est aqui, pode me abrir o zper? De qualquer 
maneira  continuou, quase chorei de alegria quando pus os 
olhos nos garfos para peixe e as colheres de sobremesa... 

John a olhou com o cenho franzido atravs do espelho, mas 


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no prestava ateno; Georgie tinha a vista cravada no lao 
branco do suti. John tratou de alcanar o zper e, quando o 
desceu, descobriu a razo que Georgeanne tinha dificuldade para 
respirar. Entre o zper aberto do vestido de noiva viu os ganchos 
que fechavam um objeto de roupa ntima que John 
imediatamente reconheceu como um espartilho. Tudo era rosa: a 
laada, o revestimento dos aros e o espartilho que apertava a 
suave pele. 

Ela levantou uma mo para o lao do suti, segurando-o 
firmemente contra seus grandes seios para impedir que o vestido 
casse. 

Ao ver meu faqueiro de prata subiu  cabea e acredito que 
deixei que Virgil me convencesse de que s eram dvidas prnupcial. 
Na realidade queria acreditar... 

Quando John terminou com o zper anunciou: 

 Pronto. 
OH  ela o contemplou atravs do espelho logo, 
rapidamente, baixou o olhar. Suas bochechas ficaram vermelho 
vivo ao perguntar, pode desabotoar meu ah... ah, o objeto de 
baixo? 

O espartilho? 

Sim, por favor. 

No sou uma maldita ama-seca  protestou ele, e levantou 
as mos outra vez para puxar os ganchos e as casas. Enquanto 
lutava com os diminutos colchetes, roou com os ndulos as 
marcas rosadas que arruinavam a pele dela. Ela estremeceu e um 
longo suspiro escapou do mais profundo da garganta. 

John olhou para o espelho e deteve as mos. A nica vez que 
via tal xtase na face de uma mulher era quando estava 
profundamente enterrado em seu corpo. Uma rpida pontada de 
luxria o golpeou no ventre. A reao de seu corpo ante a 
satisfao que se refletia nos olhos e nos lbios de Georgeanne o 


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irritou. 

OH, sim.  Ela respirou profundamente. No pode 
imaginar como me sinto bem agora. No tinha pensado ficar com 
este vestido mais que uma hora e foram trs. 

Seu membro podia responder a uma mulher bonita  de fato, 
se preocuparia se no fosse assim, mas no pensava fazer nada 
a respeito. 

Virgil  um velho  disse sem incomodar em dissimular a 
irritao de sua voz. Como demnio esperava que a tirasse 
daqui? 

Isso foi cruel  sussurrou. 

No espere amabilidade de minha parte, Georgeanne  
advertiu, puxando com brutalidade o resto dos ganchos. Ou 
ter uma decepo. 

Ela o olhou e deixou cair o cabelo pelos ombros. 

Acredito que poderia ser simptico se quisesse. 

Claro  disse, movendo as pontas de seus dedos para roar 
as marcas que tinha nas costas, mas antes que pudesse aliviar 
sua pele com a carcia deixou cair  mo. Se quisesse  disse, e 
saiu do quarto fechando a porta atrs dele. 

Quando chegou na sala, sentiu imediatamente o olhar 
especulativo de Ernie. John pegou a cerveja da mesa, sentou no 
sof que havia diante da velha poltrona de seu av e esperou que 
Ernie comeasse a lanar suas perguntas. No teve que esperar 
muito. 

Onde a encontrou? 

 uma longa histria  respondeu, logo explicou a situao 
sem esconder nada. 

Meu Deus, perdeu o juzo?  Ernie se inclinou para frente 
sobre e disse: O que acha que Virgil vai fazer? Pelo que me 
disse esse homem no  exatamente um modelo de misericrdia e 
virtualmente roubou sua noiva. 


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No a roubei.  John ps os ps sobre a mesinha de caf e 
se afundou mais nas almofadas. Ela j o tinha deixado. 

Sim.  Ernie cruzou os braos sobre o peito e ficou 
carrancudo . No altar. Um homem no  propenso a perdoar e 
esquecer uma coisa como essa. 

John apoiou os cotovelos sobre as coxas e levou a garrafa 
aos lbios. 

No ficar sabendo  disse antes de dar um longo gole. 

Espero que no. Trabalhamos muito duro para chegar to 
longe  recordou ao neto. 

Sei  disse, embora no fosse necessrio que o 
recordasse. Devia tudo o que era a seu av. Depois que seu pai 
morreu, sua me e ele se foram viver na casa ao lado de Ernie. A 
cada inverno Ernie tinha enchido seu ptio traseiro de gua para 
que John tivesse um lugar onde patinar. Tinha sido Ernie quem 
praticou com John sobre esse gelo gelado at que ambos 
acabavam congelados at os ossos e quem o tinha ensinado a 
jogar hquei, levando-o s partidas e ficando para torcer. Foi seu 
av quem os manteve unidos quando as coisas iam realmente mal. 

 Vai fazer com ela? 
John olhou a cara enrugada de seu av. 
O que? 
No  assim como o dizem os jovens agora? 
Jesus, Ernie  disse John, embora na realidade no 
estivesse escandalizado. No, no vou fazer com ela. 

Sem dvida alguma, assim espero.  Cruzou seu caloso e 
gretado p sobre o outro. Mas se Virgil fica sabendo que est 
aqui, pensar que o fez de todas as maneiras. 

No  meu tipo. 
Claro que   discutiu Ernie. Recorda a artista de striptease 
com quem saiu recentemente, Cocoa LaDude. 
John lanou um olhar ao corredor, agradecendo que 


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Georgeanne ainda no tivesse aparecido. 

Seu nome era Cocoa LaDuke, e no sa com ela. Voltou o 
olhar para seu av e franziu o cenho. Embora Ernie nunca tivesse 
dito, John tinha o pressentimento de que seu av no aprovava 
seu estilo de vida. No esperava encontr-lo aqui  disse, 
trocando o tema de propsito. 

Onde queria que estivesse? 

Em casa. 

Amanh  dia seis. 

John voltou o olhar  enorme janela que dava para o oceano. 
Observou como se erguiam as ondas para depois retroceder 
sobre si mesmas. 

No preciso que segurem minha mo. 

Sei, mas pensei que voc gostaria de tomar uma cerveja 
com um amigo. 

John fechou os olhos. 

No quero falar de Linda. 

No temos que faz-lo. Sua me est preocupada. Deveria 
v-la mais freqentemente. 

John passou o polegar sobre a etiqueta da garrafa de 
cerveja. 

Bem, farei isso  embora soubesse que no faria. Sua me 
estava acostumada a se comportar como uma bruxa com ele 
sobre o tema do lcool; diria que levava uma vida autodestrutiva. 
Sabia que tinha razo, mas no gostava que o lembrassem. 
Quando passei pelo vilarejo, vi Dickie Marks saindo de seu bar 
favorito  disse, trocando outra vez de tema. 

Estive antes com ele. Ernie se levantou lentamente da 
cadeira. Seus movimentos lentos recordaram a John que seu av 
tinha setenta e um anos. Vamos sair para pescar pela manh. 
Deveria madrugar e vir conosco. Vrios anos antes, John seria 

o primeiro a subir no bote, mas agora normalmente despertava 

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com uma aguda dor de cabea. Levantar antes do amanhecer para 
congelar o traseiro no o atraa absolutamente. 

Pensarei  respondeu, sabendo que no iria. 

Georgeanne fechou o suti, pegou a camiseta e a enfiou por 
cima da cabea. Uma boina de beisebol dos Seahawks, um 
cronmetro, uma atadura elstica e uma capa grossa de p 
repousavam sobre a penteadeira diante dela. Levantou o olhar 
para o grande espelho da penteadeira e se assustou. A camiseta 
de suave algodo branco rodeava os seios, mas ficava frouxa em 
todos outros lugares. Parecia um atentado contra a moda, assim 
a enfiou dentro da bermuda larga, embora dessa maneira 
destacasse os grandes seios e o traseiro; os dois lugares que no 
queria ressaltar. Puxou bruscamente a camiseta at que caiu 
sobre seus quadris, logo colocou os sapatos dentro da ncessaire 
e pegou uma barra de chocolate que guardava ali. Sentada sobre 
a borda da cama tirou o pacote marrom e afundou os dentes na 
saborosa guloseima. Um suspiro de prazer escapou dos lbios 
enquanto mastigava o doce. Se recostando na colcha azul, se 
espreguiou e ficou olhando a instalao da luz do teto. Duas 
traas mortas descansavam sobre o fundo do abajur branco. 
Enquanto devorava a barra de chocolate, escutou as vozes 
amortecidas de John e de Ernie atravs da porta de madeira. 
Considerando que John no parecia simpatizar muito, era 
estranho que o timbre rouco de sua voz a tranqilizasse. 
Possivelmente porque era a nica pessoa que conhecia em vrias 
milhas ou possivelmente porque no fundo sentia que no era to 
imbecil como parecia. No obstante, to somente com seu 
tamanho conseguia que qualquer mulher se sentisse segura. 

Deslizou lentamente at que descansou a cabea sobre o 
travesseiro de John e os ps sobre o vestido de noiva, que 
estava aos ps da cama. Quando terminou de engolir o chocolate, 


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pensou em chamar Lolly, mas decidiu esperar. No tinha pressa 
em escutar a reao de sua tia. Pensou em levantar, mas o que 
fez foi fechar os olhos. Recordou a primeira vez que viu Virgil no 
departamento de cosmticos de Neiman-Marcus em Dallas. Ainda 
custava acreditar que fazia pouco mais de um ms trabalhava, 
distribuindo amostras de perfumes Fendi e Liz Claiborne. O mais 
provvel  que no o tivesse visto se ele no se aproximasse dela. 
Nem teria jantado com ele a primeira vez se no tivesse tido 
rosas e uma limusine esperando na porta depois do trabalho. 
Tinha sido to fcil deslizar dentro dessa limusine com ar-
condicionado, longe do calor, da umidade e da fumaa dos nibus. 
Se no estivesse se sentindo to s e se seu futuro no 
estivesse to incerto, provavelmente no teria aceitado casar 
com um homem que conhecia h to pouco tempo. 

Na noite anterior tinha tentado dizer a Virgil que no podia 
casar com ele. Tinha tratado de cancelar a cerimnia, mas no a 
escutou. Se sentia horrivelmente mal pelo que tinha feito, mas 
no lhe ocorreu nenhuma outra maneira. 

Sem poder reprimir mais as lgrimas que conteve todo o dia 
soluou no travesseiro de John. Chorou pela confuso que havia 
feito em sua vida e o vazio que sentia em seu interior. O futuro 
parecia incerto e aterrador. Seus nicos parentes eram uma tia e 
um tio que viviam de Segurana Social e cujas vidas giravam em 
torno do programa I Love Lucy. 

No tinha nada e ainda por cima, tinha conhecido um homem 
que havia dito que no esperasse que fosse amvel com ela. 
Repentinamente se sentiu como Blanche Dubois no filme Um 
bonde chamado desejo. Tinha visto todos os filmes com Vivien 
Leigh e pensou que era um pouco estranho, uma rara 
coincidncia, que o sobrenome de John fosse Kowalsky. 

Estava assustada e sozinha, mas de certa maneira se sentia 
aliviada por no ter que fingir nunca mais. No teria que fingir 


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que apreciava o horrvel gosto de Virgil para a roupa e as demais 
vulgaridades que ele queria que usasse. 

Exausta, chorou at adormecer. No tinha noo de quanto 
tempo ficou adormecida at que despertou com um sobressalto, 
sentando de repente sobre a cama. 

Georgie? 

Uma mecha de cabelo caiu sobre o olho esquerdo enquanto se 
voltava para a porta iluminada pelo sol para ver um rosto que 
lembrava um desses calendrios de rapazes bonitos. Suas mos 
se agarravam ao marco por cima da cabea e o relgio prateado 
tinha girado de tal maneira que a esfera descansava contra seu 
pulso. Tinha um quadril mais alto que o outro, e durante um 
momento cravou os olhos nele, desorientados. 

Est com fome? perguntou. 

Piscou vrias vezes antes de limpar. John tinha trocado a 
roupa por um par de Levi's velhos com um buraco no joelho. O 
Suter branco dos Chinooks que rodeava seu peito no ocultava o 
plo fino que lhe obscurecia as axilas. No podia deixar de se 
perguntar se teria trocado no quarto enquanto ela dormia. 

Se tiver fome, Ernie est fazendo sopa de pescado. 

Morro de fome  disse, passando as pernas pela borda da 
cama. Que horas so? 

John baixou a mo e olhou o relgio. 

Quase seis. 

Tinha dormido umas duas horas e meia, e se sentia mais 
cansada que antes. Recordou ir ao banho e recolheu a ncessaire 
que tinha deixado no cho ao lado da cama. 

Necessito uns minutos  disse, evitando se olhar no 
espelho ao passar pela penteadeira. No demorarei  
acrescentou, se aproximando da porta. 

Bem. Estvamos a ponto de nos sentar  mesa  a informou 
John, embora no se moveu. Seus ombros virtualmente enchiam o 


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marco da porta, a obrigando a se deter. 

Perdoa. Se ele pensava que para passar ia se apertar 
contra ele o deixava claro. Georgeanne havia resolvido esse jogo 
em dcimo grau. A decepcionou que John pertencesse ao tipo de 
homens de m fama que pensava que tinham direito a se esfregar 
contra as mulheres e as olhar com ateno sob as blusas, mas 
quando levantou o olhar para seus olhos azuis, se sentiu aliviada. 
O cenho enrugava a testa dele e a olhava  boca, no aos seios. 
Levantou uma mo para ela e lhe roou o lbio inferior com o 
polegar. Estava to perto que podia cheirar sua colnia, 
Obsesso. Depois de trabalhar com perfumes e colnias durante 
um ano, Georgeanne reconhecia todas as fragrncias. 

O que  isto?  perguntou, lhe mostrando um pingo de 
chocolate no polegar. 

Meu almoo  respondeu, sentindo uma revoada no 
estmago. Levantou a vista aos olhos azuis e se deu conta que, 
para variar, no a olhava franzindo o cenho. Ela lambeu o lbio e 
perguntou: melhor assim? 

Lentamente ele baixou os braos e levantou seu olhar para o 
dela. 

Melhor que o que?  perguntou, e Georgeanne pensou que 
ia sorrir e voltaria a lhe mostrar sua covinha outra vez, mas em 
seu lugar deu meia volta e saiu ao corredor. 

Ernie quer saber se quer cerveja ou gua gelada com o 
jantar  lhe disse por cima do ombro. A parte traseira de suas 
calas jeans era de um azul mais claro que o resto, e a carteira 
lhe avultava um dos bolsos. Nos ps levava um par de chinelos 
baratos como os de seu av. 

gua respondeu, mas teria preferido ch gelado. 
Georgeanne foi ao banheiro e reparou o desastre da maquiagem. 
Quando voltou a aplicar batom cor Borgonha, curvou a boca em 
um sorriso. Tinha estado certa a respeito de John. No era um 


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imbecil. 

Acabou de arrumar o cabelo e chegou a pequena sala de 
jantar; John e Ernie j estavam sentados  mesa de carvalho. 

Sinto ter demorado  disse, dando a entender que eram 
uns mal educados por ter comeado sem ela. Sentou frente a 
John e pegou um guardanapo de papel de um anel verde azeitona. 
O colocou no colo procurou a colher e a encontrou no lado 
equivocado do prato. 

A pimenta est  direita  disse Ernie, indicando com a 
colher uma lata vermelha e branca que havia no meio da mesa. 

Obrigado. Georgeanne olhou ao ancio. No lhe 
interessava a pimenta, mas depois da primeira colherada da 
branca e cremosa sopa de pescado lhe resultou evidente que 
Ernie sim gostava. A sopa era espessa e saborosa e, apesar da 
pimenta, estava deliciosa. Junto a seu prato havia um copo de 
gua gelada e o pegou. Enquanto bebia um gole, percorreu a sala 
com o olhar e percebeu a escassa decorao. De fato, o nico 
mvel que havia na sala alm da mesa era uma grande vitrine 
cheia de trofus. Senhor Maxwell, voc vive aqui todo o ano?  
perguntou, decidida a iniciar uma conversa. 

Ele negou com a cabea, chamando a ateno para seu cabelo 
branco rapado na mquina um. 

Esta  uma das casas de John. Ainda vivo em Saskatoon. 

Est perto? 

O suficientemente perto como para no perder minha 
rao de partidas. 

Georgeanne colocou o copo na mesa e comeou a comer. 

De hquei? 

 obvio. Vou a quase todas as partidas. Voltou o olhar 
para John. Mas ainda dou cabeadas contra a porta por ter 
perdido esse hat trick em maio passado. 

Deixa de se preocupar por isso  disse John. 


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Georgeanne no sabia quase nada de hquei. 

O que  um hat trick? 

 quando um jogador anota trs gols em uma partida  
explicou Ernie. E tambm perdi essa partida contra os Kings.  
Fez uma pausa para negar com a cabea; seus olhos se encheram 
de orgulho ao contemplar seu neto. Esse asno do Gretzky se 
deu de cabeadas durante uns bons quinze minutos depois de se 
aplastrar contra a barreira  disse realmente encantado. 

Georgeanne no tinha a mais remota idia do que Ernie 
falava, mas aplastrar contra a barreira soava doloroso. Tinha 
nascido e crescido em um estado que vivia por e para o futebol, 
mas ela o odiava. Algumas vezes se perguntava se era a nica 
pessoa no Texas que aborrecia os esportes violentos. 

No doeu? perguntou. 

Demnios, no!  explodiu o ancio. Se estrelou contra 
muro e viveu para cont-lo. 

Uma comissura dos lbios de John se curvou para cima e 
inundou vrias bolachas salgadas na sopa de pescado. 

Acredito que no conquistarei lady Bying logo. 

Ernie se voltou para o Georgeanne. 

 o trofu que lhe d ao jogador mais cavalheiresco, mas 
que se danem. Golpeou a mesa com um punho, enquanto se 
levava a colher  boca de novo. 

Pessoalmente, Georgeanne acreditava que nenhum deles 
corria o risco de ganhar um prmio por comportar-se como um 
cavalheiro. 

Esta ensopa de pescado  maravilhosa -disse, em um 
esforo por trocar de tema e passar a algo um pouco menos 
exaltado. A fez voc? 

Ernie alcanou a cerveja junto a seu prato. 

Claro  respondeu, levando a garrafa  boca. 

 deliciosa. Sempre tinha sido importante para o 


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Georgeanne gostar de s pessoas, agora mais que nunca. E pensou 
que j que suas conversaes amistosas no funcionavam com o 
John, emprestaria ateno s a seu av. Comeou com uma 
bechamel? perguntou, escrutinando os olhos azuis do Ernie. 

Sim, claro, mas o truque para uma boa sopa de pescado 
est no caldo de almejas  disse, e comeou a lhe explicar entre 
colheradas a receita da sopa. Georgeanne parecia pendente de 
cada uma de suas palavras, concentrada nele exclusivamente e, 
ao cabo de uns segundos, tinha-o comendo da palma da mo. 
Perguntou e comentou sobre sua eleio de especiarias e todo o 
momento foi muito consciente do olhar fixo de John. Soube 
quando tomava um pouco de comida, quando se levava a garrafa 
de cerveja aos lbios ou quando se passava o guardanapo pela 
boca. Era consciente de quando a olhava a ela ou quando voltava a 
ateno a seu av. Antes, ao despertar da sesta, tinha sido quase 
amigvel. Agora parecia abstrado. 

E ensinou ao John como fazer sopa de pescado?  
perguntou, esforando-se por inclu-lo na conversa. 

John se reclinou na cadeira e cruzou os braos sobre o peito. 

No  foi tudo o que disse. 

Quando no estou aqui, John come fora. Mas quando estou 
me asseguro de que coma bem e de que tenha estoque na cozinha. 
Eu gosto de cozinhar - informou Ernie. Mas ele no. 

Georgeanne lhe sorriu. 

O certo  que penso que as pessoas nascem ou aborrecendo 
ou amando a cozinha e posso dizer que voc fez uma pausa para 
tocar o enrugado antebrao tem um dom especial. Nem todo 
mundo sabe fazer uma boa bechamel. 

Poderia te ensinar  se ofereceu o ancio com um sorriso. 

A pele dele se sentia como papel encerado quente sob sua 
mo, enchendo seu corao com doces lembranas da infncia. 

Obrigado, senhor Maxwell, mas j sei como faz-la. Sou do 


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Texas e ns colocamos bechamel em tudo, inclusive no atum.  
Percorreu John com o olhar, notou que franzia o cenho, e decidiu 
ignor-lo. Posso elaborar molho de bechamel e acrescent-la a 
algo. A redeye de minha av era famosa, e no estou falando de 
algo, j sabe ao que me refiro. Quando um de nossos amigos ou 
parentes passava desta para a melhor, era costume que minha 
av levasse o presunto e o molho redeye. Depois de tudo, a av 
se criou em uma granja de porcos perto de Mbile e era 
conhecida nos funerais por seus presuntos com mel.  
Georgeanne tinha passado a vida perto de pessoas mais velhas e 
falando com Ernie se sentia to a gosto que se inclinou um pouco 
mais para ele e lhe sorriu com simpatia. Agora, quem  famosa 
 minha tia Lolly, mas pelo motivo contrrio.  conhecida por sua 
gelatina Ou'Jell porque lhe joga de tudo. A fez realmente mal 
quando o senhor Fisher foi ao outro bairro. Ainda falam disso na 
Primeira Igreja Baptista que no deve se confundir com a Igreja 
Batista Livre onde lavam os ps, embora no acredito que o levem 
a prtica. 

Jesus  interrompeu John. Aonde quer ir parar? 

O sorriso de Georgeanne fraquejou, mas estava decidida a 
seguir sendo encantadora. 

J estava chegando. 

Pois bem, poderia acabar de uma vez porque ao passo que 
vai Ernie no chegar para cont-lo. 

Para j  advertiu seu av. 

Georgeanne bateu no brao de Ernie e olhou os olhos 
entrecerrados de John. 

Isso foi incrivelmente grosseiro. 

Posso ser mais desagradvel ainda. John apartou a um 
lado seu prato vazio e se inclinou para frente. Os tios da 
equipe e eu queremos saber se Virgil ainda levanta ou se s 
queria se casar com ele por dinheiro. 


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Georgeanne pde sentir como seus olhos se arregalavam e 
como lhe ardiam s bochechas. A idia de que sua relao com 
Virgil tivesse sido motivo de discusso no vesturio dos 
jogadores era muito humilhante. 

J basta, John -ordenou Ernie. Georgie  uma garota 
agradvel. 

Sim? As garotas agradveis no se deitam com os homens 
por dinheiro. 

Georgeanne abriu a boca, mas as palavras lhe falharam. 
Tratou de pensar em algo igualmente prejudicial, mas no lhe 
ocorreu nada. Sabia com certeza que mais tarde, quando j no a 
necessitasse, lhe ocorreria uma resposta perfeita, engenhosa e 
sarcstica. Aspirou profundamente e tratou de permanecer 
acalmada. A triste realidade era que quando se sobressaltava, 
voavam de sua cabea palavras simples como porta, estufa 
ou,  como tinha ocorrido antes, quando tinha tido que pedir 
ajuda a John espartilho. 

No sei o que eu fiz para que diga tais crueldades  disse, 
colocando o guardanapo na mesa. No sei se fui eu, se odeia s 
mulheres em geral, ou se sempre est mal-humorado, mas minha 
relao com Virgil no  de sua incumbncia. 

No odeio s mulheres -assegurou John, logo baixou 
deliberadamente o olhar ao peitilho da camiseta. 

Tem razo -interveio Ernie. Sua relao com o senhor 
Duffy no  nosso assunto. Ernie alcanou sua mo. A mar 
est quase baixa. Por que no sai e busca algumas poas perto 
dessas grandes rochas l de baixo? Talvez encontre algo na 
costa de Washington que possa levar com voc ao Texas. 

Georgeanne tinha sido educada para respeitar os mais velhos 
e no questionou a sugesto de Ernie. Olhou a ambos e logo se 
levantou. 

Sinto-o de verdade, senhor Maxwell. No tinha inteno de 


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provocar problemas entre vocs. 

Sem afastar os olhos de seu neto, Ernie respondeu: 

No  sua culpa. Isto no tem nada a ver com voc. 

Mas realmente sentia que era culpa dela, pensou enquanto 
empurrava a cadeira para trs e se levantava. Quando 
Georgeanne atravessou a verde e estreita cozinha para a porta 
traseira, se deu conta que tinha deixado que a pinta estupenda 
de John nublasse seu julgamento. No se fazia de imbecil. Era! 

Ernie esperou at que a ouviu fechar a porta traseira antes 
de dizer: 

No  justo que tome com essa menina - observou como seu 
neto arqueava uma sobrancelha. 

Menina? John plantou os cotovelos sobre a toalha. Nem 
com toda a imaginao do mundo ningum pode, nem sequer voc, 
cometer o engano de confundir Georgeanne com uma menina. 

Pois bem, no acredito que seja muito velha -continuou 
Ernie. E foi desrespeitoso e grosseiro com ela. Se sua me 
estivesse aqui, te daria um bom puxo de orelhas. 

Um sorriso curvou os lbios de John. 

Provavelmente  disse. 

Ernie olhou a cara de seu neto e uma pontada de dor oprimiu 
seu corao. O sorriso dos lbios de John no alcanava seus 
olhos, nunca o fazia ultimamente. 

 intil, John. Colocou a mo no ombro de seu neto e 
apalpou os duros msculos de um homem. Ante ele no reconhecia 
nada do menino feliz que tinha levado para caar e pescar, o 
menino ao que tinha ensinado a jogar hquei e conduzir um carro, 

o menino ao que tinha ensinado tudo o que tinha que saber para 
ser um homem. O homem que tinha diante no era o menino que 
tinha criado. Tem que deix-lo sair. No pode reprimir tudo, 
culpando a si mesmo. 

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No tenho que deixar sair nada  disse; seu sorriso se 
apagou por completo. Eu te disse que no quero falar disso. 

Ernie observou a expresso hermtica de John, o azul de 
seus olhos tal e como tinham sido os seus antes que se apagaram 
com a idade. Nunca tinha pressionado John sobre sua primeira 
esposa. Tinha acreditado que John acabaria se recuperando do 
que Linda tinha feito a ele. Embora seu neto tivesse sido um 
estouvado e se casou com essa artista de strip-tease fazia seis 
meses, Ernie abrigava a esperana de que algum dia pudesse 
super-lo. O dia seguinte seria o primeiro aniversrio da morte 
de Linda, e John parecia to zangado como no dia que a tinha 
enterrado. 

Bom, acredito que precisa falar com algum -disse Ernie, 
decidido a tomar o assunto em suas mos pelo prprio bem de 
John. No o pode evitar, John. No pode fingir que no ocorreu 
nada, e no pode beber para esquecer o que aconteceu. Fez 
uma pausa para recordar o que tinha ouvido na televiso sobre o 
tema. No pode usar a bebida como terapia. O lcool 
simplesmente  o sintoma de uma enfermidade maior  disse, se 
alegrando de ter recordado. 

Esteve vendo a Oprah outra vez? 

Ernie franziu o cenho. 

Esse no  o tema. O que aconteceu o envenena, e est 
pagando com essa garota inocente. 

John se reclinou na cadeira e cruzou os braos. 

No pago nada com Georgeanne. 

Ento, por que foi to rude com ela? 

Pe-me dos nervos. John deu de ombros. Fala sem 
parar todo o momento. 

Isso  porque  sulina - esclareceu Ernie, deixando passar 

o tema de Linda. S tem que relaxar e desfrutar de uma boa 
garota sulina. 

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Como voc? Te teve comendo na palma da mo com todo o 
tema do bechamel e a sandice do funeral. 

Est ciumento. Ernie riu. Est ciumento de um ancio 
como eu. Golpeou a mesa com as mos e se levantou 
lentamente. Caramba. 

Est louco  mofou John, tomando sua cerveja e 
levantando tambm. 

Acredito que voc gosta dela -disse Ernie, se dirigindo 
para os quartos. Vi a forma em que a olhava quando ela no 
sabia que o estava fazendo. Pode negar isso e me negar que era 
isso, mas o atrai e isso o incomoda muito. Entrou em seu quarto 
e colocou algumas coisas dentro de uma bolsa. 

Aonde vai? perguntou John da porta. 

Ia ficar com Dickie uns dias. S me adianto um pouco. 

No, no far. 

Ernie voltou o olhar para seu neto. 

J tinha dito isso, vi a maneira em que a olhava. 

John colocou uma mo no bolso dianteiro dos Levi's e apoiou 
um ombro contra o marco da porta. Com a outra mo, golpeava 
impacientemente a garrafa de cerveja contra sua coxa. 

J te falei que no vou me deitar com a noiva de Virgil. 

Espero que tenha razo e eu esteja equivocado. Ernie 
fechou o zper da bolsa e pegou as alas com a mo esquerda. 
No sabia se fazia bem em ir-se. Seu primeiro instinto era ficar 
e se assegurar de que seu neto no fizesse nada que pudesse 
lamentar pela manh. Mas Ernie j havia feito seu trabalho. 
Tinha ajudado a criar John. No podia fazer nada mais. No 
podia salvar John de si mesmo. Porque se no, terminar por 
machucar a essa garota e estragar sua carreira. 

No penso fazer nada disso. 

Ernie o olhou e sorriu tristemente. 


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Isso espero  disse sem convico, e a grandes passo se 
encaminhou para a porta principal. Por seu bem, espero que no. 

John observou seu av sair e depois se voltou para a sala de 
estar. Seus ps nus se afundavam no grosso tapete bege 
enquanto se dirigia para o grande janelo. Possua trs casas; 
duas estavam na costa oeste. Amava o oceano, seus sons e seus 
aromas. Podia abstrair-se na monotonia das ondas. Essa casa era 
seu cu na terra. A, no tinha que se preocupar por contratos ou 
responsabilidades nem por algo da NHL. Ali encontrava uma paz 
que no podia encontrar em nenhuma outra parte. 

At esse dia. 

Olhou fixamente pela grande janela  mulher que estava de 
p junto  borda do mar, a brisa alvoroava seu cabelo escuro. 
Definitivamente, Georgeanne perturbava sua paz. Levou a 
garrafa de cerveja aos lbios e tomou um longo gole. 

Um involuntrio sorriso se insinuou no canto de seus lbios 
enquanto a observava andar nas pontas dos ps sobre as frias 
ondas. Sem lugar a dvidas, Georgeanne Howard era uma 
fantasia andante. Se no fosse por sua irritante mania de falar 
sem parar, divagando sobre qualquer tema, e no fosse a noiva de 
Virgil, John no teria tanta pressa por se desfazer dela. 

Mas Georgeanne estava atada com o dono dos Chinooks e 
John tinha que tirar ela da cidade logo que fosse possvel. 
Pensava lev-la ao aeroporto ou  estao de nibus pela manh, 
mas isso deixava pela frente toda uma longa noite. 

Enganchou um polegar no cinto dos descoloridos jeans e 
dirigiu o olhar a um par de meninos que faziam voar uma 
pandorga na praia. No lhe preocupava acabar na cama com 
Georgeanne porque, contra o que Ernie acreditava, John pensava 
com a cabea, no com o pnis. Sua conscincia escolheu esse 
momento, enquanto levava a cerveja aos lbios outra vez, para 
lhe recordar seu estpido casamento com DeeDee. 


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Lentamente baixou a garrafa e voltou o olhar para 
Georgeanne. Nunca teria feito uma coisa to estpida como casar 
com uma mulher que conhecia h s umas horas se no tivesse 
estado bbado, no importava quo estupendo fosse seu corpo. E 

o do DeeDee era um corpo de enfarte. 
Um escuro cenho substituiu seu sorriso. Seus olhos seguiram 
Georgeanne enquanto jogava com as ondas, logo amaldioou entre 
dentes, foi  cozinha e verteu o resto da cerveja na pia. 

A ltima coisa que precisava era despertar pela manh com 
uma grande dor de cabea e casado com a noiva de Virgil. 

Captulo 3 

Georgeanne pulava cada vez que uma fria onda lhe subia pelas 
coxas. Seu corpo tremia, mas apesar do frio cravou os ps na 
areia e se pegou com fora a uma grande rocha com forma de 
barra de po. Se inclinando ligeiramente para frente, colocou a 
mo na pedra dentada. Durante vrios minutos olhou fascinada 
uma enorme estrela do mar prpura e laranja colada na rocha. 
Depois, como se fosse uma mulher lendo Braile, passou os dedos 
com suavidade sobre as linhas da dura e rugosa superfcie. O 
solitrio de cinco quilates que levava na mo esquerda apanhou o 
sol do entardecer, projetando pequenos brilhos azuis e 
vermelhos. 

O ressoar do fluxo em seus ouvidos e a paisagem que se 
estendia ante seus olhos contriburam para esvaziar sua mente 
de tudo, menos do simples prazer que experimentava ao estar 
ante o oceano Pacfico pela primeira vez. 

Enquanto descia  praia, os escuros pensamentos que 
rondavam sua mente ameaavam afligi-la. O desamparo que 
sentia pelo desastre do dia de seu casamento e ter que depender 
de um homem como John, que parecia no possuir nenhuma grama 


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de compaixo, pesavam como uma laje sobre seus ombros. A 
nica coisa que era pior que seus problemas de dinheiro, John e 
Virgil era o sentimento de que estava absolutamente s em um 
mundo onde nada lhe era familiar. Tinha crescido rodeada de 
rvores e montanhas onde tudo era muito verde. As texturas 
eram diferentes neste lugar, a areia era mais grossa, a gua mais 
fria e o vento mais rude. 

Enquanto olhava fixamente o oceano, se sentindo como a 
nica pessoa viva da terra, tratou de esquecer o pnico que 
crescia em seu interior, mas j tinha perdido a batalha. Como um 
blecaute em um arranha-cu, Georgeanne sentiu e ouviu o 
familiar estalo de sua mente ao ficar por fora. Isso acontecia, 
desde que podia recordar, sempre que se sentia aflita. Odiava 
que ocorresse, mas no podia evitar. Os acontecimentos do dia 
finalmente a tinham alcanado e estava to sobrecarregada que 
lhe levou mais tempo que o usual se recuperar. Quando o fez, 
fechou os olhos e respirou profundamente, logo separou de sua 
mente os incmodos pensamentos do dia. 

Georgeanne era hbil em clarear a memria e reenfocar a 
ateno em outras coisas. Tinha anos de prtica. Anos de 
aprendizagem frente a um mundo que danava ao som de um 
ritmo diferente ao dela; um ritmo que no sempre conhecia ou 
entendia, mas que tinha aprendido a simular. Desde os nove anos, 
tinha trabalhado muito duro para que parecesse que estava em 
perfeita sintonia com outros. 

Desde essa tarde h doze anos quando sua av lhe tinha dito 
que tinha uma disfuno do crebro, tinha tratado de ocultar sua 
incapacidade ao mundo. A matricularam em uma escola para 
senhoritas onde aprendeu boas maneiras e a cozinhar, mas nunca 
chegou a ser uma estudante brilhante. Entendia composies de 
desenho e podia fazer acertos florais com os olhos fechados, 
mas no podia ler mais  frente do nvel de quarto grau. Ocultava 


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seus problemas atrs do encanto e as paqueras, detrs de seu 
voluptuoso corpo e seu belo rosto. Embora agora soubesse que 
era dislxica, seguia ocultando-o. Havia sentido um imenso alvio 
ao descobrir isso, mas ainda lhe dava vergonha pedir ajuda. 

Uma onda a golpeou nas coxas e empapou a parte baixa das 
calas curtas. Enterrou mais os ps, enterrando os dedos 
profundamente na areia. Na lista de prioridades de Georgeanne, 
entre seu propsito de ajudar a todas as pessoas na mesma 
situao que a sua e o de ser uma boa anfitri, se encontrava seu 
principal objetivo: o de parecer como qualquer outra pessoa. Por 
isso, tratava de aprender e recordar de duas novas palavras a 
cada semana. Alugava filmes de adaptaes de literatura 
clssica, e tinha comprado o vdeo que ela considerava o melhor 
filme de todos os tempos: E o vento levou. Tambm tinha o 
livro, mas nunca o tinha lido. Tantas pginas e palavras eram 
muitas para ela. 

Moveu a mo para uma anmona do mar cor verde limo, 
acariciando ligeiramente a superfcie. Os pegajosos tentculos 
se fecharam ao redor de seus dedos. Alarmada, saltou para trs. 
Outra onda golpeou suas coxas, seus joelhos dobraram e se 
debateu entre o espumoso fluxo. A o romper a seguinte onda a 
arrancou da rocha, levando consigo. Sentiu o golpe gelado do 
oceano no peito e ficou sem respirao. A hidrante salgada a 
encheu de areia enquanto chutava e gesticulava para voltar para 
a superfcie. Um viscoso pedao de alga se aderiu ao redor de 
seu pescoo e outra onda ainda maior a apanhou por trs e a 
jogou para a praia como se fosse um torpedo. Quando finalmente 
se deteve, a onda j retornava para se encontrar com a seguinte. 
Se apoiando sobre uma mo deu impulso com os ps para 
engatinhar para a borda. Quando alcanou a segurana da areia 
seca, se deixou cair sobre as mos e os joelhos e tomou vrias 
inspiraes de ar. Cuspiu areia e segurando a alga do pescoo a 


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jogou a um lado. Seus dentes comearam a bater ao pensar em 
todo o plncton que teria tragado, seu estmago expulsou a gua 
com tanta fora como o Pacifico que tinha s costas. Notava que 
a areia tinha se metido por toda parte e quando olhou para a casa 
de John, rezou para que seu contratempo tivesse passado 
desapercebido. 

No teve sorte. Com os culos de sol ocultando seus olhos e 
os chinelos se afundando sobre a areia, John caminhava devagar 
para ela to bonito que poderia lamb-lo de cima abaixo. 
Georgeanne quis voltar sobre seus passos e se inundar no oceano. 

Por cima do som do fluxo e das gaivotas chegou a seus 
ouvidos a risada rica e profunda de John. Nesse instante ela se 
esqueceu do frio, da areia e da alga marinha. Esqueceu de quo 
bonito era e da vontade que tinha sentido de morrer. Uma fria 
candente atravessou suas veias e a inflamou como um maarico. 
Tinha trabalhado toda sua vida para evitar o ridculo e no havia 
nada que odiasse mais que zombassem dela. 

Isso foi o mais divertido que vi h muito tempo  disse ele 
com um brilho de dentes brancos. 

A clera retumbou nos ouvidos de Georgeanne, bloqueando 
inclusive o som do oceano. Fechou os punhos, e pegou um punhado 
de areia molhada. 

Demnios, deveria ter se visto  disse John, sacudindo a 
cabea. A brisa agitava o cabelo escuro sobre as orelhas e a 
testa enquanto ria a gargalhadas. 

Se apoiando sobre os joelhos Georgeanne lhe atirou um 
punhado de barro arenoso, dando de cheio no peito dele para sua 
total satisfao. Talvez no tivesse uma boa coordenao ou no 
fosse leve de ps, mas sempre tinha sido uma estupenda 
atiradora. 

John deixou de rir imediatamente. 

Que diabos...?  amaldioou, olhando a camiseta. Quando 


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levantou o surpreendido olhar para Georgeanne, esta aproveitou 
e o acertou na testa. O emplastro de betume de areia golpeou 
seus Ray-Ban os torcendo antes que a areia casse a seus ps. Por 
cima da parte superior dos aros voltou os olhos azuis para ela 
prometendo vingana. 

Georgeanne sorriu e alcanou outro punhado. No lhe 
importava o que John pudesse fazer a ela. 

Por que no esta rindo agora, esportista estpido? 

Tirou os culos e a apontou com eles. 

Eu no atiraria isso. 

Ela se levantou e com um enrgico movimento de cabea 
apartou uma mecha de cabelo empapado da cara. 

Tem medo de se sujar?  Ele arqueou uma de suas 
sobrancelhas escuras, mas pelo resto no se moveu. E o que 
pensa fazer a respeito? bufou ao homem que de repente 
representava cada injustia e cada insulto que tinham lhe 
infligido na vida. Macho. 

John sorriu. Depois, antes que Georgeanne pudesse sequer 
emitir um grito, ele se moveu como o atleta que era e empurrou o 
corpo dela ao cho. O punhado de areia que agarrava na mo voou 
por toda parte. Atordoada, ela piscou e escrutinou a cara que 
estava s a uns centmetros da dela. 

Que diabos esta errado com voc?  perguntou, soando 
mais incrdulo que zangado. Uma mecha escura lhe caiu sobre a 
testa roando a cicatriz branca que a atravessava. 

Saia de cima de mim -exigiu Georgeanne, lhe dando um 
murro na parte superior do brao. A pele quente e o duro 
msculo eram um convite para seu punho e voltou a golpe-lo, 
desafogando sua fria. Bateu nele por rir dela, por insinuar que 
pensava se casar com Virgil por dinheiro sem que lhe faltasse 
razo. O golpeou por sua av que tinha morrido deixando-a 
sozinha, s para no fazer mais que meter os ps pelas mos. 


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Jesus, Georgie  amaldioou John. A pegou pelos pulsos e 
os segurou contra o cho a ambos os lados da cabea. Basta. 

Ela olhou seu formoso rosto e o odiou. Odiou a si mesma e, 
embora odiasse chorar, lhe escapou um soluo. 

Odeio voc  sussurrou, passando a lngua pelos lbios 
salgados. Seus peitos esticaram pelo esforo de conter as 
lgrimas. 

Neste momento -disse John com sua cara to perto da 
dela que podia sentir seu flego quente na bochecha, no posso 
dizer que sinta afeto algum por voc. 

O calor do corpo de John penetrou em sua clera e 
Georgeanne se deu conta de vrias coisas de uma vez. Se 
precaveu de que a perna direita de John estava acomodada entre 
as suas e de que sua virilha pressionava intimamente o interior 
de sua coxa. Estava coberta por seu largo peito, mas seu peso 
no era absolutamente desagradvel. Ele era slido e muito 
quente. 

Mas caramba, sim voc me d idias  ele disse ao tempo 
que um sorriso comeava a insinuar na comissura de seus lbios. 
Ms idias.  Negou com a cabea como se estivesse tratando 
de convencer a si mesmo de algo. Muito ms. Com o polegar 
pressionou o interior do pulso enquanto deslizava o olhar por sua 
cara. No deveria parecer to atraente. Tem a testa suja, seu 
cabelo  um maldito desastre e est molhada at os ossos. 

Pela primeira vez em dias, Georgeanne sentiu que pisava em 
terreno familiar. Um pequeno sorriso de satisfao curvou seus 
lbios. No importava quanto tentasse demonstrar o contrrio, 
John, apesar de tudo, se sentia atrado por ela. E se baralhava 
bem suas cartas, poderia convenc-lo que a deixasse ficar em 
sua casa at que resolvesse o que fazer com sua vida. 

Por favor, me solte os pulsos. 

Vai me golpear outra vez? 


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Georgeanne negou com a cabea, sopesando mentalmente 
quanto encanto deveria usar com ele. 

Ele arqueou uma sobrancelha. 

Nem atirar areia em mim? 

No. 

Soltou-a, mas no se moveu de cima dela. 

Machuquei voc? 

No.  Colocou as mos nos ombros dele e as deslizou para 
baixo, seus duros msculos se esticaram lhe recordando sua 
fora. John no a tinha atacado como o faria um homem cuja 
inteno fosse forar a uma mulher, mas apesar de tudo ela 
estava se alojando em sua casa. S por esse fato podia fazer 
uma idia equivocada. Antes, quando parecia que John no se 
sentia atrado por ela, no lhe tinha ocorrido pensar que ele 
pudesse estar esperando algo mais que gratido. Mas agora sim. 

Logo se recordou de Ernie e uma risada de alvio escapou de 
sua garganta. 

Nunca tinham me abordado com esse mpeto.  sua forma 
de ligar? Seguro que John no esperaria que se deitasse com 
ele com seu av no quarto do lado. Se sentiu aliviada. 

O que acontece? Voc no gostou? 

Georgeanne lhe brindou um sorriso. 

Bom, poderia fazer algumas sugestes. 

Ficando de joelhos, John a olhou. 

Achei que o faria  disse, levantando. 

Imediatamente lamentou a perda do calor de seu corpo e 
tentou se sentar. 

Prova com flores.  mais sutil e transmite a mesma 
mensagem. 

John estendeu a mo a Georgeanne e a ajudou a ficar em p. 
Nunca enviava flores, jamais tinha feito desde o dia que ps 
dzias de rosas sobre o atade branco de sua esposa. 


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Soltou a mo de Georgeanne e afugentou suas lembranas 
antes que se voltassem muito dolorosas. Centrando toda sua 
ateno em Georgeanne, a olhou passar as mos pela cintura e 
pelo traseiro para sacudir a areia. Deliberadamente, a olhou de 
cima abaixo. Tinha o cabelo enredado, areia nos joelhos, e as 
unhas vermelhas eram um estranho contraste com seus ps 
sujos. As calas curtas verdes se pegavam s coxas, e sua velha 
camiseta negra aderia aos seios como uma segunda pele. Tinha os 
mamilos arrepiados pelo frio e pareciam pequenos bagos. Sob o 
corpo de John, ela tinha se sentido bem, muito bem. Tinha 
permanecido muito tempo sobre seu corpo olhando esses bonitos 
olhos verdes. 

Ligou para sua tia?  ele perguntou enquanto se inclinava 
para recolher os culos de sol da areia. 

Ah... ainda no. 

Bom, pode ligar quando voltarmos.  John se endireitou e 
jogou andar pela praia para sua casa. 

Farei  respondeu, alcanando-o e tratando de se adaptar 
ao seu passo longo. Mas  a noite de bingo de tia Lolly, assim 
no acredito que chegue a casa at dentro de um momento. 

John a percorreu com o olhar, logo colocou rapidamente seus 
Ray-Ban. 

Quanto tempo costuma ficar no bingo? 

Bom, depende de quantos cartes compre. Mas se decide 
jogar em La Velha Granja, no jogar muito porque permitem 
fumar, e a tia Lolly odeia a fumaa e,  obvio, Doralee Hofferman 
joga ali. E h muita hostilidade entre Lolly e Doralee desde que 
em 1979 Doralee roubou a receita do bolo de amendoins de Lolly 
e a fez passar como dela. As duas foram muito boas amigas at 
esse momento, sabe... 

J estamos outra vez  suspirou John, interrompendo-a. 
Escuta, Georgie  disse, e se deteve para olh-la. No 


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conseguiremos passar desta noite se no parar de fazer isso. 

De fazer o que? 

Divagar. 

Georgeanne abriu a boca sem querer e levou a mo ao 
corao com um gesto de fingida indignao. 

Divago? 

Sim, e me pe nervoso. No me importa nada nem o Ou'Jell 
de sua tia, nem que os batistas lavem os ps, nem os bolos de 
amendoim. No pode falar como uma pessoa normal? 

Ela baixou a vista, mas no antes que ele pudesse ver o olhar 
dodo de seus olhos. 

No acredita que eu fale como uma pessoa normal? 

Uma pontada de culpabilidade remoeu a conscincia dele. No 
queria machuc-la, mas, ao mesmo tempo, tampouco queria 
escut-la tagarelar durante horas. 

Tampouco  isso. Mas quando fizer uma pergunta a voc 
deve me dar uma resposta em trs segundos, no falar trs 
minutos de sandices que no tm nada a ver com o que perguntei. 

Ela mordiscou o lbio inferior, depois disse: 

No sou estpida, John. 

Nunca quis dizer que fosse  esclareceu ele, embora no 
acreditava que a tivessem escolhido para o discurso de 
despedida nessa universidade que, segundo ela, tinha estudado. 
Olhe, Georgie acrescentou porque parecia ferida, podemos 
chegar a um acordo, se voc no divagar, eu tentarei no me 
comportar como um asno. Ela franziu os lbios. No acredita 
em mim? 

Negando com a cabea, ela gracejou. 

Eu disse que no sou estpida. 

John riu. Maldio, comeava a gostar dessa garota. 

Vamos.  Apontou a casa com a cabea. Parece que est 
congelando. 


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Estou  confessou, caminhando a seu lado. 

Atravessaram a areia fria sem falar enquanto a brisa lhes 
trazia os sons do bater das ondas e os grasnidos das aves 
marinhas. Quando alcanaram as escadas que conduziam  porta 
traseira da casa de John, Georgeanne se adiantou, mas logo se 
voltou para enfrentar a ele. 

Eu no divago  esclareceu, entrecerrando os olhos sob o 
resplendor do sol poente. 

John se deteve e a olhou aos olhos que tinham ficado ao nvel 
dos seus. Vrios cachos comeavam a secar e se agitavam sobre 
sua cabea. 

Georgie, divaga sim  afirmou, colocando os culos. Mas 
se se controla poderemos nos entender muito bem. Acredito que 
poderamos ser amigos por uma noite... Fez uma pausa e ajustou 
os Ray-Ban deixando a frase inconclusa ao no encontrar uma 
palavra melhor; sabia que no havia. 

Eu gostaria, John  disse, esboando um sorriso sedutor. 
Mas me pareceu te ouvir dizer que no era uma pessoa amvel. 

No sou. Ela estava to perto que seus seios quase 
roavam o trax dele, quase, e se perguntou se estaria 
paquerando com ele outra vez. 

Como  possvel que possamos ser amigos se no for amvel 
comigo? 

John deslizou o olhar para seus lbios. Se sentia tentado a 
lhe demonstrar quo agradvel podia chegar a ser. Se sentia 
tentado a se inclinar s um pouco e acariciar com sua boca a dela 
para saborear esses doces lbios, aceitando o convite de seu 
sedutor sorriso. Tentado a levantar as mos s uns centmetros 
at segur-la pelos quadris e apert-la contra seu corpo. 
Tentado a averiguar at onde ela deixaria que vagassem suas 
mos antes de det-lo. 

Se sentia tentado, mas no estava louco. 


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Muito simples. Colocou as mos nos ombros dela e a 
apartou a um lado. Passarei a noite fora - anunciou, subindo as 
escadas. 

Me leve com voc - disse enquanto o seguia. 

No -negou com a cabea. No ia permitir que ningum o 
visse com Georgeanne Howard. Nem sequer uma s vez. 

A gua esquentava o corpo frio de Georgeanne enquanto 
lavava o cabelo com xampu. Antes de se meter na ducha, fazia 
uns quinze minutos, John tinha lhe pedido que acabasse logo 
porque ele tambm queria tomar banho antes de sair. 
Georgeanne tinha outros planos. 

Fechando os olhos colocou a cabea sob o jorro de gua para 
enxaguar o cabelo, horrorizada ao pensar o que esse xampu 
barato estaria fazendo a seu permanente. Pensou no pote do 
muito caro xampu Paul Mitchell guardado em uma das malas que 
tinha metido no Rolls Royce de Virgil, e quase chorou quando 
abriu um pote de condicionador que tinha encontrado debaixo do 
lavabo. Um agradvel perfume floral alagou a ducha enquanto 
deixava de pensar no xampu e no condicionador para se centrar 
em seu problema principal. 

Ernie tinha partido pela tarde e John pensava seguir seus 
passos. Georgeanne no poderia persuadir John para que a 
deixasse ficar alguns dias mais se no estava em casa. Quando 
tinha lhe dito que podiam ser amigos, ela tinha sentido um alvio 
momentneo que desapareceu em seguida quando anunciou que 
partia. 

Georgeanne aplicou com esmero o condicionador antes de 
voltar sob o jorro de gua quente. Durante um breve momento 
pensou em utilizar o sexo para persuadir John de que ficasse em 
casa o resto da noite, mas descartou a idia rapidamente. No 


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porque encontrasse a idia moralmente reprovvel, mas sim 
porque no gostava do sexo. As poucas vezes que se permitiu 
manter tal relao ntima com um homem tinha se sentido muito 
coibida. To coibida que no o tinha desfrutado. 

Quando terminou de tomar banho, a gua saa fria e por um 
momento temeu cheirar a sabo masculino. Se secou com rapidez 
e logo colocou a roupa ntima, uma tanga verde esmeralda e um 
suti. Tinha comprado a sedutora roupa ntima para a lua de mel, 
mas no podia dizer que lamentasse que Virgil nunca a visse com 
ela. 

O ventilador do teto tinha espargido o vapor da ducha pelo 
banheiro e a bata de seda, que tinha pedido emprestada a John, 
colou em sua pele mida ao atar o cinturo. Apesar da suave 
textura do tecido, a bata era muito masculina e retinha o aroma 
de colnia de homem. A seda de cor negra lhe chegava um pouco 
mais abaixo dos joelhos, e havia um enorme smbolo japons 
vermelho e branco bordado no dorso. 

Passou um pente de pus pelo cabelo e evitou pensar no 
creme hidratante e nos ps de Este Lauder guardados no carro 
de Virgil. Abrindo os armrios do banheiro, procurou qualquer 
artigo de beleza que pudesse usar. S encontrou algumas escovas 
de dente, uma pasta de dente Crest, um frasco com ps para os 
ps, um pote de creme para barbear e dois barbeadores 
eltricos de barbear. 

No h nada mais?  Com o cenho franzido, girou e 
rebuscou em sua ncessaire. Apartou a um lado as plulas 
anticoncepcionais, que tinha comeado a tomar trs dias antes, e 
pegou os cosmticos. Parecia-lhe muito injusto que John pudesse 
se ver genial com to pouco esforo enquanto ela tinha que 
gastar tempo e dinheiro para melhorar seu aspecto. 

Pegando uma toalha, secou parte do espelho e olhou seu 
reflexo em meio do crculo sem bafo do cristal. Escovou os 


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dentes, logo aplicou rmel nas pestanas e ruge nas bochechas. 

Um golpe na porta do banheiro a sobressaltou e quase pintou 
a cara com o lpis de lbios cor pssego. 

Georgie? 

Sim, John? 

Preciso entrar, recorda? 

Recordava muito bem. 

Ah, esqueci.  Cavou o cabelo ao redor da cara com os 
dedos e se olhou criticamente. Cheirava a homem e se via pior do 
que costumava ser. 

Tem pensado sair esta noite? 

Me d um segundo -disse, lanando os cosmticos na 
ncessaire que tinha posto sobre a tampa do vaso. Deveria pr as 
roupas molhadas para secar no toalete?, se perguntou enquanto 
as recolhia do cho branco e negro. 

Sim, claro  respondeu ele atravs da porta. Vai 
demorar muito? 

Georgeanne estendeu cuidadosamente o suti e a calcinha 
molhados sobre a barra metlica, logo as cobriu com as calas 
curtas e a camiseta. 

Pronta  disse enquanto abria a porta. 

No ia tomar uma ducha rpida?  Ele levantou as mos 
como se quisesse apanhar o bafo com elas. 

No foi rpida? Pensava que tinha sido. 

John deixou cair s mos. 

Esteve tanto tempo a dentro que me assombra no tenha a 
pele to enrugada como uma passa de Califrnia. Logo fez o que 
ela tinha esperado que fizesse desde o momento em que tinha 
aberto a porta. A olhou de cima abaixo. Uma ligeira atrao 
cintilou em seus olhos e ela relaxou. Estava interessado nela. 

Acabou com a gua quente?  perguntou enquanto um 
profundo cenho lhe obscurecia os traos. 


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Georgeanne arregalou os olhos. 

Acredito que sim. 

De todas as formas, j no importa, maldita seja  ele 
amaldioou enquanto girava o pulso para olhar o relgio. 
Inclusive saindo agora se acabaro as ostras antes que chegue. 

 Se voltou e caminhou pelo corredor para a sala. Acredito que 
comerei uns frutos secos com cerveja e pipocas de milho 
ranosas. 
Se tiver fome, posso cozinhar algo -disse Georgeanne 
enquanto o seguia. 

Ele a olhou por cima do ombro. 

Passo. 

Ela no estava disposta a deixar escapar a oportunidade de 
impression-lo. 

Sou uma cozinheira estupenda. Poderia te fazer um jantar 
riqussimo em um instante. 

John se deteve na metade do corredor e se voltou para ela. 

No. 

Mas eu tambm tenho fome - disse, o qual era mentira. 

No comeu antes o suficiente?  meteu as mos nos bolsos 
dos jeans e trocou o peso de p . Ernie se esquece algumas 
vezes que nem todo mundo come to pouco como ele o faz. 
Deveria ter lhe dito. 

Bom, no queria importunar mais do que tinha feito - disse, 
sorrindo docemente. Notou que ele vacilava e pressionou um 
pouquinho mais. No queria ferir os sentimentos de seu av, 
mas no comi em todo o dia e morro de fome. J sei como so as 
pessoas velhas. Comem sopa ou salada e dizem que  uma comida 
completa enquanto que para o resto dos mortais  s o primeiro 
prato. 

John curvou os lbios ligeiramente. 
Georgeanne tomou o leve sorriso como o sinal de que tinham 



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chegado a um acordo e se dirigiu  cozinha. Para ser um 
esportista que admitia que no gostava de cozinhar, a cozinha 
era surpreendentemente moderna. Abriu a geladeira de porta em 
madeira e revisou em silncio o contedo. Ernie tinha mencionado 
que a cozinha estava bem sortida e no tinha brincado. 

Poderia fazer atum ao molho?  perguntou John da porta. 

As receitas giraram em sua cabea como um Rolodex 
enquanto abria uma despensa onde se acumulavam vrios tipos de 
massa e um monto de especiarias. Olhou para John que apoiava 
o ombro contra o marco da porta. 

No me diga que quer atum com molho? Algumas pessoas 
gostam muito, mas se puder no cheir-lo nunca mais, seria muito 
feliz. 

Poderia fazer um bom caf da manh? 

Georgeanne fechou a despensa e girou para ele. O cinturo 
negro de seda se soltou. 

 obvio - disse, voltando a atar-lhe com fora. Mas, por 
que quereria tomar o caf da manh com todo esse fruto do mar 
na geladeira? 

Como fruto do mar quando quero  respondeu ele com um 
encolhimento de ombros. 

Ela tinha desenvolvido umas magnficas habilidades culinrias 
durante os anos que tinha recebido aulas de cozinha e tinha 
vontade de impression-lo. 

Est seguro de que s quer um caf da manh? Fao um 
pesto de morte e meus linguinis com molho de almeja esto para 
chupar os dedos. 

E sabe fazer tortas com caramelo? 

Decepcionada lhe perguntou: 

No estar falando a srio, no ?  Georgeanne no podia 
recordar que a ensinassem a fazer tortas, mas era algo que sabia 
fazer a muito tempo. Se criou fazendo-as . Pensava que queria 


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ostras. 

Ele deu de ombros outra vez. 

Prefiro um caf da manh grande e gordurento. Algo que 
faa subir o colesterol ao estilo sulino. 

Georgeanne sacudiu a cabea e voltou a abrir a geladeira. 

Fritaremos toda a carne de porco que possamos encontrar. 

Ns? 

Sim  colocou o bacon na bancada, logo abriu a geladeira. 
Necessito que corte rodelas de bacon enquanto fao as tortas. 

A covinha reapareceu na bronzeada bochecha quando sorriu e 
se impulsionou do marco da porta. 

Isso sim posso fazer. 

O prazer de ver seu sorriso provocou um bater de asas no 
estmago de Georgeanne. Colocou o pacote de salsichas na pia e 
abriu a gua quente. Imaginava que com um sorriso como esse no 
teria nenhum problema em conseguir que as mulheres fizessem o 
que ele quisesse quando quisesse. 

Tem noiva?  perguntou, fechando a gua e comeando a 
tirar a farinha e outros ingredientes das despensas. 

Quantas rodelas corto? perguntou em lugar de responder 
a sua pergunta. 

Georgeanne o olhou por cima do ombro. Ele segurava o bacon 
com uma mo e tinha uma faca na outra. 

Tantas como pensa comer  respondeu. Vai responder a 
minha pergunta? 

No. 

Por qu? Ela mesclou farinha, sal e levedura em uma bacia 
sem nem sequer medi-los. 

Por que... comeou enquanto cortava um pedao de 
bacon ... no  seu assunto. 

Lembre que somos amigos -lhe recordou, morrendo de 
vontade por conhecer detalhes de sua vida pessoal. Mesclou 


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azeite em spray com a farinha e acrescentou: Os amigos 

contam tudo uns aos outros. 

Parou de cortar e a buscou com seus olhos azuis. 

Responderei a sua pergunta se voc responder a uma minha. 

De acordo -disse, acreditando que sempre poderia dizer 
uma mentirinha inocente se era obrigada. 

No. No tenho noiva. 

Por alguma razo sua confisso fez que o bater de as asas em 
seu estmago se intensificasse. 

Agora  seu turno.  Meteu um pedao de bacon na boca 
antes de perguntar: Quanto tempo faz que conhece Virgil? 

Georgeanne sopesou a pergunta se movendo por trs de John 
para pegar o leite da geladeira. Deveria mentir? Deveria dizer a 
verdade? Ou possivelmente nenhuma das duas coisas? 

Quase um ms  respondeu com sinceridade e adicionou 
um gotejar de leite a bacia. 

Ah - disse ele com um sorriso lacnico. Amor a primeira 
vista. 

Ao ouvir seu tom suave e condescendente, se dirigiu para ele 
apontando com a colher de madeira. 

No acredita no amor a primeira vista? Apoiou a bacia em 
seu quadril esquerdo e o bateu como tinha visto a sua av fazer 
milhares de vezes antes, como ela mesma havia feito mais vezes 
das que podia recordar. 

No. John negou com a cabea e comeou a cortar 
rodelas de bacon outra vez. Especialmente se tratar de uma 
mulher como voc e um homem to velho como Virgil. 

Uma mulher como eu? Que se supe que quer dizer? 

J sabe o que quero dizer. 

No  disse, embora fizesse uma idia. No sei de que 
fala. 

Vamos. Ele franziu o cenho e a olhou. Uma garota jovem 


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e atraente que gosta... Hum.  se interrompeu e apontou com a 
faca o dedo de Georgeanne. S h uma razo pela que uma 
garota como voc se casa com um homem que o cabelo est 
grisalho por cima da orelha. 

Eu gostava de Virgil -se defendeu e bateu a massa at 
conseguir uma bola densa. 

Ele arqueou uma sobrancelha com cepticismo. 

Quer dizer que voc gostava de seu dinheiro. 

Isso no  certo. Pode ser encantador. 

Tambm pode ser um autentico filho de puta, mas tendo 
em conta que s o conhece h um ms, pode que no saiba. 

Procurando no perder os estribos e lhe lanar outra vez 
algo, danificando de passagem a oportunidade de receber o 
convite de ficar uns dias mais, Georgeanne colocou a bacia na 
bancada. 

Por que saiu correndo do casamento? 

No estava disposta a confessar a ele suas razes. 

Simplesmente mudei de idia, isso  tudo. 

Ou porque ao final se deu conta que ia ter que manter 
relaes sexuais com um homem o suficientemente velho para 
ser seu av durante o resto de sua vida? 

Georgeanne cruzou os braos e o olhou com o cenho franzido. 

Esta  a segunda vez que saca o tema. Por que est to 
fascinado pela relao que tenho com Virgil? 

No estou fascinado. S sinto curiosidade  a corrigiu, e 
continuou cortando algumas fatias de bacon mais, antes de soltar 
a faca. 

Te ocorreu pensar que possivelmente no tive relaes 
sexuais com Virgil? 

No. 

Bom, pois no as tive. 

Besteiras. 


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Georgeanne deixou cair as mos aos flancos e fechou os 
punhos. 

Tem uma mente e uma boca muito sujas. 

Impassvel, John deu de ombros e apoiou um quadril na beira 
da bancada. 

Virgil Duffy no se fez milionrio deixando nada ao azar. 
No teria pago por ter uma simptica jovem na cama sem provla 
antes. 

Georgeanne quis lhe gritar  cara que Virgil no tinha pago 
por ela, mas o tinha feito. S que no tinha recebido retribuio 
em troca de seu investimento. Se tivessem casado, sim a teria 
tido. 

No me deitei com Ele -insistiu sem saber se sentia 
zangada ou doda porque a tivesse julgado to mal. 

John elevou ligeiramente as comissuras dos lbios e uma 
mecha de seu espesso cabelo negro lhe caiu sobre a testa quando 
negou com a cabea. 

Escuta carinho, no me importa se voc deitou com Virgil. 

Ento por que segue dando voltas ao tema? perguntou, e 
s recordou a si mesma que no importava o exasperante que John 
se mostrasse, no podia perder os estribos com ele outra vez. 

Porque acredito que no se d conta do que tem feito. 
Virgil  um homem muito rico e poderoso. E o humilhou. 

Sei. Ela baixou o olhar ao peitilho de sua camiseta sem 
mangas. Pensava lhe chamar amanh e me desculpar. 

M idia 

Ela o olhou aos olhos. 

Muito cedo? 

OH, sim. E o ano que vem tambm ser muito cedo. Se eu 
fosse voc, tiraria o traseiro deste estado. E logo que fosse 
possvel. 

Georgeanne deu um passo adiante, se detendo a vrios 


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centmetros do peito de John e o olhou como se estivesse 
assustada, quando a verdade era que Virgil Duffy no a assustava 
nem um pouquinho. Lamentava o que tinha feito esse dia, mas 
sabia que o superaria. No a amava. S queria possu-la e no 
pretendia enfrentar a ele essa noite. Em especial quando tinha 
uma preocupao mais urgente: como conseguir um convite de 
John antes que ficasse velha. 

O que ele vai fazer? perguntou, arrastando a voz. 
Contratar a algum para me matar? 

Duvido que chegue a esses extremos - respondeu, baixando 
o olhar  boca de Georgeanne. Mas poderia fazer que fosse 
uma menina muito infeliz. 

No sou uma menina  sussurrou e se aproximou 
lentamente. Ou no notou? 

John se separou da bancada e a olhou  cara. 

No sou nem cego, nem atrasado. Claro que notei disse, 
deslizando a mo ao redor da cintura para o oco das costas. 
Notei muitas coisas de voc e se tirar essa bata, estou seguro 
que me faria um homem sorridente e feliz. Deslizou os dedos 
pelas costas, roando-a entre os ombros. 

Embora John estivesse perto, Georgeanne no se sentia 
ameaada. Seu largo peito e seus grandes braos lhe recordavam 
sua fora, mas sabia instintivamente que poderia se afastar para 
trs em qualquer momento. 

Bombonzinho, se deixo cair a bata, o sorriso que te poria na 
cara no se apagaria nem com cirurgia -brincou, exsudando 
seduo sulina na voz. 

Ele baixou a mo ao traseiro e lhe cavou uma ndega. Estava 
desafiando-a com o olhar para que o detivesse. Estava-a 
desafiando, medindo-a para saber at onde o deixava chegar. 

Caramba, bem poderia valer um pouco de cirurgia - disse ao 
final, aliviando a tenso. 


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Georgeanne ficou paralisada durante um instante ao sentir a 
suavidade da carcia. Apesar de que lhe acariciava o traseiro e as 
pontas de seus seios roavam o trax dele, ela no se sentia nem 
manuseada nem pressionada. Relaxou um pouco e apertou as 
palmas das mos contra o peito dele. 

Sentiu sob suas mos definidos msculos. 

Mas no vale minha carreira -disse ele, soltando-a. 

Sua carreira? Georgeanne ficou nas pontas dos ps e 
prodigalizou uns beijos suaves na comissura de seus lbios. Do 
que est falando? perguntou se dispondo a escapar se ele fazia 
algo que no queria. 

De voc - respondeu contra seus lbios. Me faria passar 
um bom momento, nenm, mas  prejudicial para um homem como 
eu. 

Acredita nisso? 

Me custa muito dizer que no  algo desmedida, acetinada, 
ou pecaminosa. 

Georgeanne sorriu. 

E qual delas vai por mim? 

John riu entre dentes contra sua boca. 

Georgie nenm, acredito que  as trs coisas de uma vez e 
eu gostaria de me inteirar de quo m pode chegar a ser, mas 
no vai passar. 

O que no vai passar? perguntou intrigada. 

Se afastou o suficiente para lhe ver a cara. 

Algo selvagem e pecaminoso. 

O que? 

Sexo. 

Um enorme alvio a atravessou. 

Acredito que hoje no  meu dia de sorte  disse em um 
tom insinuante de uma vez que tentava ocultar um grande 
sorriso, embora fracassou estrepitosamente. 


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Captulo 4 

John olhou o guardanapo dobrado ao lado do garfo e negou 
com a cabea. No sabia que realmente era, se um chapu, um 
navio ou algum tipo de gorro. Mas como Georgeanne o tinha 
informado que tinha decorado a mesa se apoiando na guerra civil 
supunha que seria um chapu. Tambm tinha colocado flores 
amarelas e brancas em duas garrafas de cerveja vazias. No meio 
da mesa tinha estendido uma fina capa de areia e conchas 
quebradas entre as quatro ferraduras da sorte que Ernie estava 
acostumado a ter penduradas na chamin de pedra. John no 
acreditava que Ernie se importasse, mas por que Georgeanne 
tinha posto toda essa merda em cima da mesa escapava a sua 
compreenso. 

Quer um pouco de manteiga? 

Ele olhou aos sedutores olhos verdes do outro lado da mesa e 
colocou um bocado de panquecas com caramelo na boca. 
Georgeanne Howard seria uma coquete incorrigvel, mas era uma 
magnfica cozinheira. 

No. 

Que tal a ducha? perguntou, lhe dirigindo um sorriso to 
brando como as panquecas que tinha feito. 

Desde que ele se sentou  mesa dez minutos antes, ela havia 
feito um grande esforo para iniciar uma conversa, mas ele no 
estava precisamente de um humor complacente. 

Muito bem  respondeu. 

Seus pais vivem em Seattle? 

No. 

No Canad? 

S minha me. 


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Esto divorciados? 

No. O profundo decote da bata negra atraiu seu olhar 
como um m. 

Onde est seu pai? perguntou, enquanto alcanava o suco 
de laranja. O decote se abriu ainda mais, expondo a beira verde 
do suti e o suave montculo de pele branca e acetinada. 

Morreu quando eu tinha cinco anos. 

Sinto muito. Sei quanto di perder a um pai. Perdi os meus 
quando era muito jovem. 

John olhou para seu rosto imperturbvel. Era muito belo. 
Curvilnea e suave, voluptuosa, fazia suspirar. Tinha as longas 
pernas belamente formadas; era exatamente o tipo de mulher 
que gostava de ter nua e na cama. J tinha aceitado o fato de 
que no poderia deitar com Georgeanne. Isso no o incomodaria 
se no fosse porque ela s fingia que no podia manter 
afastadas dele suas pequenas e clidas mos. Quando lhe havia 
dito que no podiam fazer amor, sua boca tinha emitido um 
gemido de decepo, mas seus olhos tinham faiscado de alvio. De 
fato, nunca tinha visto tal alvio na cara de uma mulher. 

Foi em um acidente de navio  o informou como se lhe 
tivesse perguntado. Bebeu um gole de suco de laranja e depois 
acrescentou: na costa da Florida. 

John tomou um pouco de bacon, depois se serviu o caf. 
Gostava de mulheres. Morriam de vontade de dar seus nmeros 
de telefone e lhe colocar a roupa interior nos bolsos. As 
mulheres no olhavam ao John como se tivessem relaes sexuais 
com ele fosse algo similar a que as abrisse um canal. 

Foi um milagre que no estivesse com eles. Meus pais 
odiavam no me levar com eles,  obvio, mas eu estava com 
varicela. Tinham me deixado a contra gosto com minha av, 
Clarissa June. Lembra. 

Desconectando de suas palavras, John baixou a vista ao 


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suave oco da garganta. No era um homem presunoso, ou ao 
menos no acreditava s-lo. Mas que Georgeanne o encontrasse 
completamente resistvel, o irritava mais do que gostava de 
admitir. Colocou a xcara de caf sobre a mesa e cruzou os 
braos. Depois de tomar banho, colocou uns jeans limpos e uma 
camiseta branca. Ainda pensava sair. Tudo o que lhe faltava era 
calar os sapatos e partir. 

Mas a senhora Lovett estava to fria como um congelador 
desses do Frigidaire... Georgeanne continuava com o bate-papo, 
John se perguntou como tinha passado do tema de seus pais aos 
refrigeradores... E chorava de uma maneira muito vulgar... 
Durante toda a noite, fez coisas muito tolas. Quando LouAnn 
White se casou, lhe deu de presente... Georgeanne fez uma 
pausa, seus olhos verdes cintilavam com animao... Uma 
sanduicheira Hot Dogger! Pode acreditar nisso? No s lhe deu 
de presente um eletrodomstico, mas tambm em cima servia 
para cozinhar salsichas! 

John reclinou a cadeira e estirou as duas pernas. Recordava 
com claridade a conversa que tinha tido com ela sobre seu 
costume de divagar. Se deu conta que ela no podia evit-lo. Era 
uma coquete e uma charlatona incorrigvel. 

Georgeanne empurrou o prato a um lado e se inclinou para 
frente. Sua bata se abriu um pouco mais enquanto lhe confiava: 

Minha av sempre acostumada dizer que Margaret Lovett 
era to vulgar como a televiso em tecnicolor. 

Voc faz de propsito?  ele perguntou. 

Os olhos de Georgeanne se arregalaram curiosos. 

O que? 

Exibir seus seios diante de meu nariz. 

Ela olhou para baixo, se endireitou e segurando firmemente a 
bata a fechou at a garganta. 

No. 


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As pernas dianteiras da cadeira de John golpearam o cho 
quando ficou de p. A olhou fixamente aos olhos e cedeu  
loucura. Estendendo a mo, pediu-lhe: 

Venha aqui. Quando ela se levantou e se deteve diante 
dele, deslizou os braos ao redor da cintura e a apertou contra 
seu peito. Vou sair disse, pressionando suas curvas suaves. 
Me d um beijo de despedida. 

Quanto demorar? 

Um momento  respondeu, sentindo como seu membro 
aumentava de tamanho. 

Como uma gata alongando sobre o batente da janela, 
Georgeanne se arqueou contra ele e lhe rodeou o pescoo com os 
braos. 

Poderia me levar com voc - ronronou. 

John negou com a cabea. 

Me beije e entender por que. 

Ela ficou nas pontas dos ps para fazer o que lhe pedia. O 
beijou como uma mulher que sabia o que estava fazendo. Seus 
lbios abertos pressionavam brandamente os dele. Ela tinha 
sabor de suco de laranja e de promessa de algo mais doce. O 
acariciou com a lngua, o provocou e brincou com ele. Passou os 
dedos pelo cabelo enquanto esfregava o p contra a panturrilha. 
Um golpe de pura luxria percorreu o corpo de John, lhe 
esquentando as vsceras e pondo-o to duro como uma pedra. 

Ela era uma autentica provocadora e ele a apartou o 
suficiente para poder olh-la  cara. Tinha os lbios brilhantes, 
sua respirao era ligeiramente irregular e se seus olhos 
mostravam o mais leve indcio da excitao que ele sentia, girou 
para sair pela porta. Satisfeito. 

O olhar de John se deteve nos suaves cachos mogno que lhe 
rodeavam a cara. A luz brilhava em cada cacho sedoso e quis 
enterrar os dedos neles. Sabia que deveria ir. Se voltar e partir. 


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Mas voltou a olh-la aos olhos. 

O que viu no o satisfez. Ainda no. A pegou pela nuca, 
inclinou a cabea e a beijou com toda sua alma, conscientemente. 
Enquanto sua boca se recreava na dela, levou-a para trs at que 

o traseiro de Georgeanne tropeou com a beira da vitrine de 
trofus. O beijo continuou incontrolvel, John deslizou a boca 
pela bochecha e o queixo. Seus lbios se recrearam no pescoo, 
enquanto lhe retirava o cabelo para as costas. Cheirava a flores e 
a pele feminina era clida e suave quando ele deslizou a bata de 
seda pelo ombro. Ele a sentiu se esticar entre seus braos e 
pensou que deveria parar. 
Cheira bem - sussurrou em seu pescoo. 

Cheiro a homem. Georgeanne soltou uma risada nervosa. 

John sorriu. 

Passo muito tempo rodeado de homens e me acredite, 
carinho, no cheira a homem. Deslizou a ponta dos dedos sob o 
bordo esmeralda do suti e a beijou na pele suave da garganta. 

Automaticamente ela cobriu a mo com a sua. 

Pensava que no amos fazer amor. 

E no vamos fazer. 

Ento o que estamos fazendo, John? 

Estamos trocando caricias. 

E isso no conduz a fazer amor? Lhe soltou os ombros e 
cruzou os braos. 

Desta vez no. Ento relaxe. 

John moveu as mos  parte posterior de suas coxas suaves e 
a iou com fora, levantando-a do cho. Antes que ela pudesse 
objetar, sentou-a sobre a borda da janela, logo se aconchegou 
entre suas coxas. 

John? 
Hum? 
Me prometa que no me machucar. 



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Ele levantou a cabea e escrutinou sua cara. Estava muito 
sria. 

No a machucarei, Georgie. 

Nem far nada que eu no goste. 

Certamente que no. 

Ela sorriu e voltou a colocar as palmas das mos nos ombros. 

Voc gosta disto? perguntou, subindo as mos pela parte 
posterior de suas coxas e levantando a bata no caminho. 

Mmm-hum  respondeu ento lhe lambeu a orelha 
brandamente e deslizou a ponta da lngua pelo pescoo. E voc 
gosta disto? perguntou ela contra sua garganta. Logo lambeu a 
sensvel pele com a lngua. 

Eu adoro. Ele riu baixinho. Deslizou as mos at os 
joelhos dela, logo voltou a subir at que seus dedos tropearam 
com a beira do elstico da calcinha. Todo em voc  estupendo. 
John inclinou a cabea e fechou os olhos. No podia recordar 
ter tocado a uma mulher to suave como Georgeanne. Afundou os 
dedos nas quentes coxas e as abriu ainda mais. Enquanto a boca 
de Georgeanne fazia coisas incrveis em sua garganta, ele 
deslizou as mos sob a bata e a iou pelas ndegas. Tem a pele 
suave, as pernas longas e um traseiro precioso - disse enquanto a 
atraa contra sua plvis. O calor alagou sua virilha e soube que se 
no tomava cuidado, podia se afundar em Georgeanne e ficar ali 
um bom momento. 

Georgeanne levantou o olhar. 

Est zombando de mim? 

John olhou seus olhos claros. 

No  respondeu, procurando o reflexo do desejo que ele 
sentia sem encontr-lo. Nunca zombaria de uma mulher 
seminua. 

No acredita que esteja gorda? 

Eu no gosto das mulheres magras  respondeu com 


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rotundidade, e moveu a mo do quadril aos joelhos e logo a subiu 
outra vez. Uma fasca de interesse brilhou nos olhos de 
Georgeanne e, por fim, um pouco de desejo. 

Georgeanne procurou nos olhos entrecerrados de John algum 
sinal de que lhe mentia. Desde o comeo da puberdade, tinha 
batalhado constantemente contra seu peso e tinha provado mais 
dietas das que podia recordar. Pegou sua cara entre as mos e o 
beijou. No era o beijo mecnico e perfeito que lhe tinha dado 
antes, aquele coquete beijo com o que tinha tentado tent-lo. 
Desta vez ela queria trag-lo por inteiro. Tinha inteno de lhe 
mostrar o que essas palavras significavam para uma garota que 
sempre se considerou gorda. Se deixou levar, sentindo como a ia 
invadindo o desejo ardente e vertiginoso. O beijo se voltou to 
faminto como as mos que a tocavam, acariciavam, moldavam para 
faz-la estremecer at as pontas dos ps. Ela sentiu como se 
soltava o cinturo de seda e como se abria a bata. Deslizou-lhe 
as mos pelo estmago e cintura. Logo deslizou as clidas palmas 
por cima das costelas e com os polegares roou a parte inferior 
de seus abundantes seios. Um pequeno tremor, inesperado e 
intenso, a estremeceu dos ps a cabea. Pela primeira vez em sua 
vida, as carcias de um homem em seus seios no lhe produziam 
repulso. Suspirou com surpresa contra a boca de John. 

John levantou a cabea e estudou seus olhos. Sorriu 
agradado ante o que ali viu e deslizou a bata pelos ombros dela. 

Georgeanne baixou os braos e deixou que a seda negra 
deslizasse at as coxas. Antes que ela pudesse se dar conta de 
suas intenes, John moveu as mos por suas costas e 
desabotoou o suti. Alarmada por sua rapidez, ela levantou as 
mos e manteve as taas verdes de renda em seu lugar. 

Sou grande  indicou em um impulso, logo acreditou 
morrer de vergonha por dizer algo to estpido e bvio. 

Eu tambm sou - brincou John com um sorriso provocador. 


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Escapou-lhe uma risada nervosa quando um dos suspensrios 
do suti deslizou pelo brao. 

Voc definira isso durante toda a noite? perguntou ele, 
deslizando os ndulos pelo bordo de renda do suti. 

Sua leve carcia provocou um formigamento em sua pele. 
Gostava das coisas que dizia e a forma em que a fazia sentir e 
no queria que se detivesse ainda. John lhe agradava e queria 
gostar dele. O olhou aos olhos enquanto baixava as mos. O suti 
caiu lentamente no colo e ela conteve o flego temendo que ele 
fizesse algum comentrio lascivo sobre seus seios, embora 
esperasse que no o fizesse. 

Jesus, Georgie. Me disse que era grande, mas faltou me 
dizer que era perfeita. Cavou-lhe um peito e a beijou nos 
lbios, dura e profundamente. Acariciou lentamente o mamilo 
com o polegar de um lado a outro, rodeando-o e passando por 
cima. Ningum a tinha acariciado jamais como John estava 
fazendo nesse momento. A suave carcia a fazia sentir como se 
fosse delicada e frgil. Ele no puxava, nem retorcia, nem 
beliscava. No a agarrava com mos rudes esperando que ela 
desfrutasse. 

O desejo, a gratido e o amor lhe sulcaram as veias at o 
corao, para acabar palpitando entre suas pernas. Enquanto o 
beijava, fechou as coxas ao redor de seus quadris, o atraindo 
mais para seu corpo, at que percebeu a protuberncia dura 
contra a entreperna. As mos de Georgeanne puxaram a 
camiseta, afastando a boca o tempo suficiente para pass-la 
bruscamente sobre sua cabea. Um arbusto de plo escuro 
cobria esse grande peito, baixando pelo abdmen plano, rodeando 

o umbigo e desaparecendo pelo cs dos jeans. Deixou cair a um 
lado a camiseta, subindo e baixando as mos pelo peito. Os dedos 
de Georgeanne deslizavam pelo plo fino, os msculos duros e a 
pele quente. Podia sentir o batimento do corao de John e sua 

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respirao agitada. 

Ele gemeu seu nome antes que sua boca capturasse a dela em 
outro beijo ardente. As pontas de seus seios lhe roaram o peito 
e uma dor surda se propagou por todo seu corpo. Cada lugar que 
ele tocava, pulsava com uma paixo ardente que ela nunca havia 
sentido. Era como se seu corpo sempre tivesse sabido, como se 
tivesse esperado durante toda sua vida que John a amasse. Ela 
percorreu com as mos os duros planos de suas costas, 
percorrendo sua coluna vertebral para retornar a seu trax. Ele 
conteve o flego quando ela enganchou os dedos no cs dos 
jeans. Quando tirou o boto metlico da casa, John a pegou pelos 
pulsos. Separou sua boca da dela, deu um passo atrs e a olhou 
com os olhos entrecerrados. Uma ruga sulcava sua testa e suas 
bochechas morenas estavam ruborizadas. Parecia um homem 
faminto ante seu prato favorito, mas no parecia muito contente. 
A olhava como se estivesse a ponto de recha-la. 

Merda  amaldioou ao final, procurando as calcinhas de 
Georgeanne. Sou um homem morto de todas as maneiras. 

Georgeanne plantou as mos atrs, sobre a vitrine, e levantou 

o traseiro enquanto ele baixava as calcinhas pelas pernas. 
Quando ele se colocou entre suas coxas outra vez, estava nu. E 
era grande. No tinha brincado sobre isso. Ela estendeu a mo e 
fechou o punho ao redor do poderoso eixo de seu pnis. John 
fechou a mo ao redor da dela e a subiu at a grossa glande, 
depois retrocedeu. Estava incrivelmente duro e quente dentro de 
sua mo. 
Ele olhou suas mos unidas e as coxas abertas de 
Georgeanne. 
Est tomando algum anticoncepcional?  perguntou 
enquanto movia a mo livre  parte superior de sua plvis. 
Sim  e suspirou quando seus dedos aprofundaram no plo 
pbico para lhe acariciar a carne escorregadia, a estimulando at 


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que pensou que se romperia em mil pedaos. 

Coloca as pernas ao redor de minha cintura, ele pediu, e 
quando ela o fez, ele mergulhou dentro dela. Levantou a cabea e 
seu olhar procurou o dela. OH Deus, Georgie  exclamou do 
mais fundo de seu peito. Se retirou ligeiramente, logo empurrou 
at se assentar por completo, profundamente. A pegou pelos 
quadris e se moveu em seu interior, lentamente a princpio, 
depois com rapidez. Os trofus da vitrine estralaram e, com 
cada empurro, Georgeanne sentiu como se a empurrasse para 
um profundo abismo. A cada impulso, sua pele se esquentava uns 
graus mais e seu desejo por ele se voltava mais faminto. Cada 
empurro de seu corpo era ao mesmo tempo uma tortura e um 
doce prazer. 

Ela falou seu nome vrias vezes enquanto sua cabea caa 
para trs contra a janela e fechava os olhos. 

No se detenha  gritou enquanto se sentia como se 
estivesse a ponto de cair por um precipcio. O fogo se estendeu 
atravs de sua pele, e seus msculos se esticaram 
involuntariamente enquanto se abandonava a um orgasmo longo e 
ardente. Disse coisas que normalmente a teriam chocado. No 
lhe importou. John a fazia sentir coisas  coisas incrveis  que 
nunca tinha sentido antes, e cada um de seus pensamentos e 
sentimentos se centravam no homem que a sustentava to 
estreitamente. 

Jesus  vaiou John, enterrando o rosto no oco do pescoo 
de Georgeanne. Apertou com fora seu quadris e, com um gemido 
profundo e gutural, empurrou nela uma ltima vez. 

A escurido envolveu a figura nua de John, to escuro quanto 

o seu humor sombrio. A casa estava silenciosa. Muito silenciosa. 
Se ouvisse atentamente, quase podia ouvir a respirao suave de 
Georgeanne. Mas ela estava dormindo no quarto e sabia que era 

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impossvel ouvir. 

 Era noite. A escurido. O silncio. Conspiravam contra ele, 
lhe sussurrando no ouvido e invadindo suas lembranas. 

Levou a garrafa do Bud  boca bebendo com rapidez a 
metade. Ficou diante da janela panormica e contemplou a grande 
lua amarela e o rastro prateado das ondas. Tudo o que podia ver 
de seu prprio reflexo no vidro era uma silhueta nebulosa. O 
contorno indefinido de um homem que tinha perdido sua alma e 
que no estava muito interessado em encontr-la outra vez. 

Inesperadamente, a imagem de sua esposa, Linda, surgiu ante 
ele na escurido. A imagem da ltima vez que a tinha visto, 
dentro de uma banheira de gua ensangentada; ali seu aspecto 
era muito diferente ao da garota saudvel que tinha conhecido 
na escola secundria. 

Seus pensamentos voltaram a poca da escola quando tinham 
namorado com ela. Mas depois de se graduar, ele se tinha ido 
longe para jogar hquei nas ligas menores. Toda sua vida girou em 
torno do esporte. Tinha jogado duro e, aos vinte anos de idade, 
tinha sido o primeiro jogador fichado pelos Toronto MapleLeafs 
em 1982. Seu tamanho o convertia em um jogador claramente 
dominante e ganhou com rapidez o apodo de Muro. Sua 
destreza sobre o gelo o tinha transformado em estrela da noite 
para o dia. Sua percia social, entretanto, o tinha convertido em 
um dolo dos fanticos, quem o consideravam como um Mark 
Spitz das pistas. John jogou para os Maple Leafs durante quatro 
temporadas, at que os Rangers de Nova Iorque lhe ofereceram 
um contrato mais elevado, se convertendo em um dos jogadores 
mais bem pagos da NHL. Tinha chegado a se esquecer por 
completo de Linda. 

Quando voltou a v-la, tinham passado seis anos. Tinham a 
mesma idade, mas diferentes experincias. John tinha visto o 
mundo. Era jovem, rico e tinha feito coisas com as que outros 


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homens s podiam sonhar. Durante todos esses anos, ele tinha 
mudado muito enquanto Linda mal o tinha feito. Era quase a 
mesma garota com a que tinha brincado no Chevy de Ernie. A 
mesma garota que tinha usado o espelho retrovisor para repintar 

o vermelho que ele se comeu a beijos. 
Reencontrou com Linda outra vez durante umas frias da liga 
de hquei. Tirou-a da cidade. A levou a um hotel e trs meses 
mais tarde, depois de lhe dizer que estava grvida, a converteu 
em sua esposa. Seu filho, Toby, nasceu aos cinco meses de 
gravidez. As quatro semanas seguinte passou observando como 
seu filho lutava por viver, enquanto sonhava em lhe ensinar todas 
as coisas que sabia da vida e do hquei. Mas seus sonhos de um 
garotinho revoltoso morreram dolorosamente com seu filho. 

Enquanto John sofria em silncio, a pena de Linda foi 
evidente para todos. Passava os dias chorando e durante muito 
tempo esteve obcecada por ter outro menino. John sabia que ele 
era a razo de sua obsesso. Casaram porque estava grvida, no 
porque a amava. 

Deveria t-la deixado nesse momento. Deveria ter ido, mas 
no tinha podido abandon-la. No enquanto estivesse sumida na 
dor e ele se sentisse responsvel por sua pena. Durante o ano 
seguinte se manteve ao seu lado enquanto ela ia de medico em 
medico. Se manteve a seu lado enquanto sofria vrios abortos. 
Permaneceu com ela porque uma parte dele tambm queria outro 
beb. E viu como se afundava no mais profundo desespero. 

Ficou ao seu lado, mas no foi um bom marido. A obsesso 
por ter outro filho a deixou louca. Os ltimos meses de sua vida, 
no podia suportar nem sequer toc-la. Quanto mais ela se 
agarrava, mais gana de escapar ele tinha. Em nenhum momento 
ocultou suas confuses com outras mulheres. A um nvel 
subconsciente, queria que ela o deixasse. 

Mas preferiu se suicidar. 


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John levou a garrafa de cerveja aos lbios e tomou um longo 
gole. Linda queria que fosse ele que a encontrasse, e assim foi. 
Um ano depois, ainda podia recordar a cor exata de seu sangue 
mesclado com a gua do banho. Podia ver seu plido rosto e seu 
mido cabelo loiro. Podia cheirar o xampu que tinha usado e ver 
os cortes que se infligiu dos pulsos at os cotovelos. Ainda 
poderia sentir como lhe revolviam as tripas. 

Desde ento, vivia com o peso de uma horrvel culpa. Todos 
os dias procurava esquecer suas lembranas enquanto a culpa o 
devorava. 

John entrou no quarto e olhou  preciosa garota enredada em 
seus lenis. A luz do vestbulo iluminava a cama e o escuro 
cabelo encaracolado. Tinha um brao sobre o estmago e o outro 
estirado. 

Supunha que deveria sentir pena de Virgil por t-lo 
substitudo em sua noite de npcias. Mas no o fazia. No 
lamentava o que tinha feito. Tinha desfrutado muito e, total, se 
algum se inteirava de que ela tinha passado a noite em sua casa, 
daria por fato que tinham mantido relaes sexuais de todos os 
modos. Ento, que demnios? 

O corpo de Georgeanne foi feito para o sexo, mas tinha se 
dado conta que no tinha tanta experincia como tinha parecido 
quando paquerava com ele. Tinha lhe ensinado a dar e receber 
prazer. Tinha-a beijado e a tinha percorrido com a lngua dos ps 
a cabea e, a sua vez, tinha-a ensinado o que fazer com essa boca 
to exuberante que tinha. Ela era sensual e ingnua e ele a 
encontrava incrivelmente sexy. 

John deitou a seu lado na cama e deslizou o lenol branco at 
a cintura. Parecia como se deixou cair nua em um enorme atoleiro 
de creme batido. Ele se sentiu de novo excitado e a cobriu com 
seu corpo. Apertando-lhe os seios com as mos, afundou a cara 
na fenda que formaram e a beijou ali meigamente. Nesse lugar, 


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com essa carne suave e quente sob ele, no tinha que pensar em 
nada mais. Tudo o que tinha que fazer era sentir prazer. Ao ouvir 

o profundo gemido de Georgeanne, levantou a vista para sua cara. 
O olhava com olhos sonolentos. 

A despertei?  ele perguntou. 

Georgeanne observou a covinha da bochecha direita de John 
e seu corao comeou a palpitar. 

No foi essa sua inteno? perguntou to comovida por 
ele que o sentia at na alma e, embora no tinha dito que se 
ocuparia dela, sabia que ao menos tinha que sentir algo. Se 
arriscou  clera de Virgil para estar com ela. Tinha posto em 
perigo sua carreira e Georgeanne encontrava excitante e 
terrivelmente romntico o risco que tinha deslocado por ela. 

Poderia controlar minhas mos e deixar dormir. Mas no 
ser fcil  lhe disse, movendo a palma da mo pela cara externa 
da coxa nua de Georgeanne. 

Tenho outra opo? perguntou enquanto lhe acariciava o 
cabelo das tmporas. 

Ele se deslizou para cima at que teve o rosto em cima do 
dele. 

Eu adoraria voltar a te fazer gemer. 

Hum. Georgeanne fingiu considerar as possibilidades. 
Quanto tempo tenho para tomar uma deciso? 

J no tem tempo. 

John era jovem e bonito e, em seus braos, se sentia segura 
e protegida. Era um amante maravilhoso e poderia se ocupar dela. 
E o mais importante, ela estava loucamente apaixonada por ele. 

Amoldou seus lbios aos dela e a beijou com uma doce paixo, 
e ela se sentiu como se estivesse ouvindo essa velha cano de 
country. She was... the happiest girl in the whole U.S.A.. 

Tambm queria fazer John feliz. Desde que manteve as 
primeiras relaes com o sexo oposto aos quinze anos, 


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Georgeanne tinha se transformado como um camaleo para se 
converter no que fosse que seu noivo da vez quisesse. No 
passado tinha feito de tudo, desde tingir o cabelo de vermelho a 
amassar o corpo em um touro mecnico. Georgeanne sempre 
tinha feito um extraordinrio esforo por agradar aos homens 
de sua vida para que no ficasse outro remdio que am-la. 

Talvez John no a amasse nesse momento, mas terminaria 
fazendo-o. 

Captulo 5 

Georgeanne levou uma mo a seu corao dolorido. Pegou o 
lao branco do suti enquanto dentro de seu peito o amor e o 
dio colidiam como um martelo de demolio para destroar seu 
corao. Vestida de novo com o vestido de noiva rosa e as frgeis 
sandlias de salto alto, lutou contra as lgrimas ardentes que 
alagavam seus olhos. Quando viu como o Corvette vermelho de 
John se perdia no trfico, notou que perdia a batalha. Sua vista 
se empanou, mas as lgrimas no lhe proporcionaram alvio algum. 

Nem sequer ao observar John desaparecer, podia acreditar 
que tinha se desfeito dela na calada do Aeroporto Internacional 
de Seattle-Tacoma. No era s que a tivesse abandonado,  que 
nem sequer tinha olhado atrs. 

Passavam ao redor dela executivos trajados ou turistas com 
roupas leves de vero. Os taxistas descarregavam bagagens 
enquanto o escapamento de seus txis expulsava fumaa quente. 
Os porta-malas brincavam com os clientes enquanto uma 
impessoal voz masculina avisava pelos alto-falantes de que a rea 
reservada diante do aeroporto era s para carga e descarga. Os 
sons que se mesclavam caoticamente em torno de Georgeanne 
eram semelhantes ao confuso zumbido de sua cabea. Na noite 
anterior John se comportou de maneira muito diferente ao 


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homem indiferente que a tinha despertado essa manh com um 
Bloody Mary na mo. Na noite anterior tinham feito amor uma e 
outra vez; nunca tinha se sentido mais perto de um homem. E 
estava segura de que John sentia o mesmo. Estava segura que ele 
no teria deslocado tal risco a menos que lhe importasse. Se no 
tivesse sentido nada por ela, no teria posto em perigo sua 
carreira com os Chinooks. Mas essa manh se comportou como se 
tivessem visto Reprises na televiso em lugar da fazer amor. 
Quando falou que lhe tinha reservado um vo a Dallas, o disse 
como se estivesse lhe fazendo um grande favor. Quando a tinha 
ajudado a colocar de novo o espartilho e o vestido de noiva rosa, 
seu contato tinha sido impessoal. Muito diferente das clidas 
carcias da noite anterior. Quando a ajudou a se vestir, 
Georgeanne tinha lutado contra seus confusos sentimentos. 
Tinha lutado por encontrar as palavras adequadas para o 
convencer que a deixasse ficar com ele. Insinuou sua disposio 
para fazer e ser algo que ele quisesse, mas ele tinha ignorado to 
sutis sugestes. 

 A caminho do aeroporto, tinha subido tanto o volume da 
msica que a conversa tinha sido impossvel. Durante a hora que 
tinha durado o trajeto de carro, ela se tinha torturado com 
milhares de perguntas. Se perguntou o que teria feito mal ou o 
que teria acontecido para ele ter mudado tanto. S seu orgulho 
impediu que desconectasse o toca-fitas e lhe exigisse uma 
resposta. S o orgulho a fez conter as lgrimas quando a ajudou 
a sair do carro. 

O avio sai dentro de uma hora. Tem tempo de sobra para 
recolher o carto de embarque no faturamento e pegar o vo -
John a informou enquanto lhe entregava sua ncessaire de noite. 

Sentiu como se o pnico retorcesse seu estmago. O medo 
fez desaparecer o orgulho e abriu a boca para suplicar que a 
levasse de retorno  casa da praia, onde se sentia segura. Suas 


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seguintes palavras a detiveram. 

Com esse vestido com certeza vai obter ao menos duas 
propostas de casamento antes de chegar a Dallas. No quero te 
dar conselhos de como viver sua vida, Deus sabe o muito que 
enredei a minha, mas talvez devesse usar mais a cabea quando 
escolher o seu prximo noivo. 

O amava tanto que doa e no lhe importava se casava com 
outro homem. A noite que tinham compartilhado no tinha 
significado nada para ele. 

Foi um prazer te conhecer, Georgie -tinha acrescentado 
despreocupadamente, logo tinha se voltado e se foi. 

John! O nome lhe escapou dos lbios, apesar de seu 
orgulho. 

Ele tinha girado, e ela soube que sua cara tinha revelado o 
que sentia. John tinha suspirado com resignao. 

Nunca quis te machucar, mas lhe disse desde o comeo que 
no jogaria minha carreira com os Chinooks por voc.  Fez uma 
pausa e acrescentou: No  nada pessoal. 

Logo se voltou, baixou a calada e saiu de sua vida. 

A mo de Georgeanne comeou a doer e olhou para baixo, a 
ncessaire que segurava com fora. Tinha os ndulos brancos e 
afrouxou seu aperto. 

A densa fumaa do escapamento lhe provocou nauseia e, 
finalmente, se voltou e entrou no aeroporto. Tinha que sair dali. 
Tinha que ir, mas no sabia onde. Sentia todos seus circuitos 
sobrecarregados e tentou deixar a mente em branco. Encontrou 

o mostrador de faturamento e no disse ao agente, no tinha 
bagagem para faturar. Com o carto de embarque em uma mo e 
a ncessaire na outra, abandonou o mostrador. 
Passou diante das lojas de presentes, os restaurantes e os 
guichs de informao de vos. O sofrimento a envolvia como 
uma capa de nvoa negra. Manteve o olhar baixo, imaginava que 


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sua pena brilhava atravs de seu rosto e que se as pessoas a 
olhassem atentamente, saberiam o que lhe passava. 

Se dariam conta que ningum se importava com Georgeanne 
Howard. Nem nesse estado nem em outro. Tinha plantado a sua 
nica amiga, Sissy, e se Georgeanne morresse nesse momento, 
no importaria a ningum ou pelo menos no de verdade. Bom, sua 
tia Lolly sim faria como se lhe importasse. Prepararia a gelatina 
Ou'Jell e choraria como se no estivesse aliviada de no ter que 
se ocupar mais de Georgeanne. Por um instante, Georgeanne se 
perguntou se sua me se entristeceria, mas soube a resposta 
antes de sequer pensar nisso: no. Billy Jean nunca se 
entristeceria por essa menina a que nunca tinha querido. 

Entrou na zona de embarque quando seu frgil controle 
comeava a quebrar. Sentou de costas s janelas e pegou um 
exemplar do Seattle Teme do assento do lado deixando a 
ncessaire na poltrona de vinil. Olhou pela janela  pista de 
aterrissagem e uma ntida imagem da cara de sua me apareceu 
em sua mente, lhe recordando a nica vez que se encontrou com 
Billy Jean. 

Tinha sido o dia do enterro de sua av, tinha levantado o 
olhar do atade e tinha visto a cara de uma elegante mulher 
muito bem penteada com o cabelo escuro e os olhos verdes. No 
teria reconhecido quem era a mulher se Lolly no tivesse dito. 
Durante um instante a pena pela morte de sua av se fundiu em 
seu interior com apreenso, alegria, esperana e uma mirade de 
emoes conflitivas. Durante toda sua vida, Georgeanne tinha 
recreado o momento em que finalmente conheceria sua me. 

Enquanto crescia, tinham lhe dito que Billy Jean era muito 
jovem e que quando ela nasceu no queria ter filhos ainda. Como 
conseqncia, Georgeanne levava toda sua vida sonhando com o 
dia em que sua me mudaria de idia. 

Mas quando Georgeanne alcanou a adolescncia, j tinha 


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perdido as esperanas de que se fizessem realidade seus sonhos 
sobre um reencontro com sua me. Tinha descoberto que Billy 
Jean Howard era agora Jean Obershaw, esposa de Leo 
Obershaw representante em Alabama, e me de dois meninos 
pequenos. O dia que soube da outra famlia de sua me foi o dia 
em que teve que confrontar a crua realidade. Sua av tinha 
mentido. Billy Jean sim queria ter filhos. Simplesmente, no 
tinha querido a ela. 

No enterro de sua av, quando Georgeanne por fim olhou 
para Billy Jean, tinha esperado no sentir nada. A surpreendeu 
profundamente encontrar algo em seu corao, ainda abrigava a 
fantasia de uma me carinhosa. Tinha se obstinado ao sonho de 
que sua me poderia encher o vazio que tinha em seu interior. As 
mo e os joelhos de Georgeanne tremeram quando se apresentou 
 mulher que a tinha abandonado pouco depois de nascer. Tinha 
contido o flego... esperando... desejando. Mas Billy Jean mal a 
olhou quando lhe disse: 

Sei quem . Logo se voltou e se dirigiu  parte traseira da 
igreja. Depois do funeral desapareceu, provavelmente de retorno 
com seu marido e seus filhos. De retorno a sua vida. 

O anncio da chegada de um vo trouxe Georgeanne de volta 
 realidade. Mais passageiros comearam a encher a zona de 
embarque e pegou a ncessaire para colocar-lhe sobre o colo. 
Uma mulher de meia idade com cachos brancos e um vestido de 
polister se dirigiu ao assento vazio. Georgeanne pegou 
automaticamente o exemplar do Seattle Teme para que a mulher 
pudesse sentar. Colocou-o em cima da ncessaire e dirigiu o olhar 
s janelas, observando um nibus de passageiros e um reboque de 
bagagens. Normalmente, teria sorrido  mulher e possivelmente 
a teria obsequiado com uma agradvel conversa. Mas no se 
sentia com vontade de ser amvel. Pensava em sua vida e em que 
no devia se relacionar com pessoas que no podiam 


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corresponder a seu amor. 

Apaixonou-se por John Kowalsky em menos de vinte e quatro 
horas. Seus sentimentos por ele tinham surgido to depressa que 
mal podia acreditar. Mas sabia que eram reais. Pensava em seus 
olhos azuis e na covinha que aparecia em sua bochecha direita 
cada vez que sorria. Pensava em como a rodeavam esses fortes 
braos, fazendo-a sentir segura. Se fechava os olhos, podia 
sentir suas mos nas costas, levantando-a contra a vitrine como 
se no pesasse nada. No tinha conhecido a nenhum outro homem 

-nem sequer algum antigo noivo ao que tinha acreditado amar, 
que a tivesse feito sentir da mesma maneira que John. 
Deveria ter me dito que  perfeita, tinha dito, fazendo 
que se sentisse como a Rainha das festas do Santo Antonio. 
Nenhum homem a tinha feito se sentir to desejvel. Nenhum 
homem a tinha deixado destroada. 

Seus olhos comearam a arder de novo e sua vista se nublou. 
Nos ltimos dias tinha tomado algumas decises desafortunadas. 
O pior tinha sido decidir casar com um homem o suficientemente 
velho para ser seu av. Logo estava fugindo do casamento como 
uma covarde. O nico que no tinha sido uma escolha tinha sido 
se apaixonar por John. Simplesmente tinha ocorrido. 

Uma solitria lgrima lhe escorregou pela bochecha e a 
enxugou com o leno. Agora tinha que se sobrepor ao de John. 
Tinha que retomar sua vida. 

Que vida?. No a esperavam nem em casa nem no trabalho. 
No tinha nenhum familiar com quem falar e o mais provvel era 
que sua nica amiga a odiasse. Todas suas roupas estavam em 
poder de Virgil, quem - sem nenhuma dvida a desprezaria. O 
homem que amava no lhe correspondia. Se desfez dela, 
deixando-a na calada sem olhar atrs. 

No tinha a nada nem a ningum salvo ela mesma. 
Ateno -anunciou uma voz feminina, os passageiros do 



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vo 624, com destino a Dallas-Fort Worth, devero embarcar em 
quinze minutos. 

Georgeanne olhou o carto de embarque. Quinze minutos, 
pensou. Ficavam quinze minutos para subir a um avio que a 
levaria de retorno a um nada. Ningum estaria ali para recolh-la. 
No tinha a ningum. Ningum ia se ocupar dela. Ningum lhe 
diria o que fazer. 

Ningum exceto a si mesma. S Georgeanne Howard. 

O pnico lhe atendeu o estmago e olhou o exemplar do 
Seattle Teme que estava em cima da ncessaire de seu colo. 
Sentia a sobrecarga emocional a flor de pele. Para evitar estalar, 
se concentrou no jornal. Moveu os lbios enquanto lia lentamente 
os anncios classificados. 

O letreiro do Catering Heron pendurava desajeitadamente 
do lado direito. A tormenta da noite da quinta-feira o tinha 
maltratado tanto que havia quebrado uma das correntes, com o 
que o grande pssaro majestoso pintado no letreiro parecia a 
ponto de cair em linha reta sobre a calada. Os rododentros 
plantados a cada lado da porta tinham sobrevivido aos fortes 
ventos, mas os gernios vermelhos eram outra histria. 

Entretanto, dentro do pequeno edifcio, tudo estava em 
perfeita ordem. O escritrio da parte dianteira do reconvertido 
armazm tinha um escritrio e uma mesa redonda. Na parede 
pendurava uma grande fotografia de duas pessoas idnticas 
vestidas com a mesma roupa. Cada um segurava o extremo de um 
bilhete de um dlar. Na cozinha, reluziam uma cortadora 
industrial, uma afiadora e outros instrumentos de cozinha, todos 
de ao inoxidvel. Uma seleo de menus repousava na bandeja 
que havia em cima do refrigerador e o forno de conveco 
dominava a esquina oposta. 

A proprietria estava no banheiro com uma borracha azul 


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entre seus lbios. A luz fluorescente zumbia e piscava jogando 
uma sombra cinza sobre a cara de Mae Heron, cujos olhos 
marrons estudavam o reflexo no espelho de cima do lavabo 
enquanto escovava o cabelo loiro e se fazia um coque. 

Mae era o exemplo perfeito de uma garota de cara lavada 
com um sabo caseiro tipo Ivory Soap. No precisava usar nem 
creme faxineira, nem tnicos para a pele com sabor de fruta, 
nem gastar o dinheiro em cremes seletos. Odiava a sensao de 
usar maquiagem. Algumas vezes se aplicava um pouco de rmel, 
mas tinha pouca prtica e no o aplicava muito bem, no como 
Ray. Ray sempre tinha tido bom olho para a maquiagem. 

Mae se olhou de perfil e levantou uma mo para esmagar uma 
mecha de cabelo rebelde do cocuruto. Teria voltado a fazer o 
coque se no tivesse tocado o timbre da porta anunciando a 
chegada do cliente que estava esperando. A senhora Candace 
Sullivan era uma cliente assdua do Catering Heron e se ps em 
contato com Mae para lhe encarregar o catering para a 
celebrao das bodas de ouro de seus pais. Candace era a mulher 
de um reputado cardiologista. Gozava de uma muito boa situao 
econmica e era a ltima esperana que Mae tinha de poder 
conservar vivo o sonho de Ray e dela. 

Se sentou para estar segura de que o plo azul parecesse 
impecvel sobre as calas curtas caquis e aspirou 
profundamente. No se desembrulhava muito bem com essa 
parte do negcio. Beijar traseiros e encher a bola dos clientes 
tinham sido um dos talentos de Ray. Ela se dedicava  
administrao do negcio. Era a contadora. No era uma boa 
relaes pblicas. Passou toda a noite e parte da manh 
espremendo os nmeros at sentir areia fina nos olhos, mas no 
havia outra soluo; no importava quo criativa fosse com as 
contas, se o negcio de catering que Ray e ela tinham aberto 
trs anos antes no recebia encargos logo, teria que fechar. 


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Necessitava  senhora Sullivan; necessitava seu dinheiro. 

Mae alcanou o envelope de Manila do lavabo e saiu do 
banheiro. Atravessou a cozinha, mas parou um momento na porta 
que conduzia ao escritrio. A jovem parada no meio do cmodo 
no se parecia de forma alguma  senhora Sullivan. De fato, 
parecia sada da Manso Playboy. Era tudo o que Mae no era: 
alta, pechugona, com espesso cabelo escuro e bonita pele 
bronzeada. Apenas ao pensar em pegar sol, a pele de Mae ficava 
vermelha como uma lagosta. 

Ham... Posso ajud-la em algo? 

Devo solicitar o trabalho -respondeu com voz arrastada, 
claramente sulina. De ajudante do Chef. 

Mae olhou o jornal que a mulher segurava em uma mo, logo 
observou o vestido rosa de seda com um grande lao branco. A 
seu irmo Ray teria encantado esse vestido. Teria lhe encantado 
vestir. 

Trabalhou antes em uma empresa de catering? 

No. Mas sou muito boa cozinheira. 

Se confiava em seu aspecto, Mae duvidava sinceramente que 
a mulher soubesse sequer ferver gua. Mas no costumava julgar 
s pessoas nem por sua cor nem por sua roupa. Passou a maior 
parte de sua vida defendendo seu irmo gmeo da gente que o 
julgava sem conhec-lo, incluindo sua prpria famlia. 

Sou Mae Heron  disse. 

 um prazer, senhora Heron. 

A mulher deixou o jornal em uma mesa ao lado da porta, logo 
caminhou para Mae e lhe estendeu a mo. 

Meu nome  Georgeanne Howard. 

Bom, Georgeanne, te darei uma solicitude para preencher 

 disse, se movendo atrs da escrivaninha. Obtinha o encargo 
dos Sullivan, necessitaria um ajudante, mas duvidava que fosse a 
essa mulher a quem contratasse. No s preferia contratar 

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cozinheiros com experincia, mas tambm duvidava da prudncia 
de algum que usasse esse vestido to provocador para solicitar 
um posto na cozinha. 

Embora no pensava contratar Georgeanne, pensou que era 
melhor que preenchesse uma solicitude e recha-la com 
motivos. Estava rebuscando em uma das gavetas quando soou de 
novo o timbre da porta. Olhou para fora e reconheceu a sua 
enriquecida cliente. Como a maioria das pessoas que bebia 
coquetis, jogava tnis e ia ao clube de campo, o cabelo da 
senhora Candace Sullivan parecia um casco prateado. As jias 
eram autnticas, as unhas falsas e, em geral, era como qualquer 
outra ricaa com a que Mae tinha trabalhado. Conduzia um carro 
de oitenta mil dlares, mas regateava em trivialidades como o 
preo das framboesas. 

Ol, Candace. J tenho tudo preparado.  Mae apontou 
para a mesa redonda onde havia trs lbuns de fotos. Por que 
no senta? Estarei com voc em um momento. 

A senhora Sullivan olhou com curiosidade  garota de rosa e 
dirigiu um sorriso a Mae. 

A tormenta da quinta-feira parece ter causado danos no 
exterior do edifcio - disse educadamente, ao tempo que tomava 
assento. 

Isso parece. Mae sabia que teria que reparar o letreiro e 
comprar arbustos novos, mas nesse momento no tinha dinheiro. 

Pode sentar aqui  disse a Georgeanne, colocando a 
solicitude no escritrio. Logo, com o envelope do oramento na 
mo, atravessou o cmodo e tomou assento na mesa redonda. 

Trabalhei em vrios cardpios para que possa escolher. 
Quando falamos por telefone, sugeri-lhe o pato como prato 
principal. Tirou os menus do envelope, p-los na mesa e mostrou 
a primeira escolha. Com pato assado, recomendaria arroz 
silvestre, j seja com verduras mistas ou ervilhas verdes. Um 


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pozinho no jantar far... 

OH, no sei - suspirou a senhora Sullivan. 

Mae estava preparada para essa resposta. 

Tenho amostras na geladeira. 

No, obrigado. Acabo de comer. 

Ocultando a irritao, moveu o dedo a seguinte opo. 

Possivelmente preferiria salgadinhos de aspargo. Ou de 
alcachofra... 

No -interrompeu Candace. Acredito que no. Acredito 
que eu gosto mais da idia do pato. 

Mae passou ao seguinte cardpio. 

Certo. E o que lhe parece de entrada, costela de vitela em 
seu suco, batatas douradas, ervilhas verdes... 

Fui a trs festas este ano onde serviram costela. Quero 
algo diferente. Algo especial. Ray sim que tinha idias 
inovadoras. 

Mae passou as pginas e colocou em cima o terceiro menu. 
Tinha muito pouca pacincia e no era boa para isto. No 
combinava com os clientes enriquecidos que no sabiam o que 
queriam e que em cima no aceitavam nenhuma das sugestes que 
lhes mostrava. 

Sim, Ray era maravilhoso  disse, ao perder seu irmo 
fazia seis meses tinha sentido como morria parte de seu corao 
e de sua alma. 

Ray era o melhor  continuou a senhora Sullivan. J 
sabe, ele era um... Pois bem... J sabe. 

Sim, Mae sabia, e se Candace no tomava cuidado, se 
encontraria de joelhos na rua. Embora Ray pudesse ter passado 
por cima sua intolerncia, Mae no. 

O que lhe parece Chateaubriand? perguntou, mostrando a 
terceira opo. 

No  respondeu Candace. Em menos de dez minutos tinha 


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rechaado todas as idias. Mae quis mat-la, mas teve que 
recordar que necessitava o dinheiro. 

Para o aniversrio de cinqenta anos de meus pais tinha 
pensado em algo um pouco mais exclusivo. No me mostrou nada 
especial. Como desejaria que Ray estivesse aqui. Teria ideado 
algo realmente nico. 

Todos os menus que Mae lhe tinha mostrado estavam bem. 
De fato, eram do arquivo de Ray. Mae sentiu que perdia os 
nervos e se obrigou a perguntar to amavelmente como foi 
possvel: 

O que tinha pensado? 

Bom, no sei. O negcio  dele. Se supe que as inovaes 
so coisa dele. Mas Mae nunca tinha sido criativa. No vi 
nada especial. No tem outra coisa? 

Mae pegou um catlogo e ficou a folhe-lo. 

Duvidava encontrar ali algo que Candace gostasse. Estava 
convencida de que essas exclusivas razes da senhora Sullivan a 
conduziriam  bebida. 

Estas so fotos de outros caterings que temos feito. 
Possivelmente veja algo que goste. 

Isso espero. 

Perdo. A garota de rosa do escritrio se levantou. 
Perdoem que me coloque onde no me chamam, mas no pude 
evitar escuta-las. Talvez pudesse ajudar. 

Mae tinha se esquecido que Georgeanne estava no cmodo e 
girou para olh-la. 

Onde foram seus pais de lua de mel? perguntou 
Georgeanne desde atrs da escrivaninha. 

A Itlia - respondeu Candace. 

Hum. Georgeanne posou a ponta da caneta sobre o lbio 
inferior. Poderia comear com a Pappa ao Pomodoro aconselhou; 
seu italiano soava peculiar com esse acento sulino. 


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Logo carne de porco assada  florentina servida com batatas, 
cenouras e uma fatia grossa de bruschetta. Ou, se preferir pato, 
poderia ir acompanhado de massa e uma salada fresca. 

Candace olhou para Mae, e logo  outra mulher. 

Mame adora a lasanha com molho de manjerico. 

Lasanha com salada de radicchio seria perfeita. Como 
sobremesa ficaria perfeito um delicioso bolo de damasco. 

Bolo de damasco? perguntou Candace menos 
entusiasmada. Nunca o comi. 

 absolutamente maravilhoso -Georgeanne se apressou a 
responder. 

Est segura? 

Por completo.  Se inclinou para frente e apoiou os 
cotovelos na escrivaninha. Vivian Hammond, dos Hammonds de 
Santo Antonio, est louca pelo bolo de damasco. Gosta tanto, que 
rompeu a tradio do Clube da Rosa Amarela e o serve na festa 
anual. Entrecerrou os olhos e sussurrou como se 
compartilhasse uma suculenta fofoca. Para que veja, at que 
Viviam fez isso, o clube sempre tinha servido bolo de limo em 
suas reunies, limo da mesma cor que as rosas amarelas. Fez 
uma pausa, reclinou-se na cadeira, e inclinou a cabea. 
Naturalmente, sua me estava envergonhada. 

Mae arqueou as sobrancelhas e cravou os olhos em 
Georgeanne. Tinha algo familiar nela. No podia dizer o que era e 
se perguntou se teriam se conhecido antes. 

Srio? perguntou Candace. por que no serviram as dois 
coisas? 

Georgeanne encolheu os ombros. 

Quem sabe. Vivian  uma mulher excepcional. 

Quanto mais falava Georgeanne, mais forte era em Mae a 
sensao de familiaridade. 

Candace olhou o relgio, logo olhou para Mae. 


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Eu gosto da idia da comida italiana e necessitarei um bolo 
de damasco para cem pessoas. 

Quando a senhora Sullivan abandonou o edifcio, Mae 
escreveu o menu, preencheu o contrato e o cheque do sinal. Se 
recostou contra a mesa e cruzou os braos. 

Tenho que lhe fazer algumas perguntas -disse. Quando 
Georgeanne a olhou do outro extremo, Mae consultava o cardpio 
que segurava na mo. 

O que  Pappa ao Pomodoro? 

Sopa de tomate. 

Sabe cozinhar? 

 obvio.  muito fcil. 

Mae colocou o cardpio sobre a mesa e se levantou. 

Inventou essa historia sobre o bolo de damasco? 

Georgeanne tratou de parecer contrita, mas um leve sorriso 
se insinuava na comissura de seus lbios. 

Bom..., a embelezei um pouco. 

Mae j sabia por que essa mulher lhe parecia familiar. 
Georgeanne era uma artista impenitente das birutices, igual a 
Ray. Durante um breve momento sentiu que o vazio de sua morte 
se dilua um pouco. Abandonou a mesa e caminhou para a 
escrivaninha. 

Alguma vez trabalhou como ajudante de chef ou de 
garonete? perguntou, olhando a solicitude de emprego. 

Georgeanne cobriu rapidamente o papel com as mos, no sem 
que Mae notasse a m caligrafia e que tinha escrito em 
experincia profissional Chief em lugar de Chef. 

Fui garonete no Luby antes de trabalhar no Dillard's e 
recebi todas as aulas de cozinha que possa imaginar. 

Trabalhou alguma vez em um catering? 

No, mas posso cozinhar algo, desde comida grega a sueca, 
desde baklava a sushi, e sou muito boa em relaes pblicas. 


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Mae olhou para Georgeanne e esperou no se equivocar. 

Tenho uma pergunta mais. Quer o trabalho? 

Captulo 6 

Seattle, Junho de 1996 

Escapando do caos da cozinha, Georgeanne observou o salo 
do banquete uma ltima vez. Com olho crtico esquadrinhou as 
trinta e sete mesas com toalhas de linho cuidadosamente 
distribudas pela sala. No centro de cada mesa, os copos de 
cristal esculpido estavam estrategicamente colocados com uma 
variada coleo de velas flutuantes em cor rosa e folhas de 
samambaia. 

Mae a acusava de ser uma obsessa e uma possessa ou as duas 
coisas de uma vez. Os dedos de Georgeanne ainda lhe doam pela 
cera quente, mas s olhando as mesas sabia que toda a angstia, 
a dor e o caos tinha valido a pena. Tinha criado algo belo e nico. 
Ela, Georgeanne Howard, a garota que tinha sido educada para 
depender de outros tinha conseguido ganhar a vida. E o tinha 
feito por si mesma. Tinha aprendido tcnicas para superar a 
dislexia. J no ocultava seu problema, mas tampouco falava 
disso com todo mundo. Tinha escondido durante muitos anos para 
de repente anunci-lo aos quatro ventos. 

Tinha vencido todos os obstculos e com vinte e nove anos 
era scia em um bem-sucedido negcio de catering e possua uma 
casinha modesta em Bellevue. Estava muito satisfeita de tudo o 
que a menina atrasada do Texas tinha conseguido alcanar. Tinha 
caminhado atravs do fogo desencardindo sua alma, mas tinha 
sobrevivido. Agora era uma pessoa mais forte, possivelmente 
menos confiada e extremamente relutante a oferecer o corao 


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de bandeja de novo a um homem, mas no considerava que a falta 
dessas duas qualidades fosse impedimento para alcanar a 
felicidade. Tinha aprendido a lio da forma mais difcil e 
embora preferisse doar um rim a voltar para a vida que levava 
antes de entrar no Catering Heron h sete anos, nesse momento 
era quem era pelo que lhe tinha acontecido ento. No gostava 
de pensar no passado. Sua vida era perfeita nesse momento e 
estava cheia de coisas que amava. 

Tinha nascido e crescido no Texas, mas tinha se sentido 
atrada por Seattle com muita rapidez. Amava a cidade rochosa 
rodeada de montanhas e gua. Tinha demorado anos em se 
acostumar  chuva, mas como  maioria dos nativos agora j no a 
incomodava. Amava as sensaes tateantes que experimentava no 
mercado de Pike Agrada e as cores vibrantes do noroeste do 
Pacfico. 

Georgeanne levantou o brao para ajeitar o punho da jaqueta 
do smoking, e olhou o relgio. Na outra parte do velho hotel seus 
ajudantes cortavam rodelas de pepino e as colocavam em cima do 
salmo, preenchiam cogumelos e taas de champanha para os 
trezentos convidados que, em meia hora, chegariam ao salo do 
banquete e jantariam scallopini de vitela, batatas novas com 
manteiga e salada de escarola e agries. 

Alcanou uma taa e tirou o guardanapo que havia dentro. 
Suas mos tremiam quando recolocou o guardanapo branco com 
forma de rosa. Estava nervosa. Mais do que estava costumava 
estar. Mae e ela tinham feito caterings para trezentas pessoas 
com antecedncia sem nenhum problema. Mas nunca tinham 
atendido  Fundao Harrison. E nunca tinham servido um 
catering para um promotor que cobrasse quinhentos dlares por 
coberta. OH, bom, em realidade sabia que os convidados no 
pagavam essa quantidade s pela comida. O dinheiro arrecadado 
essa noite seria para o Hospital Infantil e para o Centro Mdico. 


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Ainda assim, ao pensar que todas aquelas pessoas pagariam todo 

esse dinheiro por um pedao de vitela lhe dava taquicardia. 

Uma porta se abriu-se e Mae apareceu. 

Sabia que a encontraria aqui dentro -disse, caminhando 
para Georgeanne. Levava na mo a pasta verde que continha a 
lista de trabalho e as ordens de compra junto com um inventrio 
de todos os fornecimentos e os recibos. 

Georgeanne sorriu a sua melhor amiga e scia e colocou o 
guardanapo dobrado de novo na taa. 

Como vo as coisas na cozinha? 

OH, o novo ajudante do chef bebeu todo o vinho branco 
especial que comprou para a vitela. 

Georgeanne sentiu um tombo no estmago. 

Me diga que no est falando a srio. 

 uma brincadeira. 

De verdade? 

De verdade. 

Pois no tem graa. Georgeanne suspirou aliviada quando 
Mae se aproximou dela. 

Talvez no. Mas precisa relaxar. 

No poderei relaxar at que esteja em casa  disse 
Georgeanne ajustando a rosa da lapela do smoking de Mae. 

Embora fossem vestidas com a mesma roupa, fisicamente 
eram opostas por completo. Mae tinha a pele suave como  
porcelana das loiras naturais e, com seu um e cinqenta e cinco 
de estatura, era to magra como uma bailarina. Georgeanne 
sempre tinha invejado o metabolismo de Mae que lhe permitia 
comer quase tudo sem engordar nem um grama. 

Tudo vai segundo o horrio previsto. No fique histrica, 
nem corra por a, tal como o fez nas bodas de Angela Everett. 

Georgeanne franziu o cenho e caminhou para a porta lateral. 

Ainda eu gostaria de dar uma mo ao pequeno poodle azul 


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da av Everett. 

Mae riu caminhando ao lado de Georgeanne. 

Nunca esquecerei essa noite. Estava no buf e te ouvia 
chiar na cozinha. Depois se arrependeu toda a noite. Baixou o 
tom de voz, e imitou o acento sulino de Georgeanne. Um co 
comeu minhas almndegas! 

Disse almndega. 

No. No o fez. Logo se sentou e cravou os olhos na 
bandeja vazia durante dez minutos. 

Georgeanne no o recordava dessa maneira. Mas inclusive ela 
tinha que admitir que ainda no fosse muito boa controlando esse 
tipo de estresse. Embora tivesse melhorado o bastante. 

 uma pssima mentirosa, Mae Heron -lhe disse, 
segurando o coque de sua amiga e lhe dando um pequeno puxo, 
logo voltou a olhar a estadia. A porcelana da China estava 
brilhante, o faqueiro de prata reluzente e os guardanapos 
dobrados como se centenas de rosas brancas flutuassem sobre 
as mesas. 

Georgeanne estava extremamente satisfeita consigo mesma. 

Com o cenho franzido John Kowalsky se inclinou ligeiramente 
para frente na cadeira e olhou mais de perto o guardanapo que 
preenchia sua taa. Parecia ser um pssaro ou um abacaxi. No 
estava seguro. 

OH, isto  encantado  suspirou Jenny Lange, seu casal 
essa noite. Percorreu com o olhar o brilhante cabelo loiro e teve 
que admitir que tinha gostado mais de Jenny no dia que a tinha 
convidado a sair. Era fotgrafa e a tinha conhecido fazia duas 
semanas quando foi fotografar para uma revista de desenho a 
casa flutuante onde vivia. No a conhecia muito bem. Parecia uma 
mulher agradvel, mas inclusive antes de chegar ao jantar 
beneficente tinha descoberto que no se sentia atrado por ela. 


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Nem um pouquinho. No por culpa dela, mas sim dele. 

Voltou a centrar a ateno no guardanapo, tirou-o do copo e o 
colocou no colo. Ultimamente tinha estado pensando em casar 
outra vez. Tinha falado com Ernie sobre isso. Talvez esse jantar 
beneficente tivesse despertado algo que permanecia dormido 
nele. Ou talvez fosse porque acabava de cumprir os trinta e 
cinco; mas o certo era que tinha estado pensando em procurar 
esposa e ter filhos. Tinha pensado em Toby, tinha pensado nele 
mais do que o fazia habitualmente. 

John se inclinou na cadeira, jogou a um lado a lapela da 
jaqueta do traje cinza carvo do Hugo Boss e meteu a mo no 
bolso das calas. Queria ser pai outra vez. Queria ouvir essa 
palavra, papai, se referindo a ele. Queria ensinar a seu filho a 
patinar tal como Ernie tinha ensinado a ele. Como qualquer outro 
pai do mundo, queria estar acordado na Vspera de natal e dar 
de presente triciclos, bicicletas e carros de carreiras. Queria 
vestir seu filho de vampiro, ou de pirata, e fazer com ele o 
truque ou trato. Mas quando olhava Jenny sabia que ela no ia 
ser a me de seus filhos. Recordava a Jodie Foster e sempre 
tinha pensado que Jodie se parecia um pouco a um lagarto. E no 
queria que seus filhos parecessem lagartos. 

Um garom interrompeu seus pensamentos e lhe perguntou 
se queria vinho. John no respondeu logo se inclinou para frente 
e ps a taa sobre a toalha ao reverso. 

No bebe? perguntou Jenny. 

Claro - respondeu, e tirando a mo do bolso alcanou o copo 
que tinha trazido do coquetel. 

Bebo refrigerante com lima. 

No bebe lcool? 

No. J no. Deixou o copo quando outro garom ps um 
prato de salada  sua frente. Levava sem beber quatro anos, e 
sabia que no beberia nunca mais. O lcool o tinha convertido em 


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uma merda e ao final tinha acabado cansando de tudo isso. 

A noite que bateu aos Philadelphia levando pela frente Danny 
Shanahan foi  noite que tocou fundo. Alguns pensavam que 
Danny, o Sujo, tinha obtido o que merecia. Mas John no. 
Quando olhou ao homem cado no gelo, soube que tinha perdido o 
controle. Tinha destroado sua face e tinha acotovelado as 
costelas mais vezes das que recordava. Tinha sido um massacre. 
Mas essa noite algo tinha se quebrado em seu interior. Antes que 
se precavesse do que estava fazendo, tinha atirado as luvas e se 
atado a murros com Shanahan. Danny tinha recebido uma 
contuso e uma viagem  enfermaria. John tinha sido expulso e 
suspenso por seis partidas.  manh seguinte despertou na cama 
de um hotel com uma garrafa vazia de Jack Daniels e com duas 
mulheres nuas. Quando tinha olhado o teto, enojado de si mesmo 
e tratando de recordar a noite anterior, soube que tinha que se 
deter. 

Aps no bebia. E nunca tinha querido voltar a faz-lo. 
Agora, quando se deitava com uma mulher recordava seu nome ao 
despertar pela manh. De fato, sabia quase tudo sobre ela antes 
de leva-la a cama. Sim, agora tomava cuidado. Tinha sorte de 
estar vivo e sabia. 

No est precioso o salo? perguntou Jenny. 

John percorreu a mesa com o olhar, logo o estrado que 
tinham diante. Todas essas flores e velas eram muito 
recarregadas e cheirosas para seu gosto. 

Claro. Fica muito bem -disse, comendo a salada. Ao 
terminar, retiraram-lhe o prato e colocaram outro na frente. 
Tinha assistido a um monto de banquetes beneficentes ao longo 
de sua vida. Tambm tinha comido um monto de comida m 
neles. Mas esta noite a comida era boa; escassa, mas boa. Muito 
melhor que no ano anterior. Naquela ocasio tinham servido um 
frango cheio com pinhes secos to duros como os discos de 


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hquei. Mas claro, ali no se ia pela comida. Ia para soltar 
dinheiro. Muito dinheiro. Muito pouca gente estava  corrente da 
filantropia de John e queria que seguisse sendo assim. Fazia isso 
por seu filho e era parte de sua vida privada. 

O que opina de que os Avalanche ganhem a Taa Stanley? 
perguntou Jenny quando j iam pela sobremesa. 

John acreditava que perguntava para iniciar conversa. Ela 
no queria saber o que ele pensava na realidade, ento tragou sua 
opinio e foi diplomtico. 

Tm um bom porteiro. Sempre se pode contar com o Roy 
para desempatar as partidas e salvar o traseiro. Deu de 
ombros. Tm algumas boas defesas, mas Claude Lemieux  um 
fedelho covarde e maricas  alcanou a colher de sobremesa e a 
olhou;  provvel que cheguem a final na prxima liga  e ele os 
estaria esperando porque John esperava estar ali lutando 
tambm pela Taa. 

Comeou a percorrer o salo com o olhar, procurando  
presidenta da Fundao Harrison. Normalmente Ruth Harrison 
subia primeiro ao estrado e logo percorria as mesas. Divisou-a 
duas mesas a distncia falando com uma mulher. A mulher, que 
dava as costas a John, destacava entre os vestidos de seda que 
tinha ao redor. Tinha posto um smoking e gotejava elegncia, 
mais que a prpria presidenta. Tinha o cabelo penteado para trs 
sujeito na nuca com um lao negro. Do coque, suaves cachos 
escuros caam sobre seus ombros. Era alta, e quando se mostrou 
de perfil, John se engasgou com o sorvete. 

Jesus - disse quase sem voz. 

Est bem? perguntou Jenny, lhe colocando a mo com 
preocupao no ombro. 

No podia responder. S podia olh-la fixamente, sentindo 
como se o tivessem golpeado na testa com um stick. Quando a 
tinha deixado no Sa-tac h sete anos, no tinha pensado que 


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voltariam a se encontrar. Recordou a ltima vez que a tinha visto: 
uma boneca voluptuosa com um pequeno vestido rosa. Recordava 
bastante mais dela, e o que recordou lhe fez esboar um sorriso. 
Por razes que no podia recordar nesse momento no tinha 
estado bbado a noite que tinha passado com ela. Mas acreditava 
que no tinha importncia se tinha bebido ou no porque, bbado 
ou sbrio, Georgeanne Howard no era o tipo de mulher que um 
homem pudesse esquecer. 

O que ocorre, John? 

Ahh... nada. Olhou para Jenny, logo voltou o olhar  
mulher que lhe tinha causado tanto incmodo ao fugir de suas 
prprias bodas. Depois desse desafortunado dia, Virgil Duffy 
tinha desaparecido do pas durante oito meses. O vero seguinte, 
os treinamentos dos Chinooks tinham estado cheios de 
especulaes. Alguns jogadores pensavam que a noiva de Virgil 
tinha sido seqestrada, outros tinham vrios tipos de hiptese 
sobre sua escapada. E tambm estava Hugh Miner que acreditava 
que em vez de casar com o Virgil ela tinha se suicidado no 
banheiro e que Virgil o tinha oculto. S John sabia a verdade, 
mas tinha sido o nico dos Chinooks que no tinha falado. 

John? 

Ela estava ali, no meio do salo, to bela como a recordava. 
Talvez mais. Possivelmente fosse o smoking que parecia ressaltar 
as curvas de seu corpo em vez de as ocultar. Ou talvez fosse a 
luz que iluminava seu cabelo escuro, ou o definido perfil desses 
lbios carnudos. No sabia se era s uma dessas coisas ou todas 
de uma vez, mas descobriu que quanto mais a olhava, mais 
profunda era sua curiosidade. Se perguntou o que estaria 
fazendo em Seattle. O que teria sido de sua vida? Teria 
encontrado a algum ricao com quem casar? 

John? 

Devolveu a ateno a seu casal dessa noite. 


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Passa algo? perguntou ela. 

No. Nada. Voltou a olhar para Georgeanne outra vez e a 
observou colocar uma bolsa negra sobre a mesa. Estendeu a mo 
para estreitar a de Ruth Harrison. Logo sorriu, pegou a bolsa e 
dando meia volta, partiu. 

Me desculpe, Jenny disse, ficando em p. Volto em 
seguida. 

Seguiu Georgeanne enquanto ela abria caminho com 
dificuldade entre as mesas sem perde-la de vista. 

Perdo  disse, abrindo caminho a empurres entre dois 
ancies. 

A alcanou quando estava a ponto de abrir uma porta lateral. 

Georgie  disse quando a mo de Georgeanne alcanava o 
pomo de lato. 

Ela se deteve, o olhou por cima do ombro e logo ficou olhando 
durante cinco longos segundos antes de abrir a boca lentamente. 

Acredito que nos conhecemos  disse ele. 

Ela fechou a boca. Seus olhos verdes pareciam enormes como 
se a tivessem surpreendido cometendo um delito. 

No me recorda? 

Ela no respondeu. S seguiu olhando-o. 

Sou John Kowalsky. Nos conhecemos no dia que fugiu de 
seu casamento -lhe explicou, embora se perguntava como 
poderia esquecer desse desastre em particular. Te recolhi e 
ns... 

Sim  o interrompeu ela. Lembro de voc. Depois no 
disse nada mais, e John se perguntou se sua memria o estaria 
enganando porque conforme recordava era uma charlatona 
incorrigvel. 

OH, bem  disse para cobrir o embaraoso silncio que se 
estendeu entre eles. O que faz em Seattle? 

Trabalho.  Ela respirou profundamente, o que elevou seus 


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seios, logo disse a toda pressa ao tempo que expulsava o ar. 
Bom, tenho que ir  e girou to rapidamente que se chocou 
contra a porta fechada. A madeira estralou ruidosamente e a 
bolsa lhe caiu da mo, espalhando parte do contedo pelo cho. 
Ser que nada me sai bem... disse ela entre dentes com o 
arrastado acento sulino que John recordava to bem, se 
agachando para recuperar as coisas. 

John se agachou e recolheu um lpis de lbios e uma pluma. 
Os estendeu com a mo aberta. 

Aqui tem. 

Georgeanne levantou a vista e seus olhos se perderam nos 
dele. Estiveram assim vrios segundos, logo pegou o lpis de 
lbios e a pluma. Seus dedos roaram a palma de sua mo. 

Obrigado  sussurrou, e apartou subitamente a mo como 
se tivesse queimado. Logo levantou e abriu a porta. 

Espera um momento  disse ele, recolhendo do cho um 
talo de cheques que no tinham visto. No tempo que levou 
recolh-lo e levantar, ela tinha se esfumado. A porta se fechou 
de repente fazendo que John se sentisse idiota e perdido. Ela 
tinha se comportado como se tivesse medo dele. E a verdade era 
que embora no recordava todos os detalhes da noite que tinham 
passado juntos, sim se recordaria de ter feito dano. Antes de 
admitir sequer a possibilidade, descartou-a por absurda. Nem 
sequer bbado como uma cuba teria machucado a uma mulher. 

Perplexo, se voltou e caminhou lentamente para a mesa. No 
podia acreditar que ela tivesse fugido dele. As lembranas que 
tinha de Georgeanne no eram absolutamente desagradveis. 
Tinham compartilhado uma noite de sexo selvagem, logo tinha lhe 
comprado um bilhete de avio para que fosse para casa. Bom, 
sabia que tinha ferido seus sentimentos, mas naquele momento 
de sua vida foi o melhor que pde ter feito. 

John olhou o talo de cheques que tinha na mo e o abriu. 


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Surpreendeu-se que seus cheques estivessem pintados com ceras 
de meninos. Dirigiu o olhar  esquina superior esquerda e ainda 
se surpreendeu mais ao ver que seu sobrenome no tinha 
mudado: seguia sendo Georgeanne Howard e vivia em Bellevue. 

As perguntas se amontoaram em sua cabea, mas no tinha 
resposta para nenhuma delas. Sem importar qual fosse a razo 
estava claro que no queria v-lo. Colocou o talo de cheques no 
bolso da jaqueta. Mandaria na segunda-feira pelo correio. 

Georgeanne subiu apurada a calada ladeada por primaveras 
coloridas e rododentros roxos. Fechou a mo no trinco da porta 
enquanto introduzia a chave na fechadura. A catica mescla de 
hortnsias que tinha plantado diante da casa se esparramava pela 
grama. Ainda se sentia atemorizada e muito tensa. Sabia que o 
medo no desapareceria at estar a salvo em casa. 

Lexie - gritou ao abrir a porta. Olhou para a esquerda e seu 
corao se acalmou um pouco. Sua filha de seis anos estava 
sentada no sof rodeada por quatro ces dlmatas de pelcia. Na 
televiso Cruella De Vil ria malvadamente e seus olhos vermelhos 
resplandeciam enquanto conduzia o carro por uma paisagem 
nevada. Sentada junto aos animais empalhados, Rhonda, a filha 
de seus vizinhos que fazia de baba, olhou para Georgeanne. O 
piercing de seu nariz apanhou um brilho de luz e o cabelo 
vermelho brilhou como vinho tinto. Rhonda parecia estranha, mas 
era uma garota agradvel e uma baba maravilhosa. 

Como foi tudo esta noite?  perguntou Rhonda, levantando. 

Genial  mentiu Georgeanne enquanto abria a bolsa e 
agarrava a carteira. 

Que tal com Lexie? 

Se comportou muito bem. Brincamos um momento com as 
Barbies e logo comeu o macarro com queijo e as salsichas que 
deixou preparado. 


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Georgeanne deu a Rhonda quinze dlares. 

Obrigado por vir esta noite. 

Quando quiser. Lexie  uma menina bastante tranqila.  
Levantou a mo para se despedir . Nos vemos. 

Adeus, Rhonda.  Georgeanne sorriu ao se afastar para 
deixar sair a bab. Logo se sentou no sof de cor pssego com 
flores verdes ao lado de sua filha. Respirou profundamente e 
deixou sair o ar com lentido. 

Ele no sabe disse a si mesma. E embora soubesse, o 
mais provvel  que no lhe importe nada. 

Oua, carinho  disse batendo na coxa de Lexie. J 
estou em casa. 

Sei. Eu gosto desta parte  a informou Lexie sem afastar 
os olhos da televiso.  minha parte favorita. Eu gosto de Roily, 
 o melhor.  o gordinho. 

Georgeanne colocou vrias mechas do cabelo do Lexie atrs 
da orelha. Queria agarrar imediatamente a sua filha e abra-la 
com fora; em lugar de fazer isso lhe disse: 

Se me der um beijinho, te deixarei em paz. 

Lexie se girou automaticamente, levantou a cara e franziu os 
lbios pintados de uma cor vermelha escura. Georgeanne a 
beijou, logo segurou o queixo de Lexie com a mo. 

Pegou meu batom novamente? 

No, me, este  meu. 

Voc no tem nenhum to vermelho. 

Sim. Tenho um. 

Onde voc conseguiu isso? Georgeanne olhou fixamente a 
sombra prpura escura que Lexie se aplicou generosamente nas 
plpebras. Brilhantes rosas lhe coloriam as bochechas, e estava 
literalmente banhada no perfume da gloria da manh. 

O encontrei. 

No minta para mim. Sabe que eu no gosto que o faa. 


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O lbio inferior de Lexie tremeu ligeiramente. 

Eu me esqueo dessas coisas -gemeu dramaticamente. 
Acredito que necessito de um remdio para a memria! 

Georgeanne mordeu o interior da bochecha para no rir. 
Como Mae dizia com afeto, Lexie era uma contadora de historias 
nata. E pelo que dizia Mae, ela conhecia muito bem os contadores 
de historia. Seu irmo, Ray, tambm o tinha sido. 

Esses remdios so injees - advertiu Georgeanne. 

O lbio de Lexie deixou de tremer e arregalou os olhos. 

Possivelmente se lembre de no pegar minhas coisas sem 
tomar remdios. 

De acordo - conveio com muita facilidade. 

Porque se no o faz, considerarei que tem quebrado nosso 
trato -advertiu Georgeanne, em referncia ao acordo que 
tinham feito fazia uns meses. Os fins de semana, Lexie podia se 
vestir como quisesse e colocar tanta maquiagem como seu 
pequeno corao desejasse. Mas durante a semana tinha que 
levar a cara limpa e se vestir com a roupa que sua me 
escolhesse. At esse momento o trato tinha funcionado. 

Lexie se voltava louca com os cosmticos. Adorava e pensava 
que quanto mais, melhor. Os vizinhos ficavam olhando quando 
andavam de bicicleta pela calada, especialmente quando levava o 
agasalho verde limo que Mae tinha dado. Lev-la ao 
supermercado ou ao jardim costumava envergonha-la, mas s 
tinha que suportar os fins de semana. E era mais fcil viver com 

o trato que tinha feito que com as lutas que tinham cada manh 
para que Lexie se vestisse. 
A ameaa de no deix-la usar mais maquiagem obteve a 
ateno de Lexie. 

Prometo isso, mami. 

De acordo, mas s porque estou louca por voc  disse 

Georgeanne, logo a beijou na testa. 


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Eu tambm estou louca por voc  repetiu Lexie. 

Georgeanne se levantou do sof. 

Estarei em meu quarto se precisar de mim. Lexie 
assentiu com a cabea e voltou a centrar a ateno nos ces 
dlmatas da televiso. 

Georgeanne percorreu o corredor, passou por um banheiro 
pequeno e logo entrou em seu quarto. Tirou a jaqueta do smoking 
e a deixou cair em uma chaise longe de listas rosa e brancas. 

John no sabia nada de Lexie. No podia saber. Georgeanne 
tinha reagido exageradamente e o mais provvel era que ele 
tivesse pensado que era uma luntica. Mas v-lo outra vez tinha 
sido todo um choque. Sempre tinha tentado evitar John por 
todos os meios. No se movia no mesmo crculo social e nunca 
tinha assistido a uma partida dos Chinooks, o qual no era um 
sacrifcio porque achava o hquei espantosamente violento. Por 
temor a topar com ele, Catering Heron nunca provia a 
acontecimentos esportivos, o qual no incomodava Mae porque 
odiava aos esportistas. Mas nem em um milho de anos teria 
pensado que poderia encontrar-lo em um jantar beneficente para 
hospitais. 

Georgeanne se deixou cair sobre a colcha de flores que 
cobria sua cama. No gostava de pensar em John, mas esquecer 
dele completamente era impossvel. s vezes ia pelo 
supermercado e via sua aposta cara olhando-a da capa de uma 
revista esportiva. Seattle estava louca pelos Chinooks e por John 
Muro Kowalsky. Durante a temporada de hquei podia v-lo nos 
telejornais noturnos empurrando a outros homens contra as 
barreiras. Via-o nos anncios de televiso locais e tinha visto sua 
cara em uma cerca publicitria anunciando leite; isso tinha sido 
uma grande surpresa. Algumas vezes o aroma de certa colnia, ou 

o som das ondas recordavam a certa praia arenosa onde se 
perdeu em seus olhos azul escuro. As lembranas j no lhe 

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doam como o faziam antes. Nem tampouco o corao. Mas 
mesmo assim teve que fazer um esforo para afastar as imagens 
que invadiam sua mente. Tinha que esquecer desse homem. No 
gostava de record-lo. 

Sempre tinha pensado que Seattle era o suficientemente 
grande para os dois. Que se fazia todo o possvel por lhe evitar, 
nunca o encontraria. Mas embora no tinha acreditado que 
ocorreria, havia uma parte dela que sempre se perguntou o que 
diria ele se a visse de novo.  obvio, tinha sabido o que ela diria. 
Sempre se tinha imaginado atuando com indiferena. Logo lhe 
diria to fria como uma manh de dezembro: John? John o que? 
Sinto muito, no te recordo. No  nada pessoal. 

Mas no tinha ocorrido assim. Tinha ouvido algum cham-la 
com o nome que no tinha usado em sete anos, o nome que no 
associava  mulher que era agora, e tinha olhado ao homem que o 
tinha usado. Durante uns instantes seu crebro no tinha 
processado o que seus olhos tinham visto. Logo foi como receber 
uma jarra de gua fria. Tinha aflorado o instinto de amparo e 
tinha fugido literalmente. 

No, sem antes ter olhado esses olhos azuis e tocado 
acidentalmente sua mo. Tinha sentido a clida textura da palma 
sob os dedos, tinha visto o sorriso curioso de seus lbios e tinha 
recordado a carcia dessa boca amoldando-se  sua. Estava tal e 
como o recordava, mas parecia velho e a idade lhe tinha gravado 
multido de linhas nas comissuras dos olhos. Era ainda muito 
arrumado e durante uns segundos breves tinha esquecido que o 
odiava. 

Georgeanne levantou e se aproximou da penteadeira 
atravessando o quarto. Levou a mo  camisa do smoking e a 
desabotoou. As pessoas freqentemente comentava que Lexie se 
parecia com Georgeanne, mas Lexie, com o cabelo escuro e os 
olhos azuis, parecia com seu pai. Tinha o mesmo tom azul nos 


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olhos e as mesmas pestanas longas e grossas. Seu nariz tinha a 
mesma forma e quando sorria aparecia uma covinha em sua 
bochecha direita, idntica a de John. 

Tirou a camisa das calas e desabotoou os punhos. Lexie era 
o mais importante da vida de Georgeanne. Era seu corao e o 
simples pensamento de perd-la era insuportvel. Georgeanne 
estava assustada. Mais do que o tinha estado em muito tempo. 
Agora que John sabia que vivia em Seattle poderia encontrar 
Lexie. Tudo o que tinha a fazer era perguntar na Fundao 
Harrison e daria com Georgeanne. 

Mas, por que John quereria me buscar?, se perguntou. Se 
desfez dela no aeroporto sete anos atrs quando era 
dolorosamente evidente o que Georgeanne sentia por ele. E 
inclusive se ele se inteirava da existncia de sua filha, o mais 
provvel era que no queria saber nada dela. Era uma estrela do 
hquei. Para que quereria uma filhinha? 

S estava sendo paranica. 

Na manh seguinte Lexie terminou seus cereais e ps a taa 
na pia. Da parte traseira da casa podia ouvir sua mame abrir a 
torneira e soube que teria que esperar um bom momento antes 
que sassem ao parque. A sua mame adorava tomar longas 
duchas. 

Soou a campainha da porta e atravessou o salo arrastando a 
jibia pelo cho. Se aproximou da janela da frente e abriu a um 
lado a cortina. Um homem em jeans e com uma camisa de listas 
estava de p no alpendre. Lexie cravou os olhos nele por um 
momento, logo deixou cair  cortina. Enredou a jibia ao redor de 
seu pescoo e atravessou a sala para a porta principal. Se 
supunha que no devia abrir a porta aos desconhecidos, mas 
embora o homem que estava no alpendre levava postos culos de 
sol no era um desconhecido. Sabia quem era. Tinha-o visto na 


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televiso e, no ano anterior, o senhor Muro e seus amigos 
tinham ido  escola para dar de presente aos meninos camisetas, 
cadernetas e outras coisas com seus nomes. Lexie tinha estado 
muito atrs e no tinha podido ficar com nada. 

Provavelmente tenha vindo me trazer algo agora, pensou 
enquanto abria a porta. Logo olhou para cima, muito acima. 

John tirou os culos de sol e os colocou no bolso da camisa. A 
porta estava aberta e olhou para baixo, muito abaixo. O 
surpreendeu encontrar a uma menina na casa de Georgeanne 
quase tanto como a pinta da menina, e ficou olhando fixamente 
umas botas jeans de cor rosa de pele de serpente, uma minissaia 
rosa, uma camiseta de pontos roxos e uma descabelada jibia 
verde ao redor de seu pescoo. Mas essa roupa to gritante no 
era nada comparada com sua cara. 

Ah, ol -lhe disse, olhando assustado com a sombra de 
olhos azul, as brilhantes bochechas rosadas e os lbios 
vermelhos e brilhantes. Estou procurando Georgeanne Howard. 

Minha mame est na ducha, mas pode passar. Ela girou e 
caminhou para o salo. O coque da parte posterior da cabea 
balanou ao ritmo das botas. 

Est segura? John no sabia muito de meninos e menos 
de meninas, mas sabia que se supunha que no convidavam 
estranhos a entrar em casa. A Georgeanne poderia no gostar 
que me deixe entrar -disse ele, mas ento, se deu conta que a 
ela provavelmente no gostaria de encontr-lo em sua casa 
estivesse na ducha ou no. 

A garotinha o olhou por cima do ombro. 

No lhe importar. Vou pegar minhas coisas -disse e 
desapareceu por uma esquina, provavelmente para pegar suas 
coisas. Fosse o que fossem. 

John meteu o talo de cheques de Georgeanne no bolso de 
trs e entrou na casa. O talo de cheques era uma desculpa. Era 


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a curiosidade o que o tinha levado at ali. Depois que Georgeanne 
se foi do jantar a noite anterior no tinha podido deixar de 
pensar nela. Fechou a porta e se dirigiu  sala, se sentindo em 
seguida fora de seu elemento como quando tinha comprado roupa 
ntima para uma antiga noiva no Vitrias Secret. 

A casa estava decorada em tons pastel, os que mais temia um 
homem heterossexual. O sof floreado tinha almofadas que 
combinavam com as cortinas. Havia floreiros de margaridas e 
rosas, e cestos de flores secas. Tambm havia algumas fotos 
com bordas de prata. Gostou desse ambiente e se perguntou se 
deveria comear a se preocupar por algo. 

Tenho algumas coisas boas  disse a garotinha empurrando 
um alaranjado carrinho de compras de plstico no salo. Se 
sentou no sof e deu um tapinha na almofada de seu lado. 

Se sentindo ainda mais desconjurado, sentou junto  menina 
de Georgeanne. Estudou seu rosto e tentou adivinhar sua idade, 
mas no era bom adivinhando a idade das meninas. E a maquiagem 
que tinha posto no ajudava absolutamente. 

Aqui  disse ela, segurando uma camiseta com um co 
dlmata no frente do cesto da compra e oferecendo a ele. 

Para que  isto? 

Tem que assin-la. 

Com o que o fao? perguntou, se sentindo enorme ao lado 
da garotinha. 

Ela inclinou a cabea e lhe deu um marcador verde. 

John no queria assinar a camiseta da menina. 

Sua mame poderia se zangar. 

No. Essa  uma de minhas camisetas dos sbados. 

Est segura? 

Sim. 

De acordo. Ele deu de ombros e tirou o bocal do 
marcador. Como se chama? 


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A menina arqueou as sobrancelhas que coroavam uns olhos 
muito azuis e o olhou como se fosse as sobras de um piquenique. 

Lexie  e voltou a pronunci-lo no caso de no ter 
entendido bem a primeira vez. Leexxiiiie. Lexie Mae Howard. 

Howard?. Georgeanne no se casou com o pai da menina. Se 
perguntou com que tipo de homem teria se encalacrado. Que tipo 
de homem abandonava sua filha? Pegou a camiseta como se 
pensasse escrever nela. 

Por que quer que danifique sua camiseta, Lexie Mae 
Howard? 

Porque outros meninos agarraram as coisas que voc 
escreveu e eu no agarrei nenhuma. 

No estava seguro do que queria dizer, mas pensou que seria 
melhor perguntar a Georgeanne antes de assinar a camiseta de 
sua filha. 

Brett Thomas tem montes de coisas. Me mostrou isso no 
colgio o ano passado. Suspirou teatralmente e deu de 
ombros. Tambm tem um gato. Voc tem gato? 

Ahh... no. No tenho gato. 

Mae tem um gato  lhe confiou como se ele conhecesse 
Mae. Seu nome  Bootsie, porque tem as patinhas brancas 
como se tivesse botas. Se esconde de mim quando vou a casa de 
Mae. Acreditava que no gostava, mas Mae diz que escapa porque 
 tmido. Pegou o extremo da jibia, sustentou-a em alto para 
que ele a visse e logo a sacudisse. Entretanto, com isto sim que 

o apanho. Tenta-o caar e ento o agarro e o aperto muito, 
muitssimo. 
Se John no tivesse sabido antes que essa menina era a filha 
de Georgeanne, teria sabido nada mais ao ouvi-la falar. Contou-
lhe com rapidez o muito que queria um gato. Logo lhe falou dos 
ces e depois de picadas de mosquitos. Enquanto ela falava, John 
a estudou. Pensava que devia se parecer com seu pai porque no 


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via que se parecesse com Georgeanne. Talvez um pouco na boca, 
mas pouco mais. 

Lexie -a interrompeu, lhe ocorrendo que podia estar 
falando com a filha de Virgil Duffy. Nunca teria acreditado que 
Virgil era o tipo de homem que abandonava sua filha. No 
obstante, Virgil podia ser um autentico bode. Quantos anos 
tm? 

Seis. Meu aniversrio foi h alguns meses. Vieram meus 
amigos e comemos bolo. Amy me deu de presente o DVD Babe, o 
porquinho valente e logo a vimos. Chorei a mares quando Babe foi 
separado de sua mame. Foi algo muito triste e me sentou fatal. 
Mas minha mame me disse que ele s se foi de visita o fim de 
semana, ento me senti melhor. Quero um porquinho, mas minha 
mame diz que no posso ter um. Eu gosto dessa parte quando 
Babe morde s ovelhas disse, comeando a rir. 

Seis anos, ele tinha visto Georgie h sete anos. Lexie no 
podia ser filha de Virgil. Logo se deu conta de que tinha 
esquecido os nove meses de gravidez, por isso se Lexie tinha 
completado anos h alguns meses talvez fosse filha de Virgil. 
Mas no se parecia em nada a Virgil. Olhou-a com mais ateno. 
Nesse momento ela deixou de rir, mas um sorriso iluminava sua 
cara, aparecendo uma covinha em sua bochecha direita. 

Estou louca por esse porquinho  sacudiu a cabea e 
comeou a rir bobamente outra vez. 

Em outra parte da casa, Georgeanne fechou a gua e o 
corao do John deixou de pulsar. Tragou saliva. 

Merda!  sussurrou. 

A risada de Lexie se deteve escandalizada. 

Essa  uma palavra feia. 

Sinto muito -resmungou ele, observando-a atentamente 
sob a maquiagem. Suas longas pestanas se frisavam nos 
extremos. Quando era menino, zombavam sem piedade de John 


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por ter umas pestanas como essas. Logo olhou fixamente os olhos 
azuis escuro. Uns olhos como os seus. Uma corrente eltrica o 
atravessou e sentiu como se tivesse metido os dedos em uma 
tomada. J sabia por que Georgeanne se comportou de maneira 
to estranha a noite anterior. Tinha tido um filho dele. Uma 
garotinha. 

Sua filha. 

Merda. 

Captulo 7 

Georgeanne desenrolou a toalha da cabea e a lanou sobre a 
cama. Ia pegar a escova da penteadeira, mas se deteve antes de 
alcanar o cabo redondo. Ouviu que na sala as risadas infantis de 
Lexie se mesclavam com a voz inconfundvel de um homem. A 
preocupao pde mais que o pudor. Pegou a bata verde vero e 
rapidamente passou os braos pelas mangas. Lexie sabia que no 
podia deixar entrar desconhecidos em casa. Tinham mantido uma 
longa e clara conversa sobre isso fazia algum tempo, um dia que 
Georgeanne tinha entrado na sala de estar e a tinha encontrado 
sentada com trs Testemunhas de Jeov no sof. 

Atou o cinturo e percorreu a toda pressa o estreito 
corredor. A reprimenda que pensava jogar morreu em sua boca 
quando se deteve em seco. O homem que estava sentado no sof 
junto a sua filha no tinha vindo oferecer a salvao divina. 

Ele levantou o olhar para ela e ela se encontrou olhando 
diretamente aos olhos azuis de seu pior pesadelo. 

Abriu a boca, mas no pde dizer uma palavra pelo n que lhe 
oprimia a garganta. Em um abrir e fechar de olhos o mundo se 


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deteve, se abriu sob seus ps e logo girou fora de controle. 

O senhor Muro chegou para assinar minhas coisas  
disse Lexie. 

O tempo seguiu detido enquanto Georgeanne olhava os olhos 
azuis que lhe devolviam o olhar. Se sentia desorientada e incapaz 
de assimilar que John Kowalsky estivesse sentado no sof de sua 
sala to grande e arrumada como fazia sete anos, como naquela 
capa de revista que tinha visto no supermercado, ou como na 
noite anterior. Sentado em seu sof, ao lado de sua filha. 
Levou uma mo  garganta nua e aspirou profundamente. Sentiu 
sob os dedos o rpido pulsar de seu pulso. Parecia desconjurado 
em sua casa, como se no pertencesse ali. O que,  obvio, era 
certo. 

Alexandra Mae.  Ao final recuperou a voz e voltou o olhar 
a sua filha. J sabe que no pode deixar entrar desconhecidos. 

Lexie arregalou os olhos. Que Georgeanne usasse seu nome 
completo era um claro sinal de que estava em graves problemas. 

Mas... mas...  gaguejou, saltando sobre seus ps, mas, 
me, eu conheo o senhor Muro. Veio a minha escola, mas no 
pude trazer nada de casa. 

Georgeanne no tinha a mais remota idia do que falava sua 
filha. Olhou para John e perguntou: 

O que faz aqui? 

Ele se levantou lentamente, logo meteu a mo no bolso 
traseiro dos descoloridos Levi'S. 

Ontem  noite deixou cair isto -respondeu, lhe lanando o 
talo de cheques. 

Antes que pudesse apanh-lo, pulou contra seu peito e caiu ao 
cho. Em vez de se agachar e recolh-lo o deixou onde estava. 

No tinha por que te-lo trazido. Um leve alvio lhe 
acalmou os nervos. Tinha vindo devolver o talo de cheques e no 
porque soubesse de Lexie. 


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Tem razo - foi tudo o que disse. Sua presena viril invadia 
a habitao feminina e repentinamente ela se voltou muito 
consciente de quo nua estava sob a bata de algodo. Se olhou e 
se tranqilizou ao ver que a bata estava bem atada. 

Bom, obrigado - lhe disse, se dirigindo  entrada. Lexie e 
eu estvamos nos arrumando para sair e estou segura que tem 
outras coisas a fazer. Alcanou o trinco e abriu a porta. 
Adeus, John. 

Ainda no -entrecerrou os olhos, acentuando a pequena 
cicatriz que lhe atravessava a sobrancelha esquerda, no at 
que falemos. 

Sobre o que? 

OH, no sei. Mudou de posio e inclinou a cabea. 
Talvez possamos manter essa conversa que deveramos ter tido 
h sete anos. 

Georgeanne lhe respondeu com soma cautela: 

No sei do que me fala. 

Ele olhou para Lexie que permanecia no meio da sala 
observando com interesse aos dois adultos. 

Sabe exatamente do que quero falar  contra-atacou. 

Durante vrios segundos se olharam fixamente um ao outro. 
Como dois inimigos se preparando para a batalha. Georgeanne no 
desejava ficar a ss com John, mas estava segura de que seria 
mais conveniente que Lexie no ouvisse o que se tinha a dizer. 
Quando falou, se dirigiu a sua filha. 

V  rua e olhe se Amy pode jogar com voc. 

Mas me, no posso jogar com Amy durante uma semana 
porque cortamos o cabelo da Barbie Surpresa de aniversario, 
lembra? 

Mudei de idia. 

As rosadas botas jeans de Lexie se arrastaram pelo tapete 
cor pssego quando se dirigiu  porta. 


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Acredito que Amy tenha gripe - disse ela. 

Georgeanne, que normalmente mantinha a sua filha to 
afastada dos germes como era possvel, reconheceu a ttica de 
Lexie como o que era: uma tentativa evidente de ficar e escutar 
s escondidas a conversa dos adultos. 

Por esta vez est bem. 

Quando Lexie chegou  entrada olhou John por cima do 
ombro. 

Adeus, senhor Muro. 

John cravou a vista nela durante alguns interminveis 
segundos antes de curvar os lbios em um leve sorriso. 

J nos veremos pequena. 

Lexie se aproximou de sua me e, por costume, franziu os 
lbios. 

Georgeanne a beijou e ficou com o sabor de cereja do batom. 

Volta para casa dentro de uma hora, ok? 

Lexie assentiu com a cabea, logo atravessou a porta e saltou 
os dois degraus da entrada. Ao ir pela calada ia arrastando um 
extremo da jibia verde pelo cho. No meio-fio se deteve, olhou 
as duas formas que permaneciam na porta e logo cruzou a 
estrada at a casa da frente. Georgeanne observou at que 
Lexie entrou na casa do vizinho. Durante uns preciosos segundos 
evitou o enfrentamento que a esperava, logo tomou flego 
profundamente, deu as costas aos degraus e fechou a porta. 

Por que no me contou nada sobre ela? 

No podia saber. No com segurana. 

Te contar o que? 

No me engane, Georgeanne  ele advertiu; o carrancudo 
semblante de John anunciava tormenta. Por que nunca me 
contou nada sobre Lexie? 

Podia neg-lo,  obvio. Podia mentir e lhe dizer que Lexie no 
era sua filha. Ele podia acreditar nela e partir, as deixando ss 


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de novo. Mas o teimoso gesto da mandbula e o fogo de seus 
olhos a advertiam que no acreditaria. Se apoiando contra a 
parede que tinha s costas, cruzou os braos. 

Por que deveria te-lo feito? perguntou, receava admitir a 
verdade diretamente. 

Ele assinalou com o dedo a casa em frente. 

Essa menina  minha.  minha filha -lhe disse. No negue. 
No me obrigue a demonstrar minha paternidade porque o farei. 

Um teste de paternidade acabaria com qualquer tipo de 
dvida. 

Georgeanne compreendeu que no tinha sentido negar nada. 
O melhor que podia fazer era responder a suas perguntas e tiralo 
de sua casa e, se tudo ia bem, de sua vida. 

O que quer? 

Me diga a verdade. Quero lhe ouvir dizer isso. 

Como quer. Encolheu os ombros, tratando de aparentar 
que possua uma serenidade que no sentia, que admitir no lhe 
custava nada. Lexie  sua filha biolgica. 

Ele fechou os olhos e aspirou profundamente. 

Jesussussurrou. Como? 

Pois da maneira habitual -respondeu ela secamente. 
Pensava que um homem com sua experincia sabe como se faz os 
bebs. 

John cravou o olhar nela. 

Me disse que tomava anticoncepcionais. 

E o fazia. Mas pelo que se v no serviram para nada. 
Nada  seguro cem por cento. 

Por que, Georgeanne? 

Por que, o que? 

Por que no me disse isso h sete anos? 

Ela deu de ombros de novo. 

No era teu assunto. 


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O que? perguntou incrdulo, olhando-a fixamente como 
se no pudesse acreditar o que estava dizendo.Como no era 
meu assunto? 

No. 

Fechou os punhos e se aproximou vrios passos a ela. 

Pariu minha filha, mas acredita que no era meu assunto?  
se deteve menos de meio metro dela e franziu o cenho. 

Embora fosse bastante maior que Georgeanne, ela o observou 
sem piscar. 

Faz sete anos tomei a deciso que acreditei mais 
conveniente.  uma deciso que ainda mantenho. E de qualquer 
maneira, no h nada que possa se fazer agora. 

Ele arqueou uma de suas sobrancelhas escuras. 

Srio? 

Sim. J  muito tarde. Lexie no te conhece. O melhor ser 
que v e no a veja nunca mais. 

Ele plantou as mos na parede a ambos os lados de sua 
cabea. 

Se acredita que  isso que vai acontecer ento no  uma 
garota muito brilhante. 

John podia no lhe dar medo, mas estando assim to perto 
resultava intimidador. Esse peito largo e esses grossos braos a 
faziam se sentir rodeada por completo de testosterona e duros 
msculos. O aroma de sabo de sua pele e a loo ps barba 
invadiu seus sentidos. 

No sou uma garota -disse, baixando os braos aos 
flancos. Pode ser que h sete anos fosse muito imatura, mas 
esse no  o caso agora. Mudei. 

John entrecerrou os olhos deliberadamente e seu amplo 
sorriso no foi agradvel quando disse: 

Pelo que posso ver, no mudou tanto. Ainda est muito boa. 

Georgeanne lutou contra o desejo de se cobrir. Se sentou e 


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sentiu como o rubor alagava suas bochechas enquanto soltava um 
gemido. As lapelas da bata verde tinham se aberto at a altura 
do cinturo que rodeava o objeto, expondo uma vergonhosa 
quantidade de decote e a parte superior de seu peito direito. 
Horrorizada, pegou rapidamente as bordas e fechou a bata. 

Deixe -aconselhou John. Te ver assim  o nico que pode 
fazer que a perdoe. 

No quero seu perdo - ela disse, passando sob seu brao 
. Vou me vestir. Acredito que deveria ir. 

A esperarei aqui -prometeu John, girando e observando 
como ela desaparecia pelo corredor. Entrecerrou os olhos quando 
notou o balano de seus quadris e a revoada da bata ao redor de 
seus tornozelos nus. Queria mat-la. 

Atravessou o salo, empurrou a um lado a brega cortina e 
olhou pela janela. Tinha uma filha. Uma filha que no conhecia e 
que no o conhecia. At o momento em que Georgeanne 
confirmou suas suspeitas, no tinha estado completamente 
seguro que Lexie fosse dele. Agora sabia e esse pensamento 
fazia ferver seu sangue. 

Sua filha. Conteve o forte desejo de ir  casa em frente e 
trazer Lexie de volta. S queria se sentar e olh-la. Queria 
observ-la e escutar como falava. Queria toc-la, mas sabia que 
no o faria. Um momento antes, tinha se sentido grande e 
desajeitado sentado ao lado de Lexie; um homem enorme que 
lanava discos de borracha atravs do gelo a mais de cento e 
cinqenta quilmetros por hora e que usava seu corpo como um 
rolo compressor humano. 

Sua filha. Tinha uma menina. Sua menina. Notou que perdia 
os estribos e teve que se armar de toda sua fora de vontade 
para voltar a retomar o controle. 

John se voltou e caminhou para a chamin de tijolo. Em cima 
do suporte havia uma srie de fotos emolduradas de diferentes 


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formas e tamanhos. Na primeira, havia um beb sentado sobre 
um tamborete com a borda inferior da camiseta segura sob o 
queixo enquanto tocava o umbigo com seu gordinho dedo 
indicador. Estudou a foto, logo fixou sua ateno nas outras que 
mostravam diversas etapas da vida de Lexie. 

Fascinado pela semelhana que tinha com sua filha pegou uma 
foto pequena de um beb que comeava a andar com grandes 
olhos azuis e rosadas bochechas. Tinha o cabelo escuro preso no 
alto da cabea como um espanador, e os pequenos lbios 
franzidos como se estivesse a ponto de dar um beijo no 
fotgrafo. 

Escutou que uma das portas do corredor se abria e fechava. 
Meteu a foto emoldurada no bolso, logo girou e esperou que 
Georgeanne aparecesse. Quando ela entrou na sala, notou que 
tinha recolhido o cabelo molhado em um coque e vestiu um suter 
branco de vero. Uma saia rodada lhe caa at os tornozelos 
envolvendo essas longas pernas. Tambm calava umas pequenas 
sandlias brancas com as tiras entrecruzadas pelas panturrilhas. 
Tinha as unhas dos ps pintadas de cor prpura. 

Quer um ch gelado?  perguntou-lhe quando chegou ao 
centro da sala. 

Dadas as circunstncias, tal hospitalidade o deixou pasmado. 

No. Nada de ch -disse, levantando o olhar a sua cara. 
Tinha um monto de perguntas cujas respostas necessitava j. 

Por que no senta?  ela convidou, apontando com a mo 
uma cadeira branca de vime coberta com uma fofa almofada com 
rendas. 

J estive bastante tempo sentado. 

Que bom, e eu estou cansada de levantar a cabea para te 
olhar. Ou nos sentamos e discutimos isto, ou no o discutimos e 
ponto. 

Ela era de tomar armas. John no a recordava assim. 


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Georgeanne que ele recordava era uma tagarela. 

Muito bem  disse ele, mas se sentou no sof em vez de na 
cadeira j que no confiava que aquela coisa pudesse sustentar 
seu peso. 

O que contou a Lexie sobre mim? 

Ela se sentou na cadeira de vime. 

Nada, por qu?  disse com seu arrastado acento do 
Texas, embora no era to marcado como ele recordava. 

Alguma vez perguntou por seu pai? 

Ah, isso.  Georgeanne se moveu sobre a almofada de 
flores e cruzou as pernas. Acredita que morreu quando ela era 
um beb. 

John se sentiu irritado ante sua resposta, mas no surpreso. 

Srio? E como morri? 

Seu F-16 foi derrubado sobre o Iraque. 

Durante a Guerra do Golfo? 

Sim  sorriu. Foi um soldado muito valente. Quando o tio 
Sam recrutou aos melhores pilotos, foi o primeiro da lista. 

Sou canadense. 

Ela deu de ombros. 

Anthony era texano. 

Anthony? Quem demnios  Anthony? 

Voc. Foi como o chamei. Sempre gostei do nome de Tony. 

No s tinha mentido sobre sua morte e sua profisso, mas 
sim tambm tinha mudado seu nome. John notou que seu 
temperamento se inflamava e se inclinou para frente apoiando os 
antebraos nos joelhos. 

E tem fotos desse homem inexistente? Lexie no quis ver 
fotos de seu pai? 

 obvio. S que todas suas fotos estavam no desvo quando 
se queimou a casa. 

Que desafortunado acontecimento  disse John, franzindo 


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o cenho. 
O sorriso de Georgeanne iluminou sua cara. 
Verdade que sim? 
V-la sorrir avivou sua clera. 
O que ocorrer quando descobrir que seu nome de solteira 
 Howard? Saber que mentiu para ela. 

Para ento o mais provvel  que seja uma adolescente. 
Reconhecerei que Tony e eu no estvamos casados, embora sim 
muito apaixonados. 

Tem tudo pensado. 

Sim. 

Por que todas essas mentiras? Pensava que no a ajudaria? 

Georgeanne o olhou uns instantes aos olhos antes de 
responder. 

Francamente, John, no acreditei que quisesse saber nem 
que se importasse o mnimo. No sabia nada de voc, nem voc de 
mim. Mas deixou muito claro seus sentimentos na manh que me 
deixou no aeroporto, sem olhar nenhuma vez para trs. 

John no recordava as coisas dessa maneira. 

Te comprei uma passagem para casa. 

Nem sequer se incomodou em me perguntar se eu queria ir 
a casa. 

Te fiz um favor. 

Fez um favor a si mesmo.  Georgeanne olhou para seu colo 
e retorceu o suave tecido da saia entre os dedos. Tinha passado 
tanto tempo que a lembrana desse dia no deveria lhe 
machucar, mas o fazia. No sabia como se desfazer de mim o 
suficientemente rpido. Tivemos uma noite de sexo e logo... 

Tivemos um monte de sexo naquela noite - a interrompeu. 
Um monte de suado e luxuoso sexo, irresistivel e doce sexo 
Georgeanne deteve os dedos e levantou o olhar para ele. Pela 
primeira vez notou o fogo de seus olhos. John estava muito 


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zangado, mas estava se contendo para no brigar com ela. 
Georgeanne no podia se permitir entrar nesse jogo, no quando 
precisava permanecer tranqila para deixar clara sua opinio. 

Se voc diz. 

Sei que foi assim e voc tambm sabe. Ele se inclinou um 
pouco mais perto e lhe disse lentamente: Ento, como no te 
declarei amor eterno na manh seguinte, me privou de minha 
filha. Uma boa vingana, no acredita? 

Minha deciso no teve nada a ver com a vingana. 

Georgeanne recordou o dia que se deu conta que estava 
grvida. Depois de se recuperar do impacto e do medo, se sentiu 
benta. Como se tivessem lhe dado um precioso presente. Lexie 
era a nica famlia que tinha, e no estava disposta a 
compartilhar sua filha. Nem sequer com John. Especialmente, 
no com John. 

Lexie  minha. 

No estava sozinha na cama essa noite, Georgeanne  
disse John enquanto se levantava. Se acredita que vou me 
largar agora que me inteirei que sua existncia, est louca. 

Georgeanne se levantou tambm. 

Espero que v e se esquea de ns. 

Est sonhando. Ou chegamos a um acordo com o que ambos 
possamos viver ou farei que meu advogado fique em contato com 
voc. 

Era uma mentira. Tinha que s-lo. John Kowalsky era um s 
do esporte. Uma estrela do hquei. 

No acredito em voc. No acredito que queira de verdade 
que as pessoas tenham notcias de Lexie. A publicidade poderia 
danificar sua imagem. 

Est equivocada. Me importa uma merda a publicidade  
disse, se aproximando mais a ela. Alm disso, no sou 
exatamente um exemplo de bondade e moralidade, assim duvido 


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que a apario de uma menina possa fazer mal a minha imagem. 

Tirou a carteira do bolso de trs. 

Parto da cidade amanh pela tarde, mas estarei de volta na 
quarta-feira. Pegou um carto. Chama o nmero de baixo. 
Nunca respondo ao telefone nem sequer quando estou em casa. A 
secretria eletrnica atender, ento deixa uma mensagem e me 
porei em contato com voc. Tambm vou dar meu endereo -
disse, escrevendo no dorso, logo a pegou pela mo e deixou a 
caneta e o carto na palma. Se no quiser me chamar, me 
escreva. Seja como for, se no souber nada de voc at quinta-
feira, um de meus advogados a encontrar na sexta-feira. 

Georgeanne olhou fixamente o carto que ele tinha dado. Seu 
nome estava escrito em letras de imprensa negras. Debaixo do 
nome havia trs nmeros de telefone diferentes. No reverso do 
carto, estava escrito seu endereo. 

Esquea de Lexie. No a compartilharei com voc. 

Me ligue antes da quinta-feira  ele advertiu, e logo se foi. 

John saiu com seu Range Rover verde escuro e se misturou 
ao trfego da 405. O vento que entrava pelo guich alvoroou 
seu cabelo, mas no serve para limpar sua mente de seus caticos 
pensamentos. Fechou os dedos com fora sobre o volante, logo os 
relaxou. 

Lexie. Sua filha. Uma pequena de seis anos que usava mais 
maquiagem que Tammy Faye Bakker e que queria um gato, um co 
e um porco. Levantou o quadril direito e meteu a mo no bolso 
traseiro. Pegou a fotografia que tinha roubado de Lexie e a ps 
em cima do painel. Seus grandes olhos azuis lhe devolviam o olhar 
por cima dos lbios franzidos. Pensou no beijo que tinha dado a 
sua me, logo voltou a olhar a estrada. 

Cada vez que tinha pensado em ter um filho tinha pensado em 
um menino. No sabia por que. Talvez por Toby, o filho que tinha 


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perdido, mas sempre se imaginou como o pai de um menino 
travesso. Se viu nas ligas menores, com pistolas de brinquedo, e 
caminhes de brinquedo Tonka. Sempre tinha pensado em unhas 
sujas, jeans furados e joelhos cheios de machucados. 

O que sabia ele de meninas? O que faziam as meninas? 

Lanou outro olhar  foto enquanto conduzia o Range Rover 
atravs da 520. As meninas levavam jibias verdes e botas jeans 
de cor rosa e cortavam o cabelo de suas Barbies. Uma menina que 
falava pelos cotovelos, ria bobamente e dava um beijo de 
despedida em sua me com os lbios docemente franzidos. 

A me. Ao pensar em Georgeanne, John pegou de novo o 
volante. Tinha escondido sua filha. Todos esses anos de desejos, 
de olhar a outros homens cuidando de seus filhos, durante todo 
esse tempo ele tinha uma filha. 

Perdeu muitas coisas. Perdeu seu nascimento, seus primeiros 
passos e suas primeiras palavras. Ela era parte dele. Os mesmos 
genes e cromossomos que ele tinha eram parte dela. Era parte de 
sua famlia e tinha todo o direito, a saber dela. Mas Georgeanne 
tinha decidido que ele no precisava saber e no podia separar a 
amargura que lhe causava essa ao da pessoa que a tinha 
realizado. Georgeanne tinha tomado a deciso de o liberar da 
existncia de sua filha e sabia que nunca poderia perdo-la. Pela 
primeira vez em anos, desejou muito uma garrafa de Crown 
Royal, um copo sem gelo que aguasse o suave usque. Culpava 
Georgeanne do desejo que sentia por ela porque, quase tanto 
como odiava o que lhe tinha feito, odiava o que o fazia sentir. 

Como podia querer colocar as mos ao redor da sua garganta 
e apertar e, ao mesmo tempo, deslizar as mos mais abaixo e as 
encher com esses seios plenos? Uma risada rouca retumbou em 
seu peito. Quando a tinha retido contra a parede, o surpreendeu 
que no notasse sua reao fsica. Uma reao que tinha sido 
incapaz de controlar. 


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No que se referia a Georgeanne era bvio que no possua 
controle algum sobre seu corpo. Ha sete anos no queria deitar 
com ela. Irradiava cada letra da palavra problema desde o 
momento que subiu em seu carro, mas o que ele tinha querido no 
tinha parecido ter importncia, porque com razo ou sem ela, 
para bem ou para mau, se sentiu esmagadoramente atrado por 
ela. Por esses sedutores olhos verdes e esses lbios de modelo, 
pelas atraentes curvas de seu corpo, e ele tinha respondido a ela 
apesar de tudo. 

Aparentemente, esse velho dito que dizia que algumas coisas 
nunca mudam era certo porque seguia desejando-a, e no parecia 
ter nenhuma importncia que o tivesse privado de sua filha. 
Talvez no gostasse do que tinha feito, mas a desejava. Queria 
toc-la por toda parte. O qual o fazia sentir como um asqueroso 
bastardo. 

Conduziu pelo sul de Lake Union para a costa ocidental 
empenhado em expulsar Georgeanne, com sua leve bata verde, de 
sua mente. Lanou olhadas de soslaio  foto de Lexie apoiada 
sobre o painel e, uma vez que estacionou o Range Rover em sua 
vaga, pegou a foto e se dirigiu ao extremo do per onde estava 
ancorada sua casa flutuante de trezentos metros quadrados. 

Fazia dois anos que tinha comprado a casa flutuante de 
cinqenta anos de antigidade e tinha contratado a um arquiteto 
de Seattle e a um desenhista de interiores para redesenh-la 
das bias at o teto. Quando terminaram o trabalho, John 
possua uma casa flutuante de trs quartos, com teto de vidro e 
vrios balces e janelas ao redor. At duas horas atrs, a casa 
flutuante lhe parecia perfeita. Mas enquanto colocava a chave na 
pesada porta de madeira para abri-la no se sentia seguro de que 
fosse o lugar adequado para uma menina. 

Lexie  minha. Espero que v e esquea de ns. As palavras 
de Georgeanne retumbavam em sua cabea, esporeando seu 


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ressentimento e avivando a clera que bulia em seu interior. 

As solas dos sapatos de John ressoavam no assoalho de 
madeira recm polido da entrada, mas parou assim que 
atravessou os luxuosos tapetes. Colocou a foto do Lexie em uma 
mesinha de carvalho para caf que, igual ao cho, tinha sido 
encerado no dia anterior pelo servio de limpeza que tinha 
contratado. Um dos trs telefones que tinha no escritrio 
comeou a soar e, depois de trs toques, a chamada foi 
encaminhada a uma das trs secretrias eletrnicas. John ficou 
imvel, mas quando ouviu a voz de seu agente lhe recordando o 
horrio de vo do dia seguinte voltou a recordar outra vez os 
acontecimentos das ltimas duas horas. Se moveu para uma porta 
de correr e olhou alm da coberta. 

Se esquea de Lexie. J que sabia da existncia de sua 
filha, no havia nenhuma possibilidade de que pudesse esquecla. 
No a compartilharei com voc. John olhou fixamente um 
par de caiaques que sulcavam a brilhante superfcie do lago, logo, 
de repente, girou e se encaminhou a cozinha. Pegou um dos 
telefones, sentou atrs da escrivaninha de mogno e discou o 
nmero de telefone da casa de seu advogado, Richard Goldman. 
Quando teve Richard ao telefone lhe explicou a situao. 

Est seguro que a menina  tua? perguntou o advogado. 

Sim - atravessou com o olhar a sala de estar at a foto de 
Lexie que tinha deixado sobre a mesinha de caf. Tinha dito a 
Georgeanne que esperaria at na sexta-feira para contatar com 
um advogado, mas no via nenhuma vantagem em esperar. Estou 
seguro. 

 uma autntica surpresa. 

Ele tinha que saber qual era sua situao legal. 

Exponha meus direitos. 

No acredita que esteja disposta a te deixar ver outra vez 
 menina? 


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No. Foi muito clara a respeito.  John pegou um peso de 
papel de pedra, lanou-o ao ar para apanh-lo com a mo. No 
quero tirar a menina da me. No quero machucar Lexie, mas 
quero poder v-la. Quero chegar a conhec-la e quero que ela me 
conhea. 

Houve uma longa pausa antes que Richard dissesse: 

Eu estou especializado em direito mercantil, John. A nica 
coisa que posso fazer  te dar o nome de um bom advogado de 
famlia. 

Para isso o chamei. Quero ao melhor. 

Ento o porei em contato com Kirk Schwartz. Est 
especializado em custdias de meninos e  bom.  o melhor. 

Me, Amy tem uma Skipper de Pizza Hut como a minha, e 
brincamos de que as duas Skippers trabalhavam em uma Pizza 
Hut e brigavam com Todd. 

Hum. 

Georgeanne girou o cabo de seu garfo Francis I, enroscando 
os espaguetes ao redor dos dentes. Deu vrias voltas  massa 
enquanto cravava os olhos no cesto que havia no centro da mesa. 
Como se fosse a sobrevivente de uma batalha sangrenta estava 
exausta, mas ao mesmo tempo inquieta. 

Fizemos vestidos para nossas Skippers com kleenex, e a 
minha era uma princesa, e conduzia uma caixa vazia que encontrei 
como se fosse um carro. Mas no deixei que Todd conduzisse 
porque no tinha carteira, como minha Skipper e a da Amy. 

Hum.  Uma e outra vez, Georgeanne voltava a recordar o 
acontecido aquela manh. Tratava de recordar o que tinha dito 
John exatamente e a forma em que o tinha feito. Tentava se 
recordar que respostas lhe tinha dado, mas no podia recordar 
todas. Estava cansada, confundida e assustada. 

Barbie era nossa mame e Ken nosso papai e fomos ao 


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parque de atraes Fun Forest e lanchamos no campo onde est 
essa fonte to grande. E como tenho sapatos mgicos pude voar 
mais alto que aquele edifcio. Voei at o teto. 

Sete anos atrs tinha tomado a deciso correta. Estava 
segura. 

Mas Ken se embebedou e Barbie teve que lev-lo a casa. 

Georgeanne contemplou como Lexie sugava um espaguete 
entre os lbios. Tinha a cara lavada e os olhos azuis escuro 
brilhavam pela excitao com a que contava sua histria. 

O que? Do que est falando?  perguntou Georgeanne. 

Lexie lambeu as comissuras dos lbios, e tragou. 

Amy diz que seu papai bebe cerveja no Seahawks e que por 
isso sua mame tem que lev-lo para casa. Deveriam mult-lo  
anunciou Lexie enquanto enroscava mais espaguetes no garfo. 
Amy diz que passeia com a roupa de baixo e coa o traseiro. 

Georgeanne franziu o cenho. 

Isso voc tambm faz  recordou a sua filha. 

Sim, mas ele  mais velho e eu sou s uma menina. Lexie 
encolheu os ombros e pegou um pouco de massa. Um espaguete 
lhe pendurava em cima do queixo, colocou as bochechas para 
dentro e o sugou entre os lbios. 

Perguntou a Amy sobre seu papai ultimamente?  
perguntou Georgeanne com cautela. De vez em quando, Lexie 
perguntava coisas sobre batatas e filhas, e Georgeanne tratava 
de lhe responder. Mas Georgeanne se criou s com sua av e no 
tinha respostas para tudo. 

No  respondeu Lexie depois de meter mais espaguete na 
boca. S me diz algumas coisas. 

Por favor, no fale com a boca cheia. 

Lexie entrecerrou os olhos, pegou o copo de leite e o levou 
aos lbios. Depois deixou o copo sobre a toalha. 

Ok, mas no me faa perguntas quando estou comendo. 


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Ah, sinto muito. 

Georgeanne posou o garfo sobre o prato e as mos sobre a 
toalha de linho bege. Voltou a pensar em John. No tinha 
mentido a ele sobre as razes pelas que no tinha dito nada do 
nascimento de Lexie. Era certo que tinha pensado que ele no 
quereria saber nem que lhe tivesse importado. Mas que tivesse 
importado ou no, no tinha sido sua nica motivao. A razo 
principal tinha sido muito mais egosta. Fazia sete anos ela tinha 
se sentido muito sozinha. Logo teve Lexie e de repente j no 
estava sozinha. Lexie tinha enchido o vazio de seu corao. Tinha 
uma filha que a amava sem condies. Georgeanne queria 
conservar todo esse amor para ela sozinha. Tinha sido egosta, 
mas no tinha se importado. Tinha querido ser a me e o pai. 
Bastava somente ela. 

No tivemos nenhum ch rosa faz tempo. Amanh pela 
manh vou estar em casa. Fazemos um ch? 

O sorriso de Lexie curvou o bigode de leite que tinha sobre a 
boca e assentiu com a cabea vigorosamente, sacudindo seu 
coque de cima abaixo. 

Georgeanne sorriu para sua filha que roava os miolos da 
toalha com seu dedo mindinho. Fazia sete anos tinha olhado ao 
futuro e no havia olhado para trs. As coisas tinham ido bem. 
Era co-proprietria de um prspero negcio, pagava a hipoteca 
de sua casa e inclusive no ms anterior comprou um carro novo. 
Lexie estava s e era feliz. No necessitava um pai. No 
necessitava John. 

Quando terminar v olhar se o vestido de chiffon rosa 
ainda te serve - disse Georgeanne enquanto recolhia o prato e o 
levava a pia. 

Ela nunca tinha ouvido falar do seu pai e tinha sobrevivido. 
Nunca soube o que era sentar no colo de um pai e ouvir a batida 
do corao sob seu ouvido. Nunca tinha conhecido a segurana 


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dos braos paternos ou o timbre reconfortante de sua voz. 
Nunca tinha conhecido nada disso e as coisas no lhe tinham ido 
mal. 

Georgeanne olhou pela janela de cima da pia e dirigiu um 
olhar perdido ao ptio. Nunca o tinha conhecido, mas o tinha 
imaginado muitas vezes. 

Recordou quando subia nas cercas para ver os churrascos dos 
vizinhos. Recordava levar sua bicicleta Schwinn azul com o selim 
prateado ao posto de gasolina de Jack Leonard para observ-lo 
trocar os aros, fascinada por essas mos grandes to sujas que 
sempre limpava em uma toalha gordurenta que pendurava do 
bolso traseiro de seu sujo macaco cinza. Recordou que algumas 
noites sentada sobre o duro e velho alpendre da casa de sua av 
observando, intrigada e confundida, com um rabo de cavalo e um 
jeans vermelho, como os homens de seu bairro voltavam do 
trabalho enquanto desejava ter tambm um papai. Tinha 
observado e esperado, e durante todo esse tempo se perguntou o 
que faziam os papais quando voltavam para casa. Se perguntou 
por que no sabia. 

O som das botas de Lexie sobre o linleo da cozinha tirou 
Georgeanne de seus devaneios. 

Terminou? perguntou, pegando o prato sujo e o copo 
vazio das mos de Lexie. 

Sim. Posso te ajudar amanh com os bolos? 

 obvio  respondeu Georgeanne colocando o prato e o 
copo na pia. E acredito que  o suficientemente grande para 
servir o ch. 

Bem!  Lexie aplaudiu com excitao, logo rodeou com os 
finos braos as coxas de Georgeanne. 

Te amo  disse. 

Eu tambm te amo. Georgeanne olhou para baixo, ao alto 
de sua filha e colocou a mo sobre a cabea de Lexie. Sua av a 


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tinha querido, mas seu amor no tinha sido suficiente para 
encher o vazio de seu corao. Ningum o tinha podido encher 
at que chegou Lexie. 

Georgeanne acariciou com a mo as costas de Lexie acima e 
abaixo. Estava muito orgulhosa de tudo o que tinha obtido. Tinha 
aprendido a viver com a dislexia em vez de se envergonhar dela. 
Tinha trabalhado muito duro para superar a si mesma, e tudo o 
que tinha, tudo no que se converteu, tinha conseguido por si 
mesmo. E era feliz 

Mas, queria mais para sua filha. Queria o melhor. 

Captulo 8 

Quando msculo, osso e obstinada determinao colidiram e 
os paus de hquei golpearam o gelo, o rugido de milhares de 
frenticos aficionados encheu o salo de John. Na televiso 
panormica, Pavel Torpedo russo Bure golpeou  defesa Jay 
Wells na cara jogando ao grande jogador de Nova Iorque ao gelo. 

Demnios, esse Bure  surpreendente. Um sorriso de 
admirao curvou os lbios de John quando se dirigiu a seus trs 
convidados: Hugh Caverncola Miner, Dmitri Tronco Ulanov e 
Claude Enterrador Dupre. 

Seus trs companheiros de equipe foram para a casa 
flutuante de John para ver a partida dos Dodgers contra os 
Atlanta Braves em sua enorme televiso. S tinham visto dois 
jogos antes de assentir coletivamente dizendo: 

E ganham mais dinheiro que ns fazendo o mesmo!  e 
ento tinham metido o vdeo da Taa Stanley de 1994 no 


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reprodutor. 

Viu as orelhas de Bure?  perguntou Hugh. Na verdade 
tem as orelhas grandes. 

Enquanto o sangue do Jay Wells corria por seu nariz 
quebrado, Pavel, com os ombros cados, saa da pista de 
patinao, expulso por jogo sujo. 

E patina como uma criana  adicionou Claude com seu 
suave acento franco-canadense. Mas no  to penoso como 
Jagr que  maricas perdido. 

Dmitri entrecerrou os olhos diante do televisor enquanto seu 
compatriota, Pavel Bure, era escoltado ao vesturio. 

Jaromir Jagr  maricas?  perguntou se referindo ao 
lateral estrela dos Pittsburgh Penguin. 

Hugh sacudiu a cabea ao tempo que esboava um amplo 
sorriso, logo fez uma pausa e olhou para John. 

O que voc opina, Muro? 

No, Jagr golpeia muito forte para ser maricas  
respondeu com indiferena. S parece um. 

Certo, mas leva postas todas essas correntes de ouro no 
pescoo -sustentou Hugh, que tinha fama de dizer disparates 
para chamar a ateno. Pode ser que Jagr seja maricas ou f 
do Mr. T. 

Dimitri se deu por aludido e mostrou os trs colares de ouro 
que levava a pescoo. 

Isto no quer dizer que se seja maricas. 

Quem  Mr. T?  quis saber Claude. 

Nunca viu a equipe A na televiso? Mr. T  o negro grande 
com crista mohawk e todas essas jias de ouro -explicou Hugh. 
George Peppard e ele trabalhavam para o governo fazendo 
explodir coisas. 

Usar correntes no significa que algum seja maricas  
insistiu Dmitri. 


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Talvez no -concedeu Hugh. Mas sei que o fato de 
carregar tantas correntes tem a ver com o tamanho do pnis de 
um homem. 

Bobagens - zombou Dmitri. 

John riu entre dentes e estirou o brao sobre o respaldo do 
sof bege de couro. 

E voc como sabe, Hugh? Olhou s escondidas? 

Hugh se levantou em toda sua altura e apontou com a lata da 
Coca Cola vazia para John. Entrecerrou os olhos enquanto 
curvava os lbios em um sorriso. John conhecia essa expresso. 
Tinha-a visto centenas de vezes antes que Caverncola sasse a 
aniquilar e chutar literalmente as vsceras de qualquer jogador 
contrrio que o desafiasse patinando muito perto da linha de gol 
de sua portaria. 

Eu tomei banho com homens toda minha vida e no tenho 
que olhar s escondidas para saber que os homens que carregam 
tanto ouro esto compensando a falta de pnis. 

Claude riu e Dmitri negou com a cabea. 

No  verdade  disse. 

Sim que , Tronco  assegurou Hugh, caminhando para a 
cozinha. Na Rssia levar quilogramas de correntes de ouro 
pode significar que  um macho, mas agora est na Amrica e 
no pode passear por a fazendo ver que tem um pnis pequeno. 
Tem que aprender estas coisas para no ter que se envergonhar 
logo. 

Ou se quer ter compromisso com mulheres americanas  
acrescentou John. 

Soou a campainha da porta quando Hugh passava pela 
entrada. 

Quer que abra? perguntou. 

Claro. Provavelmente seja Heisler  respondeu John, se 
referindo a mais recente aquisio dos Chenooks. Disse que 


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talvez passava. 

John. Dmitri atraiu sua ateno e se inclinou para frente 
sobre a beira da cadeira de couro .  verdade? As mulheres 
americanas pensam que usar muitos colares significa que tem um 
pnis pequeno? 

John fez um esforo para no rir. 

Sim, Tronco. Vai a srio. Te custa ter compromissos? 

Dmitri ficou perplexo e se recostou na cadeira outra vez. 

Sem poder se agentar mais, John explodiu em gargalhadas. 
Olhou para Claude, quem tambm encontrava hilariante a 
confuso de Dmitri. 

N..., Muro. No  Heisler. 

John olhou por cima do ombro, e sua risada morreu quando 
viu Georgeanne parada na entrada da porta. 

Se interrompo algo, posso vir mais tarde - passeou a vista 
de um homem a outro e deu vrios passos para trs, para a porta. 

No. John ficou rapidamente em p, surpreso por sua 
repentina apario. Alcanou o controle da mesinha de caf e 
apagou o televisor. No. No v  disse, lanando o controle 
remoto ao sof. 

Est claro que est ocupado e que deveria ter ligado.  
Olhou para Hugh parado a seu lado, logo se voltou para olhar 
John. Bom, na realidade liguei, mas no atendeu. Logo recordei 
que me disse que nunca atendia ao telefone, ento aproveitei a 
oportunidade e vim at aqui, e... bom, o que queria dizer era...  
Moveu a mo no ar e aspirou profundamente. Eu sei que 
aparecer sem aviso prvio  extremamente rude, mas eu posso 
roubar um minuto? 

Era bvio que se sentia aturdida por ser o centro de ateno 
de quatro grandes jogadores de hquei. John quase sentiu pena 
de Georgeanne. Quase. Mas no podia esquecer o que lhe tinha 
feito. 


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No h nenhum inconveniente  disse, rodeando o sof e 
caminhado para ela. Podemos ir at o sto ou para fora da 
tampa frontal. 

Georgeanne olhou a outros homens da sala outra vez. 

Acredito que a coberta seria o mais conveniente. 

Estupendo. John mostrou uma das portas trilhos que 
havia na estadia. Depois de voc disse e quando ela passou 
diante dele, percorreu-a lentamente com o olhar. O vestido sem 
mangas que vestia era vermelho e estava abotoado at a 
garganta, expondo seus ombros suaves e realando os peitos. O 
vestido roava seus joelhos e no era especialmente ajustado 
nem revelador. Mas ainda assim conseguia reunir todos seus 
pecados favoritos em um estupendo pacote. 

Irritado porque no deveria ter reparado em tudo isso, 
desviou o olhar de seus cachos grandes e suaves que lhe 
chegavam at os ombros para olhar Hugh. O porteiro cravou os 
olhos em Georgeanne como se a conhecesse mas no pudesse 
recordar onde a tinha visto. E embora Hugh algumas vezes 
brincava de ser um tolo perdido, na realidade no era, e no 
demoraria para recordar que era a noiva fugitiva de Virgil Duffy. 
Claude e Dmitri no jogavam nos Chinooks h sete anos e no 
tinham estado no casamento, mas certamente tinham ouvido toda 
a histria. 

John se moveu para as portas de correr e ao abrir se tornou 
a um lado para deixar Georgeanne passar. Quando saiu, se voltou 
para a sala. 

Esto em sua casa  disse a seus companheiros de equipe. 

Claude seguiu Georgeanne com o olhar esboando um sorriso 
torcido. 

Tome o tempo que queira  disse. 

Dmitri no disse nada; no era necessrio que o fizesse. A 
ausncia das correntes de ouro dizia muito mais coisas que seu 


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tolo sorriso. 

No demorarei muito  disse John com o cenho franzido, 
logo saiu fora e fechou a porta. 

Uma leve brisa fazia ondear a bandeira azul e verde com uma 
baleia que pendurava desde um dos balces enquanto as ondas 
balanavam brandamente os sete metros e meio de comprimento 
do navio do navio de John. Fazia uma tarde brilhante e o sol se 
refletia tenuamente nas ondas. Um veleiro sulcava pacificamente 
a gua. As pessoas do navio saudaram gritos a John e ele lhes 
devolveu a saudao com a mo automaticamente, mas sua 
ateno estava centrada na mulher que permanecia de p perto 
da borda da coberta com uma mo levantada sobre a testa, 
contemplando o lago. 

Isso  Gs Works Park? perguntou ela, apontando um 
ponto da costa em frente. 

Georgeanne estava to bela e sedutora que teve a maliciosa 
idia de atir-la  gua. 

Queria ver que vista tinha do lago? 

Ela deixou cair a mo e o olhou por cima do ombro. 

No - respondeu, se voltando para ele. Queria falar com 
voc sobre Lexie. 

Sente-se -mostrou um par de cadeiras Adirondack. 
Quando ela se sentou, ele girou a sua para ficar frente a ela. 

Com os ps separados e as mos nos encosto John esperou 
que comeasse. 

A verdade  que estive te ligando. O olhou brevemente, 
logo deslizou o olhar pelo seu peito. Mas a secretria 
eletrnica respondia e no quis deixar uma mensagem. O que 
quero dizer  muito pessoal e importante para deix-lo em uma 
secretria eletrnica e no queria esperar que voltasse da 
viagem para falar com voc. Ento, ainda correndo o risco de que 
no estivesse em casa, conduzi at aqui. Voltou a olh-lo outra 


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vez e logo desviou o olhar s portas trilhos. Na realidade, 
lamentaria interromper algo importante. 

Nesse momento John no podia pensar que houvesse nada 
mais importante que o que Georgeanne tinha a lhe dizer. Porque 
gostasse ou no o que tinha a dizer, teria grandes repercusses 
em sua vida. 

No est interrompendo nada. 

Bom. Finalmente ela o olhou com um leve sorriso nos 
lbios. E suponho que no reconsideraria a idia de sair de 
minha vida e da de Lexie? 

No  respondeu ele rotundamente. 

No acreditei que fosse faze-lo. 

Ento por que est aqui? 

Porque quero o melhor para minha filha. 

Ento queremos o mesmo. Embora no sei se coincidiremos 
exatamente no que  o melhor para Lexie. 

Georgeanne baixou a vista ao colo e aspirou profundamente. 
Estava nervosa, to nervosa como um gato olhando a mandbula 
de um doberman. Esperava que John no tivesse notado sua 
ansiedade. Precisava controlar no s suas emoes, mas tambm 
a situao. No podia permitir que John e seus advogados 
controlassem sua vida ou decidissem o que era mais conveniente 
para Lexie. No podia deixar que as coisas chegassem at a. Era 
Georgeanne, no John, a que ia ditar os trminos do acordo. 

Esta manh mencionou que pensava falar com um advogado 

 comeou, e deslizou o olhar sobre a camiseta Nike de John, 
pelo forte queixo escurecido pela sombra da barba, e por esses 
olhos azuis escuro. Acredito que podemos chegar a um acordo 
razovel sem que tenhamos que colocar aos advogados no meio. 
Uma batalha no tribunal afetaria muito Lexie e no  isso o que 
quero. No quero que tenha advogados envolvidos. 
Ento me d uma alternativa. 


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De acordo  disse Georgeanne lentamente. Acredito que 
Lexie deveria chegar a te conhecer como um amigo prximo. 

Ele arqueou uma sobrancelha. 

E que mais? 

E voc pode chegar a conhec-la tambm. 

John a olhou durante vrios segundos antes de perguntar: 

Isso  tudo? Esse  seu acordo razovel? 

Georgeanne no queria fazer isto. No queria diz-lo e odiava 
que John a estivesse forando. 

Quando Lexie o conhecer bem e esteja cmoda com voc, e 
quando eu ache que  o momento adequado, direi a ela que  seu 
pai e minha filha me odiar por ter mentido a ela, pensou. 

John inclinou a cabea. No parecia muito contente com sua 
proposio. 

Ento  disse  se supe que tenho que esperar at que 
voc ache que  o momento adequado para contar a Lexie quem 
sou eu? 

Sim. 

Me diga por que devo esperar, Georgie. 

J ningum me chama Georgie  e j no brincava nem 
paquerava para conseguir o que queria. J no era Georgie 
Howard. Preferiria que me chamasse Georgeanne. 

No me importa o que prefira. Cruzou os braos sobre o 
peito. Agora, me diga por que deveria esperar, Georgeanne. 

Vai ser uma grande impresso para ela e acredito que 
deveria se fazer to brandamente como  possvel. Minha filha 
s tem seis anos e estou segura que com uma batalha legal s 
conseguiramos machuc-la e confundi-la. No quero fazer mal a 
minha filha passando por um tribunal... 

Acima de tudo  a interrompeu John, a menina a que se 
refere como sua filha  de fato to minha filha como sua. 
Segundo, eu no sou aqui o menino mal. No teria mencionado aos 


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advogados se voc no tivesse me deixado muito claro que no ia 
me deixar ver Lexie de novo. 

Georgeanne sentiu o ressentimento que destilava sua voz e 
aspirou profundamente. 

Certo, pois mudei de idia. No podia se permitir discutir 
com ele, ainda no. No at que obtivesse o que queria. 

John se ajeitou na cadeira e meteu os polegares nos bolsos 
dianteiros dos jeans. Entrecerrou os olhos e a desconfiana que 
sentia se notou claramente na boca. 

No acredita em mim? 

Francamente, no. 

Enquanto essa tarde ia para ali no carro, tinha imaginado 
vrios se ele disser isso, ento eu direi isto e tinha todos os 
contra argumentos preparados em sua mente, mas nunca tinha 
imaginado que no acreditaria. 

No confia em mim? 

Olhou-a como se estivesse louca. 

Absolutamente. 

Georgeanne acreditou que estavam ao mesmo tempo, porque 
tampouco ela confiava nele. 

timo. Mas no temos por que confiar um no outro a no 
ser em que ambos desejamos o melhor para Lexie. 

No quero machuc-la, mas como disse antes no acredito 
que estejamos de acordo no que  o melhor para ela. Estou 
seguro que saltaria de alegria se morrer amanh, mas isso no 
acontecer. Quero chegar a conhecer Lexie e quero que ela me 
conhea. Se acredita que deveramos esperar para lhe dizer que 
sou seu pai, ento bom, esperarei. Voc a conhece melhor que 
ningum. 

Tem que ser eu quem o diga, John.  Esperava uma 
discusso e a surpreendeu que no houvesse. 

De acordo. 


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Tem que prometer insistiu ela, porque no sabia se ele se 
cansaria em uns meses e as deixaria plantadas, no sabia se 
mudaria de idia, se arrependeria de ser papai. Se abandonava 
Lexie depois que soubesse que era seu pai romperia seu corao. 
E Georgeanne sabia que experimentar a dor do abandono de um 
pai era pior que no conhec-lo. Eu tenho que dizer a verdade. 

Acreditava que no confivamos um no outro. Acreditaria 
em minha palavra? 

Nisso tinha razo. Georgeanne pensou nisso um momento e, 
ao no encontrar outra alternativa, disse: 

Confiarei em voc se me der sua palavra. 

Tem-na, mas espero que no pense que vou ter muita 
pacincia. Nem te ocorra fugir de mim - advertiu. Quero v-la 
quando voltar  cidade. 

Essa  a outra razo pela que vim aqui esta noite -disse 
Georgeanne, levantando da cadeira. No prximo domingo Lexie 
e eu pensamos fazer um piquenique em Marymoor Park. Pode vir 
conosco se no tiver outros planos. 

A que hora? 

Cedo. 

O que levo? 

Lexie e eu levaremos tudo menos bebida. Se quiser 
cerveja, ter que traz-la, embora preferiria que no o fizesse. 

Bom, isso no ser um problema -disse, levantando 
tambm. 

Georgeanne o observou um pouco surpreendida como sempre 
por sua altura e a largura de seus ombros. 

Irei com uma amiga, ento tambm pode trazer um de seus 
amigos. Logo sorriu docemente, e acrescentou. Embora 
preferiria que seu amigo no fosse do time hquei. 

John mudou seu peso de p e a olhou carrancudo. 

Isso tampouco ser um problema. 


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Genial.  Ela se ps a andar, mas se deteve e volteou para 
olh-lo. E, alm disso, temos que fingir que nos gostamos. 

Ele cravou o olhar nela, entrecerrou os olhos e sua boca se 
transformou em uma linha reta. 

Bom, isso - disse secamente, sim que ser um problema. 

Georgeanne colocou o lenol com motivos florais ao redor dos 
ombros de Lexie olhando seus olhos sonolentos. O cabelo escuro 
de Lexie estava esparso sobre o travesseiro e tinha as 
bochechas plidas pelo cansao. Quando era beb, Georgeanne 
sempre tinha acreditado que era como um brinquedo de corda. 
Um momento estava engatinhando pelo cho e no seguinte caia e 
ficava adormecida na metade da cozinha. Ainda agora quando 
Lexie estava cansada, dormia rapidamente, o que era uma bno 
para Georgeanne. 

Amanh faremos nosso ch depois de ir ao Hospital Geral 

 lhe disse. Tinha passado uma semana desde a ltima vez que 
tinham podido ver juntas um episdio de sua telenovela favorita. 

De acordo  bocejou Lexie. 

Me d um beijo pediu Georgeanne, e quando Lexie franziu 
os lbios se inclinou para receber o beijo de boa noite de sua 
filha. Estou louca por voc  lhe disse. Depois se levantou. 

Eu tambm. Mae vir ao ch de amanh?  Lexie ficou de 
lado e esfregou a cara contra a manta dos tele bonecos que tinha 
desde que era um beb. 

Perguntarei a ela. Georgeanne atravessou a estadia, 
passou por cima de uma caravana de Barbie e um monto de 
bonecos nus. Esta casa esta um desastre  declarou ao 
tropear com uma bengala com serpentinas prpuras pendurando 
da ponta. Olhou por cima do ombro e viu que Lexie j tinha 
fechado os olhos. Pulsou o interruptor da luz ao lado da porta e 
saiu ao corredor. 


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Antes que Georgeanne entrasse na sala, notou a impacincia 
com que Mae a esperava. Umas horas antes, quando Mae tinha 
vindo para cuidar de Lexie, Georgeanne tinha lhe explicado 
brevemente a situao com John a sua amiga e scia. E enquanto 
esperavam que chegasse a hora de deitar Lexie, Mae tinha 
parecido a ponto de estalar de impacincia. 

Est dormindo?  perguntou Mae em um sussurro quando 
Georgeanne entrou na sala. 

Georgeanne assentiu com a cabea e se sentou no outro 
extremo do sof onde Mae estava sentada. Pegou uma almofada 
bordada com flores brancas e suas iniciais e a colocou no colo. 

Estive pensando sobre tudo isto  comeou Mae, e 
agora, de repente, me encaixam um monto de coisas. 

Que coisas?  perguntou, pensando que com o novo corte 
de cabelo, muito mais curto, Mae se parecia ligeiramente a Meg 
Ryan. 

Sobre quanto nos duas odiamos os esportistas. Sabe que eu 
os odeio por como tratavam a meu irmo. E sempre supus que 
voc no gostava porque a maioria so meio estpidos  disse ao 
tempo que cavava as palmas das mos diante do peito como se 
segurasse um par de meles. Sempre pensei que tinha se 
encalacrado com uma equipe de futebol, ou algo assim de 
asqueroso, e que por isso nunca queria falar disso.  Deixou cair 
as mos nas coxas, nuas sob os jeans curtos. Mas nunca 
imaginei que o pai de Lexie fosse um jogador de hquei. Embora 
agora tudo tenha sentido, porque a menina  muito melhor 
esportista que voc. 

Sim,   conveio Georgeanne. Mas isso no diz muito. 

Lembra quando tinha quatro anos e lhe tirou as rodinhas da 
bicicleta? 

No as tirei eu, foi voc. Georgeanne olhou os olhos 
castanhos de Mae e recordou: Eu queria tirar s as do lado 


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esquerdo, se por acaso caa. 

Sei, mas de todos os modos, todas estavam dobradas para 
cima e nenhuma chegava ao cho. No teriam servido para nada. 

 Mae descartou a preocupao de Georgeanne com um gesto da 
mo. Recordo que pensei que Lexie devia ter herdado a 
coordenao de seu papai, porque Deus sabe que no o fez de 
voc. 
Oua,  uma antiptica -se queixou Georgeanne, mas na 
realidade no estava ofendida; era a pura verdade. 

Mas nem em sonho eu teria imaginado que seu pai era John 
Kowalsky. Meu Deus, Georgeanne, o homem  um jogador de 
hquei!  Pronunciou as ltimas palavras com o mesmo desdm 
horrorizado que usaria para assassinos em srie ou vendedores 
de carros usados. 

J sei. 

O viu jogar alguma vez? 

No.  Olhou a almofada de seu colo e franziu o cenho. 
Embora tenha visto alguma vez os esportes nas notcias da noite. 

Eu sim o vi jogar! Lembra de Dom Rogers? 

 obvio  disse, esfregando uma pequena mancha da 

almofada. Saiu com ele durante uns meses no ano passado, mas 

o deixou porque pensava que o afeto que professava a seu 
lavrador resultava preocupante. Fez uma pausa e olhou para 
Mae. Deixou que Lexie comesse na sala? Acredito que isto 
daqui  chocolate. 
Esquea da almofada. Mae suspirou e passou os dedos por 
seu curto cabelo loiro. Esse homem era um fantico dos 
Chinooks, ento fui a uma partida com ele. No podia acreditar 
quo forte se golpeavam esses tios e nenhum o fazia mais que 
John Kowalsky. Enviou a um tio pelo ar de um golpe. Logo 
simplesmente deu de ombros e patinou fora da pista. 

Georgeanne se perguntou aonde queria chegar. 


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O que isso tem a ver comigo? 

Deitou com ele! No me posso acreditar isso. No s  um 
jogador,  um imbecil! 

Em segredo Georgeanne esteve de acordo, mas se fez de 
ofendida. 

Foi h muito tempo. E alm disso, quem est livre de 
pecado, que atire a primeira pedra, no acredita? 

Que se supe que quer dizer? 

Quero dizer que qualquer mulher que se deitou com Bruce 
Nelson no tem direito a julgar ningum. 

Mae cruzou os braos e se afundou mais no sof. 

No era to mau  se queixou. 

Srio? Era o menino mimado da mame e s sai com ele 
porque o podia tratar mal, igual ao resto dos homens com os que 
sai. 

Pelo menos eu tenho uma vida sexual normal. 

Tinham tido essa mesma conversa muitas vezes. Mae 
considerava que a falta de sexo de Georgeanne era algo doentio 
e Georgeanne considerava que Mae deveria praticar e dizer a 
palavra no mais freqentemente. 

Sabe, Georgeanne, a abstinncia no  normal e um dia 
destes vais explodir -disse. E Bruce no era um mimado, era 
um encanto. 

Encanto? Tinha trinta e oito anos e ainda vivia na casa da 
me. Recordava a meu terceiro primo, Billy Earl de Santo 
Antonio. Billy Earl esteve vivendo com sua me at que morreu, 
mas era to retorcido como ningum mais. Usava culos se por 
acaso chegava a ter astigmatismo. O que, claro est, nunca 
passou porque todos meus parentes tm a vista perfeita. Minha 
av costumava dizer que devamos rezar por ele. Devamos rezar 
para que nunca tivesse crie ou as pessoas com dentadura 
postia no estariam a salvo de Billy Earl. 


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Mae riu. 

Est inventando isso. 

Georgeanne levantou a mo direita. 

 serio, juro. Billy Earl era assim. Voltou o olhar  
almofada que tinha no colo e passou os dedos sobre as flores 
brancas bordadas. De qualquer maneira, estava claro que voc 
gostava de Bruce ou no teria ido para a cama com ele. Algumas 
vezes nossos coraes fazem a escolha por ns. 

Oua.  Mae bateu no respaldo do sof com a mo para 
captar a ateno de Georgeanne. Quando levantou a vista, Mae 
lhe disse: Eu no gostava de Bruce. Sentia pena dele e ficamos 
sem transar por muito tempo, e sim, reconheo,  uma razo 
muito m para deitar com um homem. No a recomendaria. Se 
pareceu que a estava julgando, sinto muito. No queria faz-lo, 
juro. 

Sei  disse Georgeanne brandamente. 

Bem. Agora, me diga. Como conheceu John Kowalsky? 

Quer a histria completa? 

Sim. 

De acordo. Recorda que quando nos conhecemos usava um 
pequeno vestido rosa? 

Sim. Supunha que ia casar com Virgil Duffy com esse 
vestido. 

Isso. Fazia anos Georgeanne tinha contado a Mae tudo as 
referente a seu casamento com Virgil, mas tinha saltado toda a 
parte de John. Agora a contou. Tudo. Tudo, exceto os detalhes 
particulares. Nunca tinha sido desse tipo de pessoas que falava 
com franqueza e liberdade sobre o sexo. Nunca teria lhe 
ocorrido discutir disso com sua av e tudo o que sabia tinha 
aprendido na classe de sade do colgio ou de noivos ineptos que 
tampouco sabiam nada do tema nem se preocuparam de se ela 
desfrutava ou no. 


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Logo tinha conhecido John e tinha lhe ensinado coisas que 
no tinha pensado que fossem fisicamente possveis at essa 
noite. Tinha-a feito arder sob suas mos e sua boca faminta, lhe 
devolvendo todas as carcias quando pediu ao seu ouvido. Ele 
tinha conseguido que o desejasse e, desde esse momento, fez 
tudo o que lhe pediu e algumas coisas mais. 

Inclusive agora no queria pensar nessa noite. J no 
reconhecia a jovem que tinha devotado seu corpo e seu amor to 
facilmente. Essa mulher j no existia e no tinha nenhuma razo 
para recuper-la. 

Passando por cima os detalhes mrbidos, contou a Mae a 
conversa que tinha tido com John essa manh e o acordo ao que 
tinham chegado na sua casa flutuante. 

No sei como vo sair as coisas, s espero que Lexie no 
saia ferida  concluiu, repentinamente esgotada. 

O que vai dizer a Charles? perguntou Mae. 

No sei  respondeu, abraando-se  almofada e apoiando 
a cabea contra o respaldo do sof para olhar fixamente o teto 
. S sa com ele duas vezes. 

Vai voltar a sair com ele? 

Georgeanne pensou no homem com o que tinha sado no ms 
passado. Tinha-o conhecido quando contratou os servios 
Catering Heron para o dcimo aniversrio de sua filha. Tinha-a 
chamado no dia seguinte e tinham ficado para jantar em Las 
Quatro Estaes. Georgeanne sorriu. 

Espero que sim. 

Ento o melhor  que o diga. 

Charles Monroe estava divorciado e era o homem mais 
agradvel com quem Georgeanne tinha sado. Era proprietrio de 
uma emissora de televiso a cabo, tinha uma posio econmica 
desafogada e um sorriso maravilhoso que iluminava seus olhos 
cinza. No se vestia muito bem. No era um menino QG, e seus 


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beijos no a faziam arder. Era mais como uma brisa clida, 
agradvel e relaxante. 

Charles nunca a encurralava nem pressionava, dava-lhe 
tempo, e Georgeanne acreditava que podia se envolver em uma 
relao mais profunda com ele. Gostava bastante e, o mais 
importante, Lexie j o tinha conhecido e tambm gostava. 

Acredito que direi. 

E eu acredito que no vai gostar da notcia  predisse Mae. 

Georgeanne girou a cabea de repente e olhou a sua amiga. 

Por qu? 

Porque embora eu odeie homens violentos, John Kowalsky  
um macho e Charles morrer de cimes. Poderia chegar a pensar 
que ainda h algo entre voc e esse jogador de hquei. 

Se Charles se zangasse com ela, seria s porque tinha lhe 
contado a histria que inventou sobre o pai de Lexie e no a 
verdade. No lhe preocupava que ficasse com cime. 

Charles no tem do que se preocupar -disse com a 
segurana de uma mulher que dava por fato que no havia nem a 
mais remota possibilidade que pudesse se atar com o John outra 
vez. Alm disso, embora eu fosse to estpida para acreditar 
que poderia voltar a ter algo com John, este me odeia. Nem 
sequer suporta me olhar. A idia de que ocorresse algo entre 
ela e John era to absurda que nem sequer perdeu tempo em 
pensar. Direi a Charles que irei na quinta-feira jantar com ele. 

Quando quatro dias depois se encontrou com Charles em um 
pequeno restaurante da rua Madison, no surgiu o momento de 
contar a ele antes que pudesse lhe explicar o que acontecia com 
John, Charles lhe props algo que a deixou sem palavras. 

O que opina de apresentar um programa na televiso local? 
perguntou-lhe entre sanduches de pastrami e salada de 
couve. Uma espcie de Martha Stewart do noroeste. Faramos 


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no sbado entre as doze e meia e a uma. Pouco depois da 
Garagem de Margie e antes do programa de esportes da tarde. 
Teria liberdade para fazer o que quisesse. Em uns programas 
poderia cozinhar e em outros arrumar flores secas ou ordenar a 
cozinha. 

No posso me pr a ordenar a cozinha  sussurrou, 
chocada dos ps a cabea. 

Era s uma idia. Confio em voc. Tem um talento natural e 
ficaria genial na televiso. 

Georgeanne levou uma mo ao peito, e lhe saiu um grito 
quando respondeu: 

Eu? 

Sim, voc. Quando conversei com meu gerente, pensou que 
era uma grande idia.  Charles lhe dirigiu um sorriso 
encorajador e ela quase acreditou que poderia ficar diante de 
uma cmara de televiso e apresentar um programa. A oferta de 
Charles atraa sua faceta mais criativa, mas se interps a 
realidade. Georgeanne era dislxica. Tinha aprendido a 
compens-lo, mas se no se fixava bem ainda lia mal. E se estava 
nervosa, tinha que se deter para pensar o que era correto e o 
que no. E depois tinha o peso. Sabia que uma cmara 
acrescentava cinco quilos. E claro, Georgeanne, que considerava 
que j tinha vrios quilos a mais, no queria se imaginar como 
ficaria com outros cinco, ou seja que no podia aparecer na 
televiso lendo palavras que no existiam e parecendo gorda. E 
tinha que ter em conta Lexie. Georgeanne j se sentia muito mal 
pela quantidade de tempo que sua filha passava com cangurus. 

Olhou os olhos cinza de Charles e disse: 

No, obrigado. 

Nem sequer vai considerar a idia? 

Acabo de faz-lo  disse, segurando seu garfo e cravando 
na salada de couve. No queria pensar mais sobre isso. No 


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queria pensar nas possibilidades nem na oportunidade que estava 

recusando. 

Nem sequer quer saber quanto pagarei a voc? 

No. A fazenda ficaria com a metade e ela no seria mais 
que uma idiota gordinha para quem s ficaria a metade do que lhe 
pagavam. 

Pensar nisso um pouco mais? 

Parecia to decepcionado que ela disse: 

Pensarei. Mas sabia que no mudaria de idia. 

Depois do almoo a acompanhou ate seu carro e uma vez que 
chegaram ao Hyundai escuro, ele pegou sua chave e a meteu na 
fechadura. 

Quando voltaremos a nos ver? 

Este fim de semana  impossvel  disse, se sentindo um 
pouco culpada por no ter mencionado John. Por que voc e 
Amber no vm de visita na tera-feira  noite e jantam com 
Lexie e comigo? 

Charles a pegou pelo pulso e deixou as chaves na palma de sua 
mo. 

Isso soa bem  e elevando a mo, acariciou seu pescoo. 
Mas quero te ver a ss mais freqentemente  logo roou seus 
lbios com os dele e o beijo foi como um descanso em um dia 
ocupado. Um ahh relaxante ou um longo banho em uma jacuzzi. 
O que importava se seus beijos no a deixavam louca? No queria 
um homem que a fizesse perder o controle. No queria que as 
carcias de um homem a convertessem outra vez em uma 
ninfomanaca delirante. J tinha passado por isso e tinha sado 
escaldada. 

Ela roou a lngua com a sua e sentiu sua rpida inspirao. A 
mo de Charles se deslocou a sua cintura e a apertou contra seu 
peito. Envolveu-a entre seus braos. Ele queria mais. Se no 
tivessem estado em um estacionamento no centro de Seattle, 


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poderia ter lhe dado o que pedia. 

Sentia carinho por Charles, e com o tempo talvez poderia se 
apaixonar por ele. Tinham passado muitos anos desde que tinha 
feito amor. Muitos anos desde que tinha estado com um homem. 
Quando abriu os olhos e olhou os olhos graves de Charles, pensou 
que j era hora de mudar tudo isso. Tinha chegado o momento de 
tentar de novo. 

Captulo 9 

Me olhem! 

Mae levantou o olhar dos guardanapos dobrados que tinha na 
mo enquanto Lexie passava correndo e arrastando um pipa rosa 
da Barbie atrs dela. Seu chapu vaqueiro com um girassol 
enorme na parte dianteira voou de sua cabea e aterrissou na 
erva. 

Esta indo muito bem  gritou Mae. Deixou os guardanapos 
sobre a mesa de piquenique e voltou a olh-la com olhar crtico. A 
toalha de listras azuis e brancas se agitava pela suave brisa e o 
Pet Chia1 de Lexie descansava no centro da mesa. O porquinho 
coberto de erva usava uns pequenos culos de sol recortados de 
uma revista e um brilhante cachecol rosa atado ao redor de seu 
pescoo. Que comear a provar? perguntou a Georgeanne. 

No vou provar nada  respondeu Georgeanne, colocando 
uma bandeja com rolinhos de salmo, pat defumado e torradas 
em um extremo da mesa. Por alguma razo tinha um pequeno gato 
de porcelana no meio da bandeja lambendo as patas. Na cabea 
do gato havia um chapu bicudo de feltro amarelo. Mae, que 
conhecia muito bem Georgeanne, sabia que esse piquenique se 

1 Bonecos de animais que serem regados se cobrem de ervas. (N. T.) 


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apoiava em algo. No sabia ainda no que, mas acabaria 
averiguando. 

Passou o olhar do gato  variedade de comida que havia sobre 
a mesa entre a quais viu algumas coisas que se serviram em 
caterings na semana anterior. Reconheceu os blintzes de queijo e 
a barra de po challah da cerimnia do bar mitzva de Mitchell 
Wiseman. Os bolos de caranguejo e os canaps axadrezados 
provinham da festa anual ao ar livre da senhora Brody. E frango 
assado com molho de costelas que tinha servido na churrasqueira 
na noite passada. 

Enfim, parece que quer demonstrar a algum que sabe 
cozinhar. 

Pegeui o que havia no congelador do trabalho, isso  tudo  
respondeu Georgeanne. 

Mas no, no era certo. A torre de frutas esmeradamente 
decorada no havia trazido do trabalho. As mas, as pras e as 
bananas eram perfeitas. Os pssegos e as cerejas foram 
preparados com muito cuidado e um pssaro de plumas azuis com 
uma capa de cachemir olhava para baixo do cabide que 
descansava sobre um montculo de brilhantes uvas verdes e 
prpuras. 

Georgeanne, voc no tem que demonstrar que  uma 
triunfadora ou boa me. Eu sei que voc , e voc tambm sabe. 
E como voc e eu somos os nicos adultos dos arredores que 
contam, por que se incomoda em impressionar a um jogador de 
hquei teimoso? 

Georgeanne olhou o pato de cristal que tinha colocado ao lado 
dos canaps. 

Eu disse a John que trouxesse um amigo, ento no 
acredito que venha sozinho. E no estou tentando impressionar. 
Srio, no me importa o que pense. 

Mae no discutiu. Pegou um monte de copos de plstico 


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transparente e os colocou na mesa junto ao ch gelado. Sendo ou 
no sua inteno, Georgeanne estava tentando impressionar o 
homem que a despachou no aeroporto h sete anos antes. Mae 
entendia a necessidade que Georgeanne sentia de demonstrar 
que tinha tido xito na vida. Embora pensasse que os brownies 
que Georgeanne tinha moldado com forma de ces era ir muito 
longe. 

E o aspecto de Georgeanne tambm era muito perfeito para 
um dia no parque. Mae se perguntava se estaria tratando de 
convencer John Kowalsky de que era to perfeita como June 
Cleaver. Tinha o cabelo escuro recolhido a ambos os lados da 
cabea com umas forquilhas douradas. Umas argolas douradas 
brilhavam nas orelhas e a maquiagem era perfeita. O vestido 
verde esmeralda era da mesma cor que seus olhos e o esmalte 
das unhas das mos era exato ao das unhas dos ps. Tinha tirado 
as sandlias e o sol arrancava brilhos do fino anel de ouro que 
levava no terceiro dedo do p. 

Estava muito perfeita para ser uma mulher a quem no 
importava impressionar ao pai de sua filha. 

A princpio, quando contratou Georgeanne, Mae tinha se 
sentido inferior a ela, como um co cruzado ao lado de um com 
pedigree. Mas essa sensao no tinha durado muito. Georgeanne 
no podia evitar ser uma rainha do glamour igual  Mae no podia 
evitar se sentir cmoda com suas camisetas e jeans. Ou com uma 
cala curta e um Top, como esse mesmo dia. 

Que horas so?  perguntou Georgeanne enquanto se 
servia um copo de ch. 

Mae olhou o grande relgio do Mickey Mouse que levava no 
pulso. 

Onze e quarenta. 

Ficam vinte minutos. Possivelmente tenhamos sorte e no 
venha. 


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O que voc disse a Lexie?  perguntou Mae, deixando cair 
uns cubos de gelo em um copo. 

S disse que talvez John viesse ao piquenique  
Georgeanne levou uma mo  testa e observou a carreira de 
Lexie com a pipa. 

Mae pegou a jarra de ch e se serviu. 

Que talvez viesse ao piquenique? 

Georgeanne encolheu os ombros. 

No queria lhe dar muitas esperanas. E, alm disso, no 
estou convencida que John queira fazer parte da vida de Lexie 
para sempre. No posso tirar da cabea a idia de que cedo ou 
tarde se cansar de brincar de ser pai. Espero que ocorra o 
antes possvel, porque se a abandona depois que saiba tudo 
romper seu corao. J sabe quo protetora sou e no duvide 
que uma coisa assim faria vir  tona meu mau gnio. E 
naturalmente me sentiria obrigada a tomar represlias. 

Mae considerava Georgeanne uma das mulheres mais 
bondosas que conhecia a no ser que perdesse os estribos. 

O que faria? 

Bom, o de colocar cupins em sua casa flutuante  uma idia 
que me passou pela cabea. 

Mae sacudiu a cabea. Era ferozmente leal tanto  me como 
 filha e as considerava de sua prpria famlia. 

Muito suave. 

O atropelar com o carro? 

Vai aproximando. 

Tiro? 

Mae sorriu, mas mudaram de tema quando Lexie se dirigiu 
para elas arrastando a pipa. A menina caiu desajeitadamente aos 
ps de sua me, a prega do vestido jeans tinha subido at a 
calcinha da Pocahontas. E tinha erva pega s sandlias brancas. 

J no posso correr mais  disse sem flego. Para variar, 


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sua cara estava sem cosmticos. 

Fez muito bem, carinho  a elogiou Georgeanne. Quer um 
suco? 

No. Por que no vem comigo para me ajudar a voar a pipa? 

J falamos sobre isso. Sabe que no posso correr. 

Sei  suspirou Lexie, e se incorporou. Seus peitos 
balanam e isso te di.  Se impregnou bruscamente o chapu na 
cabea e olhou para Mae. Por que no me ajuda voc? 

Faria-o, mas no uso suti. 

Por qu?  quis saber Lexie. Minha me o usa. 

Bom, sua me o necessita, mas a tia Mae no. Estudou a 
menina um breve momento, logo perguntou: Onde est toda a 
mistura que usa normalmente no rosto? 

Lexie ps os olhos em branco. 

No  mistura.  maquiagem, e mame me prometeu um 
gatinho de pelcia se no o usasse hoje. 

Eu lhe disse faz tempo que inclusive te compraria um 
gatinho de verdade se no o usasse nunca mais.  muito pequena 
para ser escrava do Max Fator. 

Mame diz que no posso ter nem gatinho, nem co, nem 
nada. 

 certo  disse Georgeanne e olhou para Mae. Lexie no 
 o suficientemente grande para se fazer responsvel por um 
mascote e no quero ter que faz-lo eu. Deixemos o tema antes 
que Lexie comece de novo com ele.  Georgeanne fez uma pausa, 
logo disse em um sussurro: Acredito que pode chegar a se 
obcecar como com... bom, j sabe. 

Sim, Mae sabia e acreditava que Georgeanne atuava bem ao 
no dizer em voz alta, relembrando a Lexie. Durante os ltimos 
seis meses, Lexie tinha insistido com Georgeanne para que lhe 
desse um irmozinho ou irmzinha. E havia deixado todo mundo 
louco, e Mae no queria que lhe esquentasse mais as orelhas com 


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o tema dos bebs. A menina j estava bastante obcecada com 
possuir um filhote e era uma hipocondraca certificada desde 
que nasceu, o qual era cem por cento culpa de Georgeanne que 
sempre tinha ficado histrica com seus arranhes. 
Mae pegou o ch e o tinha a meio caminho dos lbios quando o 
voltou a baixar. Dois homens muito grandes e atlticos 
caminhavam para elas. Reconheceu ao que vestia uma camisa sem 
pescoo branca dentro dos jeans descoloridos como a John 
Kowalsky. No reconheceu o outro homem, que era ligeiramente 
mais baixo e menos corpulento. 

Os homens grandes e fortes sempre tinham intimidado Mae e 
no s por seu metro e cinqenta e cinco e seu pouco peso. Seu 
estmago deu um tombo e pensou que se ela estava nervosa, 
Georgeanne estaria prxima ao enfarte. Olhou para sua amiga e 
viu que os olhava alterada. 

Lexie, levante e limpe a erva do vestido  disse 
Georgeanne com lentido. Sua mo tremia quando ajudou sua 
filha a ficar de p. 

Mae tinha visto Georgeanne perturbada, mas nunca tanto 
como at agora. 

Est bem?  sussurrou. 

Georgeanne assentiu com a cabea e Mae observou como 
compunha um sorriso e se metia totalmente no papel de anfitri. 

Ol, John  disse Georgeanne quando os dois homens se 
aproximaram. Espero que no tenham tido problemas para nos 
encontrar. 

No  respondeu ele, se detendo justo diante delas. 
Nenhum. Tinha os olhos ocultos por uns caros culos de sol e os 
lbios apertados em uma linha. Durante uns embaraosos 
segundos, s ficaram olhando um ao outro. Logo Georgeanne 
centrou a ateno no outro homem, ao que Mae lhe dava um 
metro oitenta e cinco. Deve ser o amigo de John. 


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Hugh Caverncola Miner  sorriu e estendeu a mo. 

Enquanto Georgeanne estreitava sua mo, Mae estudou Hugh. 
Com uma olhada superficial decidiu que seu sorriso era muito 
agradvel para um homem com esses olhos de uma intensa cor 
avel. Era muito grande, muito bonito e seu pescoo era muito 
grosso. No gostou. 

Me alegro que pudesse se juntar a nos hoje  disse 
Georgeanne ao soltar a mo de Hugh, logo apresentou os dois 
homens a Mae. 

John e Hugh a saudaram ao mesmo tempo. Mae, que no era 
to boa ocultando seus sentimentos como Georgeanne, tentou 
sorrir. Mas no conseguiu mais que um ligeiro puxo do lbio. 

Este  o senhor Miner e j recorda ao senhor Kowalsky, 
no  certo, Lexie?  inquiriu Georgeanne, continuando com as 
apresentaes. 

Sim. Ol. 

Ol, Lexie. Como est? perguntou John. 

Bem  comeou Lexie com um suspiro melodramtico, 
mas ontem me machuquei o dedo do p no alpendre da frente da 
casa e golpeei o cotovelo muito forte com a mesa, mas agora 
estou melhor. 

John meteu as mos nos bolsos dianteiros dos jeans. Olhou 
para Lexie e se perguntou o que diziam os pais s meninas que 
machucavam os dedos e golpeavam os cotovelos. 

Me alegra ouvir que est melhor  foi tudo o que lhe 
ocorreu dizer. No podia pensar em nada mais e ficou olhando. 
Deu-se o gosto de observ-la como tinha querido fazer desde 
que soube que era sua filha. Examinou sua cara, sem lpis de 
lbios nem sombra de olhos era como se na realidade a visse pela 
primeira vez. Viu as diminutas sardas cor caf que salpicavam 
seu pequeno nariz reto. Tinha a pele to suave como creme e as 
bochechas rosadas como se tivesse estado correndo. Os lbios 


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eram carnudos como os de Georgeanne, mas seus olhos eram 
como os dele, com as mesmas pestanas negras que tinha herdado 
de sua me. 

Tenho uma pipa  disse ela. 

Os cachos escuros lhe caam do chapu vaqueiro com um 
grande girassol. 

Sim? Que bom  disse, se perguntando de que demnios 
podia falar com ela. Estava com meninos freqentemente. Muitos 
jogadores da equipe levavam a seus filhos aos treinamentos e 
nunca tinha tido problemas para falar com eles. Mas por alguma 
razo agora no podia pensar em nada do que falar com sua filha. 

Bem, faz um dia precioso para um piquenique  disse 
Georgeanne e Lexie se voltou para ela. Trouxemos um pequeno 
almoo. Espero que os meninos tenham fome. 

Eu estou faminto  confessou Hugh. 

E voc, John? 

Quando Lexie caminhou para sua me, John notou as manchas 
da erva na parte traseira do vestido jeans. 

Eu o que?  perguntou, levantando a vista. 

Georgeanne se colocou do outro lado da mesa e o olhou. 

Tem fome? 

No. 

Quer um copo de ch gelado? 

No. No quero ch. 

Bom  disse Georgeanne com um sorriso vacilante. Lexie, 
d um prato a Mae e outro a Hugh enquanto sirvo o ch? 

Era bvio que sua resposta tinha irritado Georgeanne, mas 
no lhe importava. Sentia os mesmos tremores que antes das 
partidas. Lexie o assustava como um demnio, e no sabia por 
que. 

Em sua vida enfrentou a centenas de defesas da NHL. 
Quebrou o pulso e o tornozelo, a clavcula duas vezes, tinham lhe 


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dado cinco pontos na sobrancelha esquerda, seis na cabea e 
quatorze no interior da boca. E essas eram ss as leses que 
podia recordar nesse momento. Depois de se recuperar de cada 
uma delas tinha agarrado o stick e tinha patinado de volta ao 
gelo, sem medo. 

Senhor Muro, gostaria de tomar um suco?  perguntou 
Lexie enquanto subia ao banco. 

Ele olhou a parte de trs dos joelhos e as finas pernas 
enquanto sentia como se algum lhe tivesse dado uma cotovelada 
na barriga. 

Do que  o suco? 

Framboesa ou morango. 

Framboesa  respondeu. E Lexie desceu de um salto e 
correu ao redor da mesa para a geladeira. 

Oua, Muro, deveria provar estes rolinhos de salmo  
aconselhou Hugh, enchendo a boca enquanto se colocava frente a 
John e ao lado de Georgeanne. 

Me alegro que voc goste.  Georgeanne girou para Hugh e 
sorriu, mas no com o sorriso falso que tinha dirigido ao John. 
No estava segura de ter cortado as rodelas de salmo o 
suficientemente finas. Ah, espera ate provar as costelas. O 
molho est para morrer.  Olhou a sua amiga que permanecia do 
outro lado da mesa. No , Mae? 

A pequena loira deu de ombros com atitude. 

Claro 

Os olhos de Georgeanne se arregalaram enquanto cravava o 
olhar em sua amiga. Logo se voltou para Hugh. 

Por que no prova o pat enquanto corto um pouco de 
frango? No esperou a resposta e pegou uma faca grande. 
Enquanto isso, por que no observa a mesa? Se te fixar, ver 
uma variada coleo de bichinhos vestidos para o piquenique. 

John cruzou os braos sobre o peito e cravou os olhos em um 


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Pig Chia que usava culos de sol e cachecol. Um estranho 
comicho desceu por sua nuca. 

Lexie e eu pensamos que hoje seria a ocasio perfeita para 
que exibisse a coleo de vero de alta costura para bichinhos. 

Ah, j o peguei -disse Mae, segurando um bolo de 
caranguejo. 

Alta costura para bichinhos?  Hugh soava to incrdulo 
como se sentia John. 

Sim. Lexie gosta de fazer roupa para todos os animais de 
vidro e porcelana que temos em casa. Sei que pode soar estranho 

 Georgeanne continuou falando ao tempo que cortava as 
fatias, mas o faz com interesse. A bisav Chandler, por parte 
materna, desenhava roupa para frangos. Sendo do norte, 
possivelmente no saibam nada disso, mas um frango  uma 
galinha jovem. No conseguem chegar a adultos... Fez uma 
pausa e levantou a faca a quinze centmetros de sua garganta e 
fez o gesto de cortar. Bom, j me entendem. Encolheu os 
ombros e baixou a faca outra vez. E as fazia para as galinhas 
porque no precisa dizer que vestir aos galos era desperdiar 
tempo e talento sendo como so to temperamentais. De 
qualquer modo, a bisav costumava fazer algumas capas com 
capuzes para os frangos da famlia. Lexie herdou o olho da bisav 
para a moda e continua uma tradio familiar avalizada pelo 
tempo. 
Est falando a srio?  perguntou Hugh enquanto 
Georgeanne jogava as fatias de frango em cima do prato. 

Ela levantou a mo direita. 

Juro. 

Algo disparou dentro da cabea de John e sentiu que o 

envolvia uma sensao de j vu. 
OH, Meu Deus. 
Georgeanne o olhou por cima da mesa e ele a viu tal como era 


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h sete anos, uma bela jovem que tinha divagado sobre gelatina 
Ou'Jell e batistas que lavavam os ps. Olhou os destruidores 
olhos verdes e essa boca excitante. Recordou aquele corpo de 
enfarte com a bata de seda negra. O tinha deixado louco com 
aquelas olhadas insinuantes e uma voz to doce como o mel. E, 
embora odiasse admitir, no era imune a ela. 

Senhor Muro. 

John sentiu um puxo no cs das calas e olhou para baixo, 
Lexie. 

Aqui tem seu suco, senhor Muro. 

Obrigado  disse e pegou a pequena caixa de papelo azul 
de sua mo. 

J lhe pus o canudo. 

Sim, j vejo.  Levou o suco  boca e o bebeu pelo canudo. 

Est bom, no ? 

Mmm  disse, tentando no fazer uma careta. 

Eu tambm bebo assim. 

Ela pegou rapidamente um guardanapo de papel para ele e 
John o pegou com a mo livre. Estava dobrado com uma forma 
que no reconheceu. 

 um coelho. 

Sim. J vejo  mentiu. 

Tenho uma pipa. 

Sim? 

Sim, mas no posso vo-la. Minha mame usa suti mas no 
pode correr. Meneou a cabea com tristeza. E Mae no pode 
correr porque no tem posto o suti. 

O silncio caiu sobre a mesa de piquenique como uma cortina 
pesada. John levantou o olhar s duas mulheres do outro lado da 
mesa. Ambas estavam paralisadas. Mae sustentava uma azeitona 
negra a meio caminho da boca, enquanto, Georgeanne segurava a 
faca no ar com a parte de frango meio cortada. Tinha os olhos 


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enormes e um brilhante rubor lhe tingia as bochechas. 

John tossiu em seu guardanapo-coelho tentando dissimular a 
risada, mas ningum disse uma s palavra. 

Menos Hugh. Ele se inclinou para frente, olhou para 
Georgeanne e logo a sua pequena amiga. 

Isso  certo, corao?  perguntou-lhe com um grande 
sorriso. 

Ambas as mulheres baixaram as mos ao mesmo tempo. 
Georgeanne seguiu cortando com rigidez enquanto Mae olhava 
para Hugh com o cenho franzido. 

Hugh ou no viu o cenho de Mae ou no quis v-lo. John, que 
conhecia seu amigo bastante bem, apostaria pelo ltimo. 

Sempre tinha tido minhas reservas sobre a liberao da 
mulher  continuou. Mas olhe, estive pensando em me aderir 
ao movimento NOW. 

Os homens no podem pertencer ao NOW  informou Mae 
secamente. 

A  onde se equivoca. Acredito que Phil Donahue  
membro. 

Isso no  certo  transgrediu Mae. 

Pois olhe, se no , deveria ser.  mais feminista que 
qualquer mulher que conheo. 

Duvido que reconhecesse a uma feminista embora te 
mordesse o traseiro. 

Caverncola sorriu. 

 Nenhuma mulher nunca me mordeu o traseiro, feminista ou 
no. Mas me ofereo voluntrio se o fizer voc. 

Cruzando os braos, Mae disse: 

Por sua falta de maneiras, o tamanho de seu pescoo e o 

galo de sua testa,  de supor que joga hquei. 
Hugh olhou para John e riu. Que lhe jogassem merda e que 
escorregasse era uma das coisas que John mais gostava de Hugh. 


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O galo de minha testa. Hugh riu entre dentes voltando 
a olhar para Mae. Isso esteve bem. 

Joga hquei? 

Sim. Sou o porteiro dos Chinooks. E voc que faz, treina 
pitbulls? 

Pepinos japoneses? Georgeanne pegou o prato com o 
condimento e o estendeu a Hugh. Eu os fiz! 

De novo John sentiu um puxo no cinturo. 

Sabe voar uma pipa, senhor Muro? 

Ele olhou para baixo,  cara levantada de Lexie. Tinha os 
olhos entrecerrados pela luz do sol. 

Poderia tentar. 

Lexie sorriu e lhe apareceu uma covinha na bochecha direita. 

Me  gritou, girando e correndo a toda pressa ao outro 
lado da mesa. O senhor Muro voar o pipa comigo! 

O olhar de Georgeanne se voltou para ele. 

No tem por que faz-lo, John. 

Quero faz-lo  e colocou o suco sobre a mesa. 

Deixando sobre a mesa o prato dos pepinos japoneses, 
Georgeanne disse: 

Irei com vocs. 

No.  Necessitava e queria passar um tempo a ss com 
sua filha. Lexie e eu poderemos nos arrumar sozinhos. 

Mas no acredito que seja uma boa idia. 

Pois acredite. 

Bom, mas no muito longe  disse, se detendo diante dele. 
Ficou nas pontas dos ps e olhou por cima do ombro de John para 
os outros. 

Com rapidez olhou por cima do ombro para Lexie que estava 
ajoelhada desenredando a corda da pipa. Pegou John pelo brao e 

o afastou vrios metros. 
Sussurrou algo a respeito de Lexie, mas em realidade no a 

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estava escutando. Estava to perto que podia cheirar seu 
perfume. Baixou o olhar aos finos dedos posados sobre seus 
bceps. O nico que separava esses peitos plenos de seu trax 
era um escasso centmetro. 

O que quer?  perguntou-lhe, levantando o olhar do brao 
ao pequeno oco de sua garganta. Ela era ainda uma coquete. 

O que eu disse.  Baixou a mo e se deixou cair sobre os 
calcanhares. 

Por que no me repete isso, mas mantendo seus seios fora 
da conversa. 

Uma ruga apareceu entre suas sobrancelhas. 

Meus o que? Do que est falando? 

Parecia surpresa, John quase engoliu aquela expresso 
inocente. Quase. 

Se quer falar, no me distraia com seu corpo. A menos que, 
esteja claro, queira que aceite o convite. 

Ela negou com a cabea, desgostada. 

Est doente, John Kowalsky. Se pode tirar os olhos do 
decote de meu vestido e a mente da braguilha, temos algo mais 
importante que discutir que essas absurdas fantasias tuas. 

John se balanou sobre os calcanhares e a olhou  cara. Ele 
no estava doente. Ao menos isso acreditava. No estava to 
doente como alguns homens que conhecia. 

Georgeanne inclinou a cabea. 

Quero que recorde o que me prometeu. 

Que promessa? 

No dizer a Lexie que  seu pai. Eu tenho que dizer. 

Certo  disse ele, tirando os culos de sol bruscamente 
para colocar meia costeleta no bolso dianteiro dos jeans e deixar 
que lhe pendurassem sobre o quadril. Quero te recordar que 
Lexie e eu vamos nos conhecer. A ss. Levo-a para voar a pipa e 
no o faremos em dez minutos. 


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Ela pensou um momento, logo disse: 

Lexie  muito tmida. Necessitar de mim. 

John duvidava que Lexie tivesse nenhum pingo de 
acanhamento em todo seu pequeno corpo. 

No diga estupidez, Georgie. 

Georgeanne entrecerrou os olhos verdes. 

Mas no v onde no possa te ver. 

Que acredita que vou fazer seqestr-la? 

No  disse ela, mas John sabia que ela no confiava nele 
mais do que ele confiava nela e podia compreender o que sentia. 

No iremos muito longe. Ele se voltou para os outros. 
Tinha contado a Hugh todo sobre Georgeanne e Lexie, e sabia 
que podia contar com a discrio de seu amigo. Est preparada, 
Lexie? perguntou. 

Sim. Estava parada com o pipa na mo. Logo os dois se 
dirigiram para um extenso espao coberto de erva onde estava 
as pessoas que lanavam os Frisbees. Depois que Lexie enredasse 
os ps na cauda da pipa pela segunda vez, John a pegou. O 
cocuruto da menina mal lhe chegava  cintura e se sentiu enorme 
ao andar a seu lado. Pela segunda vez esse dia no soube o que 
dizer e mal abriu a boca. Mas nesse momento tampouco precisava 
falar. 

O ano passado, quando era pequena e estava na creche...  
Sua filha comeou a falar, e procedeu a nomear cada menino de 
sua sala, a lhe contar se possuam ou no um mascote e a 
descrever de que raa eram. 

E tene trs ces. Sustentou em alto trs dedos. E isso 
no  justo. 

John olhou por cima do ombro, calculou que tinham 
caminhado uns cem metros e se deteve. 

Acredito que este  um bom lugar. 

Tene co? 


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No. No tenho co. Pegou o carretel da pipa e comeou a 
soltar corda. 

Ela meneou a cabea com tristeza. 

Eu tampouco teno, mas quero um dlmata  disse, 
segurando cada lado da cauda. Um grande com montes de 
lunares. 

Mantm a corda estirada. Segurou a pipa rosa por cima 
da cabea e sentiu o puxo suave da brisa. 

No tenho que correr? 

No, hoje no.  Ele moveu a pipa  esquerda e o vento a 
arrastou com mais fora. Agora caminha para trs, mas no 
solte a corda at que te diga. Ela assentiu com a cabea e 
parecia to sria que quase riu. 

Depois de dez tentativas, a pipa se levantou uns seis metros 
no ar. 

Me ajude.  Ela estava assustada e levantava a cara para o 
cu. Vai cair outra vez. 

Desta vez no  lhe assegurou enquanto ia para ela. E se 

o fizer, voltaremos a iar. 
Ela sacudiu a cabea e o chapu vaqueiro caiu ao cho. 
Voltar a cair. Sei. Agarre-a! Passou com brutalidade o 
carretel. 

John se ajoelhou sobre uma perna a seu lado. 

Pode faz-lo disse, e quando ela se recostou contra seu 
peito, ele sentiu que seu corao se detinha uns momentos. 
Tem que ir soltando a corda lentamente. John ficou olhando 
sua cara enquanto ela olhava como a pipa se elevava mais alto. 
Sua expresso passou rapidamente do temor ao deleite. 

Fiz  sussurrou ela e o olhou por cima do ombro. 

Seu flego suave lhe roou a bochecha e se colocou 
rapidamente no mais profundo da alma. Um momento antes tinha 
detido seu corao. Agora o inchou. Sentiu como se um globo 


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estivesse inflando sob o esterno se fazendo cada vez maior, e 
teve que afastar o olhar. Olhou a outras pessoas voando pipas a 
seu redor. Olhou aos pais, s mes e aos meninos. Famlias. De 
novo era pai. Mas por quanto tempo desta vez?, era a cnica 
pergunta que fazia seu subconsciente. 

Fiz, senhor Muro  sussurrou, como se levantar a voz 
fosse fazer com que sua pipa chocasse com o cho. 

Voltou a olhar sua filha. 

Meu nome  John. 

Fiz, John. 

Sim, o fez. 

Ela sorriu. 

Gosto de voc. 

Eu tambm gosto de voc, Lexie. 

Ela contemplou sua pipa. 

Tene filhos? 

A pergunta o pegou de surpresa e esperou um momento antes 
de responder: 

Sim. No ia mentir para ela, mas no estava preparada 
para ouvir a verdade e,  obvio, tinha prometido a Georgeanne. 
Tive um garotinho, mas morreu quando era um beb. 

Por que? 

John levantou o olhar para a pipa. 

Solta um pouco mais de corda.  Quando Lexie seguiu seu 
conselho, disse: Nasceu muito cedo. 

OH, a que hora? 

O que?  Escrutinou a pequena cara que estava to perto 
dele. 

A que hora nasceu? 

Perto das quatro da madrugada. 

Ela assentiu com a cabea como se isso explicasse tudo. 

Sim, muito cedo. Os mdicos deviam estar ainda dormidos. 


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Eu nasci pela tarde. 

John sorriu, surpreso com sua lgica. Era bvio que era muito 
brilhante. 

Como se chamava? 

Toby  e era seu irmo mais velho. 

Esse  um nome raro. 

Eu gostava  disse, notando como relaxava um pouco pela 
primeira vez desde que tinha entrado no parque com o carro. 

Lexie deu de ombros. 

Quero ter um menino, mas minha mame diz que no. 

John se decidiu a acomod-la mais contra seu peito e tudo 
pareceu encaixar perfeitamente em seu lugar como um 
lanamento suave: jogada, golpe, anotao. Colocou as mos a 
cada lado da linha junto s dela e relaxou um pouco mais. Roou-
lhe com o queixo a suave tmpora quando disse: 

Bom,  que  muito pequena para ter um menino. 

Lexie soltou uma risada tola e negou com a cabea. 

Eu no! Minha mame. Quero que minha mame tena um 
menino. 

E ela disse que no, no ? 

Sim, porque no tene marido, mas poderia ter se o tentasse 
de verdade. 

Um marido? 

Sim, e assim tambm poderia ter um menino. Minha mame 
diz que foi  horta e me recolheu como se fosse uma cenoura, 
mas isso no  certo. Os bebs no saem das hortas. 

De onde vm? 

Golpeou-lhe o queixo quando levantou o olhar para ele. 

No sabe? 

Fazia muito tempo que sabia. 

Por que voc no me diz? 

Ela deu de ombros e voltou a olhar a pipa. 


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Bom, um homem e uma mulher se casam e logo vo a casa e 
se deitam sobre a cama. Fecham seus olhos muito, mas muito 
forte e pensam a srio, mas muito a srio na idia. E logo um 
beb entra na barriga da mame 

John riu, no pde evitar. 

Sua mame sabe que pensa que os bebs so concebidos 
por telepatia? 

Como? 

No me faa conta. Tinha ouvido ou lido em alguma parte 
que os pais deviam falar com seus filhos sobre sexo na infncia 
. Talvez seja melhor que diga a sua mame que sabe que os bebs 
no crescem em hortas. 

Pensou durante alguns momentos antes de dizer: 

No. A minha mame gosta de contar essa histria algumas 
vezes de noite. Mas eu j disse que sou muito grande para 
acreditar no Ratoncito Prez2. 

Ele tratou de soar chocado. 

No acredita no Ratoncito Prez? 

No. 

Por que no? 

Ela o olhou como se fosse estpido. 

Porque no tem mos onde levar as moedas. 

Ah... isso  certo.  Outra vez ficou impressionado por sua 
lgica de seis anos. Ento suponho que tambm  muito grande 
para acreditar em Papai Noel. 

Ela ficou boquiaberta, totalmente escandalizada. 

Papai Noel  de verdade! 

Ele tinha imaginado que o mesmo raciocnio que tinha aplicado 
aos ratos sem mos, podia ter aplicado a uma rena que voasse, ou 

2 O ratoncito Prez  uma personagem de lenda muito popular entre os meninos hispanoamericanos e espanhis . 
A igual a fada dos dentes dos pases de fala inglesa, quando cai um dente de um menino e o coloca embaixo da almofada 
enquanto dorme e, segundo a tradio, esta personagem o troca por um presente. Esta tradio  praticamente universal 
ainda que adota formas diversas em diferentes culturas. O reconhecem como "Ratoncito Prez" nos pases hispanofalantes, 
com a excepo de algumas regies do Mxico e Chile em onde o chamam "o Rato dos Dentes" e na Argentina, Venezuela, 
Uruguai e Colmbia simplesmente "O Rato Prez". 


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a um homem gordo que descesse pela chamin, ou aos pequenos 
duendes alegres que passassem fazendo brinquedos trezentos e 
sessenta e quatro dias ao ano. 

Solta mais a corda da pipa  disse, logo ele relaxou. 
Escutou seu falatrio incessante e observou pequenos detalhes 
sobre ela. Observou como a brisa revolvia o cabelo suave e 
percebeu a forma em que encolhia os ombros e levantava os 
dedos at os lbios cada vez que soltava uma risada tola. E ria o 
bastante. Seus temas favoritos eram obviamente animais e 
bebs. Tinha uma grande tendncia ao melodrama e no ficava a 
menor duvida que era uma hipocondraca. 

Arranhei o joelho  lhe disse depois de recitar a longa 
lista de leses que tinha sofrido recentemente. Subiu o vestido 
pelas coxas finas, levantou uma perna diante dela e tocou com um 
dedo um band daid de cor verde florescente. E machuquei o 
dedo do p  acrescentou, apontando uma tirinha rosa visvel 
sob sua sandlia de plstico. Amy machucou o seu. Voc tene 
cortes? 

Cortes? Hum... Pensou por um momento, logo confessou: 
Cortei o queixo com o barbeador eltrico esta manh. 

Seus olhos cruzaram com os dele quando olhou seu queixo. 

Minha mame tem uma tirinha. Leva montes de tirinhas na 
bolsa. Posso te trazer uma. 

Viu a si mesmo com um band daid rosa florescente. 

No. No, obrigado  declinou, e comeou a tomar nota de 
outras peculiaridades de Lexie, como que dizia tene ou teno em 
vez de tem ou tenho. Centrou nela toda sua ateno e 
imaginou que eram as duas nicas pessoas no parque. Mas  obvio, 
no o eram, e no demoraram para se aproximar dois meninos. 
Tinham em torno de treze anos e ambos usavam calas shorts 
pretos e folgados, grandes camisetas e bons de beisebol com as 
viseiras para trs. 


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No  John Kowalsky? 

Sim sou  disse, ficando em p. Normalmente no lhe 
importava a fama, especialmente se lhe aproximavam meninos aos 
que gostavam de falar de hquei. Mas hoje teria preferido que 
ningum o reconhecesse. Embora deveria ter sabido. Depois da 
ltima temporada, os Chinooks eram mais conhecidos e populares 
que nunca. Junto com Ken Griffey e Bill Gates, foi  face mais 
reconhecida do estado de Washington, especialmente depois de 
aparecer nos cartazes publicitrios que havia feito para a 
Associao de Produtos Lcteos. 

Seus companheiros de equipe tinham conseguido tudo o que 
ele queria e mais por seu bigode branco de leite e, embora 
tivesse fingido que no era assim, tinham lhe dado arcadas cada 
vez que tinha passado diante de um desses cartazes 
publicitrios. Mas John tinha aprendido h muito tempo a no 
levar a srio toda a fama que levava consigo por ser uma 
celebridade do hquei. 

Vimos o jogo contra os Black Hawks  disse o menino que 
tinha uma foto estampada de snowboard na camiseta. Eu adorei 
a forma como marcou o Chelios no centro do gelo. Tio, voou! 

John tambm recordava dessa partida. Ele tinha recebido 
carto amarelo e um machucado do tamanho de um melo. Tinha 
dodo como o demnio, mas isso fazia parte do jogo. Era parte de 
seu trabalho. 

Me alegra ouvir que gostou  disse e observou esses 
jovens olhos. O incomodou a adorao que viu ali. Sempre lhe 
acontecia. Joga hquei? 

S na rua  respondeu o outro menino. 

Onde? Ele procurou Lexie e a segurou pela mo para que 
no se sentisse fora da conversa. 

Na escola primria de meu bairro. Juntamos um monto de 
meninos para jogar. 


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Enquanto os meninos o punham a par de seus jogos na rua, 
percebeu que uma jovem caminhava para eles. Suas calas jeans 
eram to apertadas que tinham que estar fazendo estragos nela 
e a parte inferior de seu top no chegava ao umbigo. John podia 
detectar uma menina em busca de sexo a cinqenta passos. 
Estavam sempre ao redor. Esperando no vestbulo do hotel, fora 
dos vesturios ou junto ao nibus da equipe. As mulheres que 
ambicionavam deitar com celebridades eram fceis de distinguir 
entre uma multido. Se percebia na forma em que caminhavam e 
moviam o cabelo. No olhar decidido de seus olhos. 

Esperou que a mulher passasse reto. 

No o fez. 

David, sua mame quer que v  disse, se detendo ao lado 
dos dois meninos. 

Diga a ela que vou em um segundo. 

Disse que fosse agora. 

Merda! 

Me alegro de ter te visto, tio.  John estendeu a mo para 
estreitar a dele. Na prxima vez que v a uma partida, me espere 
fora do vesturio e apresentarei a algum dos meninos. 

Srio? 

Claro! 

Quando os meninos se foram, a mulher ficou para trs. John 
soltou a mo de Lexie e a olhou enquanto dizia: 

 hora de recolher a corda da pipa e baix-la. Sua mame 
se perguntar o que nos aconteceu. 

 John Kowalsky? 

Ele olhou  mulher. 

O prprio  respondeu com um tom de voz que deixava s 
claras que no estava interessado em ter companhia. Era 
bastante bonita, mas estava muito magra e tinha a falsa 
aparncia das loiras tingidas como se tivesse tomado sol muito 


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tempo. A determinao endureceu os olhos azuis da garota e viu 
que ia ter que ser rude com ela. 

Bom, John  lhe disse, e as comissuras de seus lbios se 
curvaram para cima com lentido em um sorriso sedutor. Sou 
Connie.  Repassou-o com os olhos dos ps a cabea. Est 
muito bem em jeans. 

Acreditava ter ouvido essa frase antes, mas j fazia tempo e 
no podia recordar onde com exatido. Vamos, no s era que o 
estivesse fazendo perder o tempo que queria passar a ss com 
Lexie, mas tambm, em cima, nem sequer era original. 

Mas eu gostaria de te ver melhor. Por que no as tira? 

John recordou nesse momento. A primeira vez que a tinha 
ouvido tinha vinte anos e acabava de fichar pelo Toronto. O mais 
seguro  que tivesse sido o suficientemente estpido para cair. 

Acredito que os dois deveramos seguir com as calas no 
lugar  lhe disse e se perguntou por que os homens eram o nico 
gnero ao que acusavam de utilizar frases feitas para paquerar. 
As mulheres o faziam exatamente igual de mau e eram muito 
mais insinuantes. 

De acordo. Mas peo o que h aqui dentro  e passeou a 
ponta de uma unha vermelha ao longo de seu cinto, acariciando-o. 

John estendeu a mo para tirar o dedo de cima, mas Lexie se 
encarregou do problema. Ela golpeou a mo da mulher para tir-la 
e se meteu entre eles. 

No se toca a  disse Lexie, olhando com raiva para 
Connie. Pode meter em problemas muito grandes. 

O sorriso da mulher vacilou enquanto olhava para baixo. 

 sua filha? 

John riu entre dentes, divertido pela expresso feroz de 
Lexie. Seu amparo teria vindo bem com antecedncia, 
especialmente em City of Brotherly Love, onde as meninas 
podiam ser bastante perigosas para os meninos da equipe. Mas 


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ele nunca tinha sido protegido por uma garota e muito menos uma 

de um metro vinte. 

Sua me  amiga minha  disse com um grande sorriso. 

Voltou a olhar para John e jogou o cabelo sobre as costas. 

Por que no a manda ficar com sua mame e voc e eu 
damos um passeio em meu carro? Tenho um grande assento 
traseiro. 

Algo que se fazia com rapidez no assento traseiro de um 
Buick nem sequer despertava sua curiosidade. 

No me interessa. 

Te farei coisas que nenhuma mulher tem feito. 

John duvidava seriamente. Acreditava que tinha feito de 
tudo ao menos uma vez; a maioria das coisas as tinha feito duas 
vezes s para se assegurar. Colocou a mo no ombro de Lexie e 
pensou vrias maneiras diferentes de dizer a Connie que se 
perdesse. Mas com sua filha to perto, tinha que tomar cuidado 
de como a rechaava. 

Georgeanne solucionou seu problema ao se aproximar. 

Espero no interromper nada  disse com voz doce. 

Ele recorreu a Georgeanne e rodeou a cintura dela com um 
brao. Com a mo em seu quadril escrutinou sua cara 
surpreendida e sorriu. 

Sabia que no poderia te manter afastada. 

John? Ela ficou sem flego. 

Em vez de responder  pergunta implcita em seu tom, 
levantou a mo do ombro de Lexie e apontou  mulher loira. 

Georgie, carinho, esta  Connie. 

Georgeanne esboou com muita dificuldade um de seus falsos 
sorrisos e disse: 

Ol, Connie. 

Connie jogou uma olhada a Georgeanne, logo deu de ombros. 

Podia ter sido maravilhoso  disse a John e partiu. 


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Logo que Connie se voltou, John observou como os 
voluptuosos lbios de Georgeanne se apertavam em uma linha 
dura. Olhava-o como se quisesse lhe dar uma cotovelada. 

- Voc j se inscreveu? 
John sorriu e lhe sussurrou ao ouvido. 
Se supe que somos amigos, recorda? S cumpro com minha 
parte. 

E voc troca caricias com todas as suas amigas? 

John riu. Riu dela, da situao em si, mas sobretudo riu de si 

mesmo. 
Somente aqueles com lindos olhos verdes e boca to 
adorvel. Voc deve se lembrar. 

Captulo 10 

Essa noite depois do piquenique, Georgeanne sentia as 
emoes a flor de pele. Conversar com John tinha destroado 
seus nervos, e o certo era que Mae no tinha ajudado nem um 
pouquinho. Em lugar de servir de apoio, Mae tinha estado todo o 
tempo insultando Hugh Miner que em cima parecia desfrutar com 
os insultos. Hugh tinha comido com bom apetite, riu com 
tolerncia e tinha provocado Mae, que se desforrou com ele at 

o ponto em que Georgeanne chegou a se preocupar com sua 
segurana. 
Agora tudo o que Georgeanne queria era tomar um bom 
banho quente, uma mscara de pepino e uma esponja esfoliante. 
Mas tudo isso teria que esperar at que confessasse ao Charles 
a situao. Se queria ter algum tipo de futuro com ele, tinha que 


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contar a ele tudo referente a John. Tinha que dizer que tinha 
mentido sobre o pai de Lexie. E tinha que faz-lo essa noite. 
Embora no a agradasse a conversa, estava desejando acabar de 
uma vez. 

Soou a campainha da porta e convidou Charles a entrar. 

Onde est Lexie?  perguntou ele, percorrendo o salo 
com o olhar. Parecia cmodo e relaxado com uns chineses e um 
plo branco. Os fios chapeados em suas tmporas davam um ar 
de dignidade a sua cara de aparncia agradvel. 

J est na cama. 

Charles sorriu e cavando a cara de Georgeanne com as mos 
lhe deu um beijo longo e agradvel. Um beijo que lhe oferecia 
mais que trrida paixo. Mais que uma funo de uma s noite. 

O beijo acabou e Charles escrutinou seus olhos. 

Soava preocupada ao telefone. 

 que estou, um pouco  confessou. O segurou pela mo e 
se sentaram juntos no sof. Recorda que lhe disse que o pai de 
Lexie estava morto? 

Sim, abateram seu F-16 durante a Guerra do Golfo. 

Bom, talvez tenha embelezado um pouquinho a histria, 
ham..., na realidade, a embelezei bastante  respirou fundo e lhe 
contou tudo o que concernia a John. Comeou com seu encontro 
h sete anos e acabou com o piquenique daquela tarde. Quando 
terminou, Charles no parecia contente e Georgeanne temeu ter 
quebrado sua relao. 

Podia ter me dito a verdade desde o comeo  disse. 

Podia, mas essa mentira passou a fazer parte de minha 
vida, nem sequer me preocupei se era verdade ou no. Alm 
disso, quando me encontrei de novo com John, pensei que se 
aborreceria e se cansaria de brincar de ser papai, ento no 
teria que dizer nem a Lexie nem a ningum. 

E agora no acredita que v se cansar de Lexie? 


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No. Hoje no parque esteve muito atento com ela e quis que 
marcssemos de novo para leva-la  exibio de Central Science 
Pacific na semana que vem.  Ela sacudiu a cabea. No, no 
acredito que v se aborrecer. 

E como a afetar isso? 

A mim?  perguntou, olhando aos olhos cinza. 

Far parte de sua vida. O ver de vez em quando. 

Claro. Tambm sua ex-esposa faz parte da sua. 

Ele baixou o olhar. 

No  o mesmo. 

Por que? 

Ele esboou um meio sorriso. 

Porque acho Margaret muito pouco atraente.  No estava 
zangado. Estava ciumento, tal e como havia predito Mae. E 
John Kowalsky  um homem muito bonito. 

Voc tambm . 

Charles segurou sua mo. 

Tem que me dizer se terei que competir com um jogador de 
hquei. 

No seja ridculo.  Georgeanne riu ante tal desatino. 
John e eu nos odiamos mutuamente. Em uma escala de um aos 
dez, ponho-lhe menos trinta.  como a peste. 

Ele sorriu e a aproximou de seu lado. 

Tem uma forma nica de se expressar.  uma das coisas 
que mais eu gosto de voc. 

Georgeanne apoiou a testa em seu ombro e suspirou aliviada. 

Tinha medo de perder sua amizade. 

 isso o que sou para voc? Um amigo? 

O olhou. 

No. 

Bem. Quero de voc algo mais que amizade.  Roou sua 
testa com os lbios. Poderia me apaixonar por voc. 


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Georgeanne sorriu e deslizou a mo do peito ao pescoo de 
Charles. 

Eu tambm poderia me apaixonar por voc  disse, logo o 
beijou. Charles era exatamente o tipo de homem que necessitava. 
Honesto e sensato. Embora as frenticas carreiras e as vidas 
ocupadas de ambos no lhes permitiam estar tanto tempo juntos 
e a ss como desejariam. Georgeanne trabalhava os fins de 
semana e se tinha uma noite livre ficava com Lexie. Charles no 
costumava trabalhar nem as tardes nem os fins de semana. Com 
aqueles horrios to difceis s podiam ficar para almoar. 
Talvez fosse o momento de mudar isso. Talvez fosse hora de 
ficar para tomar o caf da manh. Sozinhos. No Hilton. Na sute 

231. 
Georgeanne fechou a porta de seu escritrio, deixando fora 

o zumbido das batedeiras e as vozes de seus empregados. Igual a 
sua casa, o escritrio que compartilhava com Mae estava cheio 
de flores e laos. E fotos. Havia dzias de fotos por todo o 
escritrio. A maioria era de Lexie, algumas de Mae e Georgeanne 
juntas em diferentes encargos de caterings. Trs eram de Ray 
Heron. O falecido irmo gmeo de Mae aparecia muito arrumado 
em duas das fotos, enquanto na terceira vestia uns jeans e um 
suter fcsia. Georgeanne sabia que Mae tinha saudades de seu 
gmeo e que pensava nele diariamente, mas tambm sabia que a 
dor de Mae j no era to profunda como tinha sido. Lexie e ela 
tinham enchido o lugar que tinha ficado vazio depois da morte de 
Ray, e Mae se converteu em uma irm para ela e uma tia para 
Lexie. As trs formavam uma famlia. 
Se aproximou da janela e levantou a persiana deixando 
entrar a luz do sol da tarde. Colocou um contrato de trs pginas 
sobre a escrivaninha e se sentou. No esperava Mae at mais 


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tarde e Georgeanne ainda tinha uma hora livre antes de comer 
com Charles. Se concentrou na leitura das detalhadas listas as 
relendo vrias vezes para se assegurar que no se perdia nada 
importante. Quando chegou  medula do assunto, arregalou os 
olhos com surpresa e cortou um dedo com a borda do papel. Se a 
senhora Fuller queria que sua festa de aniversrio de setembro 
tivesse um ar medieval, no cabia dvida de que ia ter que pagar 
muito dinheiro. Chupou o dedo distraidamente e releu o 
oramento dessa comida to rara. Teriam que contratar  
Sociedade Medieval e transformar o ptio traseiro da senhora 
Fuller em uma feira medieval. Suporia um monto de dinheiro e 
trabalho. 

Georgeanne baixou a mo e suspirou profundamente enquanto 
olhava o cardpio especial. Normalmente adorava esse tipo de 
provocaes. Se divertia idealizando acontecimentos 
extraordinrios e planejando menus incomuns. Amava a sensao 
de triunfo que obtinha ao final quando tudo estava recolhido e 
guardado nas caminhonetes. Mas nesse momento no se sentia 
assim. Estava cansada e no estava muito disposta a servir um 
catering para mais de cem pessoas. Esperava estar a ponto em 
setembro. Talvez ento sua vida estivesse mais tranqila, j que 
durante as ltimas duas semanas, desde o dia que John tinha 
voltado para sua vida, tinha se sentido como em uma montanha 
russa. Desde o piquenique no parque, ele as tinha levado ao 
Aqurio de Seattle e tambm ao restaurante favorito de Lexie, o 
Iron Horse. Nas duas ocasies a tenso tinha sido evidente, mas 
ao menos nas escuras estadias do aqurio, Georgeanne no tinha 
tido que pensar em nada mais cansativo que tubares e focas. No 
Iron Horse tinha sido diferente. Enquanto esperavam que lhes 
levassem os hambrgueres  que chegaram  mesa 
transportados por um trenzinho, as tentativas de uma conversa 
educada tinham sido nefastas. Passou todo o tempo contendo o 


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flego e esperando todo tipo de sarcasmos. A nica vez que 
sentiu que podia respirar foi quando uns admiradores se 
aproximaram da mesa para pedir o autgrafo de John. 

Se as coisas estavam tensas entre Georgeanne e John, Lexie 
no parecia notar absolutamente. Lexie tinha conectado 
imediatamente com seu pai, o que no admirou Georgeanne. A 
menina era amistosa, extrovertida e gostava de estar com as 
pessoas. Sorria, ria com facilidade e dava por obvio que todo 
mundo pensava que ela era o mais maravilhoso que tinha 
acontecido no mundo da inveno do veleiro. E era mais que 
evidente que John estava de acordo com ela. A escutava com 
ateno, inclusive quando repetia as mesmas histrias sobre ces 
e gatos uma e outra vez, e ria da piada do elefante que nem era 
boa nem,  obvio engraado. 

Georgeanne deixou a um lado o contrato e pegou a conta do 
eletricista que tinha estado arrumando durante dois dias a 
ventilao da cozinha. Estava decidida a que essa situao com 
John no a alterasse. Lexie se comportava de igual maneira com 
John que com Charles. Mas havia um risco com John que no 
existia com nenhum outro homem. John era o pai de Lexie e 
Georgeanne temia o que implicava essa relao. Era uma relao 
que no podia compartilhar. Uma relao que nunca tinha 
conhecido que nunca entenderia e que s podia observar de 
longe. John era o nico homem que podia ameaar o lao de unio 
entre Georgeanne e sua filha. 

Soou um golpe na porta ao mesmo tempo em que se abria. 
Georgeanne levantou a vista para ver como sua cozinheira chefe 
colocava a cabea pelo umbral da porta. Sarah tinha sido uma boa 
estudante universitria e era uma estupenda chef de confeitaria. 

Chegou um homem que quer te ver. 

Georgeanne reconheceu a fasca de excitao nos olhos de 
Sarah. Nas ltimas duas semanas a tinha visto em uma multido 


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de mulheres. Seguida freqentemente de risadas tolas, atuaes 
ridculas e peties de autgrafos. A porta se abriu de par em 
par e pde ver atrs do Sarah ao homem que reduzia s mulheres 
a esse abafadio comportamento. Um homem que para sua 
surpresa tinha posto um smoking. 

Ol, John  o saudou enquanto ficava em p. Ele entrou no 
escritrio enchendo a pequena habitao feminina com seu 
tamanho e presena viril. A gravata de seda negra pendurava 
solta sobre o peitilho da vincada camisa branca. O boto superior 
estava desabotoado. O que posso fazer por voc? 

Andava pelo bairro e resolvi dar uma passada por aqui  
respondeu, encolhendo os ombros. 

Precisa de algo?  perguntou Sarah. 

Georgeanne se aproximou da porta. 

Por favor, sente-se, John  disse por cima do ombro. 
Olhou fora,  cozinha, onde seus empregados no se 
incomodavam em ocultar seu interesse. No, obrigado Sarah  
disse e lhes fechou a porta na cara. Se voltou e avaliou a 
aparncia de John com um olhar. Levava a jaqueta pendurando de 
um ombro. Em contraste com a camisa imaculadamente branca, 
uns suspensrios negros sulcavam o largo peito formando um E 
na parte de trs. Estava to bom como para molhar po. 

Quem ? perguntou John, segurando uma foto em um 
porta retrato de porcelana. Nela, Ray Heron estava de perfil e 
usava uma peruca de pajem e um quimono vermelho. Embora 
Georgeanne no tivesse conhecido Ray, admirava muito a 
habilidade que mostrava com o lpis de olhos e o grande sentido 
da cor que possua para o dramtico. No existiam muitas 
mulheres  nem homens  que defendessem com elegncia essa 
sombra de cor vermelha em particular. 

 o irmo gmeo de Mae  respondeu enquanto se sentava 
atrs da escrivaninha outra vez. Esperava que dissesse algo 


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pejorativo e cruel. Mas no o fez. Se limitou a arquear uma 
sobrancelha e voltou a pr a foto onde estava. 

De novo Georgeanne observou o desconjurado que se via em 
seu ambiente. No encaixava. Era muito grande, muito masculino 
e muito bonito. 

Tem pensado em casar?  brincou com ele enquanto se 
sentava. 

Ele jogou uma olhada ao redor, logo depositou a jaqueta no 
respaldo de uma cadeira. 

Demnios no! Isto no  meu.  Apartou a cadeira do 
escritrio e se sentou. Venho do Pioneer Square onde estavam 
me fazendo uma entrevista  explicou com ar despreocupado, 
colocando as mos nos bolsos da cala. 

Pioneer Square estava mais ou menos a dois quilmetros do 
negcio de Georgeanne. No se encontravam precisamente no 
mesmo bairro. 

Bonito traje. De quem ? 

No sei. A revista o alugou. 

Que revista? 

GQ. Queriam algumas fotos diante da cascata  respondeu 
com tanta despreocupao que Georgeanne se perguntou se no 
estaria se fazendo de indiferente. Necessitava um momento de 
descanso ento me larguei. Tem uns minutos? 

Uns quantos  respondeu, olhando o relgio do escritrio 
. Mas tenho um catering s trs. 

Ele inclinou a cabea. 

Quantos caterings servem em uma semana? 

Por que estaria perguntando?. 

Depende da semana  respondeu, evadindo a pergunta com 
toda inteno. Por que? 

John percorreu o escritrio com o olhar. 

Parece que vai muito bem. 


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No se confiou nele nem por um segundo. Queria algo. 

Te surpreende? 

Ele voltou a olh-la. 

No sei. Suponho que nunca acreditei que chegaria a ser 
uma mulher de negcios. Sempre pensei que teria voltado para o 
Texas e teria casado com algum homem rico. 

Essa hiptese to pouco aduladora a irritou, mas no podia 
negar que estava justificada. 

Como v, no foi isso o que aconteceu. Fiquei aqui e nos 
arrumamos para ampliar este negcio  logo, como no podia 
deixar de se gabar um pouco, acrescentou: O fazemos muito 
bem. 

Isso j se v. 

Georgeanne olhou suspicaz mente ao homem que tinha  
frente. Parecia com o John. Tinha o mesmo sorriso, a mesma 
cicatriz na sobrancelha, mas no atuava como ele. Estava se 
comportando de uma maneira..., bom, quase agradvel. Onde 
estava o tio que franzia o cenho e que parecia viver nica e 
exclusivamente para discutir com ela? 

Veio para isso? Para falar do meu negcio? 

No. Queria te perguntar algo. 

O que? 

Tem frias em algum momento? 

Claro  respondeu, suspeitando aonde levavam suas 
perguntas. Pensava que nunca levava Lexie de frias? O ltimo 
vero tinham ido ao Texas para visitar a tia Lolly. Julho , em 
geral, um mau ms para os caterings. Ento Mae e eu fechamos 
umas semanas. 

Quantas semanas? 

Duas na metade do ms. 

Ele inclinou a cabea e a olhou aos olhos. 

Quero que Lexie venha comigo ao Cannon Beach uns dias. 


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Cannon Beach? No Oregn? 

Sim. Tenho ali uma casa. 

No  respondeu imediatamente. No pode ir. 

Por que no? 

Porque no o conhece o suficientemente bem para fazer 
uma viagem com voc. 

Ele franziu o cenho. 

Est claro que voc viria com ela. 

Georgeanne ficou atnita. Plantou as mos em cima da 
escrivaninha e se inclinou para frente. 

Quer que eu v a sua casa? Com voc? 

 obvio. 

Era algo impossvel. 

Ficou louco? 

Ele deu de ombros. 

 o mais provvel. 

Tenho que trabalhar. 

Disse que tem duas semanas de frias no prximo ms. 

Certo. 

Ento diga que sim. 

De maneira nenhuma. 

Por qu? 

Que por qu? repetiu, assombrada de que lhe pedisse que 
fosse com ele a outra casa junto  praia. John, voc no gosta 
de mim. 

Nunca disse que no gostava. 

No precisa que o diga. S com que me olhe j me dou 
conta. 

John arqueou as sobrancelhas. 

Como a olho? 

Ela voltou a sentar. 

Se zanga e me olha franzindo o cenho como se tivesse 


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feito algo errado como me coar em pblico. 

Ele sorriu. 

Sim? To mau? 

Sim. 

E se prometer que no a olharei com o cenho franzido? 

No acredito que possa manter essa promessa.  muito 
temperamental. 

Ele tirou uma mo do bolso e a posou sobre as dobras de sua 
camisa. 

Sou muito tranqilo. 

Georgeanne ps os olhos em branco. 

E Elvis est vivo e cria visons em alguma parte do 
Nebraska. 

John riu entre dentes. 

De acordo, sou bastante temperamental, mas deve admitir 
que esta situao  algo incomum. 

Isso  certo  concedeu, embora duvidasse que alguma vez 

o confundissem com um tio tranqilo e agradvel. 
John apoiou os cotovelos nos joelhos e se inclinou para 
frente. As pontas da gravata roaram suas coxas e os 
suspensrios se esticaram sobre seu peito. 

 muito importante para mim, Georgie. No tenho muito 
tempo antes de ter que comear a treinar de novo e preciso 
estar com Lexie em alguma parte onde as pessoas no me 
reconheam. 

As pessoa no o reconhecero em Oregn? 

Provavelmente no, e, se o fizerem no Oregn ningum 
prestar ateno a um jogador de hquei de Washington. Quero 
poder me concentrar em Lexie sem que nos interrompam. Aqui 
no posso faz-lo. Saiu conosco. Viu o que acontece. 

No estava se gabando, s apontava um fato. 
Suponho que deve ser incmodo que lhe peam autgrafos 



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todo o momento. 

Ele deu de ombros. 

Normalmente no me importo. A no ser que esteja no 
banheiro com as duas mos ocupadas. 

 Ambos. Grande ego! Tentou no rir. 

As garotas devem gostar, a srio se o seguirem ao banho. 

No me conhecem. Gostam do que acreditam que sou. S 
sou uma pessoa estupenda que joga hquei para ganhar a vida em 
lugar de conduzir uma escavadora. Um humilde sorriso 
apareceu em sua boca. Se me conhecessem de verdade, o mais 
seguro  que no gostassem mais que voc. 

Nunca disse que no gostava de voc. A frase flutuou entre 
eles, tcita,  espera que Georgeanne tivesse tato e a repetisse. 
Poderia diz-la com facilidade. Tinham-na educado para dizer 
frases corteses. Mas quando olhava a esses olhos azul cobalto 
no estava segura que fosse uma mentira. Enquanto estava ali 
sentado representando a fantasia de qualquer mulher, a 
enfeitiando com seus sorrisos, no estava segura que realmente 
a desagradasse de verdade. De algum jeito, tinha subido de 
menos trinta a menos dez em uns minutos. 

Algo impossvel uma hora antes. 

Eu gosto de cortar com papel  admitiu levantando o dedo 
indicador. Mas menos que ter o cabelo num desastre. 

Ele a olhou durante um momento. 

Ento... Estou em algum lado entre um corte com papel e o 
cabelo feito um desastre? 

Exatamente. 

Poderia ser pior. 

Georgeanne no sabia o que lhe dizer quando era to 
agradvel. O timbre do telefone a salvou. 

Perdoa um momento  disse desprendendo o aparelho. 
Catering Heron, sou Georgeanne. A voz masculina ao outro 


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extremo no esbanjou tempo em lhe dizer exatamente o que 
queria. No  ela respondeu  pergunta, no fazemos bolos 
com formas de peitos nus. 

John riu entre dentes e se levantou. Observou o escritrio, 
depois se aproximou da livraria junto  janela. O sol cintilou na 
abotoadura de ouro do punho da camisa quando pegou uma das 
fotos que Georgeanne menos gostava, de trs de uma samambaia 
florescente. Mae tinha tirado a foto no oitavo ms de gravidez, 
por isso estava escondida detrs da planta. 

Estou segura  respondeu a seu interlocutor, nos 
confundiu com outra empresa. O cavalheiro seguiu insistindo 
em que tinha sido Catering Heron o fornecedor na despedida de 
solteiro de um amigo. Quando entrou em detalhes, Georgeanne se 
viu forada a baixar a voz para dizer: Estou absolutamente 
segura que nunca tivemos garonetes de topless. E alm no 
tenho nem idia do que  uma bootie girl. Olhou para John, mas 
sua expresso impassvel no indicava se a tinha ouvido ou no. 
Tinha os olhos baixos e fixos na foto de quando Georgeanne 
estava to grande como uma carpa de circo e vestia um vestido 
de maternidade rosa com bolinhas brancas. 

Quando desligou o telefone, se levantou e rodeou a 
escrivaninha. 

 uma foto horrvel  disse, parando a seu lado. 

Estava enorme. 

Obrigado  tentou pegar a foto, mas ele a ps fora de seu 
alcance. 

No queria dizer gorda  disse, voltando a olhar a foto. 
Queria dizer muito grvida. 

Estava muito grvida. Tentou pegar outra vez, mas 
calculou mal. Agora me d isso. 

Que desejos tinha? 

De que fala? 


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Se supe que as mulheres grvidas tm desejos de pepinos 
japoneses e sorvete. 

Sushi. 

Ele fez uma careta de asco e a olhou com os olhos fora das 
rbitas. 

Voc gosta de sushi? 

Agora no. Comi tanto na gravidez que mal posso agentar o 
aroma de pescado. E beijos. Tinha desejo de beijos todas s 
noites por volta das nove e meia. 

O olhar de John baixou  boca de Georgeanne. 

De quem? 

Ela sentiu um pequeno frisson no estmago. Era uma sensao 
muito perigosa. 

Beijos de chocolate. 

Pescado cru e chocolate, hum. Ele cravou os olhos em sua 
boca alguns segundos mais, logo voltou a olhar a foto. Quanto 
Lexie pesou ao nascer? 

Quase quatro quilos. 

Arregalou os olhos de repente pela surpresa e sorriu como se 
estivesse muito orgulhoso de si mesmo. 

Merda! 

Isso  o que disse Mae quando pesaram Lexie. Ela tentou 
pegar a foto outra vez e desta vez a tirou da mo dele. 

Ele girou para ela e estendeu a mo. 

No acabei de olh-la. 

Georgeanne a escondeu nas costas. 

Sim, j o fez. 

Ele deixou cair a mo. 

Vai conseguir que a reviste. 

No o faria. 

OH, claro que o faria  disse baixando a voz com um tom 
sedoso.  parte de meu trabalho e eu sou todo um profissional. 


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Tinha passado muito tempo desde que Georgeanne tinha 
paquerado e brincado. Agora j no fazia esse tipo de coisas. 
Retrocedeu uns passos. 

No sei o que significa em hquei revistar. Se refere 
tambm a registrar de cima abaixo? 

No. Ele inclinou a cabea e a olhou com os olhos 
entrecerrados. Mas por voc, estaria disposto a mudar as 
regras. 

A beira da escrivaninha deteve Georgeanne. O escritrio lhe 
pareceu de repente muito menor, e o olhar de seus olhos fez 
revoar seu corao como as pestanas falsas de uma debutante. 

Vamos, me d. 

Antes que ela soubesse exatamente como, sete anos de auto-
superaro voaram pela janela. Abriu a boca e as palavras se 
derramaram como manteiga quente. 

No tinha ouvido nada to doce desde a secundria  disse 
com aquele arrastado acento sulino que possua. 

John sorriu amplamente. 

Funcionou? 

Ela sorriu e negou com a cabea. 

Vou ter que ser duro com voc? 

Isso tampouco dar resultado. 

Sua risada profunda e rouca alagou o escritrio e iluminou 
seus olhos. O homem que tinha diante era intrigante e 
carismtico. Este era o John que a tinha enfeitiado e obtido que 
se despisse h sete anos, e o mesmo que depois se desfez dela 
como se fosse uma substncia txica. 

Os do GQ no o estaro esperando? 

Sem afastar os olhos dela, levantou o brao e subindo o 
punho da camisa girou o pulso para dar uma rpida olhada ao 
relgio de ouro. 

Est me mandando embora? 


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Claro. 

Ele baixou o punho da camisa e pegou a jaqueta do smoking. 

Pensa no do Oregn. 

No preciso pensar. No ia. E ponto. 

Justo nesse momento se abriu a porta e entrou Charles, 
pondo fim a qualquer outro debate e trazendo consigo uma 
mudana no ar. Charles passeou o olhar de Georgeanne a John e 
vice-versa, e franziu o cenho. 

Ol  disse. 

Georgeanne se endireitou. 

Pensava que tnhamos marcado ao meio-dia  colocou a 
foto na escrivaninha. 

Acabei logo e pensei vir antes para te surpreender. Olhou 
para John e algo flutuou entre os dois homens. Algo primitivo, 
pessoal e masculino. Um idioma codificado sem palavras que ela 
no entendeu. Georgeanne rompeu o silncio e apresentou aos 
dois homens. 

Georgeanne me disse que  o pai de Lexie  disse Charles 
aps vrios instantes cheios de tenso. 

Assim .  John era dez anos mais novo que Charles. Era 
alto e atltico. Um homem bonito com um corpo impressionante. 
E era to retorcido como um saca-rolha. Charles que media to 
somente uns centmetros mais que Georgeanne era magro e 
musculoso. Tinha um aspecto mais distinto, como um senador ou 
um congressista. E era sensato. 

Lexie  uma menina maravilhosa. 

Sim. . 

Charles deslizou o brao ao redor da cintura de Georgeanne 
com possessividade e a aproximou de seu lado. 

Georgeanne  uma me estupenda e uma mulher incrvel  
disse, dando um pequeno aperto nela. E alm disso  uma 
cozinheira fantstica. 


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Sim. Recordo. 

Charles arqueou as sobrancelhas. 

No necessita nada. 

De quem?  perguntou John. 

De voc. 

John passou o olhar de Charles a Georgeanne. Um sorriso 
pcaro deixou a descoberto seus dentes absolutamente brancos. 

Ainda tem desejo de beijos  noite, nenm? 

Ela teve desejos de bater nele. Tratava, a propsito, de picar 
Charles. E Charles... no sabia o que pensava Charles. 

Agora no  disse. 

Talvez no beije a pessoa adequada. Ele deu de ombros e 
puxou punhos da camisa. 

Ou talvez j esteja satisfeita. 

Dirigiu um olhar ctico a Charles antes de voltar a olhar para 
Georgeanne. 

J nos veremos mais tarde  disse, e ato seguido 
abandonou o escritrio. 

Ela o observou sair, logo enfrentou Charles. 

Do que ia tudo isso? O que acontecia com vocs dois? 

Charles guardou silncio um momento, com o cenho ainda 
franzido. 

Uma cagada. 

Georgeanne nunca lhe tinha ouvido dizer palavres antes. 
Estava surpreendida e alarmada. No queria que Charles 
pensasse que tinha que competir com John. Os dois homens 
jogavam em ligas diferentes. John era rude, lascivo e usava os 
tacos como se fosse um segundo idioma. Charles era brilhante e 
cavalheiresco. John era um trapaceiro que queria ganhar por 
todos os meios. Charles no tinha nenhuma possibilidade contra 
um homem que utilizava as duas mos no urinrio. 

Charles negou com a cabea. 


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Lamento ter usado palavras de mau gosto. 

Est bem. John parece saber como tirar a luz o pior das 
pessoas. 

O que queria? 

Falar de Lexie. 

E que mais? 

Nada mais. 

Ento por que te perguntou sobre desejos de beijos? 

Estava te provocando. Algo que faz bastante bem. No 
deixe que o chateie. Rodeou o pescoo dele com os braos para 
tranqilizar a ele e a si prpria. No quero falar de John. 
Quero falar de ns. Pensava que talvez este domingo pudesse 
pegar s garotas e passar o dia procurando baleias perto das 
ilhas San Juan. Sei que  algo que fazem os turistas, mas nunca o 
tenho feito e sempre quis fazer. O que te parece? 

Ele a beijou nos lbios e sorriu. 

Opino que  preciosa e que farei o que queira. 

Algo? 

Sim. 

Ento me leve para comer. Morro de fome. Pegou a mo 
de Charles e enquanto saam se deu conta que a foto em que 
parecia uma carpa do circo j no estava. 

Captulo 11 

Pela primeira vez em sete anos, Mae quase se alegrava que 
seu irmo gmeo estivesse morto. Os amigos de Ray ou acabavam 
mudando de estado ou morriam, e ele nunca tinha podido 
suportar as deseres. No lhe importava que a pessoa 
desertora no tivesse outra opo. 

Mae tirou bruscamente os culos de sol e atravessou o 


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vestbulo do hospital. Se Ray estivesse vivo, no teria podido 
agentar como seu bom amigo e amante, Stan, agonizava de sida. 
Ele tinha sido muito emotivo e teria sido incapaz de dissimular 
sua pena. Mas Mae no tinha esse problema. Mae sempre tinha 
sido mais forte que seu gmeo. 

Inclinou a cabea e empurrou com fora as pesadas portas 
de vidro. Tinha tudo sob controle. Menos mal. Se no fosse 
assim, no teria podido ir ao hospital se despedir de Stan. Se no 
fosse pelo autocontrole que possua, se derrubaria antes de 
chegar a casa. Entretanto, estava muito perto de sofrer uma 
crise nervosa ali mesmo e comear a chorar por esse homem que 
tanto a tinha ajudado quando seu irmo morreu. Esse homem que 
tanto queria tinha sido um vividor, um gastrnomo louco pelos 
objetos do Liberace. Stan era agora pouco mais que um esqueleto 
esperando que sua famlia o levasse a casa para morrer. Era a 
ltima vtima do sida. Tinha sido um grande apoio para ela e o 
queria muito. 

Mae aspirou profundamente  fresca brisa matutina para 
limpar seus pulmes do ar viciado do hospital. Ia cruzar a dcima 
quinta avenida para a casa que compartilhava com seu gato, 
Bootsie, quando uma voz a deteve. 

Oi, Mae! 

Se deteve em meio do meio-fio e ao olhar por cima do ombro, 
se encontrou com a cara sorridente de Hugh Miner. Uma boina 
azul de beisebol sombreava seus olhos e o cabelo castanho claro, 
que sobressaa pelas bordas, se frisava nas pontas. Levava trs 
grandes sticks de hquei seguros em uma mo e apoiados em seu 
largo ombro. Ve-lo em seu bairro era toda uma surpresa. Mae 
vivia na Capital Hill, uma zona ao leste de Seattle que era 
conhecida por estar habitada por gays e lsbicas. Mae tinha 
vivido toda sua vida rodeada de homossexuais e sabia a 
preferncia sexual de qualquer pessoa poucos minutos aps 


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conhec-la. A primeira e nica vez que esteve com Hugh soube 

em questo de segundos que era heterossexual dos ps a cabea. 

O que faz aqui? perguntou. 

Levo uns sticks ao hospital. 

Para que? 

Para um leilo. 

Mae se voltou para ele. 

Acredita que vo soltar fogos por conseguir seus velhos 
paus de hquei? 

Quer apostar? Hugh esboou um amplo sorriso e se 
balanou sobre os calcanhares. Sou um grande porteiro. 

Ela negou com a cabea. 

 um presumido. 

Diz como se fosse algo mal. Algumas mulheres gostam. 

Mae no se sentia atrada por esse tipo de homem arrumado 
e presunoso. 

Algumas mulheres devem estar muito desesperadas. 

Ele riu entre dentes. 

E voc o que faz por aqui, Raio de Sol? 

Ia para casa. 

O sorriso se apagou da cara dele. 

Vive aqui? 

Sim. 

No  lsbica, no  carinho? 

Pensou em como Georgeanne teria rido ante essa pergunta. 

Importa? 

Ele deu de ombros. 

Seria uma fodida pena, mas explicaria por que  to arisca 
comigo. 

Normalmente Mae no se comportava de maneira to arisca 
com os homens. De fato gostavam muito dos homens. Mas no 
dos esportistas. 


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Que seja arisca com voc no quer dizer que seja lsbica. 

Bom, ? 

Ela vacilou. 

No. 

Isso est melhor. Ele sorriu de novo e mudou de 
postura. Quer ir tomar um caf ou uma cerveja em algum 
lugar? 

Mae riu sem humor. 

Que te dem... zombou, se aproximando da calada. Olhou 
de cima abaixo a avenida e esperou que o trfico se detivesse. 

Sinto muito, Raio de Sol. Hugh falou como se tivesse 
feito uma pergunta. Mas eu no fao essas coisas. 

Mae o olhou enquanto parava entre dois carros estacionados. 
Ele estava indo para a entrada do hospital e a apontava com os 
paus de hquei. 

Mas se realmente quer ver algo bom e veste algo um pouco 
feminino talvez a leve ao cinema Triplo X. Est em cartaz A 
orgia francesa, e sei que voc gosta dos filmes estrangeiros. 

Est doente  resmungou, e cruzou a avenida. Separou 
Hugh de sua mente. Tinha coisas mais importantes no que pensar 
e no incluam um jogador de hquei com o pescoo muito largo. 
Seu crculo de amizades no fazia mais que diminuir. Na semana 
anterior se despediu de seu amigo e vizinho durante anos, 
Armando Mandy Ruiz. No sabia que partia at o dia que o viu 
colocar todas as suas coisas no Chevy. Se mudou- a Los Angeles 
procurando uma vida mais dinmica e perseguindo seu sonho de 
se converter no prximo RuPaul. Sentiria falta de Stan, e 
tambm de Mandy. 

Mas ainda tinha a sua famlia. Ainda tinha Georgeanne e 
Lexie. Era suficiente no momento. Por agora estava satisfeita 
com sua vida. 


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John abriu a porta principal e avaliou Georgeanne com um 
rpido olhar. Eram dez da manh, mas ela estava descansada e 
absolutamente perfeita. Prendeu o cabelo escuro em um coque 
apertado na nuca e usava uns brincos de brilhantes nas orelhas. 
Vestia um desses horrveis trajes de executiva que ocultavam o 
decote e cobriam os joelhos. 

Trouxe-as? perguntou ao tempo que afastava para deixla 
entrar na casa flutuante. Quando ela passou, ele levantou o 
brao um pouco e se farejou com rapidez. No cheirava muito 
mal, mas possivelmente deveria ter tomado uma ducha depois de 
correr. E talvez deveria ter colocado as calas curtas e a suada 
camiseta cinza. 

Sim, coloco vrias. Georgeanne se encaminhou ao salo e, 
depois de fechar a porta, ele a seguiu. Asseguro que vai sair 
ganhando. 

Me deixe v-las primeiro. Enquanto ela rebuscava na 
bolsa cor bege, ele a repassou de cima abaixo. O austero 
penteado e o traje diplomtico de listas azuis e brancas a faziam 
parecer quase assexual, quase. Mas seus olhos eram muito 
verdes, sua boca muito carnuda e vermelha. E seu corpo... bom, 
demnios, no importava o que vestisse, nada podia ocultar o 
tamanho de seus seios. Um olhar, e qualquer homem teria 
pensamentos pecaminosos. 

Aqui esto  disse, lhe mostrando uma foto. 

Ele pegou a foto de Lexie e se aproximou do sof de couro. 
Era uma foto da escola em que Lexie olhava  cmara com um 
amplo sorriso de batata. 

Que tal as notas na escola?  perguntou ele. 

No h notas na creche. 

Ele se sentou com as pernas abertas. 

E como se sabe se est aprendendo o que deve? 

A avaliam duas vezes em todo o ciclo. Graas a Deus, l e 


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escreve palavras simples bastante bem. Temia que no pudesse. 

Quando ela se sentou a seu lado, ele a olhou. 

Por que? 

Georgeanne esboou um sorriso. 

Por nada. 

Estava mentindo, mas no queria discutir com ele, pelo menos 
no nesse momento. 

Odeio que faa isso. 

O que? 

A forma em que sorri quando no quer falar de algo. 

Pois no se queixe. H muitas coisas que eu no gosto de 
voc. 

Como quais? 

Pois a primeira foi que roubou essa horripilante foto ontem 
em meu escritrio e no tenha querido me devolver isso. Eu no 
gosto da chantagem. 

No tinha tido nenhuma inteno de chantage-la. Tinha pego 
a foto porque quis. No havia outra razo. Gostava de olhar sua 
formosa cara e sua barriga de grvida to enorme por seu beb. 
Quando a viu, lhe tinha inchado o peito de orgulho, logo tinha se 
sentido envergonhado pelo defasado machismo que isso 
demonstrava. 

Georgie, Georgie  suspirou ele. Pensava que tnhamos 
esclarecido essas feias acusaes ontem  noite por telefone. J 
lhe disse, simplesmente tomei emprestada essa foto  mentiu. 
No tinha tido inteno de devolver-lhe, mas ento o tinha 
chamado lhe gritando de tudo por roubar-la e tinha decidido 
utilizar essas emoes em seu prprio benefcio. 

Agora me d a foto que roubou. 

John negou com a cabea. 

No at que a substitua com uma de valor igual ou superior. 
Nesta tem sorriso de batata -disse, e colocou a foto sobre a 


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mesinha de caf. No h mais? 

Passou uma foto de estdio, tinham-na tirado na alameda. Ele 
cravou os olhos em sua maquiada filha que usava longos brincos 
de diamantes de imitao e uma amaciada jibia prpura. Franziu 

o cenho e a atirou sobre a mesa. 
Acredito que no. 
Essa  sua favorita. 
Ento pensarei nisso. H mais? 
Ela o olhou com o cenho franzido e se inclinou para frente 
para rebuscar mais profundamente na bolsa. Nesse momento a 
abertura lateral da saia se abriu, deslizando por cima da coxa e 
mostrando um vislumbre de pele nua por cima da meia cor caf 
com um lao azul. Santa Me de Deus! 

Aonde vai vestida assim? 

Ela se endireitou. Fechou a saia e deu por terminado o 
espetculo. 

Tenho uma entrevista com uma cliente em sua casa, no 
Mercer. Passou outra foto, mas ele no a olhou. 

Pensei que tinha ficado com seu noivo. 

Charles? 

Tem mais de um? 

No, no tenho mais de um e asseguro que no fiquei com 

ele. 
John no acreditou. As mulheres no vestiam essa roupa 
ntima a no ser que tivessem planejado mostrar a algum. 
Quer um caf? levantou antes que sua imaginao o 
arrastasse a uma fantasia de coxas suaves e laos azuis. 
Claro. Georgeanne o seguiu  cozinha, enchendo a 
habitao com o som dos saltos no cho de madeira. 
No tenho cado bem a Charles, sabe  informou John 
enquanto vertia caf em duas grandes xcaras azul marinho. 
Sei, mas me deu a impresso que tampouco ele te tinha 


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cado bem. 

No. No me caiu bem  disse, mas sua averso no era 
algo pessoal. Esse tio era realmente um idiota, mas a verdade  
que essa no era sua principal objeo. John odiaria a qualquer 
homem que se metesse na vida de Lexie nesse momento. Vai a 
srio com ele? 

No  seu assunto. 

Talvez, mas ia se aprofundar no assunto de todas as 
maneiras. Deu-lhe uma das xcaras. 

Leite ou acar? 

Tem sacarina? 

Sim. Abriu uma despensa, pegou um pequeno pacote azul 
e deu com uma colherinha a ela . Seu noivo  meu assunto se 
passar tempo com minha filha. 

Os longos dedos de Georgeanne jogaram o adoante no caf 
e o remexeu muito lentamente. Tinha as unhas pintadas de cor 
malva, eram longas e perfeitas. A luz do sol entrava em 
torrentes pela janela de cima da pia arrancando brilhos do 
cabelo e dos brincos. 

Lexie viu Charles duas vezes e parece que gosta dele. Tem 
uma filha de dez anos e gostam de brincar juntas. Deixou a 
colherinha na pia e o olhou. Acredito que no precisa saber 
nada mais. 

Se Lexie s o viu duas vezes, no faz muito que sai com ele. 

No, no faz muito. Franziu os lbios um pouco e provou o 
caf. John apoiou o quadril na bancada branca e a observou 
tomar um gole. Apostaria o que fosse que nem sequer se deitou 
com ele. Isso explicaria por que o homem se mostrou to hostil 
com John. 

O que vai dizer quando se inteire de que Lexie e voc vm a 
Cannon Beach comigo? 

Nada. No vamos. 


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Ele tinha passado a noite anterior procurando uma maneira 
de convence-la a aceitar ir de frias com ele. Ia apelar a seus 
sentimentos; Deus sabia que tinha em abundncia. Tudo o que ela 
sentia estava ali mesmo nesses olhos verdes. Embora tratasse de 
ocultar seus sentimentos atrs de seus doces sorrisos, John 
tinha passado a vida lendo nas caras dos homens mais duros e 
cabea-dura. Homens que ocultavam suas emoes sob mscaras 
impenetrveis. Georgeanne no tinha nenhuma possibilidade ante 
ele. Apelaria a seu lado maternal. Se isso no funcionava, 
improvisaria. 

Lexie precisa passar mais tempo comigo e eu preciso 
estabelecer uma relao com ela. No sei muito de meninas  
confessou com um encolhimento de ombros, mas comprei um 
livro sobre o tema escrito por uma doutora muito importante. 
Explica que a relao que uma garota tem com seu pai poderia 
determinar a maneira de se relacionar com os homens ao longo 
de sua vida. Diz que se a figura paterna no estiver presente, ou 
se for um abusador, poderia se converter em uma put... n..., em 
uma garota sem escrpulos. 

Georgeanne olhou para John um longo momento, ento, com 
muito cuidado colocou a xcara sobre a bancada. Sabia por 
experincia que estava certo. Ela tinha sido um desastre nas 
relaes pessoais durante muitos anos. Mas isso no a 
convenceria para passar as frias com ele. 

Lexie pode te conhecer aqui. Ir de frias os trs juntos  
convidar ao desastre. 

No somos ns trs os que a preocupa. Se trata de ns 
dois. Ele a assinalou e logo destacou a si mesmo. Voc e eu. 

Voc e eu no nos damos bem. 

Ele cruzou os braos sobre seu largo peito, estirando o 
pescoo da camiseta cinza e expondo uma clavcula e a base da 
garganta. 


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Acredito que tem medo que nos levemos bem, muito bem. 
Tem medo de acabar em minha cama. 

No seja absurdo. Ela ps os olhos em branco. Eu no 
gosto de voc e no me tenta nem um pouquinho. 

No acredito em voc. 

No me importa o que acredite. 

O que teme  que uma vez que estejamos sozinhos, no 
possa resistir e acabe na cama comigo. 

Georgeanne riu. John era rico e bonito. 

Era um esportista famoso e tinha o corpo fornido de um 
guerreiro. Mas no ia acabar em sua cama. Nem que fosse o 
ltimo homem da terra e lhe apontassem na cabea com uma 
pistola. 

Deveria ser mais realista. 

Acredito que tenho razo. 

No. Ela negou com a cabea enquanto saa da cozinha. 
Est equivocado. 

Mas no tem do que se preocupar -continuou ele, sou 
imune a voc. 

Georgeanne pegou a bolsa e a colocou no sof. 

 muito formosa e Deus sabe que tem um corpo to 
perfeito que tentaria at a um sacerdote, mas acredite, no a 
mim. 

Sua explicao a picou mais do que queria admitir. Em 
segredo, ela queria que ele se consumisse de desejo cada vez que 
punha os olhos nela. Queria que se arrependesse por ter se 
desfeito dela da forma em que o fez. Georgeanne arqueou a 
sobrancelha como se no acreditasse e apontou a mesinha de 
caf. 

Que fotos quer? 

Deixe todas. 

Estupendo. Tinha cpias em casa. Me d a foto que 


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roubou do escritrio. 

Um momento. Ele a pegou pelo brao e a olhou fixamente 
aos olhos. Estou tratando de te dizer que estaria 
completamente segura em minha casa. Poderia tirar a roupa e 
caminhar nua e nem sequer assim a olharia. 

Ela sentiu que seu antigo ego emergia para resgatar seu 
orgulho, a antiga Georgeanne s estava segura de algo e era do 
efeito que causava nos homens. 

Carinho, se tirasse a roupa, seus olhos sairiam das rbitas 
e teria um enfarte. Teriam que te fazer o boca a boca. 

Se equivoca, Georgie. Lamento ferir seus sentimentos, mas 
a encontro completamente resistvel  disse, enquanto deixava 
cair a mo e feria o orgulho de Georgeanne um pouco mais. 
Poderia golpear minha cabea com um stick e colocar a lngua em 
minha boca e, ainda assim, no responderia. 

A quem trata de convencer, a mim ou a ai mesmo? 

Ele a olhou de cima abaixo. 

S exponho os fatos. 

Certo. Bom, ento eu te exponho meus. Ela fez o mesmo 
que ele e o repassou de cima abaixo. Comeou pelas musculosas 
panturrilhas e subiu pelas coxas poderosas, a cintura, o amplo 
peito e os ombros largos at sua aposta cara. Parecia o tpico 
macho suarento. Antes beijaria a um peixe morto. 

Georgie, vi seu noivo. J beija a um peixe morto. 

Melhor a ele que a um estpido esportista como voc. 

John entrecerrou os olhos. 

Est segura? 

Ela sorriu, satisfeita de te-lo incomodado. 

Por completo. 

Antes que ela soubesse o que acontecia, John rodeou sua 
cintura com um brao e a atraiu com fora para seu corpo. 
Desfez-lhe o coque com os dedos. 


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Abre a boca e diga ah  lhe disse enquanto posava a 
boca com dureza na dela. Georgeanne ofegou de surpresa e seus 
braos caram flcidos aos lados. Seus olhos azuis se prenderam 
aos dela, logo ele suavizou o beijo e ela sentiu como lhe roava o 
lbio inferior com a ponta da lngua. Lambeu-lhe a comissura da 
boca e sugou ligeiramente os lbios. John fechou os olhos e a 
apertou mais contra seu peito. Um calafrio ardente percorreu as 
costas de Georgeanne e arrepiou o plo da nuca. A boca de John 
era quente e molhada e, antes de poder pensar em nada mais, 
devolveu o beijo. Roou-lhe a lngua com a sua e o calor se 
incrementou. Logo to repentinamente como tinha comeado, ele 
a afastou com brutalidade. 

V? disse, respirando profundamente e expulsando o ar 
com lentido. Nada. 

Georgeanne piscou e o observou, parecia to frio como um dia 
de dezembro. Ela ainda podia sentir a presso de sua boca na 
dela. Tinha-a beijado e ela tinha permitido. 

No h nenhuma razo pela que ns dois no possamos 
compartilhar uma casa durante uma semana. Ele limpou o lbio 
inferior com o polegar, apagando a mancha vermelha. A menos, 
claro est, que tenha sentido algo com este beijo. 

No. Nada de nada  afirmou, e curvou a boca esboando 
um falso sorriso. Mas tinha sentido algo. Ainda sentia. Algo 
quente e leve na boca do estmago. Tinha lhe permitido beij-la 
e no sabia por que. 

Pegou a bolsa e se dirigiu  porta antes de comear a gritar, 
a chorar ou a ficar em ridculo de qualquer outra maneira. 
Possivelmente j era muito tarde. Responder ao beijo de John 
tinha sido muito estpido. 

Enquanto caminhava para o carro, se precaveu que se foi to 
rpido que esqueceu da foto que lhe tinha roubado. Pois bem, no 
ia voltar por ela. No agora. E tampouco ia ao Oregn com ele. De 


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maneira nenhuma. Jamais. No ia ocorrer. 

John permanecia de p sobre a coberta traseira de sua casa 
enquanto olhava para o Lake Union. Tinha-a beijado. Tinha-a 
tocado. E agora lamentava. Tinha dito que no havia sentido nada. 
Mas se tivesse se incomodado em olh-lo, ela teria sabido que 
mentia. 

No sabia por que a tinha beijado, talvez tivesse querido 
demonstrar que estaria a salvo em sua casa do Oregn. Ou talvez 
fosse pelo que tinha dito de que antes beijaria a um peixe morto 
que a ele. Mas o mais provvel era que tivesse sido porque ela era 
preciosa e sexy e tinha posto uma liga com laos azuis e, sobre 
tudo, porque queria saborear esses lbios. S um beijo rpido. 
Uma mera demonstrao. Isso era tudo o que tinha querido. Mas 
em troca tinha obtido mais. Tinha se sentido invadido pela 
luxria e sua virilha tinha palpitado. Um doloroso inferno e 
nenhuma forma de aplac-lo. 

John tirou os sapatos e se lanou  gua gelada para se 
esfriar. No cometeria esse engano outra vez. No mais beijos. 
Nem mais carcias. E nada de pensar em Georgeanne nua. 

Captulo 12 

Georgeanne no tinha tido inteno de ir com John de frias. 
Sua inteno tinha sido se manter firme e se negar a ir a Cannon 
Beach. E o teria feito se no tivesse sido pelo repentino 
interesse de Lexie em seu pai fictcio, Anthony. 

Depois de ter navegado s ilhas San Juan, as perguntas de 
Lexie tinham comeado de novo. Possivelmente ter visto Charles 
com o Amber tinha despertado sua curiosidade. Possivelmente 
fosse pela idade. Tinha pocas em que Lexie perguntava sobre 


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Anthony, mas, pela primeira vez, Georgeanne tentou responder 
sem lhe mentir. Logo tinha chamado John e tinha dito que iriam 
ao Oregn. Se Lexie ia manter uma relao com John, tinha que 
passar tempo com ele antes que lhe dissesse que era seu pai. 
Razo pela qual agora estava conduzindo para Cannon Beach, 
rezando por no estar cometendo um engano colossal. John tinha 
prometido que trataria de no provoc-la, mas no acreditava. 

Eu vou ter o melhor  tinha assegurado. 

Sim. Claro. E os elefantes voavam. 

Jogou um olhar a sua filha que ia sentada no assento do 
acompanhante sobre um cinto de segurana. Lexie coloria 
meticulosamente um desenho dos tele tubbies, usava um bon 
preto com uma cara sorridente e uns culos de sol azuis para 
crianas. Era sbado ento seus lbios estavam pintados de um 
vermelho intenso. Mas pelo menos agora esses pequenos lbios 
vermelhos estavam fechados e o silncio ocupava o interior do 
Hyundai. 

A viagem tinha comeado bastante bem, mas em alguma 
parte, perto de Tacoma, Lexie tinha comeado a cantar... e a 
cantar... e a cantar. Cantou o nico verso que conhecia do Puff o 
drago mgico e todos os versos de onde est Thumbkin?. 
Tinha cantado com sua voz gritante a letra do Deep in the 
Heart of Texas e tinha batido palmas to entusiasmada como 
qualquer texano orgulhoso. Por desgraa, s cantou isso uma e 
outra vez at chegar a Astoria. 

Ento, justo quando Georgeanne tinha terminado de calcular 

o nmero de anos que faltavam para que pudesse envia-la  
universidade, Lexie tinha deixado de cantar e Georgeanne tinha 
se sentido uma me horrvel por ter pensado, literalmente, em 
jogar Lexie do ninho. 
Foi quando comearam as perguntas. 
No chegamos ainda?. 



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Quanto falta?. 

Onde estamos?. 

Lembrou de colocar Blankie na mala?. 

De Astoria a Seaside sua preocupao tinha sido onde 
dormiria e quantos banheiros teria a casa de John. No tinha 
podido recordar se tinha colocado seu jogo de manicure ou se 
tinha trazido suficientes Barbies para brincar cinco dias 
inteiros. Lembrou de colocar os brinquedos para a praia, mas o 
que aconteceria se chovesse todo o tempo? E logo tinha 
perguntado se tambm tinha crianas no bairro e quantos anos 
teriam. 

Nesse momento, enquanto percorriam de carro a rua 
principal de Cannon Beach, a cidade lhe recordou as dzias de 
comunidades pseudo artsticas que salpicavam o noroeste 
costeiro. Estdios, cafeterias e lojas de presentes se alinhavam 
na rua principal. As janelas dos negcios tinham persianas 
coloridas em diferentes tons de azul, cinza e verde espumoso, e 
se viam baleias e estrelas do mar pintados por toda parte. As 
caladas estavam cheias de turistas e umas bandeiras de cores 
ondeavam com a brisa sempre presente. 

Ela deu uma olhada ao relgio digital que havia sobre o rdio 
no painel do carro. Era pontual por natureza e gostava de chegar 
a tempo, mas esse dia chegava com meia hora de antecedncia. 
Entre Tacoma e Gearhart tinha pisado a fundo no acelerador. Em 
algum lugar entre a primeira vez que Lexie cantou Onde est 
Thumbkin? e a ltima vez que perguntou No chegamos 
ainda? tinha acelerado o Hyundai, ultrapassando os cento e 
cinqenta quilmetros por hora. A possibilidade de que um 
policial a parasse para mult-la nem sequer tinha importado. De 
fato teria agradecido conversar com um adulto. 

Olhou o mapa que John tinha desenhado e conduziu entre as 
residncias veraneias e os resorts construdos na praia. Freou 


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para ler a nota rabiscada  mo, depois se meteu em uma rua 
muito sombreada e seguiu as instrues com facilidade at 
encontrar a casa. Estacionou o Hyundai junto ao Range Rover 
verde escuro de John no caminho de entrada a uma casa Branca 
de um s andar com um telhado muito inclinado de tabuletas de 
madeira. Um pinheiro nodoso e uma accia davam sombra ao 
alpendre de madeira, o tingindo de uma luz cinzenta. Deixou a 
bagagem no carro e guiou Lexie pela mo at a porta principal. 
Com cada passo que dava o corao de Georgeanne pulsava mais 
rpido. Quanto mais se aproximava, mais se convencia que estava 
a ponto de cometer um engano garrafal. 

Tocou a campainha vrias vezes. Ningum atendeu. Pegou o 
plano e o estudou atentamente outra vez. Se ela o tivesse 
desenhado, teria sentido a familiar incerteza que notava no peito 
quando temia ter equivocado os nmeros uma vez mais. 

Talvez John esteja tirando uma soneca  sugeriu Lexie. 
Possivelmente deveramos entrar e acord-lo. 

Bom, possivelmente. Georgeanne voltou a olhar os 
nmeros da casa, logo se aproximou do trinco e abriu a parte 
superior. Examinou-o com ateno como se esperasse encontrar 
dentro um vizinho ou um empregado dos correios observando-a. 
Olhou um carto comercial dirigido a John. 

Acredita que esqueceu que vnhamos? perguntou Lexie. 

Espero que no  respondeu Georgeanne segurando a 
maaneta e abrindo a porta. 

O que aconteceria se esqueceu?, se perguntou. O que 
ocorria se estava dormido em algum lugar da casa? Ou tomando 
uma ducha com uma mulher?. Sabia que era um pouco cedo, mas, 

o que aconteceria se estava na cama com o corpo entrelaado 
com o de alguma pobre ingnua? 
John? gritou, entrando muito devagar. Seus ps 
afundaram no tapete cor champanha. Enquanto Lexie seguia um 


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pouco mais atrs, Georgeanne atravessou o salo. Imediatamente 
se deu conta que a casa no era de planta baixa como parecia 
desde fora. A sua esquerda uma escada levava para baixo 
enquanto que a sua direita uma segunda escada conduzia a uma 
coberta subterrnea que se abria ao salo. A casa estava 
construda em uma ladeira sobre a praia e o oceano. A fachada 
posterior consistia em sua totalidade em umas enormes janelas 
emolduradas com carpintaria de carvalho. Trs clarabias do 
mesmo material dominavam o teto do salo. 

Caramba. Lexie ficou sem flego e ficou a dar voltas. 
John  rico? 

Isso parece, no ? Os mveis eram modernos e 
construdos principalmente de ao e madeira clara. A um lado 
havia um sof estofado em azul escuro; estava orientado para 
desfrutar tanto da vista do oceano como da chamin que 
dominava a parede da esquerda. Em cima do suporte da chamin 
tinha pendurado um enorme retrato onde o av de John 
permanecia de p junto a um desses enormes peixes azuis que os 
turistas pescavam na costa da Florida. Tinha passado muito 
tempo desde que Georgeanne tinha visto Ernie, mas o reconheceu 
com facilidade. 

Espero que John no tenha tido um acidente. Lexie se 
dirigiu para uma das trs portas trilhos de vidro do salo. 
Talvez tenha quebrado uma perna ou se cortou... 

Aproximaram-se de uma vez  janela e olharam para a areia 
da praia. Alm do terrao Haystack Rock se erguia contra o cu 
azul claro. As gaivotas revoavam por cima da vegetao que 
florescia na parte superior da enorme rocha enquanto seus 
contnuos grasnidos se mesclavam com o rudo das ondas. 

John! Lexie gritou em voz alta. Onde est? 

Georgeanne abriu a porta de correr e deixou entrar a brisa 
impregnada com o aroma de gua salgada e a algas marinhas 


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junto com os sons do mar. Saiu um momento ao terrao, respirou 
fundo e exalou lentamente. Talvez passar uma semana em uma 
casa to bela com um ambiente to maravilhoso no ia ser to 
mal depois de tudo. Se no permitia que John a enfeitiasse com 
sua cara amvel e se guardava seus lbios para si mesma, talvez 
essa viagem no se converteria em um erro. 

Georgeanne sentiu um rudo surdo sob os ps, uma espcie de 
tum, tum, tum ressoando baixo sob as sandlias. Ouviu o 
constante rudo de passos que golpeavam as escadas e sentiu que 
suas vsceras derretiam. Logo, neste momento, viu a cabea de 
John. Levava uns fones de ouvido amarelos sobre seu cabelo 
mido de suor e tinha a metade inferior da cara coberta por uma 
barba incipiente. Depois apareceram seus ombros largos e seu 
poderoso peito. Usava uma camiseta sem mangas que tinha tantos 
buracos que Georgeanne se perguntou para que se incomodou 
usar. O estomago era plano e lhe via at o cs das calas curtas. 
O plo escuro formava redemoinhos ao redor do umbigo para 
desaparecer em forma de flecha sob as bermudas azul marinho. 
Suas coxas eram grossas e musculosas, e suas longas pernas 
estavam muito morenas. 

Chegaram cedo  ouviu que lhes dizia enquanto tentava 
normalizar a respirao. Ela olhou como tirava os fones 
deixando-os pendurar no pescoo e logo olhava o relgio 
esportivo com a esfera girada para a parte interior do pulso. 
Se soubesse, teria estado aqui. 

Desculpe  disse ela, se negando a ruborizar-se ante to 
sbita apario. Era adulta. Podia se comportar com normalidade 
ante um homem ardente, suado e seminu. E podia dirigir John 
Kowalsky sem nenhum problema. S tinha que pensar que era 
como ter o cabelo um desastre. Pouco cooperativo, incmodo e 
muito desarrumado. Pisei no acelerador alm da conta  
explicou. 


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Quanto tempo faz que esto aqui? Pegou a toalha branca 
que pendurava do corrimo. Secou a cara e o cabelo como se 
acabasse de sair da ducha, logo fez desaparecer a cabea sob o 
grosso algodo. 

S uns minutos. 

Hum, pensamos que voc tinha cado e que estavas ferido 

 disse Lexie distrada pela viso do estmago de John. Era a 
primeira vez que se encontrava to perto de um homem sem 
camisa. Cravou os olhos nessa pele coberta de plo e deu um 
passo para frente para ver melhor. Acreditvamos que talvez 
tivesse quebrado uma perna ou tinha se cortado  acrescentou. 
John apontou a cabea por debaixo da toalha. Viu Lexie e 
sorriu. 

Tinha preparado um band daid nesse caso?  perguntou, 
colocando a toalha ao redor do pescoo e segurando os extremos 
da mesma. 

Negou com a cabea. 

Tem a barriga peluda, John. Muito peluda!  disse, logo 
girou para o corrimo para olhar a praia que havia abaixo. 

Ele se olhou e apertou uma de suas grandes mos contra o 
duro abdmen. 

No  para tanto  disse, esfregando a palma da mo 
sobre o estmago. Conheo vrios homens que so bastante 
piores. Pelo menos eu no tenho plo nas costas. 

Georgeanne observou como deslizava a mo mais abaixo, para 

o ventre, afundando os dedos no plo curto e sua mente se 
alagou de lembranas. Recordou essa noite h tanto tempo 
quando ela o tinha tocado, quando o tinha sentido ardente e viril 
sob suas mos. 
O que est olhando, Georgeanne? 
Ela apartou o olhar de seu ventre e o olhou aos olhos. Tinha-a 
pego olhando-o. Podia atuar de vrias maneiras: envergonhada, 


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culpado ou simplesmente mentir. 

Seus sapatos. 

Em silncio, ele riu entre dentes. 

Olhava-me o pacote. 

Ou podia admitir. 

Foi uma longa viagem. Deu de ombros. Irei ao carro 
pegar nossa bagagem. 

John se adiantou. 

Eu pegarei. 

Obrigado. 

Ele atravessou a porta trilho. 

De nada  disse com um sorriso arrogante antes de 
atravessar o salo. 

Oua, John!  gritou Lexie que passou correndo junto a 
sua me, deixando que Georgeanne os seguisse. Trouxe os 
patins. E adivinha o que... 

O que? 

Mame me comprou umas joelheiras novas da Barbie. 

Da Barbie? 

Sim. 

Ele abriu a porta principal. 

Estupendo. 

E adivinha que mais. 

O que? 

Tenho culos de sol novos. Tirou os culos e os segurou 
no alto. V? 

John se moveu em direo a ela. 

Oua, so geniais. Parou para lhe olhar sua cara com 
resignao. Vai colocar isso prpura enquanto esteja aqui?  
perguntou, se referindo  sombra de olhos. 

Ela assentiu com a cabea. 

S posso us-lo aos sbados e domingos. 


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Ele se dirigiu  parte traseira do Hyundai e disse: 

Talvez, enquanto esteja de frias, poderia fazer um 
descanso e deixar de usar toda essa mistura. 

Nem pensar. Eu gosto.  o que mais eu gosto no mundo. 

Pensava que os ces e os gatos eram o que mais voc 
gostava. 

Bom, a maquiagem  o que eu mais gosto de tudo o que 
posso ter. 

John suspirou com resignao enquanto pegava duas malas e 
uma bolsa de brinquedos do assento traseiro do carro. 

Isto  tudo?  perguntou. 

Georgeanne sorriu e abriu o porta-malas. 

Jesus John amaldioou cravando os olhos em trs malas 
mais, duas capas de chuva amarelas, um guarda-chuva enorme e o 
Centro de Beleza da Barbie. Trouxe toda a casa? 

Este  o resultado de condensar bastante a carga original 

 disse ela, segurando as capas de chuva e o guarda-chuva. E 
por favor, no blasfeme diante de Lexie. 

Blasfemei? perguntou John, olhando  menina. 

Georgeanne assentiu com a cabea. 

Lexie riu bobamente e pegou o Centro de Beleza da Barbie. 

Georgeanne e Lexie o seguiram de volta a casa e John as 
conduziu ao andar inferior, at um quarto decorado com 
persianas de cor bege e verde; logo retornou pelo resto de sua 
bagagem. Quando j tinha carregado todas suas coisas, mostrou 
rapidamente todo os cmodos a elas. Tinha um pequeno ginsio 
instalado situado entre o quarto de hspedes e o quarto 
principal. 

Tenho que tomar uma ducha  disse John, se dirigindo ao 
corredor depois que Lexie inspecionasse os trs quartos de 
banho. Quando acabar, podemos ir  praia para olhar os 
atoleiros que deixa a mar. 


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Por que no nos encontramos ali?  sugeriu Georgeanne 
que queria aproveitar o sol antes que voltasse a nublar. 

Me parece bem. Precisam de toalhas? 

Georgeanne nunca tinha sido uma Girl Scout, mas tinha vindo 
preparada para qualquer eventualidade. Tinha trazido as suas. 
Depois que John as deixasse, Lexie e Georgeanne trocaram de 
roupa. Lexie colocou um biquni xadrez rosa e prpura, logo 
colocou uma camiseta do Texas pela cabea. Georgeanne colocou 
um par de calas curtas laranja e amarelo com um Top que lhe 
deixava o umbigo de fora e como acreditava que mostrava muito 
acrescentou uma leve blusa de algodo. O objeto amarelo a 
cobria at o traseiro e a deixou desabotoada. Ambas calaram 
umas sandlias Teva, pegaram as toalhas de praia e o protetor 
solar e se dirigiram para fora. 

Quando John se uniu a elas na praia, Lexie tinha encontrado 
um ourio do mar um pouco quebrado, meia concha e uma pina 
pequena de caranguejo. Tinha-os metido em um cubo rosa e nesse 
momento se encontrava agachada ao lado de Georgeanne para 
observar uma anmona do mar que estava pega a uma das 
pequenas rochas expostas pela mar baixa. 

Toque nela  dizia Georgeanne.  pegajosa. 

Lexie negou com a cabea. 

Sei que  pegajosa, mas eu no gosto de toc-la. 

No a morder disse John, fazendo sombra sobre elas 
duas. 

Georgeanne levantou o olhar e se incorporou lentamente. 
John estava barbeado, trocou as calas curtas por outra bege 
que no eram de esporte e vestiu uma camiseta cor azeitona. 
Estava limpo e informal, mas muito rude e sensual para parecer 
completamente respeitvel. 

Acredito que tem medo que agarre seu dedo e no o solte 

 disse Georgeanne. 

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No, no tenho  protestou Lexie, negando com a cabea 
outra vez. Ficou em p e apontou para o Haystack Rock que se 
encontrava a uns cinqenta metros. Quero ir ali. 

Os trs juntos caminharam at a enorme formao rochosa. 
John ajudou Lexie a saltar de rocha em rocha e quando o terreno 
ficou muito abrupto para suas curtas pernas, a pegou e a sentou 
sobre seus ombros sem esforo algum, como se no pesasse nada. 

Lexie se pegou  cabea de John, golpeando sua bochecha 
direita com o cubo. 

Mame, me olhe, cresci!  gritou. 

John e Georgeanne se olharam e riram. 

Isso  o que todas as mes desejam ouvir  disse ela. 

A risada de John morreu afogada pelo som das ondas, mas 
um sorriso permaneceu em sua cara. 

Comeava a pensar que s colocava vestidos ou saias  
disse, rodeando os tornozelos de Lexie com os dedos. 

No a surpreendeu que ele tivesse notado. Era desses tios 
detalhistas. 

Normalmente no uso bermudas nem calas. 

Por qu? 

Georgeanne no queria responder a essa pergunta. Lexie, 
entretanto, no tinha nenhum tipo de escrpulos na hora de 
facilitar essa informao. 

Porque tem um grande pandeiro. 

John olhou para Lexie entrecerrando os olhos ante o brilho 
do sol. 

Srio? 

Lexie assentiu com a cabea. 

Sim. Isso  o que diz sempre. 

Georgeanne sentiu que ruborizava. 

Deixemos esse tema. 

Segurando a prega da camisa amarela, John a levantou e 


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inclinou a cabea para olhar melhor. 

No me parece grande  disse com ar despreocupado como 
se discutissem sobre o clima. Me parece perfeito. 

Georgeanne se sentiu um pouco tola pelo golpe de prazer que 
sentiu na boca do estmago. Golpeou a mo dele e deixou cair a 
camisa em seu lugar. 

Pois   disse ela, logo passou junto a John e caminhou um 
pouco  frente deles. Recordava o que tinha acontecido sete anos 
atrs quando tinha perdido a cabea ante seus elogios. Todas as 
garotas sulinas sonhavam sendo rainhas da beleza e, com muito 
pouco esforo, ele a tinha feito sentir como Miss Texas e ela 
tinha saltado encantada a sua cama. Agora, enquanto rodeava 
uma rocha de mdio tamanho, recordou a si mesma que podia ser 
encantador, mas que tambm podia ser realmente repugnante. 

Uma vez que alcanaram a base da rocha ficaram a explorla. 
John deixou Lexie na areia e juntos examinaram a tpica 
variedade de vida marinha. O cu permanecia espaoso e o dia 
era formoso. 

Georgeanne observou John e Lexie juntos. Viu-os descobrir 
uma estrela do mar laranja e prpura, mexilhes e mais anmonas 
pegajosas. Viu como inclinavam suas escuras cabeas sobre um 
atoleiro deixado pela mar e tratou de ocultar a insegurana que 
sentiu. 

Perdeu-se  disse Lexie quando Georgeanne se agachou a 
seu lado no atoleiro. 

O que ?  perguntou. 

Lexie apontou para um pequeno peixe marrom e negro que 
nadava sob a superfcie da gua clara e fria. 

 um beb e sua mame o abandonou. 

Acredito que no  um beb  disse John. Acredito que 
 um peixe de menor tamanho. 

Lexie negou com a cabea. 


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No, John.  um beb, no v? 

Ento quando a mar suba outra vez sua mame vir e o 
recolher  Georgeanne assegurou a sua filha, antes que 
comeasse a se inquietar. Quando Lexie via qualquer criatura 
rf, ficava muito sensvel. 

No  negou com a cabea de novo e seu queixo comeou a 
tremer enquanto dizia: Seguro que sua mame tambm se 
perdeu. 

O fato de que Lexie vivesse sozinha com sua me e no 
conhecesse mais famlia que Mae, fazia que Georgeanne tivesse 
que controlar cuidadosamente os filmes que Lexie via para se 
assegurar que os personagens tinham pelo menos um pai ou uma 
me. Quando Lexie cumpriu os seis anos, Georgeanne deixou que 
a convencesse para ver Babe, o porquinho valente. Mero engano. 
Lexie tinha chorado durante uma semana. 

Sua me no se perdeu. Quando subir a mar, vir por ele. 

No, as mes no deixam seus bebs a menos que se 
percam. O peixe dourado no pode ir para casa. Apoiou a testa 
sobre o joelho. Ficou sozinho, sem sua mame. Fechou os 
olhos com fora e uma lgrima escorregou por seu nariz. 

Georgeanne olhou para John por cima da cabea inclinada de 
Lexie. Lhe devolveu o olhar com um brilho desesperado em seus 
olhos azul escuro. Estava claro que esperava que fosse ela quem 
fizesse algo. 

Estou segura que seu pai est nadando a fora para 
encontr-lo. 

Lexie no picou. 

Os papais no cuidam dos bebs. 

Claro que o fazem  disse John. Se eu fosse um papai 
peixe, deveria buscar meu beb. 

Girando a cabea, Lexie olhou para John durante uns 
momentos, pensando no que ele havia dito. 


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E estaria buscando-o at que o encontrasse? 

Claro. Olhou para Georgeanne, logo depois de novo a 
Lexie. Se soubesse que tenho um beb, no o abandonaria 
nunca. 

Lexie inalou pelo nariz e observou o atoleiro transparente. 

O que ocorre se morrer antes que suba a mar? 

Hum... John pegou o cubo de Lexie, atirou as conchas e 
pegou ao peixe diminuto. 

Aonde o leva?  perguntou Lexie enquanto os trs se 
levantavam. 

Vou levar a seu peixe dourado com seu pai disse, e se foi 
para a borda. Fique aqui com sua me. 

Georgeanne e Lexie subiram a uma rocha plaina para 
observar como John sulcava o fluxo. As suaves ondas se 
chocavam com suas coxas e ouviram a exclamao que lanou 
quando a gua fria lhe molhou a parte inferior das calas curtas. 
Olhou a seu redor e aps pensar um momento esvaziou o cubo no 
oceano. 

Acredita que o peixe dourado encontrou seu papai?  
perguntou Lexie com ansiedade. 

Georgeanne respondeu sem afastar os olhos do enorme 
homem que levava um pequeno cubo rosa. 

Estou segura que o fez. 

John caminhava para elas com um sorriso na cara. John 
Muro Kowalsky, o infame e enorme jogador de hquei, o heri 
de meninas e o salvador de peixes dourados, tinha conseguido 
subir na escala de Georgeanne e tinha passado de ser pior que 
ter o cabelo feito um desastre a ser agradvel. 

O encontrou?  Lexie desceu de um salto da rocha e caiu 
de joelhos. 

Sim, e pude ver quo contente estava de ver seu beb. 

Como soube que era seu papai? 


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John deu a Lexie o cubo e logo a segurou pela mozinha. 

Porque se parecem. 

Ah, sim. Ela inclinou a cabea. O que fez quando viu seu 
beb? 

Ele se deteve diante da rocha onde Georgeanne os aguardava 
e a olhou. 

Bom, deu um bom salto e logo se aproximou e nadou ao 
redor do peixe dourado s para se assegurar que estava bem. 

Eu tambm o vi faz-lo. 

John sorriu e seus olhos encheram de rugas. 

Seriamente? Se via bem daqui? 

Sim. Vou procurar a toalha porque estou congelando  
anunciou e olhou praia acima. 

Georgeanne escrutinou sua cara e imitou seu sorriso. 

Como se sente um ao ser um heri? perguntou. 

John a pegou pela cintura e a baixou com facilidade da rocha. 
Georgeanne se sustentou em seus ombros enquanto a depositava 
sobre a gua do mar. As ondas formavam redemoinhos em suas 
pernas e a brisa alvoroava seu cabelo. 

Sou seu heri?  perguntou John em um sussurro sedoso. 
Era perigoso. 

No. Ela deixou cair s mos aos flancos e deu um passo 
atrs. Era um homem grande e forte, mas era muito amvel e 
compassivo com Lexie. O que o convertia em algum mais 
perigoso que uma mancha de azeite na estrada e se no tomava 
cuidado, poderia fazer que se esquecesse do doloroso passado 
que tinham em comum. Eu no gosto, recorda? 

Certo. Seu sorriso lhe disse que no acreditava nem um 
pice. Recorda quando estivemos juntos na praia, em Copalis? 

Ela se voltou para a costa e divisou Lexie se abrigando na 
praia. 

O que quer que recorde? 


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Me disse que me odiava e olhe como acabamos.  
Caminharam atravs das ondas e a olhou de esguelha. 

Ento  bom que me encontre completamente resistvel. 

Ele deslizou o olhar por seus peitos e logo voltou o olhar para 
a costa. 

Sim,  bom. 

Quando os trs retornaram  casa, John insistiu em fazer o 
almoo. Sentaram-se  mesa do caramancho e comeram coquetel 
de camares, salada de frutas e po de pita cheio com salada de 
caranguejo. Enquanto ajudavam John a recolher, Georgeanne no 
pde evitar bisbilhotar em uma bolsa de comida que havia na 
esquina junto  secretria eletrnica. 

Devido s quatro horas que tinha passado no carro essa 
manh com Lexie e  ansiedade da viagem, Georgeanne estava 
exausta. Procurou uma espreguiadeira no terrao e se 
aconchegou com Lexie em seu colo. John se sentou em uma 
cadeira a seu lado e os trs ficaram a olhar o oceano, contentes 
com o mundo. No tinha que ir a nenhum lugar nem fazer 
nenhuma outra coisa. Georgeanne saboreou a tranqilidade que os 
rodeava, embora no podia dizer que o homem que se sentava a 
seu lado fosse uma companhia particularmente relaxante. John 
possua uma presena muito importante e, alm disso, tinham um 
passado comum doloroso que tentava por todos os meios no 
recordar, mas essa casa na costa maquiava muito bem os 
problemas que tinham em alguns momentos, sobretudo quando ele 
se empenhava em enfrentar-se a ela. 

Os sons relaxantes e a brisa suave e agradvel sossegaram 
Georgeanne at deix-la adormecida e quando despertou estava 
sozinha. Uma manta feita  mo cobria suas pernas. A afastou a 
um lado levantou e estirou os membros. A brisa lhe trazia as 
vozes da praia, se aproximou at o corrimo e se apoiou sobre a 
beira. John e Lexie no estavam na praia. Moveu a mo e uma 


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lasca afiada espetou a ponta do dedo. Doa-lhe, mas tinha uma 
preocupao mais premente. 

Georgeanne no acreditava que John levasse Lexie a nenhum 
lugar sem dizer a ela primeiro. Mas, por outro lado, no era o 
tipo de homem que pensasse que necessitava permisso. Bom, se 
John se largou com sua filha, ento Georgeanne tinha todo o 
direito a assassin-lo e que se considerasse um homicdio 
justificado. Mas ao final no teve que mat-lo. Encontrou aos 
dois no ginsio. 

John estava sentado em uma moderna bicicleta esttica, 
pedalando com um ritmo constante. Olhava para Lexie que estava 
sentada no cho com as mos apoiadas atrs e seu pequeno e sujo 
p direito descansando sobre o joelho dobrado. 

Por que vai to rpido?  perguntou Lexie. 

Faz que aumente minha resistncia  respondeu por cima 
do suave zumbido da roda dianteira. Ele ainda usava a camiseta 
de cor azeitona e durante um segundo eterno Georgeanne se 
permitiu contemplar a gosto as fortes pernas desfrutando do 
prazer de olhar para ele. 

O que  a resistncia? 

 o tempo que agento. O que um homem necessita para 
no ficar sem foras no gelo e poder chutar o traseiro dos 
jovenzinhos. 

Lexie conteve a respirao. 

Fez outra vez. 

O que? 

Disse um palavro. 

Fiz? 

Sim. 

Sinto muito. Terei que me esmerar mais. 

Isso  o que disse a ltima vez  se queixou Lexie do cho. 

Ele sorriu. 


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Farei melhor, treinadora. 

Lexie guardou silncio por um momento antes de dizer: 

Sabe o que? 

O que? 

Mame tem uma bicicleta como essa  apontou em direo 
ao John. Mas no a usa. 

A bicicleta de Georgeanne no era como a de John. No era 
to cara, embora Lexie estivesse certa, no a usava. De fato, 
nem tinha montado nela. 

Oua  disse, entrando na habitao, uso essa bicicleta 
todos os dias.  estupenda para pendurar as camisas. 

Lexie girou a cabea e sorriu. 

Estamos treinando. Eu fui primeiro e agora  o turno de 
John. 

John a olhou. Os pedais da bicicleta se detiveram, mas a roda 
seguiu girando. 

Sim. J vejo  disse ela, desejando ter escovado o cabelo 
antes de t-los encontrado. Estava segura de que dava medo. 
John no teria estado de acordo com ela. A encontrava 
adoravelmente desalinhada com as bochechas ruborizadas pelo 
sono. Sua voz foi um pouco mais rouca que o habitual. 

Como se sentiu com a soneca? 

No sabia que estava to cansada.  Penteou-se o cabelo 
com os dedos e sacudiu a cabea. 

Bom, manter o ritmo das ocorrncias desta pequena mente 
pode ser cansativo  disse John enquanto se perguntava se ela 
estava fazendo de propsito essas coisas com seu cabelo. 

Muito. Georgeanne se aproximou de Lexie e lhe estendeu 
a mo para ajud-la a ficar em p. Vamos ver se encontrarmos 
algo que fazer e deixamos que John terminasse. 

J acabei  disse enquanto se levantava. Ao faz-lo 
deslizou o olhar por seus peitos tentando no ficar olhando seu 


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decote como se fosse um aluno de secundria. No queria que o 
apanhasse olhando sem dissimulao seu corpo e pensasse que 
era algum tipo de pervertido bastardo. Era a me de sua filha e, 
embora no o tivesse dito, sabia que ela no tinha uma opinio 
muito elevada dele. Talvez merecesse sua baixa opinio ou talvez 
no. Na realidade, no pensava fazer bicicleta hoje, mas Lexie 
e eu estvamos nos aborrecendo um pouco enquanto espervamos 
que despertasse. Era o Centro de Beleza da Barbie ou fazer um 
pouco de exerccio na bicicleta. 

No posso te imaginar brincando com Barbies. 

Pois j somos dois.  John tinha um problema com suas 
boas intenes: a parte superior do Top que ela usava minava sua 
vontade. Era o mesmo que acontecia com Superman com a 
kriptonita. Lexie e eu pensamos em ir jantar ostras. 

Ostras?  Georgeanne centrou a ateno em Lexie. Voc 
no gostar das ostras. 

Claro que sim. John me disse que sim eu gostaria. 

Georgeanne no discutiu, mas uma hora mais tarde, sentados 
na marisquera, Lexie viu a foto das ostras no cardpio e enrugou 

o nariz. 
So asquerosas -disse. Quando a garonete chegou a sua 
mesa, Lexie lhe pediu um sanduche de queijo com po fresco, 
batatas fritas em prato  parte e molho de tomate Heinz. 

Logo a garonete centrou sua ateno em Georgeanne e John 
se acomodou para observar o poder do encanto sulino e do 
espetacular sorriso de Georgeanne. 

J sei que est muito ocupada, e sei por experincia que 
seu trabalho  muito ingrato e extremamente frentico, mas  
bvio que tem um bom corao, ento espero que no se 
incomode que faa algumas pequenas mudanas no menu  
comeou; sua voz exsudava compaixo pela mulher e por seu 
ingrato trabalho. Quando acabou, tinha pedido salmo e molho de 


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batatas e cebolinhas com manteiga e limo, e esse ltimo no 
estava no cardpio. Substituiu as batatas por arroz, sem 
manteiga, com apenas um pingo de sal e umas poucas cebolinhas. 
Pediu o melo em um prato  parte porque o melo nunca se devia 
servir quente. John meio esperava que a mulher mandasse 
Georgeanne ao inferno, mas no o fez. A garonete parecia 
totalmente feliz de poder mudar o cardpio de Georgeanne. 

Comparado com suas duas acompanhantes, o prato que John 
pediu foi extremamente fcil. Ostras com apenas meia concha. 
Nada extra. Nem prato  parte. Logo que a garonete se foi, ele 
olhou s duas garotas que estavam frente a ele. Ambas tinham 
vestidos soltos de vero. O de Georgeanne combinava com o 
verde de seus olhos. O de Lexie com sua sombra azul. Tentou no 
franzir o cenho, mas odiava ver sua filha com toda essa mistura. 
Era muito embaraoso e se sentia extremamente agradecido pela 
escurido da habitao. 

Vai comer isso de verdade?  perguntou Lexie quando 
chegou a comida. Se inclinou para frente, fascinada e enojada de 
uma vez. 

Sim. Levantou meia concha e a levou aos lbios. Mmm  
disse, sugando a ostra com os lbios para trag-la. 

Lexie lanou um chiado de repulso, inclusive Georgeanne 
parecia um pouco enojada quando voltou a centrar a ateno no 
salmo com molho de batatas e cebolinhas com manteiga e limo. 

O resto do jantar resultou muito bem. Conversaram com 
menos tenso da que estavam acostumados, mas a tranqilidade 
da noite acabou quando a garonete colocou a conta ao lado dele. 
Georgeanne tentou peg-la, mas ele a deteve com a mo. Seus 
olhos se encontraram por cima da mesa e John se deu conta que 
Georgeanne parecia uma mulher disposta a se arregaar e lutar 
pela nota. 

Eu pagarei  disse John. No quero discutir  avisou, 


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apertando a mo dela. No era rival para ele, embora quisesse. 

Em vez de se opor, o deixou ganhar, mas seu gesto lhe 
indicou que continuaria a discusso quando estivessem sozinhos. 

De caminho a casa, Lexie ficou adormecida no assento 
traseiro do Range Rover. John a levou nos braos at a casa, 
sentindo seu flego quente contra a lateral do pescoo. Teria 
gostado de sustent-la mais tempo, mas no o fez. Teria gostado 
de ficar enquanto Georgeanne a metia na cama, mas se sentia 
desconjurado e partiu. 

Georgeanne viu John sair enquanto tirava os sapatos de 
Lexie. Ps-lhe o pijama e a deitou. Logo se foi em busca de John. 
Queria lhe perguntar se tinha pinas para tirar a farpa do dedo 
e tinha que falar com ele sobre o dinheiro que estava gastando 
com elas. Queria que deixasse de faz-lo. Podia pagar seus 
gastos. E tambm podia pagar os de Lexie. 

Encontrou John de p ao lado da janela, olhando fixamente o 
oceano. Tinha as mos metidas nos bolsos dianteiros dos jeans e 
a camisa jeans arregaada at os cotovelos. O sol do poente o 
iluminava com um resplendor gneo, o fazendo parecer maior 
ainda. Quando entrou na sala, John girou para ela. 

Preciso falar com voc sobre uma coisa  disse caminhando 
para ele, preparada para discutir. 

Sei o que vai me dizer, relaxa esse cenho de seu precioso 
rosto. Pode pagar na prxima vez. 

Ah.  se deteve diante dele. Tinha ganho sem nem sequer 
ter comeado e se sentiu desinflada. Como sabia que queria 
falar disso? 

Esteves me olhando de m maneira desde que a garonete 
colocou a conta junto a meu prato. Durante uns momentos 
inclusive pensei que foste saltar por cima da mesa para brigar 
comigo pela conta. 

No podia negar que o tinha pensado durante alguns 


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momentos. 

Jamais brigaria em pblico. 

Me alegra ouvi-lo.  luz cinzenta do anoitecer viu curvar 
ligeiramente as comissuras dos lbios. Porque poderia gostar. 

Hum  disse pouco disposta a lhe seguir o jogo. Tem 
umas pinas? 

Para que? Para depilar as sobrancelhas? 

No. Uma lasca me furou. 

John entrou na cozinha e acendeu a luz de cima da mesa. 

Me deixe ver. 

Georgeanne se afastou. 

No  grande coisa. 

Me deixe ver  repetiu. 

Com um suspiro se deu por vencida e entrou na cozinha. 
Estendeu a mo e lhe mostrou o dedo do meio. 

No  to mau como parece  anunciou. 

Ela se apoiou mais perto para ver melhor; suas testas quase 
se tocavam. 

 enorme. 

Com o cenho franzido lhe disse: 

Espera um momento. Saiu da cozinha e retornou com 
umas pinas. Sente-se. 

Eu posso faz-lo. 

Sei que pode. Tirou uma cadeira de debaixo da mesa e se 
sentou relaxado. Mas eu posso fazer com mais facilidade 
porque posso usar as duas mos. Colocou os antebraos na 
beira do respaldo e mostrou a outra cadeira. Prometo que no a 
machucarei. 

Com cautela tomou assento e estendeu a mo para ele, 
mantendo de propsito a distncia de um brao entre eles. John 
cortou a distncia aproximando a cadeira at que os joelhos de 


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Georgeanne tocaram o respaldo da cadeira de John. To perto 
estava que ela teve que apertar as pernas para que no roassem 

o interior das coxas dele. Ela se reclinou tudo o que pde quando 
ele colocou a mo dela sobre sua palma e lhe apertou a ponta do 
dedo. 
Ai. Tratou de se liberar, mas ele a pegou mais forte. 

Olhou-a. 

 impossvel que tenha dodo, Georgie. 

Sim di! 

Ele no discutiu, mas tampouco a soltou. Baixou o olhar e 
continuou escavando na pele com as pinas. 

Ai. 

De novo ele levantou a vista e a olhou por cima das mos. 

Chorona. 

Imbecil. 

Ele riu e meneou a cabea. 

Se deixasse de se comportar como uma bonequinha, isto 
seria mais fcil. 

Uma bonequinha? Como se comportam as bonequinhas? 

Se olhe no espelho. 

Pois sim que lhe esclarecia muito. Ela tentou liberar a mo 
outra vez. 

Relaxe  disse John enquanto continuava trabalhando na 
lasca. Parece como se estivesse a ponto de saltar da cadeira. 
Que acredita que vou fazer? Te apunhalar com as pinas? 

No. 

Ento relaxe, est quase fora. 

Relaxar?. Ele estava to perto que invadia seu espao. S 

estava John com sua calosa palma cavada sob sua mo e a cabea 
escura inclinada sobre a ponta de seus dedos. Estava to perto 
que podia sentir o calor de suas coxas atravs dos jeans e o fino 
algodo de seu vestido cor kiwi. John tinha uma presena to 


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manifesta que relaxar com ele to perto era impossvel. 
Georgeanne levantou a vista e olhou a sala de estar. Ernie e seu 
grande peixe azul lhe devolveram o olhar. As lembranas que 
tinha do av de John incluam um agradvel cavalheiro velho. Se 
perguntou o que seria dele agora e o que pensaria quando se 
inteirasse da existncia de Lexie. Decidiu perguntar. 

Ele no a olhou, s deu de ombros e lhe disse: 

Ainda no disse nada nem a meu av nem a minha me. 

Georgeanne ficou surpreendida. Sete anos atrs tinha 
pensado que John e Ernie estavam muito unidos. 

Por qu? 

Porque no fazem mais que me encher para que me case 
outra vez e forme uma famlia. Quando se inteirem da existncia 
de Lexie, sairo disparados para Seattle mais rpidos que um 
galgo. Quero ter tempo para conhecer Lexie antes que seja 
abordada por minha famlia. Alm disso, concordamos esperar 
para dizer a ela, recorda? E com minha me e Ernie rondando a 
seu redor, Lexie poderia se sentir incomoda. 

Casar outra vez?. Georgeanne no tinha ouvido nada do que 
ele tinha dito depois de pronunciar essas duas palavras. 

Esteve casado? 

Sim. 

Quando? 

Soltou-lhe a mo e deixou as pinas sobre a mesa. 

Antes de me encontrar com voc. 

Georgeanne olhou o dedo, a lasca j no estava. Se perguntou 
a qual dos dois encontros se referiria. 

A primeira vez? 

s duas vezes. John se apoiou no respaldo da cadeira, se 
reclinou e franziu o cenho um pouco. 

Georgeanne se sentiu confundida. 

s duas vezes? 


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Sim. Mas acredito que o segundo casamento no deveria 
contar. 

Ela seguia sem entender. Involuntariamente arqueou as 
sobrancelhas e abriu a boca. 

Casou duas vezes? Sustentou em alto dois dedos. 
Duas vezes? 

John franziu o cenho e apertou os lbios at formar uma 
linha reta. 

Duas no so tantas. 

Para Georgeanne, que no se casou nunca, duas soava a muito. 

Como lhe disse, o segundo no conta. S estive casado o 
tempo que demorei para me divorciar. 

Caramba, nem sequer sabia que tinha estado casado. 

Comeou a se perguntar sobre as duas mulheres que se 
casaram com John, o pai de sua filha. O homem que tinha 
quebrado seu corao. E como no podia partir sem saber, 
perguntou: 

Onde esto agora? 

Minha primeira esposa, Linda, morreu. 

Sinto muito  disse Georgeanne quedamente. Como 
morreu? 

Ele cravou os olhos nela durante um longo momento. 

S morreu  disse, dando por resolvido o tema. 

E no sei onde est DeeDee Delight. Estava muito bbado 
quando me casei com ela. E suponho que tambm quando me 
divorciei. 

DeeDee Delight?. Ela cravou os olhos nele, totalmente 
perdida. DeeDee Delight?. Tinha que perguntar. Simplesmente 
no podia deixar passar. 

DeeDee era uma... uma... uma artista? 

Era bailarina de strip-tease  disse John fracamente. 

Embora Georgeanne tivesse adivinhado, causou-lhe uma 


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enorme impresso ouvir John confessar que na realidade se 

casou com uma bailarina de strip-tease. Era muito chocante. 

Srio! E como era? 

No lembro dela. 

Ah  disse ela, com a curiosidade insatisfeita. Nunca 
estive casada, mas acredito que recordaria. Devia estar muito 
bbado. 

J disse que estava. Estalou a lngua exasperado . Mas 
no se preocupe por Lexie. J no bebo. 

 alcolatra?  inquiriu, a pergunta lhe escapou antes que 
a pensasse melhor. Sinto muito. No tem por que me 
responder. 

No importa. Provavelmente seja  respondeu com mais 
franqueza da que teria suposto. Nunca fui a Betty Ford, mas 
bebia muito e tinha a cabea cheia de merda. Estava fora de 
controle. 

Te custou deix-lo? 

Ele deu de ombros. 

No foi fcil, mas por meu bem-estar fsico e mental 
renunciei a algumas coisas. 

Como quais? 

Ele sorriu abertamente. 

Ao lcool, s mulheres fteis e a Macarena. Ele se 
adiantou e pendurou as mos sobre o respaldo da cadeira. 
Agora que conhece meus segredos de famlia me responda a umas 
perguntas. 

A quais? 

Faz sete anos quando comprei sua passagem para casa, 
acreditava que estava em nmeros vermelhos. Como sobreviveu? 
Como pde pr um negcio? 

Tive muita sorte  fez uma pausa um momento antes de 
acrescentar, respondi a um anncio de jornal do Catering 


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Heron. Logo, porque ele tinha sido to sincero com ela e porque 
nada que j tivesse feito podia se comparar a se casar com uma 
stripper, acrescentou um pequeno detalhe que ningum mais 
conhecia, salvo Mae. E possua um diamante que vendi por dez 
mil dlares. 

Ele no se surpreendeu. 

De Virgil? 

Virgil me deu isso de presente. Era meu. 

Um sorriso lento, que podia significar algo, curvou os lbios 
de John. 

No quis que o devolvesse? 

Georgeanne cruzou os braos e inclinou a cabea. 

Claro que queria e eu o ia devolver, mas ele doou toda 
minha roupa ao Exrcito de Salvao. 

V. Como  que tinha sua roupa? 

Quando fugi do casamento, deixei tudo ali menos minha 
ncessaire. Tudo o que ficava era esse estpido vestido rosa. 

Sim. Lembro aquele vestido. 

Quando o chamei para perguntar por minha roupa, no quis 
falar comigo. Disse a sua governanta que deixasse o anel nos 
escritrios porque ia viajar com sua secretria. A governanta 
tampouco foi muito amvel digamos, mas pelo menos me disse o 
que tinha feito com minhas coisas. Georgeanne no estava 
especialmente orgulhosa de ter vendido o anel, mas Virgil tinha 
tido a culpa. 

Tinha que voltar a comprar todas minhas roupas a quatro 
ou cinco dlares o lote e no tinha dinheiro. 

Ento vendeu o anel. 

A um joalheiro que se sentiu extremamente feliz de 
comprar pela metade de preo. Quando conheci Mae, seu negcio 
de catering no estava muito bem. Dei a ela um monto de 
dinheiro que consegui pelo anel para pagar algumas dvidas. Esse 


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dinheiro ajudou, mas cheguei at onde estou com meu trabalho. 

No e estava te julgando, Georgie. 

No tinha se dado conta que soasse to  defensiva. 

Talvez algumas pessoas o fizessem se soubessem a 
verdade. 

A diverso brilhou em seus olhos. 

Como vou te julgar? Jesus, me casei com DeeDee Delight. 

Certo. Georgeanne riu como quando Rhett Butler contava 
suas travessuras a Scarlett Ou'Hara.Virgil sabe algo de Lexie? 

No. Ainda no. 

Que acredita que far quando descobrir? 

Virgil  um homem de negcios muito preparado e eu sou 
seu jogador mais valioso. No acredito que faa nada. Passaram 
sete anos e, de qualquer maneira,  gua passada.  obvio, no 
acredito que v ficar saltando de alegria quando souber da 
existncia de Lexie, mas trabalhamos bastante bem juntos. Alm 
disso, agora est casado e parece feliz. 

Claro, sabia que se casou. Os jornais locais tinham escrito a 
crnica de seu casamento com Caroline Foster Duffy, diretora 
do Museu de Arte de Seattle. Georgeanne esperava que John 
estivesse certo e que Virgil fosse feliz. No lhe guardava rancor. 

Me responda outra coisa. 

No. Respondi a sua pergunta, agora  minha vez. 

John negou com a cabea. 

Te contei sobre DeeDee e minha dependncia do lcool. 
So dois segredos. Ento me deve uma mais. 

Certo. O que? 

O dia que trouxe as fotos de Lexie a minha casa flutuante 
mencionou que se sentia aliviada que ela fosse bem na escola. O 
que quis dizer? Ela no queria falar de sua dislexia com John 
Kowalsky.  por que pensa que sou um esportista estpido?  
perguntou, se apoiando sobre o respaldo da cadeira. 


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Sua pergunta a surpreendeu. Aparentava estar acalmado e 
frio como se sua resposta no tivesse importncia. Mas 
pressentiu que lhe importava mais do que ele queria que 
soubesse. 

Sinto ter te chamado estpido. Sei o que  ser julgado 
pelas aparncias. 

Muita gente tinha dislexia, recordou a si mesma, mas saber 
que pessoas famosas como Cher, Tom Cruise ou Einstein tambm 
a tinham no a punha mais fcil na hora de revelar isso a um 
homem como John. 

Minha preocupao por Lexie no tinha nada a ver com 
voc. Quando era menina, no ia bem na escola. As letras e os 
nmeros me davam muitos problemas. 

Exceto pela leve ruga que apareceu entre suas sobrancelhas, 
ele permaneceu inexpressivo. No disse nada. 

Mas deveria ter me visto na escola para senhoritas  
continuou, se esforando por manter o tom superficial de sua voz 
e tentando lhe arrancar um sorriso. Fui a pior bailarina do 
curso, mas me destaquei em maneiras. De fato, fui a primeira da 
classe. 

Ele sacudiu a cabea e a ruga desapareceu. 

No duvido nem por um segundo. 

Georgeanne riu e baixou um pouco a guarda. 

Enquanto outras meninas aprendiam de cor a tabuada de 
multiplicar, estudei como pr a mesa. Sei as posies corretas 
para tudo, desde garfos para camares a pia. Enquanto as 
garotas liam Nancy Drew, eu lia sobre faqueiro. No tenho 
nenhum problema em distinguir entre o faqueiro do almoo e o do 
jantar, mas palavras como os e sol, ou nos e so, ainda 
me do pnico. 

John entrecerrou os olhos. 

 dislxica? 


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Georgeanne se endireitou. 

Sim. Sabia que no deveria sentir vergonha. Mesmo assim 
acrescentou: Mas aprendi a lhe fazer frente. As pessoas do 
por obvio que algum que tem dislexia no pode ler. Mas no  
certo. Aprendemos de maneira diferente. Leio e escrevo como a 
maioria das pessoas, embora a matemtica nunca foi meu forte. 
Ser dislxica no me incomoda muito. 

Cravou os olhos nela um momento, logo disse: 

Mas a incomodou quando era menina. 

Claro. 

Fizeram-lhe provas? 

Sim. No quarto ano uma espcie de mdico me examinou. 
Embora no o recordo muito bem.  Ela jogou para trs a 
cadeira e ficou de p, sentindo como crescia o ressentimento em 
seu interior. Para John por for-la a explicar seu problema 
como se fosse assunto dele. E tambm sentiu a velha amargura 
para o doutor que tinha transtornado sua jovem vida. Disse a 
minha av que tinha uma disfuno no crebro, no  que 
estivesse equivocado de tudo, mas era um trmino bastante rude 
e generalizado. Nos anos setenta, a dislexia, era igual ao atraso 
mental, se considerava uma disfuno do crebro. Deu de 
ombros como se na realidade no tivesse importncia e soltou 
uma risada forada. O doutor disse que nunca seria muito 
esperta. Ento cresci me sentindo atrasada e um pouco perdida. 

John se levantou lentamente e deslocou a cadeira para trs. 
Voltou a entrecerrar os olhos. 

Ningum nunca disse a esse mdico de merda que fosse a 
merda sua me? 

Eu... eu... gaguejou Georgeanne surpreendida por sua 
clera. No posso imaginar a minha av usando essa palavra 
com o J. Era Baptista. 

No te levou a outro mdico? A qualquer outra parte? A 


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outro especialista? No fez nenhuma outra consulta mais? 

No. Me matriculou em uma escola para senhoritas, 
pensou. 

Por que no? 

No acredito que pensasse que se pudesse fazer mais. 
Eram meados dos setenta e no existia tanta informao como 
agora. Mas ainda hoje, nos anos noventa, algumas vezes ainda 
diagnosticam mal alguns meninos. 

Bom, isso no deveria ocorrer. O olhar de John vagou por 
seu rosto, logo voltou a olhar aos olhos. 

Ele ainda tinha cara de desgosto, mas no lhe ocorria 
nenhuma razo pela que ele pudesse lhe importar. Esta era uma 
faceta de John que jamais tinha visto. Uma faceta compassiva. 
Esse homem que tinha diante, o homem que se parecia com John, 
a confundia. 

Deveria ir agora  cama  disse em voz baixa. 

Ele abriu sua boca para dizer algo, logo a fechou outra vez. 

Doces sonhos  disse finalmente, e ela partiu. 

Mas Georgeanne no sonhou com os anjinhos. No sonhou com 
nada. Ficou na cama, com o olhar fixo no teto e escutando a 
respirao regular de Lexie na cama do lado. Permaneceu 
acordada, pensando na fera reao de John. Cada vez se sentia 
mais confundida. 

Pensou nas esposas de John, sobretudo em Linda. Depois de 
tantos anos, ele ainda no se resignava a falar de sua morte. 
Georgeanne se perguntou que tipo de mulher podia ter inspirado 
tal amor em um homem como John. E se perguntou se haveria 
alguma mulher em algum lugar que pudesse ocupar o lugar de 
Linda no corao do esportista. 

Ao pensar nisso se deu conta que a verdade era que esperava 
que no passasse. No lhe agradavam absolutamente esses 
sentimentos, mas no podia neg-los. No queria que John 


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encontrasse a felicidade com alguma mulher fraca. Queria que se 
arrependesse do dia em que se desfez dela em Sa-tac. Queria 
que se arrependesse o resto de sua vida. No  que queria estar 
outra vez com ele porque, claro est, ela nem sequer 
consideraria essa opo. S queria que sofresse. Possivelmente 
ento, quando tivesse sofrido o suficiente, o perdoasse por ser 
um imbecil insensvel e ter quebrado seu corao. 

Possivelmente. 

Captulo 13 

Georgeanne teve que escolher entre andar de bicicleta pela 
areia, ir aos carros de choque ou patinar ao longo do passeio 
martimo. Nenhuma das trs alternativas a emocionavam muito; 
de fato, todas se aproximavam da idia que tinha do inferno, mas 
como tinha que escolher uma, ou aceitar a escolha de Lexie de ir 
aos carros de choque, escolheu patinar. No o escolheu porque 
gostasse. E mais, a ltima vez que o provou tinha sofrido uma 
queda to dura que teve que conter as lgrimas. Sentou em um 
banco enquanto os meninos pequenos passavam velozmente por 
seu lado, vendo luzes e com o bumbum doendo de tal maneira que 
teve que recorrer a toda sua fora de vontade para no o 
esfregar com as mos. A experincia com os patins seguia to 
viva em sua mente que os carros de choque quase tinham ganhado 
apesar do risco de sofrer golpes, mas ento tinha visto o passeio 
martimo que se estendia ao longo da praia ao longo do oceano 
com uma mureta de pedra de quase um metro. Os bancos de 
pedra apanharam seu olhar imediatamente ajudando a inclinar a 
balana. 

Nesse momento se encontrava ali sentada com a brisa do 


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oceano balanando seus cabelos; Georgeanne suspirou feliz. 
Estirou o brao por cima do respaldo do banco de pedra e cruzou 
as pernas; balanou o patim esquerdo de um lado a outro como a 
mar do oceano a umas centenas de metros dali. Pensou que era 
provvel que parecesse um pouco estranha, ali sentada com sua 
blusa branca sem mangas de seda e renda, a difana saia prpura 
e os patins alugados. Mas preferia parecer estranha, que patinar 
e cair de bumbum. 

Se contentava estando sentada onde estava e ver como John 
ensinava Lexie a patinar. Quando estavam em casa, Lexie fazia 
rodar pelo bairro seus patins da Barbie, mas para lhe ensinar a 
patinar com uns com as rodas em linha precisava prtica e 
Georgeanne estava encantada que houvesse algum melhor 
preparado que ela para faz-lo. Tambm estava um pouco 
surpreendida de descobrir que em lugar de se sentir apartada, 
tinha se sentido liberada de um dever to arriscado. 

A princpio, os tornozelos de Lexie se cambalearam um pouco, 
mas John a situou diante dele, a pegou pelos braos e colocou 
seus patins junto aos de Lexie. Logo ele se impulsionou e os dois 
comearam a se mover. Georgeanne no podia ouvir o que dizia a 
Lexie, mas observou como sua filha inclinava a cabea e movia os 
ps ao mesmo tempo em que John. 

Com a altura acrescentada das rodas, John se via enorme. A 
cabea de Lexie mal alcanava a cintura das calas jeans curtas 
nas que tinha remetido uma camiseta Bad Dog. Lexie, com sua 
camiseta fcsia com a imagem de um gatinho, parecia muito 
pequena e delicada patinando entre os grandes ps de seu pai. 

Georgeanne os observou patinar, logo voltou o olhar aos 
turistas que passeavam pelo passeio martimo. Um jovem casal 
caminhava sem pressa empurrando um carrinho de criana e 
Georgeanne se perguntou como fazia freqentemente como seria 
ter um marido, como seria formar parte da famlia tpica. 


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Embora estivesse contente com a sua no podia evitar se 
perguntar como seria poder compartilhar as preocupaes com 
um homem. Pensou em Charles e sentiu remorsos na conscincia. 
Tinha comentado com eles seus planos de passar as frias em 
Cannon Beach, mas tinha omitido um detalhe importante. Tinha 
omitido John. Charles inclusive tinha ligado na noite antes de sair 
para lhe desejar uma boa viagem. Poderia ter explicado tudo 
nesse momento, mas no o fez. J diria em outra ocasio. Charles 
no gostava muito de John e no podia culpa-lo. 

Um bando de gaivotas passaram chiando por cima dela, 
fazendo que deixasse de pensar em Charles e observasse vrias 
crianas que jogavam po do meio-fio da mureta do passeio 
martimo para a praia. Georgeanne observou as aves e aos 
meninos durante um momento antes de voltar a prestar ateno 
a John e Lexie. John patinava de costas a ela e se permitiu 
deslizar o olhar por suas panturrilhas musculosas, os joelhos e as 
duras coxas at a carteira que formava um vulto no bolso 
traseiro. Logo ele cruzou um p sobre o outro e, de repente, 
comeou a patinar para frente, ao lado de Lexie. Georgeanne 
olhou a sua filha e riu. As pestanas de Lexie lhe ocultavam os 
olhos e sua cara mostrava quo concentrada estava no que John 
lhe dizia. Os dois giraram lentamente e passaram a seu lado. 
John a buscou com o olhar. Georgeanne baixou a vista quando ele 
a olhou e se assombrou interiormente de quanto se pareciam pai 
e filha. Sempre tinha pensado que Lexie se parecia mais a John 
que a ela, mas com os dois mostrando essa expresso de 
concentrao, as similitudes eram assombrosas. 

Acreditava que voc tambm foste patinar  recordou ele. 

Isso  o que havia dito e ele tinha acreditado. 

Ah, e o vou fazer  mentiu. 

Ento vem aqui  indicou com um gesto da cabea. 

Preciso praticar um pouco mais. Sigam sem mim. 


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Lexie levantou o olhar dos ps. 

Olhe, mame, olhe bem o que fao agora. 

Sim, j o vejo, carinho. Logo que giraram de novo, 
Georgeanne seguiu observando s pessoas que passavam. 
Esperava que quando voltassem a passar pela frente dela, John e 
Lexie j teriam cansado da patinao e os trs pudessem ir 
comprar presentes. 

Mas suas esperanas se esfumaram quando Lexie passou 
rodando como se tivesse nascido com rodas nos ps. 

No v muito longe  disse John a Lexie e tomou assento 
ao lado de Georgeanne no banco de pedra.  muito boa para a 
idade que tem  disse e logo sorriu, era bvio que se sentia 
orgulhoso de si mesmo. 

Sempre aprendeu muito rpido. Caminhou uma semana 
antes de cumprir os nove meses. 

Ele olhou os prprios ps. 

Acredito que eu tambm. 

Srio? Me preocupava que as pernas dela arqueassem por 
andar to cedo, mas no houve maneira de det-la. Alm disso, 
Mae me disse que todas essas coisas das pernas arqueadas eram 
contos de velhas. 

Guardaram silncio uns momentos enquanto observavam a sua 
filha. Caiu sobre o traseiro, levantou e seguiu de novo. 

Caramba, isso sim que  a primeira vez que o vejo  disse 
ela, assombrada que Lexie no retornasse junto a ela com 
grandes lgrimas nos olhos. 

O que? 

Que no fique a chorar pedindo tirinha. 

Me disse que hoje ia se comportar como uma garota adulta. 

Hum. Georgeanne entrecerrou os olhos e olhou a sua 
filha. Possivelmente Mae tinha razo. Possivelmente Lexie era 
mais contista do que Georgeanne acreditava. 


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John a pegou pelo cotovelo nu. 

Est preparada? 

Para que? perguntou, embora tivesse o mau 
pressentimento que conhecia a resposta. 

Para patinar. 

Ela descruzou as pernas e girou no banco para ele. O roou 
com o joelho atravs do tecido fino de sua saia. 

John, vou ser honesta com voc. Odeio patinar. 

Ento por que quis patinar? 

Por este banco. Pensava ficar aqui e olhar vocs. 

Ele se levantou e lhe estendeu a mo. 

Vamos. 

O olhar de Georgeanne subiu da palma aberta da mo de 
John at seu brao. Logo o olhou  cara e negou com a cabea. 

Ele respondeu emitindo um cacarejo. 

Isso  muito infantil.  Georgeanne ps os olhos em 
branco. Pode me alinhar e me servir em bandeja, mas no 
patino. 

John riu e apareceram umas rugas nos cantos desses olhos 
azuis. 

Como prometi me levar o melhor possvel, no farei nenhum 
comentrio sobre como eu gostaria de te alinhar. 

Obrigado. 

Venha Georgie, a ajudarei. 

Necessito mais ajuda da que voc me possa dar. 

Cinco minutos. Em cinco minutos te prometo que patinar 
como uma profissional. 

No, obrigado. 

No pode ficar aqui sentada, Georgie. 

Por que no? 

Porque se aborrecer  logo ele deu de ombros e 
acrescentou: e porque Lexie se preocupar com voc. 


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Lexie no se preocupar comigo. 

Claro que o far. Me disse que no queria que estivesse 
sentada aqui sozinha. 

John estava mentindo. Como qualquer menino de seis anos, 
Lexie era basicamente egocntrica e s se recordava de sua me 
quando queria algo. 

Se for com voc cinco minutos logo deixar que me sente 
no banco sem me incomodar mais? perguntou, esperando que 
ele prometesse. 

Prometo, e de passagem te prometo tambm que no a 
deixarei cair. 

Georgeanne suspirou com resignao, colocando uma mo 
sobre a sua e a outra sobre a parede de pedra. 

No sou muito boa esportista  advertiu enquanto se 
levantava com cuidado. 

Bom, tem talento para outras coisas. 

Ela estava a ponto de lhe perguntar o que queria dizer, mas 
ele aproveitou para se colocar atrs dela plantando suas fortes 
mos nos seus quadris. 

Alm de um bom par de patins  disse ao ouvido 
esquerdo, o mais importante  o equilbrio. 

Georgeanne sentiu que o flego de John lhe fazia ccegas na 
pele do pescoo. 

Onde ponho as mos?  perguntou ela. 

John demorou tanto em responder que ela chegou a pensar 
que no o ia fazer. Ento, quando estava a ponto de abrir a boca 
para repetir a pergunta, ele disse: 

Onde queira. 

Ela fechou os punhos e deixou cair as mos aos flancos. 

Tem que relaxar  disse enquanto baixavam rodando 
lentamente pelo passeio martimo. Parece uma esttua com 
rodas. 


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No posso remediar isso. As costas dela se chocaram 
contra o peito de John e as mos masculinas rodearam seus 
quadris com fora. 

Asseguro que pode. S tem que dobrar os joelhos um pouco 
e equilibrar o peso sobre os ps. Logo te impulsiona com o p 
direito. 

No passaram j os cinco minutos? 

No. 

Eu vou cair. 

No a deixarei cair. 

Georgeanne olhou com rapidez o passeio martimo, divisando 
Lexie a uma curta distncia, logo baixou o olhar aos patins. 

Est seguro?  perguntou uma ltima vez. 

 obvio. Fao isto para ganhar a vida. Recorda? 

De acordo.  Com muito cuidado dobrou os joelhos 
ligeiramente. 

Certo. Agora d um pequeno impulso  a instruiu, mas 
quando o fez seus ps comearam a deslizar para frente. O 
antebrao de John se fechou ao redor de sua cintura e sua outra 
mo a pegou para evitar que casse. Ela se encontrou apertada 
contra seu peito e ficou sem flego. Se perguntou se ele sabia o 
que tinha agarrado. 

No havia dvida de que John sabia. Embora tivesse sido 
cego, teria sabido que tinha agarrado um dos peitos grandes e 
suaves de Georgeanne. Em um segundo, o autocontrole de John 
se fez pedacinhos por completo. At esse momento, tinha 
dirigido razoavelmente bem a reao de seu corpo ante o dela. 
Mas agora, pela primeira vez desde que a tinha visto no terrao 
no dia anterior pela manh, perdeu totalmente o controle. 

Est bem? Ele manobrou e com suavidade apartou a mo 
de seu peito. 

Sim. 


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Repetiu-se que estar junto a Georgeanne no seria um 
problema. Que poderia passar perfeitamente cinco dias com ela. 
Se equivocou. Deveria t-la deixado sentado no banco. 

No tinha inteno de te agarrar seu... seu, ah... O 
traseiro de Georgeanne se apertou contra sua virilha e, por um 
instante, a luxria o atravessou como uma bola de fogo. 
Aproximou a cara de seu cabelo. Merda, pensou, se 
perguntando se a pele de seu pescoo teria um gosto to bom 
como parecia. John fechou os olhos e se permitiu sonhar 
enquanto aspirava o aroma de seu cabelo. 

Acredito que agora sim passaram os cinco minutos. 

A prudncia retornou e ele moveu as mos  cintura deixando 
vrios centmetros de separao entre eles, tratando de ignorar 

o desejo que pulsava em seu ventre. Disse-se que se envolver 
sexualmente com Georgeanne no era uma boa idia. Mas era 
muito tarde, seu corpo j no fazia caso a ele. 
Desde que a tinha visto no dia anterior na praia com o top e 
as calas curtas tinha tido que se recordar vrias vezes que 
devia ignorar suas longas pernas e seu profundo decote. E, 
embora tivesse pensado que nunca teria que faz-lo, teve que 
recordar a si mesmo quem era ela e o que lhe tinha feito. Mas 
depois da noite anterior, tudo isso parecia no importar. 

A noite anterior tinha visto alm dessa bela cara e esse 
maravilhoso corpo. Tinha visto a dor que tinha tratado de 
esconder com risadas e sorrisos. Tinha lhe falado sobre maneiras 
e dislexia, sobre faqueiros de prata e como tinha crescido 
pensando que era atrasada e se sentindo perdida. Tinha contado 
tudo como se no tivesse importncia. Mas tinha. Para ela e para 
ele. 

A noite anterior tinha olhado atrs desses olhos verdes e 
esses grandes seios e tinha visto uma mulher que merecia 
respeito. Era a me de sua filha. Mas tambm era a protagonista 


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de suas fantasias mais descabeladas e seus sonhos mais erticos. 

A ajudarei a voltar para o banco.  A conduziu at a 
mureta de pedra. 

Tentou pensar nela como na irm mais nova de seu melhor 
amigo, mas pensar nela como a irm mais nova de seu melhor 
amigo no funcionou. Ento decidiu pensar nela como se fosse sua 
irm, mas algumas horas depois, aps percorrer as lojas de 
presentes e os suporte, deixou de pensar nela como sua irm. 
No funcionava. Assim simplesmente deixou de pensar nela e se 
concentrou em sua filha. Lexie e seu constante falatrio lhe 
proporcionaram a distrao que necessitava. Funcionou  
perfeio como um pequeno jarro de gua fria, e todas suas 
perguntas impediram que pensasse em Georgeanne deitada em 
sua cama. 

Quando olhava aos olhos de Lexie, via sua excitao e sua 
inocncia, e se maravilhou de ter ajudado a criar uma pessoinha 
to perfeita. Quando a agarrava e a punha sobre os ombros, seu 
corao ou se detinha ou pulsava com fora contra o peito. E 
quando ela ria, sabia que algo valia a pena. T-la com ele bem 
merecia o inferno de desejar a sua me. 

Durante o passeio de volta a casa, ele se entreteve com o 
som da voz de Lexie cantando a pleno pulmo. Escutou 
pacientemente as mesmas piadas absurdas que lhe tinha contado 
duas semanas atrs e quando chegaram a casa, o recompensou 
indo  banheira. Ele tinha escutado suas canes, rido de suas 
piadas e ela, sua pequena distrao, o abandonava por uma 
banheira cheia de gua e uma boneca Skipper. 

John pegou um exemplar do Hquei News e sentou  mesa da 
cozinha. Procurou com o olhar a coluna de Mike Brophy, mas no 
pde lhe dedicar sua completa ateno. Georgeanne estava 
diante da bancada da cozinha picando verduras em pedacinhos. 
Tinha o cabelo solto e os ps nus. Ele passou a um artigo de trs 


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pginas de Mario Lemieux. Gostava de Mario. O respeitava, mas 
nesse momento no podia se concentrar em nada mais que no 
chaschaschs da faca de Georgeanne. 

Finalmente se deu por vencido e apartou o olhar da foto de 
Lemieux varrendo a seus rivais da pista. 

O que faz? perguntou. 

Ela o olhou por cima do ombro, deixou a faca sobre a bancada 
e se voltou. 

Pensava fazer salada para acompanhar as caudas de 
lagosta. 

Ele fechou a revista e se levantou. 

No quero salada. 

Ah, ento o que quer? 

Ele deslizou o olhar desde seus olhos verdes a sua boca. 
Algo realmente pecaminoso, pensou. Ela tinha colocado brilho 
rosa nos lbios e os tinha perfilado com uma linha mais escura. 
Ele baixou o olhar desde sua garganta aos seios e logo at os ps. 
John nunca tinha considerado os ps algo particularmente sexy. 
Na realidade nunca tinha pensado muito sobre eles, mas o fino 
anel de ouro que levava no terceiro dedo do p lhe provocava 
coisas nas vsceras. Recordava a uma garota de harm. 

John?  Ele caminhou para ela e voltou a olhar o rosto. 
Uma garota de harm com rasgados olhos verdes e uma boca 
carnuda que lhe perguntava o que queria. Depois daquele dia em 
sua casa flutuante ele queria algo mais que beij-la. O que 
quer? 

Que demnios, pensou enquanto se detinha justo diante 
dela. S um beijo. Poderia se deter. Se deteve antes e, com 
Lexie na banheira do banheiro brincando com as Barbies, as 
coisas no poderiam chegar muito longe. Georgeanne no era a 
irm de seu amigo, nem sua irm, nem a Me Teresa de Calcut. 

John deslizou os ndulos pela mandbula dela. 


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J ver o que quero  disse, e viu como arregalava os olhos 
enquanto ele baixava a cabea lentamente. Roou sua boca com a 
dela, lhe dando tempo para se afastar. Isto  o que quero. 

Georgeanne separou os lbios com um suspiro trmulo e 
fechou os olhos. Ela era doce e suave, seu lpis de lbios tinha 
sabor de cerejas. Desejava-a. Desejava se perder nela. 
Entrelaando os dedos no cabelo, inclinou a cabea dela a um lado 
e a beijou profundamente. O beijo era temerrio e selvagem. 
John se alimentou de sua boca desatando o desejo nos dois. 
Notou as mos de Georgeanne em seu corpo, nos ombros, no 
pescoo e na nuca quando o atraiu para ela para lhe sugar 
ligeiramente a lngua. O desejo que sentiu por ela ps um n em 
seu estmago. Desejava mais e, puxando com brutalidade o lao 
que mantinha sua blusa fechada, a abriu sobre seu peito. Logo se 
afastou, abandonando essa boca mida e quente. Os belos olhos 
de Georgeanne estavam nublados pela paixo e seus lbios 
estavam molhados e inchados pelo beijo. Ele deslizou seu olhar 
pela garganta at os seios. A blusa aberta revelava a renda 
branca do suti. Soube que estava perigosamente perto do ponto 
de no retorno. Perto, mas ainda lhe faltava um pouco. Podia 
avanar mais antes de chegar ao limite. 

Cavou esses grandes peitos com a palma das mos e baixou a 
cara at o decote. A pele de Georgeanne estava quente e 
cheirava a p, e a sentiu suspirar quando beijou a borda de renda 
do suti de seda. Ele tomou ar e fechou os olhos, pensando em 
todas as coisas que queria fazer a ela. Coisas ardentes e 
suarentas. Coisas que recordava ter feito antes com ela. 
Deslizou a ponta da lngua pela pele dela e prometeu a si mesmo 
que s pararia quando precisasse respirar. 

John, temos que parar agora. Ela estava ofegante, mas 
no se apartou nem moveu as mos de sua nuca. 

Sabia que tinha razo. Embora sua filha no estivesse no 


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banheiro do lado seria estpido seguir adiante. E embora em 
ocasies John tinha sido um asno, nunca tinha sido um asno 
estpido. Ao menos durante os ltimos tempos. 

Beijou-lhe a curva do peito direito, logo, com seu corpo 
clamando por continuar, insistindo para empurr-la ao cho e 
ench-la com seus bons vinte e cinco centmetros, se afastou. Ao 
olhar a cara de Georgeanne, esteve a ponto de ceder  
voracidade que o envolvia. Ela estava um pouco aturdida, e o 
certo era que parecia uma mulher que queria passar o resto da 
tarde nua. 

 Vou me arrepender disto  sussurrou ela, segurando as 
bordas de sua blusa para fech-la. 
Com esse acento to doce como o mel lhe recordava  garota 
que tinha recolhido sete anos atrs. Recordou como a tinha 
olhado absorto quando estava entre seus lenis. 

Acredito que voc gosta mais que ter o cabelo feito um 
desastre  disse. 

Ela baixou o olhar e atou o lao. 

Tenho que ir com a Lexie  disse, e virtualmente fugiu da 
cozinha. 

Ele observou como se ia. Tinha o corpo tenso e estava o 
suficientemente duro para morder as unhas. A frustrao sexual 
lhe rasgava as vsceras e soube que tinha trs opes. Podia 
segui-la e lhe tirar a roupa, podia se ocupar ele mesmo ou podia 
resolver a frustrao no ginsio. Escolheu a ltima e mais 
saudvel opo. 

Esteve trinta minutos na bicicleta at que esvaziou sua 
mente dela, do sabor de sua pele e a sensao de seus seios em 
suas mos. Ainda assim fez trinta minutos mais, logo seguiu 
treinando com pesos. 

Aos trinta e cinco anos John pensava que ainda ficavam um 
par de anos antes de se retirar do hquei. E queria que fossem 


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os melhores, ento tinha que trabalhar mais duro que nunca. 

Para os padres do hquei ele era velho. Era um veterano, o 
que queria dizer que tinha que jogar melhor que aos vinte e cinco 
ou comeariam a lhe jogar na cara que era muito velho e lento 
para o jogo. Os jornalistas esportivos e os diretores sempre se 
metiam com os veteranos. Se meteram com o Gretzky, Messier e 
Hull. E tambm o fariam com Kowalsky. Se tivesse uma m noite, 
se seus golpes fossem muitos suaves ou seus tiros muitos 
abertos, os jornalistas esportivos no hesitariam em questionar 
se merecia um contrato milionrio. Mas no o tinham questionado 
quando tinha vinte anos, e no permitiria que o fizessem agora. 

Possivelmente algumas das coisas que se dizia sobre ele 
fossem certas. Talvez fosse alguns segundos mais lento, mas o 
compensava com mais resistncia fsica. Tinha aprendido anos 
atrs que se queria sobreviver, teria que se adaptar e afinar. 
Ainda praticava um jogo muito fsico, mas agora era mais 
preparado, usava outras habilidades para manter o nvel. 

Tinha sobrevivido  ltima temporada s com leses menores. 
Nesse momento, a to somente umas semanas de comear a 
treinar de novo, estava nas melhores condies fsicas de sua 
vida. Estava saudvel e preparado, preparado para destroar a 
pista de gelo. 

Estava preparado para a Taa Stanley. 

John trabalhou as pernas at que os msculos arderam e logo 
fez duzentas flexes e se meteu na ducha. Colocou uns jeans e 
uma camiseta branca antes de voltar acima. 

Quando saiu ao terrao, encontrou Georgeanne e Lexie 
sentadas na mesma espreguiadeira observando a mar. Nem 
John nem Georgeanne falaram quando ele acendeu a 
churrasqueira, ambos eram muito conscientes que estavam 
deixando que Lexie enchesse o tenso silncio. Durante o jantar 
Georgeanne mal o olhou e logo se levantou a toda pressa para 


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lavar os pratos. Como parecia to ansiosa por se afastar dele, a 
deixou ir. 

Tem algum jogo, John?  perguntou Lexie, apoiando o 
queixo nas mos. Tinha o cabelo retirado da cara e tinha posto 
uma pequena camisola prpura. No tem um ludo ou algo 
parecido? 

No. 

Cartas? 

Talvez. 

Quer jogar slapjack? 

Jogar slapjack parecia uma boa distrao. 

Claro. levantou e foi procurar um baralho, mas no o 
encontrou. Acredito que no tenho cartas  disse a uma Lexie 
decepcionada. 

OH. Quer brincar com as Barbies? 

Antes se cortaria um ovo. 

Lexie  disse Georgeanne da cozinha onde secava as mos 
com uma toalha. No acredito que John queira brincar com as 
Barbies. 

Por favor  rogou Lexie. Te deixarei escolher os 
melhores vestidos. 

Ele escrutinou essa pequena cara com esses grandes olhos 
azuis e as bochechas rosadas e se ouviu dizer: 

De acordo, mas eu sou Ken. 

Lexie desceu de um salto da cadeira e correu ao quarto. 

Terno para o Ken no porque suas pernas esto todas 
quebradas  disse por cima do ombro. 

Ele olhou para Georgeanne que estava ali de p com um olhar 
compassivo em seus olhos, meneando a cabea. Pelo menos j no 

o evitava. 
Vai brincar?  perguntou, acreditando que se Georgeanne 
brincasse ele pudesse escapulir ao fim de uns minutos. 


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Ela riu em silncio e caminhou para o sof. 

Desculpe.  voc quem vai escolher as melhores roupas. 

Pode escolher primeiro  prometeu. 

Sinto muito, garota. Ela pegou uma revista e se sentou. 
Voc que escolha o que quer. 

Lexie voltou do quarto com um monto de brinquedos e John 
teve o mau pressentimento de que lhe seria impossvel escapar. 

Pode ser a Barbie Cabelos Brilhantes  disse Lexie, lhe 
lanando uma boneca nua e abrindo os braos para que os 
brinquedos cassem ao cho. 

Ele se aproximou com inteno de sentar com as pernas 
cruzadas no cho, logo recolheu a boneca e a levantou com 
rapidez. Quando era menino, teria dado algo por tocar uma 
Barbie nua, mas nunca tinha sido o suficientemente afortunado 
para poder faz-lo. Nesse momento se permitiu dar uma boa 
olhada, descobriu que tinha o traseiro pequeno e ossudo e que 
seus joelhos rangiam de uma maneira estranha. 

Resignado com sua sorte se sentou no cho e procurando 
entre um monto de roupa, escolheu um top com um estampado 
de leopardo e umas malhas combinando. 

Tem bolsa que combine?  perguntou a Lexie que estava 
ocupada montando o salo de beleza. 

No, s tem botas. Ela rebuscou entre as coisas, logo as 
deu. 

Ele as examinou. 

Isto  o que uma boa mulher necessita um par de botas de 
prostituta. 

O que so botas de prostitutas? 

No ligue pra ele  disse Georgeanne por trs da revista. 

Brincar com bonecas era uma experincia nova para John. Ele 
nunca tinha tido irms nem amigas de sua idade. Desde menino 
tinha brincado com figuras de ao, mas sobretudo tinha jogado 


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hquei. Ps o top sobre os seios de plstico duro da Barbie, e 
logo pegou as malhas. Quando vestiu a boneca se deu conta de 
duas coisas. Que subir as malhas pelas pernas de plstico era 
uma cadela e, que se Barbie fosse real, no seria o tipo de 
mulher a que quereria ajudar a vestir ou a despir. Era magra e 
dura, e seus ps acabavam em ponta. E logo se deu conta de 
outra coisa. 

N, Georgeanne. 

Hum? 

A olhou. 

No ir contar a ningum nada disto, no ? 

Ela baixou um pouco a revista e seus grandes olhos verdes o 
olharam com ateno por cima. 

O que? 

Isto disse, apontando para o salo de beleza. Algo 
assim, poderia pr em perigo minha reputao com os jogad... Ah, 
desculpe  se corrigiu antes que as garotas o fizessem. Algo 
assim poderia converter minha vida em um inferno. 

A risada de Georgeanne encheu o espao entre eles e ele 
tambm soltou uma gargalhada. Imaginou que tinha cara de tolo 
ali sentado tratando de pr as botas numa Barbie. Ento, de 
repente, cessou a risada de Georgeanne e ela deixou a revista 
sobre a mesa. 

Vou tomar banho  disse, se levantando. 

Quer fazer a permanente agora?  Lexie perguntou a 
John. 

John observou o balano dos quadris de Georgeanne 
enquanto saa da sala. 

Tenho que me fazer uma permanente?  perguntou, 
centrando a ateno em sua filha. 

Sim. 

John ps a Barbie com as botas de prostituta em cima de 


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uma cadeira rosa do salo. Ele no sabia muito sobre sales de 
beleza, mas tinha tido um par de noivas que tinham perdido 
tempo e o dinheiro neles. 

Pode me fazer as unhas enquanto isso?  perguntou, logo 
ordenou a cera e uma massagem facial de damasco. 

Lexie riu e lhe disse que era gracioso e de repente brincar 
com Barbies no foi to mau. 

Lexie brincou at as dez em ponto quando, exausta, insistiu 
em que John a levasse a cama. Ele tinha cotado muitos pontos 
ante sua filha ao brincar com o Centro de Beleza da Barbie. 

Em qualquer outro momento Georgeanne poderia ter-se 
sentido ferida pela desero de Lexie, mas esta noite outros 
assuntos a preocupavam. Outros problemas. Grandes problemas. 
Depois daquele beijo na cozinha John no s era melhor que ter o 
cabelo feito um desastre, mas tambm, alm disso, era melhor 
que depilar as sobrancelhas. E se por acaso isso no tivesse sido 
suficiente, sentou no cho e tinha brincado de boneca com uma 
menina de seis anos. No princpio tinha estado ridculo. Um 
homem grande e musculoso com umas mos enormes se 
preocupando que uma bolsa combinasse com umas botas de 
plstico. Um viril jogador de hquei se preocupando do que 
pensariam outros tios dele. Ento, de repente, j no pareceu 
ridculo. Tinha-a olhado do cho enquanto punha as malhas em 
uma Barbie. Tinha parecido que era o pai e ela a me como uma 
famlia de verdade. S que no eram. E quando se olharam e 
tinham compartilhado um sorriso cmplice, tinha notado uma 
pequena pontada no corao. 

E no havia nada ridculo nisso. Absolutamente nada, pensou 
enquanto saa a terrao. Mal podia ver as ondas do oceano, mas 
as ouvia. A temperatura tinha descendido e se alegrou de ter 
vestido um pulver xadrez de cor azul e uma saia jeans. Tinha 


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frio nos ps, e desejou ter se recordado de colocar os sapatos. 
Rodeou a si mesma com os braos e contemplou o cu da noite. 
Nunca tinha sabido nada de astronomia, mas gostava de olhar as 
estrelas. 

Ouviu como a porta se abria e fechava, logo sentiu uma manta 
sobre os ombros. 

Obrigado  disse, se envolvendo nela. 

De nada. Acredito que Lexie estava dormindo antes de se 
meter entre os lenis disse John enquanto se apoiava no 
corrimo a seu lado. 

 o que est acostumado a passar. Sempre o considerei 
uma bno. Amo a Lexie, mas me alegro quando dorme  
meneou a cabea. Isso soa mal. 

Ele riu entre dentes. 

No, no  assim. Me dou conta de quanto chega a cansar. 
Estou comeando a sentir muito respeito por todos os pais do 
mundo. 

Ela levantou a vista a seu perfil enquanto ele observava o 
oceano com o olhar perdido. A iluminao da casa projetava 
retngulos de luz sobre o cho de madeira e sumia o rosto de 
John em sombras. Vestia uma jaqueta esportiva azul marinho 
com as lapelas verdes. 

Como era quando menino?  perguntou, curiosa. Lexie e ela 
no se pareciam tanto como todo mundo acreditava. 

Regular. Acredito que tirei dez anos de vida de meu av. 

Ela o olhou. 

Ontem  noite mencionou a Ernie e a sua me. O que 
aconteceu a seu pai? 

John deu de ombros. 

No o recordo. Morreu em um acidente de carro quando eu 
tinha cinco anos. Minha me tinha dois trabalhos, ento se 
poderia dizer que meus avs me criaram. Minha av, Dorothy, 


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morreu quando eu tinha vinte e trs anos. 

Ento temos algo em comum. Ambos fomos criados por 
nossas avs. 

A olhou por cima do ombro; a luz da casa iluminou seu perfil. 

O que aconteceu a sua me? 

Anos atrs tinha mentido sobre isso; inventou uma histria 
bastante boa. Era bvio que ele no a recordava. Na atualidade, 
ela se sentia cmoda com quem era e no sentia necessidade de 
mentir. 

Minha me no me queria. 

No a queria?  Arqueou as sobrancelhas. Por que? 

Ela encolheu os ombros e olhou para a noite escura e  
silhueta ainda mais negra de Haystack Rock. 

No estava casada e suponho... Fez uma pausa e logo 
disse: A verdade  que no sei. O ano passado me inteirei por 
minha tia de que quis abortar, mas minha av impediu. Quando 
nasci, minha av me levou a casa do hospital. Acredito que minha 
me nem sequer me dirigiu um olhar antes de deixar a cidade. 

Srio?  soava incrdulo. 

 obvio. Georgeanne se amassou mais na manta. Sempre 
estive segura que retornaria e tratava de ser uma menina boa 
para que assim me quisesse. Mas nunca voltou. Nem sequer 
chamou. Encolheu os ombros outra vez e esfregou os braos. 
Entretanto, minha av tratou de compens-lo. Clarissa Jane me 
amou e me cuidou o melhor que pde. Tanto, que me preparou 
desde pequena para me converter na senhora de. Queria que 
me casasse antes que ela morresse. Ao final de sua vida se 
esforou muito em me buscar marido. Era to pesada que no 
queria ir ao Piggly Wiggly com ela. Georgeanne sorriu ante a 
lembrana. Passeava comigo diante de todos os homens que 
apareciam, desde viajantes a vendedores de seguros. Mas, em 
segredo, tinha o corao posto no aougueiro, Cletus J. Krebs. 


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Clarissa tinha se criado em uma granja de porcos e apreciava 
muito um bom corte de carne. Quando se inteirou que estava 
casado, sentou-lhe como um chute. Esperou que ele soltasse 
uma gargalhada, mas no obteve nenhum triste sorriso. 

E seu pai? 

No sei quem . 

Nunca lhe disseram quem era? 

Nunca. Alm disso acredito que embora minha me 
soubesse no me diria. Quando era menina, algumas vezes 
pensava...  se deteve e negou com a cabea, com vergonha. 
No me faa caso  disse, e enterrou o nariz na manta. 

O que pensou?  perguntou. 

Ela o olhou e respondeu ao tom amvel de sua voz. 

 uma tolice, mas sempre pensei que se ele tivesse sabido, 
teria me querido, por isso sempre tentei me levar bem. 

Pois no  uma tolice. Estou seguro que se tivesse sabido 
que existia, te teria querido muitssimo. 

Eu no acredito assim.  Sabia por experincia que os 
homens que ela amava no a queriam. John era um bom exemplo. 
Girou a cabea e ficou a observar o oceano outra vez. No 
acredito que tivesse se importado o mnimo, mas  muito amvel 
por afirmar o contrrio. 

No, no  amabilidade. Estou seguro que lhe teria 
importado. 

Ela opinava justamente o contrrio, mas dava igual. Se 
esqueceu de todas essas fantasias fazia j alguns anos. 

A brisa lhe revolveu o cabelo e o silncio se estendeu entre 
eles enquanto olhavam a escurido e as ondas prateadas. Depois 
John falou, sua voz foi um sussurro apenas por cima do vento. 

Me rompe o corao, sabe. Tirou as mos dos bolsos da 
jaqueta e girou para ela. Temos que falar do que aconteceu 
antes na cozinha. 


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Georgeanne ficou surpreendida ante tal admisso, mas no 
tinha vontade de falar daquele beijo. No sabia por que a tinha 
beijado ou por que ela tinha respondido como se tivesse perdido 
a capacidade de dizer no. Sentiu frio nos ps e pensou que era 
um bom momento para se retirar e ordenar seus pensamentos. 

 evidente que me sinto muito atrado por voc.  
Georgeanne decidiu que podia esperar um pouco mais para deixar 
que terminasse de falar. Sei que disse que era imune a voc e 
que a encontro completamente resistvel. Mas menti.  bela e 
suave e, se as coisas fossem diferentes entre ns, daria um rim 
por fazer amor com voc. Mas no so, ento embora me olhe e 
parea que estou a ponto de saltar em cima de voc, quero que 
saiba que no o farei. Tenho trinta e cinco anos e posso me 
controlar. No quero que se preocupe, tentarei me reprimir com 
todas as minhas foras. Ningum nunca tinha lhe dito que daria 
parte de seu corpo por estar com ela. Quero te assegurar que 
no a beijarei, nem a tocarei, nem saltarei sobre voc. Acredito 
que ambos estamos de acordo em que o sexo entre ns seria um 
engano. 

Embora estivesse de acordo com ele, se sentiu um pouco 
decepcionada que pudesse se controlar. 

Tem razo,  obvio. 

Arruinaria tudo o que adiantamos em nossa relao. 

Certo. 

Se voltou e a olhou. 

Se o ignorarmos, desaparecer.  Deslizou o olhar por seu 
cabelo e logo por sua cara. 

Acredita nisso de verdade? 

Apareceu uma ruga entre as sobrancelhas de John que 
lentamente sacudiu a cabea. 

No, no acredito em nada  disse, tirando as mos dos 
bolsos para lhe cavar as bochechas entre as clidas palmas de 


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suas mos. Com o polegar acariciou a pele fria e inclinou a testa 
at apoi-la na dela. Sou um tio egosta e te desejo  disse em 
voz baixa. Quero te beijar e te tocar e... fez uma pausa e ela 
viu o brilho pcaro em seus olhos... Saltar sobre seu precioso 
corpo. E, embora tenha trinta e cinco anos, encontro impossvel 
me controlar com voc. Quero te possuir e no penso mais que 
em fazer amor com voc, sabe? 

Ele a encantava a deixava sem flego e fazia desaparecer 
toda resistncia. Incapaz de falar, ela negou com a cabea. John 
seguiu falando. 

Ontem  noite tive um sonho muito luxurioso com voc. Um 
sonho selvagem. Fazamos coisas que melhor no conto, porque se 

o fizesse me meteria em problemas. 
Sonhou comigo?. Tratou de pensar algo inteligente e 
provocador, mas no pde. Todo pensamento racional tinha 
abandonado sua mente quando disse aquilo de saltar sobre seu 
precioso corpo. Sempre tinha pensado que seu corpo era 
desajeitado e pouco atrativo. 

Ento voc tem que ser a sensata. Conto com voc para me 
dizer no. Roou sua boca com a dele e disse: me diga que no 
e a deixarei sozinha. 

Ele estava muito perto, era muito bonito e o desejava muito 
para ser sensata. Queria se meter debaixo de sua pele e nem 
sequer considerou dizer no. Soltou a manta que caiu em um 
atoleiro a seus ps. O pegou pelas lapelas abertas de sua jaqueta 
e tomou impulso. Com a ponta da lngua roou levemente a linha 
dos lbios de John e ele abriu a boca. O beijo que tinham 
compartilhado antes tinha comeado devagar, mas se tornou 
ardente em poucos segundos. Este beijo foi muito mais longo. 
Com as bocas abertas e as lnguas entrelaadas. Tinham toda a 
noite pela frente e nenhuma pressa. 

Tinha aprendido como agradar a esse homem anos antes. As 


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habilidades que tinha aperfeioado at ser uma arte estavam 
profundamente arraigadas em seu interior. Mas no sabia se 
ainda podia paquerar com ele para volt-lo louco. Georgeanne 
levou as mos a cs das calas de John e deslizou lentamente as 
palmas sob a jaqueta, desde seu abdmen quente at seu peito. 
Sob suas carcias se esticaram os duros msculos e John 
pressionou sua boca mais profundamente na dela criando uma 
suco suave. Brincou com sua lngua e ela sentiu que seu corao 
pulsava com fora. John deslocou uma de suas mos aos quadris 
de Georgeanne e a aproximou mais contra seu corpo. 

Ela sentiu sua ereo contra o ventre. Era longa e dura. A 
paixo e a satisfao feminina se fundiram, e Georgeanne sentiu 
um batimento surdo na unio de suas coxas. Se esfregou contra 
ele e a paixo se transformou em uma espiral de fogo. A mo em 
seu quadril ficou tensa, logo ele retirou os lbios. 

Foi boa h sete anos  disse enquanto a brisa da noite lhe 
alvoroava o cabelo. Mas tenho o pressentimento de que agora 
 melhor. 

Georgeanne podia ter dito que no tinha praticado aps. De 
fato tinha to pouca prtica que no sabia o que responder. Sem 
a distrao de sua boca sensual e com o som de suas 
desavergonhadas palavras ressoando em sua cabea, ela sentiu 
que o frio transpassava seu pulver e sentiu um calafrio. 

Vamos  disse, a pegando pela mo. A atraiu para seu 
corpo e juntos entraram na casa e fecharam a porta. John a 
beijou brandamente nos lbios, logo tirou a jaqueta. Tem frio? 
perguntou, jogando a jaqueta no sof. 

Georgeanne tinha um arrepio, mas no pelo frio. 

Estou bem  respondeu, esfregando os braos por cima do 
pulver. 

Acendo o fogo de todos os modos? 

No queria esperar mais para sentir seus lbios contra os 


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dela, mas no queria que parecesse que estava faminta dele. 

Se no for muito problema. 

John lhe dirigiu um sorriso preguioso. 

OH, acredito que posso arrumar isso  disse, caminhando 
at o suporte da chamin e pressionando um interruptor. A 
descarga alaranjada de uma chama inflamou o jorro de gs e 
iluminou as lenhas falsas. 

Georgeanne lhe correspondeu com outro sorriso. 

Acredito que isso  fazer armadilhas. 

S para um boy scout e no sou. 

Deveria ter adivinhado. Ela tentou ver atravs das 
janelas, mas s podia ver seu reflexo. Sentiu um momento de 
pnico enquanto tratava de recordar se vestia roupa ntima de 
seda ou se a tinha trocado pela de algodo branco. 

O que?  perguntou John, ficando atrs dela. Que no 
sou um boy scout? A pegou e a atraiu de novo contra seu 
peito. Ou que tenha um fogo falso? 

Georgeanne olhou seu reflexo ondulado. Dirigiu a vista para a 
aposta cara de John e j no lhe importou se vestia as calcinhas 
do Hanes ou as de Vitria's Secret. Se arqueou um pouco para 
trs e esfregou a ndega contra sua virilha. 

Seu fogo  falso, John? 

Ele respirou fundo e sua risada afogada resultou um pouco 
tensa quando respondeu: 

Se for boa, mostrarei mais tarde. Ele a beijou no 
cocuruto, logo pegou a borda do pulver . Mas por agora, me 
mostre voc. O tirou pela cabea e o deixou cair a um lado. O 
primeiro impulso de Georgeanne foi levantar as mos para 
tampar os seios. Mas as manteve aos lados e ficou de p ante ele 
com a saia jeans e o suti azul de seda. Os dedos de John 
acariciaram seu estmago, logo cavou os pesados seios com suas 
fortes mos. 


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 formosa  disse enquanto roava com os polegares o 
cetim que lhe cobria os mamilos. To formosa que mal posso 
respirar. 

Georgeanne reconheceu a sensao. Tambm ela sentia como 
se seus pulmes ficassem sem ar enquanto observava como as 
mos de John sopesavam seus seios. Se sentiu incapaz de 
afastar a vista quando ele soltou o suti e deslizou lentamente as 
alas pelos ombros. O cetim azul deslizou pelas curvas dos seios, 
brilhando tenuamente sobre seus mamilos, logo caiu ao cho. 
Subitamente envergonhada, Georgeanne tentou se ocultar de sua 
vista se apertando contra seu peito para se ocultar de seu olhar 
ardente. Mas ele moveu as mos a sua cintura e a manteve onde 
estava. 

Algum poderia nos ver  disse ela. 

No h ningum fora. Acariciou-lhe os mamilos 
ligeiramente com a ponta dos dedos. 

Georgeanne comeou a ofegar. 

Poderia ter algum. 

No estamos ao nvel da praia. Estamos a mais altura.  
Observou como lhe beliscava brandamente os enrugados mamilos 
entre o polegar e o indicador e, de repente, j no lhe importou 
nada. Poderia ter desfilado pelo terrao um nibus cheio de 
marinheiros e no teria importado o mnimo. Arqueou as costas e 
levantou os braos para agarrar entre as mos a cabea de John. 
Empurrou a lngua em sua boca at separar seus lbios e lhe deu 
um beijo ardente, vido. Surgiu um gemido do mais profundo do 
peito de John enquanto brincava com seus seios. Levantou-os e 
apertou, logo moveu as mos ao boto da saia. Deslizou pelos 
quadris e as coxas a saia e a calcinha azul at que caram a seus 
ps. Ela se saiu dos objetos e os separou de um chute, ficando 
nua por completo, seu traseiro nu apertado contra o zper dos 
jeans. Ao contrrio dela, ele estava completamente vestido e o 


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roce do tecido jeans contra sua pele lhe resultava muito ertico. 
Inclinou os quadris e pressionou sua ereo contra ela enquanto 
deixava uma trilha de quentes beijos a um lado da garganta. 
Mordeu-a ligeiramente no ombro, e logo lambeu a pele com a 
lngua. 

Georgeanne voltou a olhar  janela e no reflexo impreciso 
observou como essas grandes mos percorriam seu corpo. 
Acariciava seus seios, o estmago, os quadris. Colocou um p 
entre os dela e fez presso para lhe abrir as pernas. Logo 
deslizou a mo entre as coxas abertas e a acariciou com 
suavidade. Ela estava escorregadia ali onde seus dedos 
acariciavam e essa carcia provocou nela uma agonia aguda. Suas 
vsceras se fundiram. Suas mos, sua boca, seus olhos ardentes. 
Ela viu o reflexo de sua cara e no reconheceu  mulher que lhe 
devolvia o olhar. A mulher da janela parecia drogada. Ouviu-se 
gemer e temeu que se ele no parasse, alcanaria o clmax 
sozinha. No queria isso. O queria com ela. 

Se permitiu saborear o prazer que lhe proporcionavam suas 
mos durante alguns segundos maravilhosos mais, logo girou e lhe 
rodeou o pescoo com os braos. O beijou avidamente deslizando 

o joelho nu pela coxa. Com os dedos percorreu sensualmente as 
costas dele, ento, ele a pegou por trs e pondo-a nas pontas dos 
ps esmagou sua plvis contra a dela. Georgeanne percorreu sua 
garganta com a boca e saboreou sua pele. Ele gemeu e ela se 
deixou deslizar sobre seu corpo at ficar de p. Permitiu que 
suas mos vagassem pelo estmago de John at a beira da 
camiseta, tirando-a dos jeans. 
John levantou o brao por cima de seu ombro e segurando 
uma dobra da camiseta, a tirou pela cabea e a deixou cair a um 
lado. Georgeanne baixou o olhar dos azuis olhos cheios de paixo 
aos pequenos cachos escuros que cobriam o grande peito 
musculoso. Seus mamilos ficavam uns centmetros por debaixo de 


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seus bicos plainos cor caf. Uma sombra de fino plo descia pelo 
peito de John, rodeando o umbigo para desaparecer pelo cs dos 
jeans. 

Se olhe  disse apenas com um sussurro. A voz de John 
estava rouca pela luxria.  como o melhor presente que j 
tenha tido, como todos os natais juntos em um s pacote. 

Georgeanne lutou com o boto dos jeans at que o abriu. 

Voc foi bom?  perguntou enquanto deslizava as mos 
dentro dos jeans. 

Ele tomou flego com rapidez. 

Meu Deus, sim. 

Ela apanhou o cs elstico da cueca e a desceu pelo ventre 
plano. 

Nesse caso  o arrulhou, passeando um dedo sobre o 
comprido e grosso eixo. Como quer que seja com voc? Boa ou 
m? 

O flego de John era um assobio agudo que saa de seus 
pulmes quando pisou nos calcanhares de suas esportivas para 
tir-las.  Est me matando. Estou a ponto de agonizar. 

No sei como seria se for boa, mas estive mais anos dos 
que lembro vivendo com o pecado para mudar agora. 

Ento serei m, no? Lhe deslizou para baixo os jeans e 
as cuecas, logo subiu as mos pelas coxas nuas. Os msculos se 
esticaram com dureza sob sua carcia e ela se recreou no efeito 
que lhe provocava. 

OH, sim. John tinha a voz rouca enquanto se saa de suas 
roupas. Pegou a carteira das calas e a lanou sobre a mesa que 
havia ao lado do sof. Logo se plantou completamente nu diante 
dela, um atleta alto, slido e perfeitamente moldado por anos de 
treinamento. No havia nada suave nele. Sua profisso se 
refletia nesse corpo poderoso. 

Ela se aproximou lentamente a ele e a grossa cabea de seu 


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quente pnis lhe roou o umbigo. Georgeanne percorreu o 
abdmen com as mos, e quando olhou aos olhos entrecerrados 
de John, se deu conta que no tinha esquecido como agradar a 
um homem. No tinha esquecido como agradar a esse homem. 
Fazia sete anos que lhe tinha ensinado como o deixar louco e ela 

o recordava bastante bem. Se inclinou para frente e tocou com a 
ponta da lngua um bico do peito plaino que se contraiu sob seus 
lbios ficando to duro como o couro. John moveu as mos at 
sua nuca lhe atando o cabelo com os dedos. 
Est me matando. Estou a ponto de agonizar. 

Georgeanne ficou nas pontas dos ps, deixando que as pontas 
de seus seios lhe roassem o peito. 

Ento, que Deus tenha piedade de sua alma  sussurrou 
enquanto lambia o lbulo da orelha e se esfregava contra seu 
corpo quente. Ela se entregou  tarefa de lhe mordiscar o 
pescoo e o ombro, depois seguiu baixando enquanto deixava uma 
trilha de beijos pela flecha de plo, se atrasou em seu estmago 
para logo seguir baixando at o baixo ventre. Se ajoelhou diante 
dele e o beijou, acariciou e adulou at que ele ofegou. 

Tempo  disse ele sem flego, a pegou pelos braos e a 
puxou para pr em p. 

Nada de tempo  disse ela, lhe plantando as palmas das 
mos sobre o peito para empurr-lo. Ele deu um passo atrs e ela 
continuou: Isto no  hquei. Ela seguiu empurrando-o at 
que a parte posterior dos joelhos de John tropeou com o sof. 
E no sou um dos meninos. Ele se sentou e ela se situou entre 
suas coxas. 

Georgie, carinho, ningum a confundiria com um dos 
meninos, jamais. Com uma mo lhe acariciou o traseiro, a 
aproximando mais. Sugou-lhe um mamilo com sua clida boca e 
moveu a outra mo para avivar o fogo com seus dedos. Enquanto 
lhe olhava beijar seu peito, uma crua emoo bombeou atravs de 


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suas veias. Este era John, o homem que a fazia se sentir to bela 
e desejada. O homem que tinha arrancado seu corao e o tinha 
devolvido nove meses mais tarde. Fechou os olhos e o atraiu mais 
para ela. O segurou enquanto a tocava com mos e boca, e pensou 
que era suficiente. Quando notou que estava muito perto do 
clmax, deu um passo atrs. 

Sem dizer nada, ele alcanou a carteira da mesinha para 
pegar uma camisinha envolta em papel de alumnio. Abriu o pacote 
com os dentes, mas, antes de poder coloc-lo Georgeanne pegou 
a camisinha. 

Nunca deixaria que um homem fizesse o trabalho de uma 
mulher  disse ela e estirou a fina capa de ltex por toda sua 
longitude. Ela o sentiu pulsar em sua mo, preparado para 
procurar a liberao. Logo ela ficou escarranchada sobre seu 
colo e olhou seus olhos azuis. Lentamente descendeu sobre a 
ereo. 

Ele era grande e duro e, depois de vrias tentativas, a 
encheu por completo. Ela se sentou durante um momento com ele 
profundamente enterrado em seu interior, sentindo como se 
estirava para o acomodar. Ele estava quente e ela se sentia cheia 
embora inquieta ao mesmo tempo. Os msculos do pescoo de 
John estavam tensos e ela cravou os dedos nesses ombros duros. 
John tinha os olhos entrecerrados e a mandbula tensa. 
Georgeanne o beijou nos lbios e logo comeou a se mover. J 
fosse pelo implacvel desejo que sentia ou por falta de 
experincia seus movimentos foram torpes. Seus joelhos 
afundavam no sof e, quando ele empurrava, ela se elevava com 
ele. 

Relaxa  disse John ao tempo que lhe cavava o traseiro. 
Tem tempo. 

Georgeanne esmagou a boca contra a dele e gemeu com 
frustrao. No podia relaxar e tinha chegado muito longe para 


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poder dispor de tempo. 

John arrancou sua boca da dela, logo envolveu um brao ao 
redor dela, segurando-a e girando com ela at deposit-la sobre 

o sof. Ele seguia profundamente enterrado no interior do corpo 
dela. Colocou um joelho sobre o sof deixando o outro p apoiado 
no cho. 
Nunca deixaria que uma mulher fizesse o trabalho de um 
homem  disse, e se retirou. Um gemido angustiado escapou da 
garganta de Georgeanne at que ele empurrou profundamente 
em seu interior outra vez. Ela se pegou a ele enquanto investia 
varias vezes, empurrando-a para o precipcio. 

Georgeanne pronunciou palavras incoerentes, palavras que 
provavelmente a fariam envergonhar mais tarde, mas que no 
podia nem queria deter agora. 

Assim, carinho  sussurrou ele enquanto se mergulhava 
profundamente. Me diga o que quer. 

E ela o fez com todo luxo de detalhes. Ele ofegou e lhe cavou 
a cara entre as mos. Disse-lhe que era formosa e quo bem se 
sentia dentro dela. Com cada empurro a queimava viva, e, quando 
ela chegou ao orgasmo, gritou seu nome. Seu corpo o ordenhou 
com fora e justo quando ela sentia que o clmax comeava a 
decrescer, voltou a se remontar de novo. 

John fechou os olhos com fora e vaiou entre dentes. 
Respondeu aos gritos de Georgeanne com gemidos de satisfao. 
Ele entrou nela uma ltima vez, e quando chegou ao clmax, seus 
msculos se voltaram de pedra e amaldioou como um jogador de 
hquei. 

Captulo 14 

John se sentou na beira da cama para calar o tnis azul e 
prata. O quarto parecia uma zona de guerra. Os lenis estavam 


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revirados em cima do colcho e a colcha e os travesseiros 
estavam atirados ao cho. Uns pratos sujos com restos de 
sanduches de presunto pela metade estavam empilhados na 
penteadeira, e a aquarela, que pendurava da parede e que John 
tinha comprado a um artista local, tinha o marco quebrado. 

Terminou de amarrar os tnis e ficou em p. O quarto 
cheirava a ela, a ele, a sexo. Passou por cima de uma pilha de 
toalhas midas e pegou o walkman da penteadeira. Colocou os 
fones de ouvido ao redor do pescoo e segurou o walkman no cs 
das bermudas. 

Selvagem. Era a nica palavra que lhe ia  mente para 
descrever a noite anterior. Sexo selvagem com uma bela e 
fogosa mulher. A vida no podia ser melhor. 

S havia um problema. Georgeanne no era qualquer bela e 
fogosa mulher. No era algum com quem tivesse tido um 
encontro. No era um ligue. E certamente no era uma dessas 
mulheres que queriam se deitar com ele porque era jogador de 
hquei. Era a me de sua filha. As coisas estavam comeando a se 
complicar. 

Saiu ao corredor. Se deteve diante do outro quarto e olhou 
pela porta entreaberta. Georgeanne tinha os olhos fechados sob 
a luz do amanhecer que se filtrava atravs das cortinas e sua 
respirao era lenta e suave. Colocou uma camisola branca 
abotoada at o pescoo que parecia tirada da casa da pradaria. 
Embora aproximadamente quatro horas antes estivesse com o 
traseiro ao ar, totalmente nua, na jacuzzi do banheiro principal 
fazendo sua melhor imitao de uma rainha do rodeio. Depois de 
um pouco de prtica o tinha feito muito bem. Gostava 
especialmente da forma em que balanava a plvis contra a dele 
enquanto sussurrava seu nome com essa ertica voz sulina dela. 

Um movimento atrs de Georgeanne chamou sua ateno e 
levantou o olhar para Lexie. Observou como ficava de lado e se 


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destapava um pouco com o lenol. Deu um passo atrs e se 
encaminhou s escadas. 

A noite anterior tinha lhe mostrado de novo outra parte de 
seu passado, tinha lhe mostrado uma menina confundida e ferida, 
e tinha agregado outra dimenso  forma em que a via adulta. 
No acreditava que ela tivesse tido inteno de mudar nada, nem 
sequer sua opinio dela. Mas o tinha feito. 

John entrou na cozinha e abriu a geladeira. Pegou uma 
vitamina de iogurte rico em carboidratos e protenas. Fechando a 
porta com o p tirou a tampa da bebida energtica e ligou a 
secretria eletrnica. Subiu o volume, apoiou um quadril na 
bancada e comeou a tomar a bebida que o revitalizava. A 
primeira mensagem era de Ernie, e enquanto escutava as queixa 
de sempre de seu av a respeito de ter que deixar uma 
mensagem, pensou em Georgeanne. Pensou em sua voz quando 
tinha falado casualmente sobre sua me. Tinha brincado sobre 
quando sua av tinha tratado de cas-la com um aougueiro de 
Piggly Wiggly e sobre que pensava que era lenta por esperar o 
amor de seu pai. Tinha dito como se lhe desse vergonha, como se 
esperasse muito. 

A secretria eletrnica emitiu um pip e a voz de seu agente, 
Doug Hennessey, encheu a cozinha para informar a John da 
reunio que tinha tido com Bauer. Tinha que se reunir com a 
pessoa que lhe havia feito os patins a medida para se inteirar de 
por que as botas tinham comeado a lhe incomodar na ltima 
temporada. John sempre tinha usado as do Bauer. Sempre o 
faria. Embora no era to supersticioso como alguns homens que 
conhecia, era o suficiente para querer arrumar o problema em 
vez de mudar de fabricante. 

Tomou o resto da vitamina de iogurte, esmagou o pote com a 
mo e o lanou ao lixo. A secretria eletrnica no emitiu 
nenhuma mensagem mais e John saiu da cozinha. A nvoa cobria o 


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terrao e a praia. Os escassos raios matutinos que 
transpassavam a nvoa projetavam sua luz atravs das janelas da 
sala de estar. 

A noite anterior a tinha observado nessas janelas. Tinha 
olhado como ia caindo a roupa de seu belo corpo e tinha gozado 
com a paixo que lhe suavizava a boca e turvava os olhos. Tinha 
observado como suas prprias mos se deslizavam sobre essa 
pele suave para segurar os lisos seios. Se observou se esfregar 
contra seu corpo nu de cima abaixo, e quase tinha gozado ali 
mesmo, nas cuecas B.V.D. 

Em silencio John saiu ao terrao. Caminhava to levemente 
como lhe era possvel ao descer as escadas  praia. No queria 
despertar Georgeanne. Depois da noite anterior supunha que 
precisaria dormir. 

E ele precisava pensar. Precisava pensar sobre o acontecido 
e sobre o que ia fazer a partir desse momento. No poderia 
evitar Georgeanne, nem sequer embora quisesse. Gostava dela. A 
respeitava por tudo o que tinha obtido na vida, em especial 
agora, que a entendia um pouco melhor. E tambm compreendia 
melhor por que sete anos antes no tinha dito nada sobre Lexie. 
Ainda seguia magoado porque no tivesse dito, mas j no estava 
zangado. 

Mas no estar zangado e estar apaixonado eram coisas 
diferentes. Eu gosto dela. Esperava que no quisesse mais dele 
porque no se acreditava capaz de dar mais de si mesmo. Tinha 
estado casado duas vezes e nunca tinha amado a uma mulher. 

As pessoas confundiam sexo com amor. John nunca o fazia. 
Eram duas coisas totalmente diferentes. Amava seu av. Amava 
sua me. Era amor o que sentia por seu primeiro filho, Toby, e 
agora por Lexie, um amor que gotejava do mais profundo de seu 
ser. Mas nunca tinha estado apaixonado por uma mulher com o 
tipo de amor que deixava um homem louco. Esperava que 


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Georgeanne pudesse manter separados amor e sexo. Acreditava 
que poderia, mas se no fosse assim tratar com ela ia ser muito 
difcil. 

Deveria ter tido as mos quietas, mas no que se referia a 
Georgeanne lhe custava fazer o correto. Desej-la tinha 
complicado a vida, mas o sexo teria sido inevitvel de todas as 
maneiras. Podia se prometer que manteria as mos quietas desde 
esse momento, mas sabia por experincia que o mais provvel era 
que no o fizesse. Com Georgeanne isso nunca tinha sido possvel. 
Possua um corpo de beldade e o sexo com ela era o melhor que 
j tinha tido. 

Os ps de John golpearam a areia molhada ao se deter, logo 
se pegou o p esquerdo por trs. Pegou o tornozelo e estirou o 
quadrceps. 

Sua relao j era difcil sem acrescentar mais complicaes. 
Era a me de sua filha e deveria lhe inspirar pensamentos puros. 
No devia pensar em beijar essa boca suave enquanto se 
deslizava profundamente em seu interior. Tinha que se controlar. 
Era um esportista disciplinado. Podia faz-lo. 

E se fraquejava... 

John baixou o p e estirou a outra perna. No fraquejaria. 
Nem sequer pensaria nisso. No ia a sua casa duas vezes por 
semana para desfrutar de seu corpo totalmente nu. 

Georgeanne cobriu a boca ante um enorme bocejo enquanto 
vertia o leite sobre uma tigela de Froot Loops. Colocou uma 
mecha atrs da orelha e atravessando a cozinha colocou os 
cereais sobre a mesa. 

Onde est John?  perguntou Lexie enquanto agarrava a 
colher. 

No sei. Georgeanne se sentou em uma cadeira frente a 


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sua filha e atou a bata. Ps os cotovelos sobre a mesa e apoiou o 
queixo nas mos. Estava muito cansada e tinha os msculos das 
coxas doloridos. No lhe tinham dodo tanto desde umas aulas de 
aerbica s que tinha participado trs dias por semana no ano 
passado. 

Seguro que est correndo outra vez. Lexie pegou uma 
colherada de Froot Loops e a meteu na boca. Tinha feito uma 
trana para dormir na noite anterior e, agora que tinha soltado, 
tinha o cabelo encaracolado ao redor da cabea como uma 
autntica afro. Um cereal verde caiu sobre seu pijama da 
princesa Jasmine e ela voltou a jog-la em sua tigela. 

 provvel  respondeu Georgeanne, se perguntando por 
que John precisava fazer exerccio depois da noite anterior. 
Fizeram amor em vrias posies diferentes com um apotetico 
final na jacuzzi. Tinha lhe ensaboado por toda parte e tinha 
beijado todos esses lugares conforme ia enxaguando. Ele tinha 
retribudo lambendo todas as gotas de gua de sua pele. Em 
conjunto, diria que ambos tinham tido um treinamento realmente 
exaustivo. Fechou os olhos e pensou nos fortes braos e o 
esculpido peito de John. Imaginou a si mesma se esfregando 
contra seu traseiro musculoso o tempo que lhe acariciava o duro 
abdmen e sentiu um tombo no estmago. 

Talvez volte logo  disse Lexie, mastigando ruidosamente 
seus cereais. 

Georgeanne abriu os olhos. A imagem de John em couros se 
evaporou sendo substituda pela de sua filha comendo com a boca 
completamente cheia de cereais coloridos. 

Por favor, mastiga com a boca fechada  recordou a Lexie 
automaticamente. Enquanto olhava a cara de sua filha, se sentiu 
como uma desavergonhada. Ter esses trridos pensamentos 
diante de uma menina inocente era indecente e estava segura que 
em alguma parte do mundo se considerava ilegal imaginar a um 


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homem nu antes de ter tomado o primeiro caf. 

Georgeanne foi  cozinha e pegou da despensa uma bolsa do 
Starbucks e um filtro de papel. John a tinha feito se sentir viva 
de uma maneira que h muito tempo no se sentia. Tinha-a olhado 
com olhos famintos, tinha-a feito se sentir desejada. Tinha 
acariciado sua pele como se fosse uma delicada seda, tinha-a 
feito se sentir formosa. O sexo com John tinha sido maravilhoso. 
Entre seus braos se converteu em uma mulher segura de sua 
prpria sexualidade. Pela primeira vez desde a puberdade se 
encontrava a gosto com seu corpo e jamais se sentiu segura com 
um amante at esse momento. 

Mas no importava quo maravilhoso tivesse sido o sexo com 
John tinha sido um engano. Soube desde que a tinha beijado na 
porta do quarto de hospedes lhe desejando boa noite. Tinha 
sentido um tombo no corao. John no a amava e se 
surpreendeu de quanto a tinha ferido sab-lo. 

Sabia desde o comeo que ele no a amava. Nunca o tinha 
dito, nem tinha insinuado que sentisse algo por ela que no fosse 
luxria. No o culpava. A dor que sentia agora era culpa dela, e 
era ela quem tinha que lhe pr remdio. 

Georgeanne encheu a cafeteira de gua, ps o filtro e 
oprimiu o boto. Apoiou o quadril contra a bancada e cruzou os 
braos. Tinha pensado que poderia am-lo com o corpo, mas no 
com o corao. Entretanto, essa iluso se evaporou com a luz da 
manh. Sempre tinha amado John. Mas embora o admitisse ante 
si mesma, no sabia o que fazer. Como ia poder v-lo de forma 
regular e fingir que no sentia nada mais que amizade? No sabia 
como faz-lo. S sabia que tinha que faz-lo. 

Soou o telefone, sobressaltando Georgeanne. A secretria 
eletrnica emitiu um pip duas vezes e fez clique ao se conectar. 

Ol, John  disse uma voz masculina da mquina. Sou 
Kirk Schwartz. Sinto no ter me posto em contato com voc 


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antes. Estive de frias as duas ltimas semanas. De todos os 
modos, tal e como me pediu, tenho uma cpia da certido de 
nascimento de sua filha diante de mim. Sua me a registrou com 
pai desconhecido. 

Georgeanne sentiu que se congelava por dentro. Olhou 
fixamente ao aparelho. 

Se a me ainda est disposta a cooperar, no levar muito 
tempo mud-la. Falaremos de seus direitos legais e da custdia 
quando voltar  cidade. Como comentamos a ltima vez, acredito 
que o melhor no momento  manter contente  me at que 
decidamos o que fazer legalmente. Ah..., e acredito que o fato de 
que no soubesse nada de sua filha at recentemente e que lhe 
faa um ingresso substancial alm de colaborar em sua 
manuteno o deixa em uma situao muito boa. Provavelmente 
lhe dem os mesmos direitos que se estivesse divorciado da me. 
Discutiremos em profundidade quando voltar  cidade. J 
falaremos, nos vemos  acabou a mensagem e Georgeanne 
piscou. 

Olhou para Lexie e a observou aspirar um Froot Loop da 
colher. 

O tremor comeou no peito de Georgeanne e se estendeu por 
todo seu corpo. Levantou uma mo tremula e pressionou os lbios 
com os dedos. John tinha contratado os servios de um 
advogado. Tinha lhe dito que no o faria, mas estava claro que 
tinha mentido. Queria a Lexie, e Georgeanne lhe tinha dado o que 
ele queria sem se preocupar de nada. Tinha deixado a um lado 
suas dvidas e tinha mimado em que John estivesse algum tempo 
com sua filha com total liberdade. Fazia caso omisso a seus 
medos porque queria o melhor para sua filha. 

Se apresse e termine os cereais  disse, se afastando da 
bancada. Tinha que escapar, se afastar dessa casa e dele. 

Aos dez minutos Georgeanne trocou de roupa, escovou os 


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dentes e o cabelo, e tinha metido tudo dentro das malas. 
Manter contente  me.... Georgeanne se sentiu doente ao 
pensar em quo contente a tinha tido a noite anterior. Deitar-se 
com ela era ir muito alm do que ditava o dever. 

Cinco minutos mais tarde tinha carregado o carro. 

Vamos, Lexie  gritou, se voltando para  casa. Queria 
estar bem longe quando John retornasse. No queria enfrentar a 
ele. No confiava em si mesma. Ela tinha sido amvel. Tinha 
tratado de ser justa, mas no o faria mais. A clera a inflamava 
como um maarico a um jorro de gs. Deixou-a arder e bulir por 
suas veias. Preferia sentir fria que a humilhao e a dor que 
destroavam sua alma. 

Lexie saiu da cozinha vestida ainda com o pijama prpura. 

Vamos a algum lugar? 

Para casa. 

Por que? 

Porque  hora de ir. 

John tambm vem? 

No. 

No quero ir ainda. 

Georgeanne abriu a porta principal. 

D no mesmo para mim. 

Lexie franziu o cenho e saiu da casa. 

Ainda no  sbado. Fez beicinho enquanto descia da 
calada. Disse que ficaramos at no sbado. 

H mudana de planos. Vamos antes para casa. Subiu-a ao 
banco do passageiro ate levant-lo e colocou o cinto de 
segurana, logo colocou uma camisa, umas bermudas e uma escova 
de cabelo em seu colo. Quando estivermos na estrada pode 
trocar de roupa  explicou enquanto se colocava atrs do 
volante. Ligou o motor e colocou a marcha r. 

Esqueci uma Skipper na banheira. 


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Georgeanne pisou no freio e se voltou para olhar sua filha. 
Sabia que se no entrava de novo e pegasse a Skipper, Lexie se 
preocuparia e zangaria e falaria disso todo o caminho at 
Seattle. 

Qual? 

A que Mae me deu de presente de aniversrio. 

Em que banheira? 

Na do banheiro que h ao lado da cozinha. 

Georgeanne abriu bruscamente a porta do carro e saiu. 

O motor est ligado, ento no toque em nada. 

Lexie encolheu os ombros sem se comprometer. 

Georgeanne correu pela primeira vez desde a infncia. Voltou 
correndo a casa e entrou no banheiro. A Skipper estava sentada 
na bandeja do sabo na parede de azulejo, a pegou pelas pernas. 
Deu a volta e quase se chocou com John. Estava na porta com as 
mos apoiadas no marco de madeira. 

O que passa Georgeanne? 

O corao de Georgeanne deu um pulo. Odiou John. E se 
odiou a si mesma. Pela segunda vez em sua vida tinha deixado que 
a usassem. Pela segunda vez, tinha lhe causado tal dor que mal 
podia respirar. 

Saia do caminho, John. 

Onde est Lexie? 

No carro. Ns estamos indo. 

Ele entrecerrou os olhos. 

Por qu? 

Por voc. Lhe colocou as mos no peito e o separou de um 
empurro. 

Ele se moveu, mas ela no tinha chegado muito longe antes 
que ele a agarrasse pelo brao e a impedisse de chegar  porta 
principal. 

Age assim com todos os homens com os que se deita ou 


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essa sorte s a tenho eu? 

Georgeanne se voltou para ele e o pegou com sua nica arma. 
O golpeou no ombro com a boneca molhada. A cabea da boneca 
se desprendeu e voou at a sala de estar. Georgeanne fervia de 
fria e sentia que perderia a cabea igual  pobre Skipper. 
John olhou para cima da boneca sem cabea em seu rosto. Suas 
sobrancelhas arqueadas. 

O que h de errado? 

A graa inata do Sul, as aulas de boas maneiras de Miss Virdi 
e todos os anos de boa educao de sua av foram frustradas no 
inferno da sua ira 

Afasta sua asquerosa mo de mim, porco filho de puta! 

John apertou sua presa e seus olhos brocaram os dela. 

Ontem  noite no pensava que fosse asqueroso. Posso ser 
um filho de puta, mas no pelo que fizemos juntos. Ontem  noite 
voc estava quente e eu duro e o solucionamos. Talvez no tenha 
sido a escolha mais sbia, mas foi a que tomamos. Agora o assuma 
como uma adulta, pelo amor de Deus. 

Georgeanne se soltou bruscamente e deu um passo atrs. 
Desejou ser grande e forte para poder lhe socar com fora. 
Desejou ser de pensamento rpido para poder lhe soltar as 
palavras mais fervorosas, dessas que poderiam cortar um 
corao em rodelas. Mas no era fisicamente forte, nem de 
lngua rpida sob presso. 

Se assegurou que estivesse muito contente ontem  noite, 
no foi? 

Ele piscou. 

Suponho que contente  uma palavra to boa como 
qualquer outra. Embora prefira saciada, no discutirei se quer 
utilizar contente. Voc estava contente. Eu estava contente. 
Os dois estvamos plenamente contentes. 

Ela o apontou com a Skipper sem cabea. 


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 um bastardo. Me utilizou. 

Genial. E quando foi isso? Foi enquanto colocava a lngua em 
minha boca ou quando me colocou as mos nas calas? A meu ver, 
nos utilizamos mutuamente. 

Georgeanne o fulminou com o olhar atravs da neblina 
vermelha que a envolvia. No falava do mesmo, ele ainda no 
havia ligado os pontos. 

Mentiu para mim. 

Sobre o que? 

Em lugar de lhe dar a oportunidade de mentir outra vez, 
Georgeanne foi  cozinha e rebobinou sua secretria eletrnica. 
Logo apertou o boto de play e observou a cara de John enquanto 
a voz de seu advogado enchia a silenciosa estadia. Seus traos 
no mostraram emoo alguma. 

Est fazendo uma montanha de um gro de areia  disse 
logo que a fita terminou. No  o que pensa. 

No era esse seu advogado? 

Sim. 

Ento qualquer outro contato entre ns se far atravs dos 
advogados. Ela estava mortalmente tranqila quando disse: 
Enquanto isso, se afaste de Lexie. 

Nem pense nisso. Ele se abateu sobre ela. Um homem 
grande e poderoso usando a fora para tentar fazer valer sua 
vontade. 

Georgeanne no se intimidou. 

No h lugar para voc em nossas vidas. 

Sou o pai de Lexie, no um idiota imaginrio chamado Tony. 
Mentiu a ela sobre mim toda sua vida.  hora que saiba a 
verdade. No importa que problemas ns tenhamos, isso no 
muda o fato que Lexie  minha filha. 

No te necessita. 

E uma merda. 


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No o deixarei se aproximar dela. 

No poder me deter. 

Sabia que era provvel que estivesse certo. Mas tambm 
sabia que faria algo para se assegurar de no perder sua filha. 

 Se mantenha afastado  o advertiu uma ltima vez, logo 
se voltou para sair com passos vacilantes. 
Lexie estava na porta da cozinha. Ainda vestia o pijama e 
ainda tinha o cabelo alvoroado ao redor da cabea. Cravava o 
olhar em John como se jamais o tivesse visto. Georgeanne no 
sabia quanto tempo levava ali, mas temia o que podia ter ouvido. 
Pegou Lexie pela mo e a tirou arrastada da casa. 

No faa isto, Georgeanne  gritou John. Podemos 
resolv-lo. Mas ela no se voltou. J tinha lhe dado muito. 
Tinha lhe dado seu corao, sua alma e sua confiana. Mas no 
lhe daria o mais importante de sua vida. Podia viver sem seu 
corao, mas no podia viver sem Lexie. 

Mae recolheu o jornal do alpendre de Georgeanne, logo 
entrou na casa. Lexie estava sentada no sof com uma madalena 
de framboesa na mo enquanto na televiso soava o tema musical 
da tribo dos Brady. As madalenas de framboesa eram as 
favoritas de Lexie e uma clara tentativa por parte de 
Georgeanne de curar as feridas com acar. Mas depois do que 
sua amiga tinha lhe contado por telefone na noite anterior Mae 
no estava segura que um doce fosse suficiente. 

Onde est sua mame?  perguntou Mae, lanando o jornal 
a uma cadeira. 

Fora  respondeu Lexie sem afastar os olhos da tela. 

Mae decidiu deixar Lexie sozinha um momento e entrou na 
cozinha para fazer uma xcara de caf expresso. Logo saiu e 
encontrou Georgeanne de p ao lado do alpendre de tijolo 
podando as rosas Albertine e lanando as flores mortas a um 


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carrinho de mo. Durante os ltimos trs anos Mae tinha 
observado como Georgeanne mimava as rosas para que cobrissem 
a prola que emoldurava a porta traseira. Uma profuso de 
dedaleiras rosas e de delfinos cor lavanda se estendia dos ps de 
Georgeanne at a cerca do jardim. O rocio matutino se pegava s 
ptalas delicadas e molhava a arena da bata de Georgeanne. Sob 
a seda laranja vestia uma camiseta enrugada e umas calas 
brancas de algodo. Tinha o cabelo recolhido em um despenteado 
coque e o esmalte cor malva das unhas de sua mo direita estava 
picado como se Georgeanne o tivesse mordiscado. A situao com 
Lexie era pior do que Mae tinha pensado. 

Dormiu um pouco ontem  noite? perguntou Mae do ltimo 
degrau do alpendre. 

Georgeanne negou com a cabea e pegou outra rosa murcha. 

Lexie no fala comigo. No me falou ontem no carro 
enquanto vnhamos a casa e no me fala hoje. No dormiu at ao 
redor das duas da madrugada. Lanou outra rosa ao carrinho 
de mo. O que est fazendo? 

Est vendo A tribo dos Brady  respondeu Mae, se 
movendo pelo alpendre de tijolo. Deixou o caf em uma mesa de 
ferro forjado e se sentou na cadeira combinando. Quando 
chamou ontem  noite, no me disse que estivesse to zangada 
para no poder dormir. Ela no costuma se comportar assim. 

Georgeanne deixou cair s mos e olhou para Mae por cima 
do ombro. 

J te disse que no fala comigo. J sei que ela no se 
comporta assim. Caminhou para Mae e deixou as tesouras de 
podar em cima da mesa. No sei o que fazer. Tentei falar com 
ela, mas me ignora. No princpio pensei que estava zangada 
porque estava gostando de estar na praia e a obriguei a ir-se 
dali. Agora sei que isso era simplesmente o que eu queria pensar. 
Deve ter ouvido a discusso entre John e eu. Georgeanne se 


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deixou cair na cadeira ao lado de Mae como se estivesse 

afundada na misria. Sabe que lhe menti sobre seu pai. 

O que vai fazer agora? 

Tenho que contratar um advogado. Bocejou e apoiou o 
queixo nas mos. No sei de onde vou tirar o dinheiro para 
pag-lo. 

Talvez John no pea a custdia. Talvez se falasse com ele, 
ele... 

No quero falar com ele  interrompeu Georgeanne, 
parecendo de repente cheia de energia. Se endireitou na cadeira 
e entrecerrou os olhos.  um mentiroso e um trapaceiro e no 
tem princpios de nenhum tipo. Se aproveitou de minha fraqueza. 
No deveria ter estado tantos anos sem manter relaes 
sexuais. Deveria ter te escutado. Tinha razo. Est claro que 
explodi e me converti em uma ninfomanaca. No acredito que o 
sexo seja o tipo de coisa que se deva conter at explodir. 

Mae sentiu que ficava com a boca aberta. 

Explodiu! 

OH, por completo. Estalei em pedacinhos. 

Com o jogador de hquei? 

Georgeanne assentiu com a cabea. 

Outra vez? 

Acredita que deveria ter aprendido a primeira vez. 

Mae no soube o que dizer. Georgeanne era uma das 
mulheres mais reprimidas que conhecia no que se referia ao sexo. 

Como ocorreu? 

No sei. Nos levvamos bem e simplesmente passou. 

Mae no se considerava uma promscua. S que no sabia 
dizer no todas as vezes que deveria. Em troca, Georgeanne 
sempre dizia no. 

Me enganou. Foi to maravilhoso e bom com Lexie que o 
esqueci. Bom, na realidade no me esqueci de quo falso pode 


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chegar a ser, s me permiti esquec-lo. 

Mae no acreditava no perdo e no esquecimento. Gostava do 
Deus colrico do Antigo Testamento, os castigos divinos do tipo 
olho por olho. Mas se dava conta que um tio bonito como John 
podia fazer que uma mulher passasse por cima algumas coisas, 
como ser abandonada em um aeroporto depois de uma trrida 
noite de paixo, sobretudo se  mulher a atraam cem 
quilogramas de puro msculo, o que, claro est, no era o caso de 
Mae. 

Nem sequer tinha que chegar to longe. Lhe dei tudo o que 
me pediu. Cada vez que queria ver Lexie, eu concordei. A clera 
ressurgiu junto com as lgrimas de Georgeanne. No tinha que 
se deitar comigo. No sou um caso de beneficncia. 

O certo era que Mae no acreditava que nenhum homem 
considerasse Georgeanne um caso de beneficncia nem sequer 
em seu pior dia, despenteada e desarrumada. 

Acredita que na realidade fez amor com voc porque sentiu 
lstima? 

Georgeanne deu de ombros. 

No acredito que na realidade fosse um sacrifcio para ele, 
mas sei que queria me manter contente at se reunir com seu 
advogado e poder decidir o que fazer para obter a custdia de 
Lexie. cobriu as bochechas com as mos.  to humilhante. 

O que posso fazer para ajudar? Mae se inclinou para 
frente e colocou a mo sobre o ombro de Georgeanne. 
Enfrentaria o mundo pelas pessoas que amava. Havia ocasies em 
sua vida em que tinha se sentido como se s tivesse feito isso. 
No era isso o que passava agora, mas quando Ray estava vivo, ela 
tinha lutado todas suas batalhas, especialmente na escola 
secundria quando tipos grandes e fornidos tinham pensado que 
era divertido bater nele com toalhas molhadas. Ray tinha 
acabado odiando o esporte e Mae aos esportistas. 


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O que quer que faa? Quer que fale com Lexie? 

Georgeanne negou com a cabea. 

Acredito que Lexie necessita tempo para ordenar seus 
pensamentos. 

Quer que fale com John? Poderia lhe dizer como se sente e 
talvez... 

No. limpou as bochechas com o dorso das mos. No 
quero que saiba que me fez mal outra vez. 

Poderia contratar a algum para quebrar os dois joelhos 
dele. 

Georgeanne fez uma pausa antes de dizer: 

No. No nos chega o dinheiro para contratar um valento 
profissional e  muito difcil encontrar ajuda desse tipo sem 
dinheiro. Olhe o que aconteceu a Tonya Harding. Mas obrigado 
pela idia. 

Bom... para que so os amigos? 

J superei uma coisa assim com John.  obvio, ento Lexie 
no existia, mas o superarei outra vez. Embora ainda no saiba 
como. Georgeanne segurou a bata com firmeza e franziu o 
cenho. E alm disso est Charles. O que vou dizer a ele? 

Mae pegou seu caf. 

Nada  respondeu e depois tomou um gole. 

Acredita que deveria lhe mentir? 

No. Simplesmente no diga. 

O que digo se me pergunta? 

Ps o caf sobre a mesa. 

Isso depende de quanto voc goste dele. 

Pois eu gosto o bastante de Charles. Sei que no parece, 
mas assim . 

Ento minta. 

Georgeanne afundou os ombros e disse suspirando: 

Me sinto to culpada. No posso acreditar que me metesse 


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na cama com John. Nem sequer pensei em Charles. Talvez seja 
uma dessas mulheres sobre as que leio no Cosmopolitan que 
estragam as relaes porque no mais profundo de seu ser 
acreditam que no so dignas. Talvez esteja destinada a amar a 
homens que no podem me corresponder. 

Ou talvez devesse deixar de ler o Cosmopolitan. 

Georgeanne negou com a cabea. 

Grande confuso montei. O que vou fazer? 

Superar.  uma das mulheres mais fortes que conheo.  
Mae bateu no ombro de Georgeanne. Tinha muita f na fora e 
determinao de sua amiga. Sabia que Georgeanne no sempre 
parecia uma mulher valente, mas sempre procurava a melhor 
maneira de alcanar seus objetivos. Oua, eu te disse que 
Hugh, o porteiro, me ligou enquanto estava no Oregn? 

O amigo de John? Para que? 

Queria sair comigo. 

Georgeanne cravou um olhar incrdulo em Mae durante uns 
momentos. 

Pensava que lhe tinha deixado claros seus sentimentos no 
dia que o encontrou diante do hospital. 

O fiz, mas voltou a me chamar. 

Srio? Querer que o golpeie com um stick. 

Sim, falamos disso. 

Bom, espero que o tenha nocauteado com delicadeza. 

Fiz. 

O que lhe disse? 

Diabos, que no. 

Normalmente Georgeanne e Mae teriam discutido pelo rude 
rechao de Mae. Mas esta vez Georgeanne encolheu os ombros e 
lhe disse: 

Bom, suponho que no ter que se preocupar que volte a 
chamar. 


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Voltou a faz-lo, mas acredito que o fez s para me 
incomodar. Me ligou para perguntar se ainda domava pitbulls. 

O que lhe disse? 

Nada. Bati o telefone, e s me ligou uma vez mais aps. 

Bom, estou segura e que o melhor ser nos manter 
afastadas de todos os jogadores de hquei.  o mais conveniente 
para as duas. 

Isso no supe nenhum problema para mim. Mae pensou 
em contar a Georgeanne algo sobre seu ltimo noivo, mas ao final 
decidiu no faz-lo. Estava casado e Georgeanne tendia a 
moralizar sobre coisas como essas. Mas Mae no sentia 
escrpulos de se deitar com o marido de outra mulher sempre 
que no tivesse filhos. No queria casar. No queria olhar a cara 
do mesmo homem todas as noites na hora do jantar. No queria 
ser sua criada nem parir seus bebs. S queria sexo e os homens 
casados eram perfeitos. Ela marcava as pautas e controlava 
quando, onde e cada quanto tempo. 

Nunca havia dito a Georgeanne que saa com homens casados. 
Porque, embora aparentemente Georgeanne sentisse uma 
absoluta debilidade carnal por John Kowalsky, s vezes podia ser 
muito puritana. 

Captulo 15 

Depois de horas de duro treinamento, treinadores e 
jogadores ocupavam a pista ensaiando tiros ao gol. Depois de 
estarem trs dias concentrados, os Chinooks estavam prontos 
para se divertir. Dois membros da equipe de porteiros estavam 
de ccoras em extremos opostos da pista de patinao, olho 
atento, em espera que algum lanasse o disco para o gol. 

Os srdidos e brutos comentrios e o constante zas-zaszas
 dos patins invadiam os ouvidos de John enquanto 


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ziguezagueava pelo gelo. As mangas de sua camiseta de 
treinamento ondeavam enquanto serpenteava entre a marabunta 
humana. Mantinha a cabea alta enquanto deslizava o disco de 
borracha junto  folha do stick. Sentiu como uma defesa novata 
de terceira linha lhe jogava o flego no cangote e para evitar 
ficar apanhado contra a barreira lanou um disparo baixo para 
Hugh Miner. 

Engula isso agricultor  lhe disse enquanto carregava seu 
peso nas lminas dos patins para parar bruscamente diante do 
gol. Uma fina orvalhada de gelo alcanou as joelheiras de Hugh. 

 minha runa, velho  se queixou Hugh, lhe devolvendo o 
disco de borracha. Logo olhou ao outro extremo da pista, se 
encurvou outra vez e golpeou seu stick contra os postes da 
portaria, recuperando sua compostura sem afastar os olhos do 
resto dos jogadores. 

John riu e patinou de retorno ao centro da ao. Ao terminar 

o treinamento estava modo pelo esforo, mas feliz de ter 
retornado  luta. Mais tarde no vesturio, entregou seus patins a 
um dos kits homens para que estivessem afiados no dia seguinte 
e tomou uma ducha. 
Oua, Kowalsky  o chamou um ajudante de treinador da 
porta do vesturio. O senhor Duffy quer te ver quando estiver 
vestido. Est com o treinador Nystrom. 

Obrigado, Kenny. John atou os sapatos, passou pela 
cabea uma camiseta verde com o logotipo dos Chinooks e a 
colocou dentro das calas azuis de nilon. Seus companheiros de 
equipe perambulavam pelo vesturio com diferentes graus de 
nudez falando de hquei, contratos e as novas regras da NHL 
como todos os princpios de temporada. 

No era estranho que Virgil Duffy pedisse a John que se 
reunisse com ele, especialmente, quando o diretor geral da 
equipe estava medindo o terreno para fichar um novo talento. 


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John era o capito dos Chinooks. Era um veterano e ningum 
conhecia o hquei melhor que os homens que havia jogando desde 
que eram meninos. Virgil respeitava a opinio de John e John 
respeitava a capacidade de Virgil para os negcios, embora s 
vezes no estivessem de acordo. Nesses momentos discutiam por 
um bom defesa de segunda linha. As boas defesas no eram 
baratas e Virgil nem sempre estava disposto a pagar milhes por 
um determinado jogador. 

Enquanto se aproximava dos escritrios de direo John se 
perguntou como Virgil reagiria quando se inteirasse da existncia 
de Lexie. No acreditava que o velho se sentisse muito contente, 
mas j no temia ser transpassado. Embora tampouco 
descartasse a possibilidade por completo. Virgil podia ser to 
imprevisvel como um vulco. Quanto mais Virgil demorasse em 
descobrir o que tinha acontecido sete anos antes, melhor. John 
no mantinha Lexie em segredo de propsito, mas tampouco 
acreditava que tivesse que esfregar a ela pelos narizes de Virgil. 

Pensou em Lexie e franziu o cenho. Desde aquela manh em 
Cannon Beach, fazia j ms e meio, Georgeanne tinha mantido 
Lexie separada dele. Ela tinha contratado a um advogado 
elegante e preparado que tinha insistido em lhe fazer um teste 
de paternidade. Logo, tinha atrasado o exame durante semanas, 
mas no dia em que a prova pedida pelo tribunal devia ser 
realizada, ela tinha mudado radicalmente de atitude e tinha 
assinado um documento legal admitindo que ele era o pai. Com a 
rubrica de Georgeanne, John foi declarado legalmente pai de 
Lexie. 

Tinham escolhido um assistente social de oficio para 
entrevistar John e inspecionar sua casa flutuante. O mesmo 
assistente tinha falado com Georgeanne e Lexie, e tinha 
recomendado vrias visitas curtas de apresentao entre o pai e 
a menina antes de permitir a John ter Lexie durante perodos de 


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tempo mais longos. Ao final do perodo de apresentao, John 
receberia a mesma custdia compartilhada que os pais que se 
divorciaram e tudo isso sem nem sequer ter se apresentado 
diante de um juiz. Uma vez que Georgeanne tinha reconhecido 
legalmente a John como pai de Lexie, tudo tinha comeado a se 
mover com suma rapidez. 

John endureceu o cenho. Por hora Georgeanne seguia tendo o 
controle e embora no gostasse de jeito nenhum, era bvio que 
ela desfrutava com a experincia. Pois bem, que o fizesse 
enquanto pudesse, porque ao final o que Georgeanne quisesse no 
ia ter importncia. Ela no queria que pagasse a manuteno da 
menina, nem sequer a parte que lhe correspondia, nem o seguro 
mdico. Atravs de seu advogado tinha devotado muito dinheiro 
e tambm o seguro completo. Queria manter sua filha e estava 
disposto a pagar o que necessitasse, mas Georgeanne tinha 
rechaado tudo. Segundo seu advogado, ela no queria nada dele. 
Mas no lhe ia ficar outra opo. Os advogados j estavam pondo 
os pontos sobre os s. Georgeanne teria que aceitar o que lhe 
oferecia. 

No a tinha visto, nem tinha falado com ela desde aquela 
manh na casa da praia quando tinha ficado histrica por nada. 
Tinha arruinado tudo se saindo de me para cham-lo mentiroso 
quando, realmente, no lhe tinha mentido. De acordo, 
possivelmente a primeira noite quando tinha ido a sua casa 
flutuante tinha mentido por omisso. Tinham concordado em no 
colocar no meio aos advogados, mas duas horas antes que ela 
tivesse aparecido em sua porta ele j tinha contratado Kirk 
Schwartz. J tinha uma idia bsica de seus direitos antes que 
tivesse falado com ela essa noite. Talvez devesse ter lhe dito, 
mas tinha acreditado que ficaria como uma pantera e que 
trataria de o afastar de Lexie. E tinha estado certo. Apesar de 
tudo, no mudaria o que tinha feito. Tinha que se informar. Tinha 


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que conhecer seus direitos legais no caso de que Georgeanne se 
mudasse e se casasse ou o impedisse de ver Lexie. Tinha querido 
saber quem figurava como pai no nascimento de Lexie. Tinha 
querido saber tudo. O futuro de Lexie era muito importante para 
ignorar seus direitos legais. 

A imagem de Lexie na cozinha de sua casa em Cannon Beach 
ainda permanecia viva em sua mente. Recordava a confuso de 
sua cara e o olhar desconcertado de seus olhos quando o tinha 
olhado por cima do ombro enquanto Georgeanne a arrastava pela 
calada. Ele no tinha querido que soubesse desse modo. Tinha 
querido passar antes mais tempo com ela. E tinha querido que se 
alegrasse tanto como ele pela notcia. No sabia o que pensava 
agora, mas o faria em pouco tempo. Em dois dias seria a primeira 
visita legal. 

John entrou nos escritrios de direo e fechou a porta 
atrs dele. Virgil Duffy estava sentado em um sof estofado no 
Naugahyde e tinha posto um traje de linho da Quinta Avenida e 
um bronzeado caribenho. 

Olhe isso  disse Virgil, mostrando a tela de um televisor 
porttil. Esse menino  feito de cimento. 

Sentando atrs da escrivaninha, Larry Nystrom no parecia 
to entusiasmado como ele. 

Mas no sabe atirar com pontaria. 

A qualquer jogador lhe pode ensinar a afinar a pontaria. 
Mas o que no pode  lhe ensinar coragem, e este j tem. Virgil 
olhou John e apontou com o dedo para a tela. O que voc opina? 

John estava sentado no outro extremo do sof e olhou a 
televiso bem a tempo de ver um novato dos Florida Panther 
encurralar Philly Flyer Eric Lindros contra a barreira. O 
sessenta e quatro, Lindros, tomou seu tempo antes de ficar em 
p para patinar lentamente ao banquinho. 

Posso te dizer por experincia pessoal que golpeia muito 


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duro. E tambm atira muito forte, mas no estou seguro que 

tenha potencial. Quanto vale? 

Quinhentos mil. 

John deu de ombros. 

Vale menos de quinhentos e necessitamos algum como 
Grimson ou Domi. 

Virgil negou com a cabea. 

Custam muito. 

Em quem mais esto pensando? 

Virgil apertou boto de avano rpido e os trs homens 
revisaram juntos outras partidas. O segundo treinador da equipe 
se sentou em frente do Nystrom com um monto de papis. 
Enquanto o vdeo seguia passando, revisaram cada pgina. 

Seu ndice de gordura corporal  menor de doze por cento, 
Kowalsky.  O treinador fez o comentrio sem levantar a vista. 

John no estava surpreso. No podia permitir o luxo de 
deixar que o peso o fizesse mais lento ainda e se esforou muito 
para se manter em forma. 

E Corbet?  perguntou por um companheiro de equipe. No 
treinamento lhe tinha dado a impresso que o lateral direito dos 
Chinooks passou o vero comendo churrasco e atirando a pana. 

Deus Santo!  amaldioou Nystrom. Seu ndice  de vinte 
por cento! 

De quem?  perguntou Virgil, apertando o boto de stop. O 
vdeo deteve a fita e na tela apareceu um anncio de uma 
emissora local. 

Esse maldito Corbet  respondeu o treinador. 

Vou ter que pr um maarico debaixo desse traseiro de 
gordura  ameaou o treinador. Terei que suspend-lo ou o 
enviar ao Jenny Craig. 

Encaminha a um endocrinologista  sugeriu John. 

O submeta a um dos regimes de Caroline  disse Virgil. 


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Quando faz um de seus regimes fica de muito mau humor.  
Caroline era a esposa de Virgil h quatro anos e s era dez anos 
mais jovem que seu marido. Pelo que John podia dizer, era uma 
mulher agradvel e pareciam felizes juntos . D a ele um tigela 
de arroz branco e um pedao de frango grelhado antes de cada 
partida, logo sente e desfruta vendo como chuta traseiros. 

O anncio terminou e uma voz que John no tinha ouvido em 
quase dois meses soou na televiso. 

Voltou a tempo  disse Georgeanne da tela de doze 
polegadas. Estou a ponto de acrescentar um pouquinho de 
pecado e no querer perder isso. 

Que diabos...  resmungou John e se inclinou para frente. 

Georgeanne abriu uma garrafa do Grand Marnier e serviu um 
pouco em uma taa. 

Agora, se tiverem crianas, tero que reservar um pouco 
do mousse antes de acrescentar o licor, ou pecado lquido como 
chamava minha av a todas as bebidas alcolicas. Seus olhos 
verdes olharam  cmara enquanto sorria. Se no puderem 
tomar lcool por motivos religiosos, so menores de idade ou se 
simplesmente preferem tomar seu pecado em um copo, podem 
prescindir do Grand Marnier e acrescentar em seu lugar raspas 
de laranja ralada. 

Ele cravou os olhos nela como um estpido roedor fascinado, 
recordando a noite em que lhe tinha servido uma grande dose de 
pecado. Logo,  manh seguinte, o tinha esmurrado com uma 
estpida boneca e o tinha acusado de utiliz-la. Era uma luntica. 
Uma louca vingativa. 

Vestia uma blusa branca com um grande pescoo bordado e 
um avental azul marinho preso ao redor do pescoo. Tinha o 
cabelo retirado da cara e uns brincos de prolas nas orelhas. 
Algum tinha se esforado muito em submeter sua evidente 
sexualidade, mas no importava. Estava ali de todos os modos. 


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Nesses olhos sedutores e nessa boca voluptuosa. E seguro que 
no era o nico que o via. Estava ridcula, como uma dos vigilantes 
da praia jogando s conchas. A observou remover o mousse com a 
colher em uma panela de porcelana e conversar sem cessar ao 
mesmo tempo. Quando terminou, levantou a mo, abriu os lbios e 
lambeu o chocolate dos ndulos. Ele se mofou porque sabia  
simplesmente sabia  que estava fazendo essa merda pela 
audincia. Era uma me, pelo amor de Deus. As mes que 
educavam meninas no deveriam se comportar como gatas sexys 
na televiso. 

O televisor ficou em branco de repente e John se deu conta 
que Virgil estava presente pela primeira vez desde que a cara de 
Georgeanne apareceu na tela. Parecia atordoado e um pouco 
plido sob o bronzeado. Mas, alm da impresso, sua cara no 
mostrava nada. Nem clera, nem fria. Nem amor, nem sequer 
traio pela mulher que o tinha plantado ante o altar. Virgil se 
levantou, lanou o controle ao sof e saiu pela porta sem dizer 
nada. 

John o viu partir, logo centrou a ateno nos outros homens. 
Estavam ainda falando do ndice de gordura. No tinham visto 
Georgeanne, mas embora o tivessem feito, John no acreditava 
que soubessem quem era. Pelo que significava para ele. Ou o que 
significava para Virgil. 

Georgeanne se sentia desfalecida. Tinha gravado seis 
programas e lhe parecia que no tinha melhorado de um a outro. 
Dizia a si mesmo que tinha que relaxar e se divertir. No se 
emitiam em direto assim se ficava muito nervosa, podia se deter 
e voltar a comear. Mas apesar disso, os nervos lhe revolviam o 
estmago enquanto olhava a cmara para confessar: 

No sei se sabero, mas sou de Dallas, a terra dos chapus 
grandes. Estudei arte culinria de todas as partes do mundo, mas 


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ganhei minhas esporas de cozinheira preparando pratos 
mexicanos. Quando  maioria das pessoas falam de cozinha 
mexicana, pensa em tacos cheios. Bom, hoje eu vou lhes ensinar 
algo diferente. 

Durante mais de uma hora Georgeanne picou mangas, chiles e 
tomates. Quando terminou, mostrou um prato, simples mas 
elegante, que j tinha preparado no forno com referncias 
texanas. 

Na semana que vem  disse, se detendo ao lado de um 
floreiro de margaridas amarelas, vamos abandonar 
temporalmente a cozinha e lhes ensinarei como personalizar os 
porta-retratos.  muito fcil e divertido. Espero ver todos. 

A luz de cima da cmara piscou e Georgeanne soltou um 
suspiro. Gravar o programa no tinha sido to mau. S lhe tinha 
cado o lombo uma vez e se confundiu trs vezes ao ler. No 
como no primeiro programa. O primeiro programa tinha requerido 
sete horas de gravao. Tinham-no emitido dias atrs e estava 
to segura que seu mousse de chocolate tinha sido um fracasso 
de audincia que nem sequer quis ver. Charles a tinha visto,  
obvio, e tinha assegurado que no a via nem gorda nem estpida. 
Mas no confiava em que no lhe estivesse mentindo. 

Lexie passou por cima de vrios cabos que havia no cho e 
caminhou para Georgeanne. 

Vou ao banheiro  anunciou. 

Georgeanne levou as mos  costas e soltou o avental. Tinha 
posto um microfone porttil. 

Espera um segundo e a acompanho. 

Posso ir sozinha. 

J a levo eu  disse uma jovem ajudante de produo. 

Georgeanne sorriu com gratido. 

Lexie franziu o cenho e pegou a mo da ajudante. 

J no tenho cinco anos  se queixou. 


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Georgeanne observou a sua filha partir e tirou o avental pela 
cabea. Uma das condies que tinha posto para fazer o 
programa era poder levar Lexie s rodagens. Charles tinha 
estado de acordo e tinha nomeado Lexie como assessora criativa. 
Lexie sugeria algumas idias e, quando ia ao estdio, ajudava 
Georgeanne a preparar os pratos que se faziam de antemo para 
mostr-los ao final. 

Hoje esteve genial  a saudou Charles, emergindo do fundo 
do estdio. Ele esperou at que lhe tiraram o microfone para 
rodear seus ombros com um brao. A resposta dos 
espectadores ao primeiro programa foi muito boa. 

Georgeanne soltou um suspiro de alvio e o olhou. Ela no 
queria que mantivesse o programa em antena por sua relao 
pessoal. 

Est seguro que no o diz s para ser amvel comigo? 

Charles beijou brandamente a tmpora de Georgeanne. 

Estou seguro  e ela sentiu seu sorriso quando disse: Se 
a audincia descende, prometo que a despedirei. 

Obrigado. 

De nada. Beijou-a no cocuruto e logo a soltou. Por que 
no vm Lexie e voc para jantar com Amber e comigo? 

Georgeanne pegou a bolsa de cima do mostrador da cozinha 
que era parte do estdio de gravao. 

No posso. John deve pegar Lexie esta noite para sua 
primeira visita. 

Charles juntou as sobrancelhas. 

Quer que a acompanhe? 

Georgeanne negou com a cabea. 

Estarei bem  disse, mas no acreditava. Temia sofrer 
uma crise nervosa depois que Lexie se fosse e queria estar 
sozinha se assim ocorria. Charles era um bom amigo, mas no 
podia ajuda-la nesse tipo de situaes. 


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Trs dias depois de retornar de Cannon Beach tinha 
informado a Charles sobre a viagem. De tudo exceto da parte do 
sexo. Ele no tinha gostado de ouvir que tinha passado todo esse 
tempo com John, mas tampouco tinha feito muitas perguntas. 
Entretanto, tinha lhe dado o nome do advogado de sua ex-mulher 
e voltado a oferecer o programa de televiso. Ela necessitava o 
dinheiro e tinha aceitado com a condio de que os programas 
fossem gravados em vez de em direto e de que Lexie pudesse 
acompanh-la. 

Uma semana mais tarde assinou o contrato. 

O que parece a Lexie  idia de passar mais tempo com seu 
pai? 

Georgeanne pendurou a bolsa em um ombro. 

O certo  que no sei. Sei que est um pouco confundida 
que seu sobrenome seja agora Kowalsky. Custa-lhe trabalho 
soletr-lo, mas alm disso no diz nada mais. 

No fala dele? 

Durante vrias semanas depois de saber que John era seu 
pai, Lexie tinha se mostrado fria e distante com Georgeanne. 
Georgeanne tinha tratado de lhe explicar por que tinha mentido 
e Lexie tinha escutado em silncio. Logo tinha derrubado toda 
sua clera nela com palavras fervorosas que fizeram mal s duas. 
Suas vidas nunca seriam a mesma. Mas pelo resto, voltava a ser a 
mesma menina que era antes de conhecer John. Embora houvesse 
momentos em que estava totalmente calada, Georgeanne no 
tinha que perguntar o que pensava, j sabia. 

Eu disse que John viria recolh-la para estar com ela esta 
noite. O nico que me perguntou foi quando a traria de volta. 

Lexie retornou dos asseios e os trs se encaminharam fora 
do estdio para a entrada dianteira do edifcio. 

Adivinha Charles. 

O que? 


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Estou em primeiro. O nome de minha professora  senhora 
Berger. Gosta dos hambrgueres sem presunto. Eu gosto porque 
 agradvel e porque temos um mascote em nossa classe.  de 
cor caf com leite e tem umas orelhas pequenas. Todo mundo o 
chama Stimpy. Eu queria que se chamasse Ponho, mas no 
consegui. Manteve uma contnua e agradvel conversa todo o 
caminho at o estacionamento. Mas durante o trajeto de carro 
at a casa esteve muito calada. Georgeanne tratou de falar com 
ela, mas era bvio que estava em outro mundo. 

De longe, Georgeanne viu o Range Rover de John estacionado 
diante de sua casa. Estava sentado no alpendre dianteiro com os 
ps separados e os antebraos apoiados nas coxas. Georgeanne 
estacionou o carro no caminho de entrada e olhou ao assento do 
acompanhante. Lexie tinha os olhos cravados na porta da 
garagem e mordia o lbio inferior com os dentes. Suas pequenas 
mos agarravam com fora a pasta que Charles lhe tinha dado 
para que pudesse escrever idias para os programas seguintes. 
No papel tinha desenhado diversos ces e gatos, e tinha escrito 
a palavra mascotes. 

Est nervosa? perguntou a sua filha, sentindo ela mesma 
os nervos no estmago. 

Lexie deu de ombros. 

Se no quiser ir, no acredito que a obrigue disse 
Georgeanne, esperando que fosse verdade. 

Lexie guardou silncio um momento antes de perguntar: 

Acredita que gosta de mim? 

Um n se formou na garganta de Georgeanne. Lexie, que 
estava sempre to segura de si mesma, segura de que todo 
mundo a queria, no estava segura de seu pai. 

 obvio que gosta. Gostou desde a primeira vez que a viu. 

Ah  foi tudo o que disse. 

Saram juntas do carro e subiram a calada. Com o olhar 


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oculto atrs dos culos de sol, Georgeanne o observou levantar. 
Parecia informal e relaxado com umas calas beges de sarja, uma 
camiseta branca e uma camisa xadrez que usava solta e sem 
abotoar. Tinha o cabelo escuro mais curto que a ltima vez que o 
tinha visto e a franja caa despenteado sobre a testa. Tinha o 
olhar fixo em sua filha. 

Ol, Lexie. 

Ela baixou a vista a sua pasta como se de repente estivesse 
absorta em outra coisa. 

Ol. 

O que tem feito desde a ltima vez que a vi? 

Nada. 

Como vai na escola? 

No o olhava. 

Bem. 

Voc gosta da professora? 

No est mal. 

Como se chama? 

Senhora Berger. 

A tenso era quase evidente. Lexie era mais amigvel com o 
carteiro que com seu pai e ambos sabiam. John levantou a vista 
para Georgeanne com a acusao escrita em seus olhos azuis. 
Georgeanne se enfureceu. Talvez no gostasse, mas nunca tinha 
dito nenhuma s palavra m em seu contrrio, ao menos, no 
diante da menina. Que no estivesse disposta a se deitar e a se 
deixar pisotear por ele no queria dizer que fosse tentar 
influenciar Lexie de algum jeito. Tambm ela estava 
surpreendida pelo incomum acanhamento de Lexie, mas conhecia 
a razo. A causa de sua reserva estava diante dela com a forma 
de um homem grandote e musculoso; agora no sabia como tratar 
com ele. 

Por que no conta a John de seu mascote?  sugeriu ela, 


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introduzindo o tema do que mais Lexie falava ultimamente 

Temos um mascote. 

Onde? 

No colgio. 

John no podia acreditar que esta fosse a mesma menina que 
tinha conhecido em junho. Olhou-a e se perguntou onde estaria 
sua charlatona filha. 

Quer entrar?  perguntou Georgeanne. 

Ele teria preferido sacudi-la e lhe exigir que contasse o que 
tinha dito a sua filha. 

No. No temos tempo. 

Onde vo? 

Ele olhou os grandes culos de sol de Georgeanne e pensou 
em lhe dizer que no era assunto dela. 

Quero mostrar a Lexie onde vivo. Alcanou a bolsa e a 
tirou de Lexie. A trarei de volta s nove  disse, e deu as 
costas a Georgeanne. 

Adeus, mami. Te quero. 

Georgeanne olhou para baixo e esboando um falso sorriso 
disse: 

Me d um beijo, carinho. 

Lexie ficou nas pontas dos ps para dar um beijo de 
despedida em sua me. E enquanto observava, John soube que 
queria o que Georgeanne tinha. Queria o amor e o afeto de sua 
filha. Queria que o rodeasse com seus braos, que o beijasse e 
lhe dissesse que o queria. Queria que o chamasse papai. 

Tinha a segurana que assim que levasse Lexie a sua casa e 
ela relaxasse, uma vez que estivesse longe da influncia de 
Georgeanne, voltaria a ser a menina que conhecia. 

Mas isso no ocorreu. A menina que recolheu s sete era a 
mesma menina que levou de retorno s nove. Falar com ela foi 
como patinar atravs do gelo: suave e lento, e condenadamente 


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desesperador. No havia dito nada sobre sua casa flutuante e 
no tinha querido saber imediatamente onde estavam todos os 
banheiros, o que o assombrou porque em Cannon Beach a situao 
dos banheiros tinha parecido um assunto de estado. 

Tinha lhe mostrado o quarto de convidados que tinha 
preparado para ela, e lhe disse que iriam s compras e que lhe 
compraria algo que quisesse. Tinha pensado que gostaria da idia, 
mas a menina s tinha assentido com a cabea e tinha pedido sair 
ao andar de baixo. Tinha mostrado um pouco de interesse pelo 
navio ento tinham saltado no Sundancer e tinham navegado 
lentamente pelo lago. Tinha-a observado revisar a cabine e abrir 
a geladeira compacta sob o console. Tinha-a subido a seu colo 
para que pudesse dirigir o leme por si mesma. Lexie tinha 
arregalado muito os olhos e, por fim, as comissuras de sua boca 
tinham esboado um sorriso, mas no tinha dito nada. 

Quando a deixou na parte dianteira de sua casa duas horas 
depois de recolh-la, o estado de nimo de John era similar as 
nuvens que estavam se formando com rapidez no cu. No 
conhecia a menina com a que tinha passado a tarde, aquela no 
era sua Lexie. Sua Lexie sorria e ria bobamente sem deixar de 
falar pelos cotovelos. 

Mal o Range Rover tinha aparecido e Georgeanne j estava 
fora de sua casa caminhando para eles. Tinha posto um vestido 
solto de renda que revoava ao redor de seus tornozelos quando 
se movia e recolheu o cabelo em um coque alto. 

Uma menina que estava no ptio em frente chamou Lexie e 
agitou freneticamente uma Barbie de comprido cabelo loiro. 

Quem ?  perguntou John enquanto ajudava Lexie a 
desabotoar o cinto de segurana. 

Amy  respondeu ela, abriu a porta, e saltou fora do Range 
Rover . Mame, posso ir brincar com Amy? Tem uma Barbie 
Sereia nova, que quero que veja porque  exatamente a que eu 


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quero. 

Georgeanne observou John que estava rodeando o Range 
Rover. Seus olhos se encontraram brevemente antes de olhar a 
sua filha. 

Vai chover. 

Por favor  implorou, pulando acima e abaixo como se 
tivesse uma mola nos calcanhares. S uns minutos? 

Quinze minutos.  Georgeanne pegou Lexie pelo ombro 
antes que pudesse sair correndo. Que diz a John? 

Lexie parou e o olhou  altura do estmago. 

Obrigado, John  disse virtualmente em um sussurro. O 
passeio foi bom. 

Nada de beijos. Nem te quero papai. No tinha esperado 
amor e afeto to cedo, mas enquanto olhava ao cocuruto de 
Lexie, soube que teria que esperar bastante mais do que pensava. 

Talvez na prxima vez vamos ao Key Areia e assim ver 
onde trabalho  ao ver que sua idia no era bem recebida 
acrescentou: ou podemos ir  alameda.  John odiava a 
alameda, mas por ela faria algo. 

Lexie franziu os lbios. 

De acordo  disse, logo caminhou para o meio-fio, olhou a 
ambos os lados da estrada e, ao ver que no se aproximava 
nenhum carro, cruzou. Oua, Amy  gritou , adivinha o que 
fiz hoje. Subi a um navio e passeamos at Gs Works Park, e vi 
um peixe enorme que saltava fora da gua e John tentou agarrlo. 
John tem uma cama e uma geladeira em seu navio, e alm me 
deixou dirigir o leme um pouquinho. 

John observou s duas garotinhas caminhar para a porta 
principal da casa de Amy, logo girou para Georgeanne. 

O que lhe tem feito? 

Ela levantou o olhar para ele e juntou as sobrancelhas. 

No lhe tenho feito nada. 


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E uma merda. No  a mesma Lexie que conheci em junho. 
O que disse a ela? 

Ela cravou os olhos nele durante uns momentos antes de 
sugerir: 

Entremos. 

Ele no queria entrar. No queria tomar ch e discutir as 
coisas racionalmente. No queria cooperar com ela. Estava 
furioso e queria gritar. 

Estamos bem aqui. 

John, no penso ter esta conversa com voc na grama de 
diante de minha casa. 

Devolveu-lhe o olhar, logo fez um gesto para que ela o 
guiasse. Enquanto a seguia rodeando a casa, manteve o olhar em 
sua nuca deliberadamente. No queria notar como se movia. No 
passado tinha apreciado como o movimento de seus quadris fazia 
que o vo de seus vestidos revoasse. Agora no estava de humor 
para apreciar nada referente a ela. 

Seguiu-a at o ptio traseiro onde destacava a cor bolo, um 
caleidoscpio feminino tpico de Georgeanne. As flores se 
agitavam com a brisa da tormenta que estava se formando 
enquanto um aspersor giratrio regava a erva coberta de flores 
brancas e azuis. Um carrinho de plstico, que reconheceu da 
primeira vez que tinha visto Lexie, estava ao lado de um carrinho 
de mo. Ambos estavam carregados com escova e flores mortas. 
Quando percorreu o ptio com o olhar, se sentiu ferido pelo 
contraste entre suas casas. A de Georgeanne tinha um ptio e um 
balano, um jardim de flores e uma grama que precisava ser 
regada. Ela vivia em uma rua onde um menino podia montar a 
bicicleta e onde a calada era lisa para que Lexie patinasse. O 
que John pagava por atracar a casa flutuante no porto era quase 

o mesmo que Georgeanne pagava pela hipoteca. Ele tinha uma 
grande vista e uma casa enorme, certo, mas no era um lar de 

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verdade. No como este. No tinha jardim, nem ptio, nenhuma 
calada lisa. 

Aqui vive uma famlia, pensou ele, enquanto via como 
Georgeanne fechava a torneira de gua que estava atrs das 
flores de lavanda. Sua famlia. No. No, sua famlia no. Sua 
filha. 

Antes de nada  comeou Georgeanne, se endireitando, 
nunca me acuse de fazer ou dizer nada que machuque Lexie.  
certo que eu no gosto de voc, mas nunca falei nada mau sobre 
voc diante de minha filha. 

No acredito. 

Georgeanne deu de ombros e lutou por manter uma calma que 
no sentia. Notava o estmago revolto enquanto John permanecia 
impassvel diante dela com to bom aspecto que dava vontade de 
comer-lhe com uma colher. Tinha pensado que poderia estar 
perto dele e dirigi-lo, mas agora j no estava to segura. 

No me importa o que acredite. 

Por que no fala comigo como o fazia antes? 

Ela podia lhe dar uma explicao, mas por que se incomodar? 
Por que deveria lhe ajudar a afastar sua filha dela? 

D tempo a ela. 

John negou com a cabea. 

O dia que a conheci falava sem parar. Agora que sabe que 
sou seu pai, mal diz uma palavra. No tem sentido. 

Mas sim tinha para Georgeanne. A nica vez que se encontrou 
com sua me tinha sentido terror que a rechaasse e no tinha 
sabido o que dizer ao Billy Jean. Georgeanne tinha vinte anos 
naquele tempo e s podia imaginar como se sentiria uma menina. 
O que acontecia com Lexie era que no sabia o que dizer a John 
e lhe dava medo ser ela mesma. 

John apoiou seu peso em um p e inclinou a cabea. 

Deve ter contado a ela um monto de mentiras sobre mim. 


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Sabia que estava ressentida, mas no pensei que chegaria a isto. 

Georgeanne rodeou a cintura com os braos e conteve a dor. 
Que tivesse uma opinio to baixa sobre ela a machucava embora 
no deveria ser assim. 

No  algum para me falar de mentiras. Nada disto teria 
ocorrido se no tivesse mentido sobre contratar um advogado. 
Voc  o mentiroso e ainda por cima  um esportista lascivo. Mas 
nenhuma dessas razes  suficiente para que diga a Lexie coisas 
ms de voc. 

John se balanou sobre os calcanhares e a olhou com os olhos 
entrecerrados. 

Ahh... Agora estamos chegando  essncia da questo. Est 
de saco cheio pelo que aconteceu no sof. 

Georgeanne confiou em que no lhe acendessem as 
bochechas, mas podia senti-las to avermelhadas como as de uma 
garota de secundria. 

Est insinuando que pelo que aconteceu entre ns trato de 
pr minha filha contra voc? 

Caramba, no insinuo nada. Estou dizendo isso sem rodeios. 
Est desgostosa porque no te enviei flores ou alguma panaquice 
do estilo. No sei, possivelmente despertou  manh seguinte 
querendo outro p rpido na ducha e como no estava ali para lhe 
dar isso se ps feito uma fria. 

Georgeanne j no pde conter mais a dor e explodiu. 

Ou talvez estivesse enojada por ter deixado que me 
tocasse. 

Dirigiu-lhe um sorriso ladino. 

No estava enojada. Estava quente. No tinha o bastante. 

Voc se supervaloriza  zombou Georgeanne. No foi to 
memorvel. 

Panaquice. Quantas vezes o fizemos? perguntou, logo 
sustentou em alto um dedo e contou. No sof. Fez uma pausa 


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para levantar outro dedo. No futn do mezanino com as 
estrelas iluminando seus seios nus. Trs dedos. Na jacuzzi 
com toda essa gua quente golpeando nossos traseiros e se 
derramando no cho. Tive que tirar o tapete no dia seguinte para 
que no apodrecesse no cho. Sorriu e sustentou em alto um 
quarto dedo. Contra a parede, no cho e em minha cama, o qual 
conto como uma s porque s gozei uma vez. Entretanto, acredito 
que voc gozou mais vezes. 

No o fiz! 

Sinto muito. Suponho que o confundo com a primeira vez no 
sof. 

Passou muito tempo nos vesturios  lhe disse apertando 
os dentes. Um homem de verdade no tem por que falar sobre 
sua vida sexual. 

Ele se aproximou um passo mais. 

Boneca, pela forma em que se comportou em minha cama 
diria que sou o nico homem de verdade que conhece. 

Tudo o que lhe dizia parecia ricochetear contra seu duro 
peito enquanto as palavras de John estavam rompendo seu 
corao. No ia ganhar, ento se esforou por parecer 
aborrecida. 

Se voc diz John... 

Ele se moveu at que s os separaram uns centmetros e um 
sorriso insolentemente presunoso lhe curvou os lbios. 

Se me pedir isso de boas maneiras posso te deixar polir 
meu stick. Aproximou sua cara mais a dela e perguntou com voz 
sedosa: Voc quer dirigir o Zamboni? 

Georgeanne agentou o tipo e o olhou com fixidez. Desta vez 
no ia perder os nervos e o insultar at ficar sem respirao 
como no Oregn. Elevou o queixo um pouco e lhe disse com um 
acento sulino cheio de censura: 

Est se pondo em ridculo. 


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Ele entrecerrou os olhos. 

E talvez se fosse um pouquinho mais amvel quando est 
vestida, j estaria casada a estas alturas. 

O mesmo de sempre, John invadia todo o espao. Tomava 
todo seu ar, mas conseguiu encher seus pulmes com o ar cheio 
do aroma de sua pele e seu aftershave. 

 voc o que me aconselha? Se casou com uma stripper 
quando estava bbado. 

Ele jogou a cabea para trs de repente e retrocedeu um 
passo. Ela podia deduzir por seu olhar que suas palavras 
finalmente tinham dado no alvo. 

Certo  disse ele. Realmente sempre me comportei como 
um boneco de pano ante um par de tetas grandes. Girou o pulso 
e olhou o relgio. Nunca passei isso to bem desde que quebrei 

o tornozelo em Detroit, mas agora tenho que ir. Estarei de volta 
na sbado para recolher Lexie. Tem preparada s trs.  Mal lhe 
dirigiu outro olhar enquanto se ia. 
Georgeanne levou uma mo  garganta e o viu caminhar para a 
porta traseira. Ela tinha ganhado. Finalmente tinha vencido John. 
No sabia como o tinha feito, mas definitivamente tinha chutado 
esse enorme ego. 

Sentiu uma opresso no peito e se dirigiu  escada do 
alpendre posterior da casa para sentar no ltimo degrau. 
Sim, tinha ganhado, mas por que no se sentia melhor? 

Captulo 16 

Esta sim que  gorda  resmungou Mae enquanto levava o 
Kahlua com creme at os lbios e bebia um gole. Uma brilhante 
sandlia negra pendurava precariamente dos dedos de seu p 
direito enquanto o balanava. Por cima da borda do copo 
observou o Chevy que passava lentamente pela frente dela 


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estralando e expulsando um monto de fumaa negra. Agitou a 
mo diante da cara e se perguntou se no teria sido um engano 
sentar no terrao. Desde essa mesinha tinha uma vista muito 
clara de qualquer que se dirigisse para a barra do antigo bar de 
jazz. O fluxo melodioso do saxofone deslizava atravs das 
portas abertas e enchia o escuro entardecer do centro da 
cidade. Ao redor dela, os casais falavam do mesmo que a maioria 
dos habitantes de Seattle: chuva, caf e Microsoft. 

Voltou a pr a bebida na mesa e jogou uma olhada ao relgio. 

No vem  disse a si mesma enquanto calava com 
brutalidade a sandlia. Era sexta-feira a noite. E, para variar, 
no tinha tido que trabalhar, mas parecia que pintou os lbios e 
os olhos para nada. Inclusive tinha posto um vestido. Um bonito 
vestido negro sem absolutamente nada debaixo. Estava 
congelando e seu ltimo amante, Ted, era o sujeito que no dava 
sinais de vida. 

Provavelmente sua esposa o teria retido, pensou, segurando a 
bolsa. Normalmente no levava bolsa, mas essa noite no tinha 
onde levar o dinheiro; nem sequer na roupa ntima. Pegou uma 
nota de dez e a deixou sobre a mesa. No ia esperar mais. No 
estava to desesperada. 

Ol, o que faz uma garota como voc em um lugar como 
este? 

Mae levantou o olhar e abriu a boca para dizer  mosca azul 
que se esfumasse. Mas em vez disso franziu o cenho e disse: 

E pensar que acreditava que a noite no podia ir pior. 

Hugh Miner riu e se dirigiu aos homens que estavam com ele. 

Siga adiante  disse, segurando uma cadeira da mesa de 
Mae, me reunirei com vocs em um momento. 

Mae observou como rodeava a mesa e pegou a bolsa. 

J ia. 

Pode ficar e tomar uma taa, no? 


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No. 

Por que no? 

Porque estou congelando, pensou. 

Por que ia querer faz-lo? 

Porque eu convido. 

As taas grtis nunca tinham sido um incentivo para Mae, 
mas justo nesse momento uma garonete ruiva se aproximou da 
mesa e comeou a se fazer de tola. Gorgojeou se esfregou 
contra o ombro de Hugh e, em resumo, fez de tudo menos ficar 
de joelhos para lhe fazer uma mamada. Era bonita, com grandes 
olhos azuis e um corpo precioso, pediu a Hugh um autgrafo, mas 
para sua surpresa ele declinou. 

Mas te direi que faremos, Mandy disse  garonete. Se 
me trouxer um copo e...  se interrompeu e fixou o olhar em 
Mae. O que est bebendo?  perguntou. 

Ela no podia sair. No agora. No quando Mandy a estava 
fulminando com os olhos. As mulheres nunca estavam ciumentas 
de Mae Heron. 

Kahlua com creme. 

Se me trouxer um copo e uma Kahlua com creme, estaria 
realmente agradecido  terminou. 

Como agradecido? 

Ela olhou ao redor, logo se apoiou nele e lhe sussurrou ao 
ouvido. 

Hugh riu baixo. 

Mandy  disse, de verdade no estou interessado e isso 
que est me propondo est proibido pela Lei em alguns estados. 
Embora tenha vindo com o Dmitri Ulanov que  estrangeiro e no 
sabe que poderiam prend-lo por isso que sugere. Possivelmente 
aceite sua oferta. 

Quando ela riu e partiu, Hugh se reclinou no assento e fixou 
o olhar no traseiro de Mandy. 


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Acreditava que no estava interessado  recordou Mae. 

No h nada mau em olhar  disse, centrando a ateno em 
Mae, mas no  to bonita como voc. 

Mae estava segura que ele dizia isso a todas as mulheres que 
conhecia e no se sentiu adulada. 

O que queria fazer com voc? 

Hugh negou com a cabea e seus olhos avel brilharam. 

Pois no saberia te dizer. 

Sempre  to discreto? 

Sim.  tirou a jaqueta de couro e a passou por cima da 
mesa. Seus ombros pareciam muito largos sob a camisa de cores. 

Me v um arrepio da?  perguntou enquanto aceitava 
agradecida a jaqueta. Ficava enorme e a sentiu quente sobre os 
ombros. E tinha o aroma almiscarado desse homem. 

Ele sorriu. 

Seus msculos so notveis, sim. 

Mae no teve que perguntar de que montculos falava, ela j 
os tinha sentido se esticar antes e tinha passado vergonha. 

Vai responder minha pergunta? perguntou. 

Que pergunta? 

O que faz uma garota como voc em um lugar como este? 

Como eu? 

Sim. Ele sorriu. Doce. Encantadora. Suponho que 
atrair a um monto de homens com essa sua personalidade to 
clida. 

Ela no acreditou que estivesse sendo gracioso. 

Quer saber de verdade por que estou aqui? 

Por isso perguntei. 

Podia mentir ou inventar algo. Mas no final decidiu 
impression-lo com a verdade. Arregaou os punhos da jaqueta e 
se apoiou na mesa. 

Espero a meu amante casado, vamos ter sexo duro toda  


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noite no Marriott. 

Merda! 

Tinha-o deixado aniquilado, bom. Agora seria de esperar que 
lhe largasse um cilindro sobre a integridade, um homem que 
suspeitava que levaria a quebra ao Departamento de Moralidade. 

Toda a noite? 

Decepcionada por essa reao, ela se reclinou. 

Bom, amos ter sexo duro, mas no apareceu. Suponho que 
no pde escapar. 

A garonete se aproximou para deixar as bebidas na mesa. 
Quando colocou a cerveja de Hugh diante dele, sussurrou-lhe 
algo ao ouvido. Ele negou com a cabea e procurou a carteira no 
bolso traseiro das calas, logo lhe duas dois notas de cinco. 

A garonete mal se afastou quando Mae perguntou: 

O que queria desta vez? 

Hugh levou a cerveja aos lbios e tomou um longo trago antes 
de pos-la com suavidade sobre a mesa. 

Saber se John ia aparecer esta noite. 

E vir? 

No, mas embora estivesse aqui, ela no  seu tipo. 

Mae tomou um gole de sua bebida. 

E qual  seu tipo? 

Hugh sorriu. 

Sua amiga. 

Quando ele sorria e lhe iluminavam os olhos dessa maneira, 
Mae podia entender por que algumas mulheres o encontravam to 
atrativo. 

Georgeanne? 

Sim. Rodeou o pescoo da garrafa com os dedos. Gosta 
de mulheres como ela. Sempre foi assim. Se no fosse assim, no 

o estaria passando to mal. O deixou destroado. 
Mae quase se engasgou com a bebida. Lambeu o licor de caf 

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do lbio e murmurou: 

Que o deixou destroado? Georgeanne  uma pessoa 
estupenda e ele converteu sua vida em um inferno. 

Eu no sei nada disso. S conheo a verso de John, bom, a 
verdade  que ele no fala de sua vida com ningum, mas sei que 
quando se inteirou da existncia de Lexie ficou gelado. Esteve 
uns dias tenso e com os nervos a flor da pele. S falava dela. 
Cancelou uma viagem a Cancn que levava meses preparando e 
passou tambm da Taa Mundial. Em vez disso convidou Lexie e 
Georgeanne a sua casa do Oregn. 

S porque queria conseguir com mentiras que Georgeanne 
confiasse nele para arruna-la, nos dois sentidos. 

Ele deu de ombros. 

No sei o que aconteceu no Oregn, mas tem sentido o que 
voc est insinuando. 

E sobre isso de que ele est .... 

Mae? Uma voz masculina os interrompeu. Ela girou  
esquerda e elevou o olhar para encontrar Ted que estava de p 
ao lado da mesa. Sinto o atraso, mas tive problemas para 
chegar a tempo. 

Ted era baixo e magro e Mae se fixou pela primeira vez que 
usava as calas muita subidas. Parecia muito adoentado ao lado 
do pedao de homem sentado do outro lado da mesa. 

Ol, Ted  Mae o saudou e logo apresentou a Hugh. Este 
 Hugh Miner. 

Ted sorriu e estendeu a mo ao conhecido porteiro. 

Hugh nem sorriu nem deu a mo a Ted. Levantou e olhou 
fixamente ao homem de menor tamanho. 

S lhe vou dizer isso uma vez  disse com voz acalmada. 
Vai pro inferno ou te darei uma surra. 

O sorriso de Ted e sua mo caram ao mesmo tempo. 

O que? 


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Se se aproximar de Mae outra vez, o golpearei at que no 
seja mais que um coto ensangentado. 

Hugh!  ofegou Mae. 

Logo quando sua esposa v ao hospital para identificar seu 
corpo  continuou, contarei a ela por que tive que te chutar o 
traseiro. 

Ted!  Mae ficou de p se colocando entre os dois 
homens. Est mentindo. No vai te fazer mal. 

Ted passou o olhar de Hugh ao Mae, logo sem dizer nenhuma 
palavra girou sobre os calcanhares e virtualmente correu rua 
abaixo. Mae soltou a jaqueta de Hugh na mesa e se aproximou 
dele. Fechando o punho comeou a lhe dar murros no peito. 

 um valento! As pessoas que estavam sentadas perto 
comearam a olh-la, mas no se importou. 

Ai. Ele levantou a mo e esfregou o peito. Para ser to 
pouca coisa, bate bastante forte. 

O que te passa? Era meu encontro  se enfureceu Mae. 

Sim, e deveria estar agradecida. Que verme. 

Ela sabia que Ted era um pouco verme, mas era um verme 
atrativo. Alm disso, tinha demorado trs meses para encontrlo 
e nem sequer o tinha provado. Pegou a bolsa da mesa e olhou ao 
final da rua. Se apurasse, ainda poderia alcan-lo. Quando 
estava partindo, sentiu que uns dedos lhe apertavam o brao com 
fora. 

Deixa que se v. 

No. Mae tratou de liberar o brao, mas no pde. 
Maldito seja  amaldioou enquanto via se desvanecer a ltima 
possibilidade de alcanar Ted. Seguro que j no me ligar 
mais. 

Seguro que no. 

Ela franziu o cenho ante a cara de risada de Hugh. 

Por que fez isso? 


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Ele deu de ombros. 

Eu no gostei. 

O que?  Mae riu sem humor. E a quem importa se voc 
gosta ou no? No necessito sua aprovao. 

No  o homem que necessita. 

Como sabe? 

Lhe sorriu. 

Porque te asseguro que esse homem sou eu. 

Desta vez a risada de Mae soou divertida. 

Deve estar brincando. 

Estou falando a srio. 

No acreditou. 

 exatamente o tipo de homem com o que no saio nunca. 

Que tipo? 

Ela olhou o brao que ele segurava com fora. 

O dos maches musculosos e egocntricos. Homens que 
acreditam que podem manipular aos que so menores e mais 
fracos que eles. 

Hugh lhe soltou o brao e pegou a jaqueta da mesa. 

No sou um egocntrico e no trato mal s pessoas. 

Srio? E que acaba de passar com o Ted? 

Ted no conta  ps a jaqueta sobre os ombros de Mae 
outra vez, mas seguro que ele sim tem essa sndrome dos que 
manipulam aos fracos e pequenos. Seguro que bate em sua 
mulher. 

Mae o olhou com o cenho franzido diante de to escandalosa 
hiptese. 

E o que passa comigo? 

Com voc? 

Me trata mal. 

Carinho, voc sim que me trata como se fosse um martelo 
de demolio. 


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Subiu-lhe o pescoo de sua jaqueta at o queixo e ps as 
mos sobre seus ombros. 

E acredito que voc gosta de mim mais do que quer admitir. 

Mae o percorreu com o olhar e fechou os olhos. Isto no 
podia estar passando. 

Nem sequer me conhece. 

Sei que  formosa e que penso todo o tempo em voc. Me 
sinto muito atrado por voc, Mae. 

Seus olhos se abriram de par em par. 

Por mim?  Os homens como Hugh no se sentiam atrados 
por mulheres como ela. Era um s do esporte. E ela era uma 
garota de peito plano muito magra que no tinha tido nenhum 
encontro at depois do bacharelado. No tem graa. 

No acredito que tenha. Eu gostei de voc desde a primeira 
vez que a vi no parque. Por que acredita que estive te ligando? 

Pensei que fazia isso com todas as mulheres. 

Ele riu. 

No. S a voc. Voc  especial. 

Por um momento Mae se permitiu acreditar. Por um momento 
se sentiu adulada pelos cuidados desse grande esportista, mas 
no tinha inteno de sair com ele. O momento durou at que 
recordou como se colocou com ela a primeira vez que se viram. 

 realmente imbecil  disse ela. 

Espero que me d  oportunidade de te fazer mudar de 
idia. 

Pegou-lhe o pulso. 

Asseguro que no tem graa. 

Nunca pensei que fosse gracioso. Normalmente sou eu 
quem rechao s garotas. Nunca tinha me sentido atrado por 
algum que me odiasse. 

Estava to srio que ela quase acreditou. 

Eu no o odeio  confessou. 


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Bom, isso  um princpio, acredito. Ele deslizou as mos 
dos ombros ao pescoo de Mae e lhe inclinou o queixo com os 
polegares. Ainda tem frio? 

Um pouco. O calor dessas mos na garganta se estendeu 
at seu ventre. Estava surpreendida e um pouco pasmada ante 
essa reao. 

Quer que peguemos as bebidas e entremos? 

A surpresa se transformou em confuso. 

Quero ir para casa. 

A decepo apareceu na careta que Hugh esboou e moveu as 
mos  parte superior de seus braos. 

A acompanharei ao carro. 

Vim de txi. 

Ento a levo para casa. 

De acordo, mas no o convidarei a entrar  disse ela. Havia 
mulheres que podiam considera-la promscua, mas ainda tinha 
suas regras. Hugh Miner era bonito e tinha xito, mas, embora 
se comportasse como um perfeito cavalheiro, no era seu tipo. 

Isso depende de voc. 

Digo a srio. No pode entrar. 

Certo. Se quiser, prometo que nem sequer descerei da 
moto. 

Moto? 

Bom, vim na Harley. Vai se encantar. Passou o brao 
sobre os ombros e se dirigiram para a entrada do bar. Antes 
tenho que procurar Dmitri e Stuart para lhes dizer que vou 
embora. 

No posso montar com voc em uma moto. 

Se detiveram na entrada e deixaram passar a um grupo na 
frente. 

Claro que pode. No deixarei que caia. 

No estou preocupada por isso. Ela o olhou  cara 


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iluminada pela luz alaranjada da lmpada que havia em cima da 

porta.  que no uso roupa de baixo. 

Ele ficou gelado durante uns segundos, logo sorriu. 

Bom quem diria. J temos algo em comum. Eu tampouco. 

John seguiu Caroline Foster Duffy atravs do corredor da 
grande casa de Virgil, em Bainbridge. Tinha o cabelo loiro com 
fios cinza e umas pequenas rugas tinham aparecido nas 
comissuras de seus olhos. Era uma dessas mulheres 
suficientemente afortunadas para maturar com graa e 
sabedoria. Tinha a sabedoria de no lutar contra a idade nem 
com uma tintura azul nem com cirurgia plstica e a graa para se 
manter bela aos sessenta e cinco anos. 

Virgil est te esperando  disse enquanto atravessavam a 
sala de jantar. Se deteve ante uma porta de folha dupla de 
mogno e olhou para John com a preocupao brilhando em seus 
olhos azul claro. Vou ter que pedir que sua visita seja o mais 
curta possvel. Sei que Virgil o chamou para te ver esta noite, 
mas leva um par de dias trabalhando mais duro que o normal. 
Est cansado, mas no descansa. Sei que lhe acontece algo, 
embora no me diz o que . Sabe que pode ser?  algo da equipe? 

No sei  respondeu John. Estava no segundo ano de um 
contrato de trs e no tinha que se preocupar das negociaes 
at o ano seguinte, ento duvidava que Virgil o tivesse chamado 
para discutir sobre seu contrato. E, alm disso, no se ocupava 
das negociaes em pessoa, pagava a uma agncia de 
representantes esportivos para que se encarregassem de seus 
assuntos profissionais. 

Acreditei que queria me falar das futuros inscries  
disse, embora pensava que o desejo de Virgil de falar com ele em 
pessoa resultava estranho, sobretudo, uma sexta-feira a noite. 

Caroline franziu o cenho antes de se voltar para abrir a 


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porta do escritrio. 

 John chegou anunciou, entrando no escritrio de Virgil. 
John a seguiu a uma sala decorada com couro e madeira cor 
cereja, esculturas de pescadores japoneses e litografias de 
Currier e Ives. As diferentes texturas davam impresso de 
riqueza e bom gosto. Mas s o deixo ficar meia hora -
continuou Caroline. Logo o acompanharei  porta para que possa 
descansar. 
Virgil levantou a vista dos papis dispersos pela escrivaninha. 

Fecha a porta ao sair  foi o que respondeu a sua esposa. 

Ela no disse nada, mas apertou os lbios em uma fina linha 
ao sair da sala. 

Por que no se senta? Virgil apontou uma cadeira no lado 
contrrio da escrivaninha. 

John escrutinou a cara do ancio, e soube por que o tinha 
chamado. A amargura e a fadiga tinha feito aparecer umas 
grandes olheiras sob os olhos de Virgil. Nesse momento 
aparentava os setenta e cinco anos que tinha. John se sentou em 
uma poltrona de couro e esperou. 

O outro dia parecia genuinamente surpreso ao ver 
Georgeanne Howard na televiso. 

Estava. 

No sabia que fazia um programa aqui em Seattle? 

No. 

Como  isso, John? Sei que se conhecem bem. 

Parece que, pelo que se v, no nos conhecemos tanto  
respondeu John, se perguntando o que Virgil sabia exatamente. 

Virgil pegou uma folha de papel e a passou por cima da 
escrivaninha. 

Este papel diz que est mentindo. 

John pegou o documento e rapidamente examinou a cpia da 

certido de nascimento de Lexie. Aparecia como o pai de Lexie, 


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algo que o agradava, mas no gostava que farejassem em sua vida 
pessoal. Lanou o papel em cima da escrivaninha e enfrentou ao 
olhar do Virgil. 

Onde obteve isto? 

Virgil agitou a mo para tirar a importncia da pergunta de 
John. 

 verdade? 

Sim, . Onde a conseguiu? 

Virgil encolheu os ombros. 

Contratei a algum para investigar um pouco Georgeanne e 
imagina minha surpresa quando vi seu nome. Sustentou em alto 
vrios documentos legais junto com a aceitao de John de sua 
paternidade. Virgil no os entregou, mas no precisava faz-lo. 
John tinha uma cpia em casa. Ao que parece teve uma menina 
com Georgeanne. 

Isso j sabia, por que no deixa de sandices e vai ao fundo? 

Virgil soltou os papis. 

Essa  uma das coisas que sempre gostei em voc, John. 
No anda com rodeios. E sem afastar o olhar, perguntou: 
Teve relaes sexuais com minha noiva antes ou depois que me 
deixasse plantado no altar me fazendo parecer um velho tolo e 
ridculo? 

Embora John no gostava que farejassem em seu passado ou 
em sua vida pessoal, nessa ocasio pensava que a pergunta de 
Virgil era algo justo. O respeitava o suficiente para acreditar 
que merecia uma resposta. 

Conheci Georgeanne depois que o abandou no casamento. 
Nunca a tinha visto antes; saa da casa quando eu ia e me pediu 
que a levasse. No usava vestido de noiva e no sabia quem era. 

Virgil se recostou na cadeira. 

Mas o averiguaria em algum momento. 

Sim. 


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E apesar de saber, deitou com ela. 

John franziu o cenho. 

Obviamente. Tal e como estavam s coisas, tinha feito um 
grande favor a Virgil levando Georgeanne do casamento. Ela 
podia ser muito mesquinha e John no acreditava que Virgil se 
tomasse nada bem que lhe dissessem que no era memorvel na 
cama. No como John. Virgil estava melhor sem ela. Ela podia 
conseguir que um homem se sentisse ardente e duro para logo 
faz-lo se envergonhar de si mesmo ao lhe recordar com aquela 
voz doce e afiada seu segundo casamento com uma stripper. Era 
muito cruel, disso no tinha nenhuma dvida. 

Quanto tempo foram amantes? 

No muito.  Conhecia Virgil e sabia que no o tinha 
chamado para ouvir os detalhes suculentos. Deixa de rodeios e 
vai ao fundo. 

 um jogador de hquei condenadamente bom e nunca me 
importou onde coloca o membro. Mas quando fodeu Georgeanne 
me fodeu . 

John se levantou e durante um segundo considerou saltar 
sobre a escrivaninha e golpear Virgil at lhe fazer perder o 
sentido. Se no tivesse sido to velho, o teria feito. Georgeanne 
era a mulher mais sedutora e ardente com a que tinha estado, 
mas no era uma mulher para transar e esquecer. Era muito mais 
que isso para ele e no merecia que falassem dela como se fosse 
lixo. Com muita dificuldade reprimiu a clera. 

Ainda no foi a fundo. 

Pode ter sua carreira com os Chinooks ou pode ter 
Georgeanne. Mas no pode ter as duas coisas. 

John no gostava que o ameaassem nem que se metessem 
em sua vida. 

Est me ameaando com um transpasse? 

Virgil estava mortalmente srio quando lhe disse: 


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S se me fora a faz-lo. 

John considerou dizer a Virgil que se fosse a merda e dar um 
chute em seu velho traseiro enrugado. Cinco meses antes o teria 
feito. Embora John adorasse jogar nos Chinooks e no se via 
jogando em outra equipe, no respondia bem s ameaas. Mas 
agora tinha muito a perder. Acabava de descobrir que tinha uma 
filha e acabavam de lhe dar a custdia compartilhada. 

Georgeanne e eu temos uma filha, ento talvez deveria me 
esclarecer o que entende por ter. 

Pode ver sua filha tudo o que queira  comeou Virgil. 
Mas no toque na me. No saia com ela. No case com ela, ou 
voc e eu teremos problemas. 

Se Virgil o tivesse ameaado assim h um ano ou to somente 
uns meses atrs, o mais provvel era que tivesse forado um 
transpasse. Mas como podia exercer de pai com Lexie se tinha 
que se mudar a Detroit, a Nova Iorque ou inclusive a Los 
Angeles? Como podia ver Lexie crescer se no viviam no mesmo 
estado? 

Demnios, Virgil  disse, observando-o, no sei quem 
desagrada mais ao outro, se Georgeanne a mim ou eu a ela. Se 
tivesse me perguntado isso na semana passada, poderia ter 
economizado preocupaes e me tivesse economizado o passeio 
at aqui. Quero Georgeanne quo mesmo a um gro no traseiro e 
ela me quer ainda menos. 

Os olhos cansados de Virgil chamaram John de mentiroso. 

Voc recorda o que te disse. 

No sou propenso a esquecer. John o olhou pela ltima 
vez, logo girou e saiu do escritrio. Saiu da casa com o ultimato 
de Virgil ressoando em seus ouvidos. Pode ter sua carreira com 
os Chinooks ou pode ter Georgeanne. Mas no pode ter as duas 
coisas. 

Esperou a balsa durante quinze minutos e quando chegou a 


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sua casa flutuante, o absurdo da ameaa de Virgil fez que 
esboasse um sorriso. Supunha que o velho pensava que tinha 
encontrado a vingana perfeita. E poderia ter sido, mas John e 
Georgeanne nem sequer podiam tolerar estar juntos na mesma 
sala. For-los a estar juntos teria sido um castigo mais 
apropriado. 

Timbres, sinos, gritos, chiar de aros e copos quebrados 
ressoaram nos ouvidos de John enquanto via como Lexie se 
chocava com violncia contra rvores, subia s caladas e 
atropelava aos pedestres. 

Sou bastante boa  gritou ela por cima desse caos. 

Cravou a vista na tela diante de Lexie e sentiu que 
comeavam a lhe palpitar as tmporas. 

Tome cuidado com essa senhora velha -advertiu muito 
tarde. Lexie a atropelou fazendo-a voar pelos ares. 

John no gostava muito nem dos vdeo-games nem das salas 
de jogos. No gostava dos centros comerciais, preferia comprar 

o que necessitava por correio, e tampouco estava acostumado a 
ir ver filmes de desenhos animados. A partida terminou e John 
girou o pulso para olhar o relgio. 
J  hora de ir. 

Ganhei, John?  perguntou Lexie, mostrando a pontuao 
na tela. No dedo mdio, tinha posto um anel de prata com 
filigranas que lhe tinha comprado em uma joalheria do Pike 
Agrada Market, e no assento junto ao dela estava o gato de 
cristal que lhe tinha comprado em outra loja. A parte de trs do 
Range Rover estava carregada de brinquedos e s estavam 
matando o tempo antes que ele e Lexie entrassem no cinema para 
ver O Corcunda de Notre Dame. 

Estava tratando de comprar o amor de sua filha. Era tenaz. E 
no se importava. Compraria-lhe algo, passaria horas em dzias 


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de salas de jogos ou vendo filmes da Disney, se com isso 
conseguia que sua filha o chamasse papai uma s vez. 

Quase ganhou  mentiu, pegando a mo dela. Pega o gato 
acrescentou; logo se dirigiram  sada da sala de jogos. Faria 
algo por ter diante dele  antiga Lexie. 

Quando a tinha pego antes em sua casa, tinha-a encontrado 
na porta sem rastro de sombras ou ruges. Era sbado, e embora 
preferia v-la sem maquiagem, estava to desesperado para que 
voltasse a ser a menina que tinha conhecido em junho que lhe 
tinha sugerido que colocasse um pouco de brilho nos lbios. Ela 
tinha declinado a sugesto com uma sacudida de cabea. 

Poderia ter tentado falar com Georgeanne de novo sobre o 
incomum comportamento de Lexie, mas no estava em casa 
quando foi procurar  menina. Segundo a bab, que usava um 
piercing no lado direito do nariz, Georgeanne estava trabalhando, 
mas voltaria para casa antes que ele retornasse com Lexie. 

Talvez pudesse falar com Georgeanne mais tarde, pensou 
enquanto se dirigiam ao cinema. Possivelmente por uma vez, 
poderiam se comportar como adultos razoveis para poder 
decidir o que era mais conveniente para sua filha. Sim, 
possivelmente poderiam. Mas havia algo em Georgeanne que fazia 
aflorar seus piores instintos e o desejo de se enfrentar com ela. 

Olhe! Lexie parou bruscamente e cravou o olhar na 
cristaleira da loja em frente. Atrs do cristal vrios gatinhos 
com listras rodavam como bolas peludas e se perseguiam ao 
redor de um raspador em forma de poste. Eram uns seis gatos 
recm-nascidos e ela os observava maravilhada, John espiou um 
vislumbre da garotinha que tinha roubado seu corao em 
Marymoor Park. 

Quer entrar e dar uma olhada rpida?  perguntou. 

O olhou como se tivesse sugerido um delito grave. 

Mame diz que eu no...  se interrompeu e lhe dedicou um 


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sorriso. Certo. Entrarei com voc. 

John abriu a porta da loja de animais para deixar sua filha 
entrar. A loja estava vazia com exceo de uma vendedora que 
escrevia algo em uma caderneta atrs do mostrador. 

Lexie passou com John o gato de cristal que lhe tinha 
comprado, logo caminhou para a jaula e se deteve diante. Colocou 
a mo dentro e moveu os dedos. Imediatamente, um listrado gato 
amarelo a pegou e lhe envolveu seu pequeno corpo peludo ao 
redor do pulso. Ela riu bobamente e levantou o gatinho a seu 
peito. 

John colocou a figura de cristal no bolso do peitilho de seu 
plo azul e verde, e logo se ajoelhou ao lado de Lexie. Arranhou 
ao gatinho entre as orelhas e com os ndulos roou o queixo de 
sua filha. No saberia dizer o que era mais suave. 

Lexie o olhou to excitada que mal podia se conter. 

Eu adoro, John. 

Ele tocou a pequena orelha do gatinho e voltou a acariciar o 
queixo de Lexie. 

Pode me chamar papai  lhe disse, contendo o flego. 

Os grandes olhos azuis de Lexie piscaram uma vez, duas 
vezes, logo ela escondeu um sorriso na parte superior da cabea 
do gatinho. Apareceu uma covinha em sua plida bochecha, mas 
no disse nenhuma s palavra. 

Todos esses gatinhos j esto vacinados  anunciou a 
vendedora atrs de John. 

John olhou a ponta das esportivas enquanto a decepo lhe 
embargava o corao. 

S estamos olhando disse enquanto se levantava. 

Posso lhes deixar esse gatinho listrado por cinqenta 
dlares.  uma pechincha. 

John acreditava que com a obsesso de Lexie pelos animais 
se Georgeanne tivesse querido que tivesse um, j o teria 


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comprado. 

Sua me provavelmente me mataria se aparecer em casa 
com um gatinho. 

E um cachorro? Justo acaba de me chegar um pequeno 
dlmata. 

Um dlmata? Lexie os ouviu. Tem um dlmata? 

Venham por aqui. A vendedora apontou para uma parede 
de canis de vidro. 

Lexie devolveu o gatinho  jaula com suavidade e se moveu 
para os canis. Os cubculos de vidro estavam vazios com exceo 
do dlmata, um co esquim na parte de trs e um rato grande 
sobre uma tigela de comida. 

O que  isso? perguntou Lexie, mostrando o rato quase 
sem cabelo com enormes orelhas. 

 um chihuahua.  um co muito pequeno. 

John pensou que no deveriam cham-lo co. Tremia-lhe todo 

o corpo e parecia pattico, era uma vergonha para a raa canina. 
Tem frio?  perguntou Lexie, pressionando a testa contra 
o vidro. 
Espero que no. Trato de mant-lo muito quente. 
Deve estar assustado. Colocou a mo no canil e disse: 
Tem saudades de sua mame. 

OH, no  disse John enquanto recordava como tinha tido 
que resgatar um peixe no Pacfico. Mas no se via fingindo salvar 
a um tremulo co estpido. No, no tem saudades de sua 
mame. Gosta de viver aqui sozinho. Com certeza gosta de passar 
a noite em seu prato de comida. Com certeza est sonhando algo 
agradvel agora mesmo, que se estremece porque est sonhando 
que h um forte vento. 

Os chihuahuas so uma raa nervosa  informou a 
vendedora. 
Nervosa? John apontou para o co. Est dormido. 


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A mulher sorriu. 

S necessita um pouco de calor e muito amor  disse; logo 
se dirigiu a umas portas de vaivm. Uns segundos mais tarde a 
parte de trs do canil de vidro se abriu e um par de mos 
agarraram ao co. 

Temos que ir se queremos chegar a tempo ao filme. John 
disse muito tarde. A mulher voltou e ps o co nos braos de 
Lexie. 

Como se chama?  perguntou Lexie enquanto olhava aos 
pequenos e brilhantes olhos que lhe devolviam o olhar. 

No tem nome  respondeu a mulher.  seu dono quem 
deve colocar  deixou de tremer. Lexie esfregou a bochecha 
contra a cara do cachorro e lhe lambeu a orelha. 

A pequena lngua rosada do co saiu como uma flecha e 
lambeu o queixo de Lexie. 

Gosta. 

John olhou o relgio, desejando que Lexie e o co se 
separassem. 

O filme vai comear. Temos que ir j. 

J o vi trs vezes  disse sem afastar os olhos do co.  
um cachorro precioso  disse com um acento arrastado muito 
parecido ao de sua me. Me d um beijo. 

No. John negou com a cabea, se sentindo de repente 
como um piloto de avio tentando aterrissar com um s motor. 
Nada de beijos. 

Deixou de tremer. Lexie esfregou a bochecha contra a 
cara do cachorro e lhe lambeu a orelha. 

Tem que devolv-lo. 

Mas o quero e me quer. No posso ficar com ele? 

OH, no. Sua me me mataria. 

No lhe importar. 

John ouviu a mentira na voz de Lexie e se ajoelhou a seu 


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lado. Podia sentir como o outro motor de seu avio imaginrio 
comeava a falhar. Tinha que pensar rapidamente algo antes de 
se estrelar contra o cho. 

Sim, far, mas sabe o que? Comprarei uma tartaruga para 
voc e pode te-la em minha casa, e cada vez que venha pode 
brincar com ela. 

Com o co feliz entre os braos, Lexie se apoiou no peito de 
John. 

No quero uma tartaruga. Quero ao pequeno Ponho. 

Ponho? No pode pr esse nome nele, Lexie. No  seu. 

As lgrimas comearam a cair dos olhos de Lexie e lhe 
tremeu o queixo. 

Mas o quero e me quer. 

No prefere ter um co de verdade? Podemos olhar ces 
de verdade no prximo fim de semana. 

Ela negou com a cabea. 

Este  um co de verdade. Mas algo pequeno. E no tem 
mame, e se o deixo aqui sentir minha falta e passar muito mal. 

 As lgrimas lhe empaparam as pestanas quando soluou. Por 
favor, papai, me deixe conservar a Ponho. 
O corao de John colidiu contra suas costelas e ameaou 
sair pela garganta. Olhou a cara lastimosamente triste de sua 
filha e finalmente se estrelou. Ardeu. Foi incapaz de impedi-lo. 
Era tolo, mas o tinha chamado papai. Pegou a carteira e 
entregou o dinheiro a feliz vendedora. 

De acordo  disse, a pegou e a estreitou entre seus 
braos. Mas sua mame vai nos matar. 

Srio? Posso ficar com Ponho? 

Suponho que sim. 

Seu pranto se incrementou e enterrou a cara no pescoo de 

seu pai. 
 o melhor papai do mundo  gemeu e ele sentiu a umidade 


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contra a pele. Serei boa pra sempre. Seus ombros tremeram, 

o co tremia e John temeu ficar a tremer tambm. Te quero, 
papai  sussurrou. 
Se no fazia algo rpido, comearia a chorar igual a Lexie. 
Comearia a chorar como uma garota ali mesmo, diante da 
vendedora. 

Eu tambm te quero  disse, logo pigarreou. Tambm 
compraremos comida. 

E provavelmente necessitaro uma gaiola  informou a 
vendedora pegando o carto de crdito. E como tem muito 
pouco cabelo tambm um suter. 

Quando John carregou Lexie, Ponho e os acessrios do co 
no Range Rover, tinha quase mil dlares a menos na conta. 
Enquanto atravessavam a cidade para Bellevue, Lexie falou sem 
parar e cantou canes de ninar ao co. Mas quanto mais se 
aproximavam de sua rua, mais calada estava. Quando John 
estacionou ao lado da calada, o silncio enchia o carro. 

John estendeu a mo a Lexie para sair do veculo e tampouco 
falaram enquanto caminhavam pela calada. Se detiveram sob a 
luz do alpendre olhando a porta fechada, pospondo o momento 
em que teriam que enfrentar Georgeanne com esse rato tremulo 
nos braos de Lexie. 

Vai se pr como uma louca informou Lexie apenas em um 
sussurro. 

John sentiu como sua mo agarrava a dele. 

Sim, vai nos xingar. 

Lexie no o corrigiu. S inclinou a cabea e disse: 

Sim. 

Pode ter sua carreira com os Chinooks ou pode ter 

Georgeanne. Mas no pode ter as duas coisas. Quase riu. 
Inclusive embora admitisse que estava loucamente apaixonado 
por Georgeanne, acreditava que depois dessa noite sua carreira 


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estava to segura como Fort Knox. 

A porta se abriu e a predio de John sobre as salpicaduras 
de merda se fez realidade. Georgeanne passou o olhar de John a 
Lexie, logo ao co que tremia nos braos de sua filha. 

O que  isso? 

Lexie se calou e a deixou falar com John. 

Ah, entramos em uma loja de animais... 

OH no!  gemeu Georgeanne. A deixou entrar em uma 
loja de animais? No pode deixa-la entrar. Da ltima vez que 
entrou chorou tanto que vomitou. 

Bom, o lado bom,  que d esta vez no ficou doente. 

O lado bom? Georgeanne apontou os braos de Lexie e 
gritou:  isso um chihuahua? 

Isso  o que disse a vendedora, mas eu no estou muito 
convencido. 

Devolva. 

No, me. Ponho  meu. 

Ponho? J lhe ps nome? Olhou para John e entrecerrou 
os olhos. Estupendo. Ponho pode viver com John. 

No tenho ptio. 

Tem coberta. Com isso basta. 

No pode viver com papai porque ento s poderia v-lo nos 
fins de semana, e no poderia lhe ensinar a se comportar. 

Ensinar a quem? A Ponho ou a seu papai? 

Isso no tem graa, Georgie. 

Sei. Devolva, John. 

Oxal pudesse. Mas a vendedora disse que no se pode 
devolver. No posso devolver Ponho. Via Georgeanne ali de p 
to bonita como sempre e muito, muito zangada. Mas pela 
primeira vez desde Cannon Beach no queria brigar com ela. No 
queria provoc-la mais. Sinto muito, mas Lexie comeou a 
chorar e no pude dizer no. Colocou nome e chorou em meu 


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pescoo e quando quis me dar conta, j tinha dado a vendedora 

meu carto de crdito. 

Alexandra Mae, entra em casa. 

Ho-Ho -disse Lexie, logo abraou seu co, agachou a 
cabea e passou correndo diante de sua me. 

John se moveu para segui-la, mas Georgeanne lhe cortou o 
passo. 

Falei a essa menina durante cinco anos que no pode ter um 
mascote at que cumpra dez. A leva umas horas e volta para casa 
com um co sem cabelo. 

Ele levantou sua mo direita. 

Sei e sinto muito. Prometo que comprarei toda sua comida 
e Lexie e eu o levaremos para adestrar. 

Posso pagar sua maldita comida! Georgeanne levantou as 
mos e pressionou a testa com os dedos. Sentia como se sua 
cabea fosse explodir. Estou to zangada que no posso 
pensar. 

Ajudaria que te dissesse que comprei um livro sobre essa 
raa? 

No, John  suspirou ela, deixando cair as mos. No 
ajudaria. 

Tambm tenho uma gaiola. A pegou pelo pulso e a 
arrastou com ele. Comprei um monto de coisas. 

Georgeanne tratou de ignorar a acelerao de seu pulso 
quando a pegou. 

Que tipo de coisas? 

Ele abriu uma das portas traseiras do Range Rover e viu uma 
pequena gaiola para ces. 

Suponho que passar a noite a e assim no far pipi no 
cho  disse, e logo colocou a cabea dentro do veculo outra 
vez. Aqui h um livro de treinamento, outro de chihuahuas e 
outro mais, fez uma pausa para ler o ttulo, Como educar um co 


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para viver com ele. Comida, biscoitinhos para ces, brinquedos 

para mastigar, colar e correia e um suter pequeno. 

Suter? Comprou tudo isto na loja? 

Vou fechar. Deu a volta e colocou a cabea pelo outro 
lado. 

Por cima da gaiola, Georgeanne percorreu com o olhar os 
bolsos traseiros da cala de John. Seu jeans estava descolorido 
em alguns lugares e estavam presos por um cinturo de couro. 

Sei que est por aqui em alguma parte  disse, e ela 
rapidamente olhou ao porta-malas do todo Ranger-Rover. Estava 
cheio de grandes bolsas de brinquedos e uma caixa onde punha 
The Ultime Hquei. 

O que  tudo isso?  perguntou, apontando-o com a cabea. 

John a olhou por cima do ombro. 

So coisas que comprei para Lexie. No tenho nada para ela 
quando est em minha casa, ento compramos algo. No posso 
acreditar quanto custam as Barbies. No sabia que valiam 
sessenta dlares cada uma.  Se endireitou e lhe deu um tubo. 
 a pasta de dente de Ponho. 

Georgeanne estava consternada. 

Pagou sessenta dlares por uma Barbie? 

Ele deu de ombros. 

Bom pensa que uma vinha com um co de ls, outra com uma 
jaqueta estampada de zebra e uma boina combinando, acredito 
que no me fraudaram muito. 

Tinham-no enganado. A poucos dias de abrir as caixas, Lexie 
teria essas bonecas nuas pela casa e pareceria que as tinha 
recolhido de uma loja de segunda mo. Georgeanne raramente 
comprava brinquedos caros para Lexie. Sua filha no os tratava 
melhor porque tivessem custado mais e, alm disso, tinha muitos 
meses nos que Georgeanne no poderia permitir o luxo de gastar 
cento e vinte dlares em umas bonecas. 


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Tinha tendncia a se voltar um pouco louca e gastar bastante 
nos natais e nos aniversrios, mas tinha que fazer clculos e 
economizar dinheiro para essas ocasies. John no o fazia. O 
ms passado, quando seu advogado tinha elaborado o acordo de 
custdia, se inteirou que John ganhava seis milhes de dlares ao 
ano jogando hquei e investindo. Ela nunca poderia competir com 
isso. 

Olhou a cara sorridente de John e se perguntou o que 
estaria tramando. Se no tomava cuidado, ele tomaria tudo e ela 
ficaria sem nada exceto esse co sem cabelo. 

Captulo 17 

 Como quer o caf? S ou com leite?  Georgeanne 
perguntou a Mae enquanto enchia o filtro metlico com caf 
expresso. 
Com leite  respondeu Mae sem deixar de olhar a Ponho 
que estava convexo mordiscando uma bolacha para ces. 
Demnios!, que co mais pattico. At meu gato  maior que esse 
vira-lata. Bootsie o comeria de um bocado. 

Lexie  gritou Georgeanne. Mae est insultando a Ponho 
outra vez. 

Lexie se dirigiu para a cozinha, fazendo dramalhes com as 
mos ocultas pelas mangas da capa de chuva. 

No insulte meu co. Franzindo o cenho pegou a mochila 
da mesa.  muito sensvel.  se ajoelhou e aproximou sua cara 
a do co. Agora tenho que ir a escola, te verei mais tarde. A 
mascote deixou de comer a bolacha o tempo suficiente para dar 
uma lambida na boca de lexie. 

Oua, j falamos que no pode fazer isso  admoestou 
Georgeanne enquanto agarrava uma caixa de leite desnatado da 
geladeira. Os ces tm hbitos pouco saudveis. 


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Lexie deu de ombros e se levantou. 

No me importa. Quero-lhe. 

Certo, mas a mim sim importa. Agora ser melhor que se 
apresse a recolher Amy ou perdero o nibus. 

Lexie franziu os lbios para lhe dar um beijo de despedida. 

Georgeanne meneou a cabea e acompanhou Lexie  porta 
principal. 

Eu no beijo s meninas que se dedicam a beijar ces que 
lambem o prprio traseiro. Da entrada observou como Lexie 
cruzava a rua e depois retornou  cozinha. Est louca por esse 
co  comentou a Mae enquanto jogava uma olhada  cafeteira. 
O tem h cinco dias e j est totalmente integrado em nossas 
vidas. Deveria ver a camiseta jeans que lhe fez. 

Tenho que te dizer algo  balbuciou Mae com rapidez. 

Georgeanne olhou a sua amiga por cima do ombro. Suspeitava 
que algo passava a Mae. Em geral no ia to cedo a sua casa para 
tomar caf e fazia dias que a encontrava algo distante. 

O que acontece? 

Quero-lhe. 

Georgeanne sorriu enquanto enchia a cafeteira com uma 
jarra. 

Eu tambm te quero. 

No. Mae meneou a cabea. No, me refiro a Hugh. 
Quero a ele, quero a Hugh, o porteiro. 

A quem? As mos de Georgeanne se detiveram no ar e 
enrugou o cenho. Ao amigo de John? 

Sim. 

Georgeanne colocou a jarra de vidro na cafeteira, mas se 
esqueceu de acend-la. 

Acreditava que o odiava. 

O fazia. Mas j no o fao. 

O que passou? 


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Mae parecia to confusa como Georgeanne. 

No sei! Me levou para casa de um pub na sexta-feira 
passada  noite e j no se foi. 

Esteve vivendo com voc os ltimos seis dias?  
Georgeanne se dirigiu  mesa da cozinha. Tinha que se sentar. 

Bom, na realidade, melhor dizendo durante as ltimas seis 
noites. 

Est brincando? 

No, mas entendo o que deve estar pensando. No sei como 
ocorreu. Estava lhe dizendo que no podia entrar em minha casa, 
e antes de saber o que acontecia estvamos nus e brigando por 
quem tinha que estar em cima. Ganhou e me apaixonei por ele. 

Georgeanne estava aniquilada pela impresso. 

Est segura? 

Sim. Ele estava acima. 

No queria dizer isso!  Se Georgeanne tivesse que mudar 
algo em Mae, seria a tendncia que sua amiga tinha em dar 
detalhes que ela no queria conhecer. Est segura que est 
apaixonada por ele? 

Mae assentiu com a cabea e, pela primeira vez em sete anos 
de amizade, Georgeanne viu que as lgrimas apareciam nos olhos 
castanhos de sua amiga. Mae era sempre to forte que o corao 
Georgeanne se rompia v-la chorar. 

OH, carinho  suspirou e se aproximou para se ajoelhar 
junto  cadeira de Mae. Sinto muito. Rodeou-a com seus 
braos tratando de reconfort-la os homens so imbecis 
perdidos. 

Sei  soluou Mae. Tudo era maravilhoso e vai e tem que 
fazer isso. 

O que ele fez? 

Mae se tornou para trs e olhou a cara de Georgeanne. 

Pediu que me casasse com ele. 


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Georgeanne caiu de traseiro, estupefata. 

Eu disse que era muito cedo, mas no quis me escutar. Me 
disse que me amava e que sabia que eu amava a ele. Pegou um 
extremo da toalha de linho de Georgeanne e o passou pelos 
olhos. J disse a ele que casar agora no era a melhor opo, 
mas no quis me escutar. 

 obvio que no te pode casar com ele agora. Georgeanne 
se pegou  mesa para ficar de p. Na semana passada nem 
sequer te caa bem. Como espera que tome uma deciso to 
importante em to pouco tempo? Seis dias no so suficientes 
para saber se quer passar o resto de sua vida com ele. 

Soube depois do terceiro dia. 

Georgeanne procurou outra vez a cadeira. Se sentia enjoada 
e teve que voltar a sentar. 

Est brincando comigo? Quer se casar com ele ou no? 

OH, sim. 

Mas, disse a ele que no? 

Eu disse que sim! Tentei lhe dizer que no, mas no me 
deixou  disse, e explodiu de novo em soluos. Deve soar 
estpido e impulsivo, minha nica desculpa  que o amo de 
verdade e no quero perder a oportunidade de ser feliz. 

No parece feliz. 

Sou! Nunca tinha me sentido assim. Hugh faz que me sinta 
bem inclusive quando pensava que era impossvel que me sentisse 
melhor. Me faz rir e pensa que sou divertida. Me faz feliz, mas... 

 se interrompeu para secar de novo os olhos. Quero que voc 
tambm seja feliz. 

Eu? 

Nos ltimos meses voc foi muito desgraada, em especial 

do que aconteceu no Oregn. Me sinto fatal porque voc est 
passando to mal e eu nunca fui mais feliz. 
Sou feliz  assegurou Mae, e se perguntou se seria 


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verdade. Nunca tinha parado a pensar como se sentia ante as 
coisas que lhe passavam. Se pensava friamente, nesses momentos 
a nica palavra que ia a sua mente era comoo. Mas esse no era 

o momento de examinar seus sentimentos e analis-los. Oua  
disse esboando um sorriso, alargando os braos para Mae e 
dando um tapinha na mesa. Por agora vamos nos concentrar em 
sua felicidade. Ao que parece temos que organizar um casamento. 
Mae colocou as mos sobre as de Georgeanne. 

Sei que tudo isto parece muito impulsivo, mas amo Hugh de 
verdade  disse, sua cara se iluminava quando pronunciava o 
nome dele. 

Georgeanne observou os olhos de sua amiga e deixou que o 
amor e a excitao que viu neles limpassem todas suas dvidas no 
momento. 

J escolheu um dia? 

Em dez de outubro. 

Mas se s faltam trs semanas! 

Sei, mas a temporada de hquei comea dia cinco em 
Detroit, e Hugh no pode perder a primeira partida da 
temporada. Depois tem que ir a Nova Iorque e a So Luis antes 
de retornar aqui para jogar nos dia nove contra Avermelhado, j 
que jamais perde uma partida contra Patrick Roy. Estivemos 
olhando todas as datas e as trs semanas seguintes parece que 
sero bastante tranqilas. Ento Hugh e eu nos casaremos dia 
dez, iremos uma semana a Maui de lua de mel, eu retornarei a 
tempo para o catering da festa dos Bennet, e Hugh ir a Toronto 
para jogar contra os Maple Leafs. 

Trs semanas  protestou Georgeanne. Como vou poder 
organizar um bom casamento em to somente trs semanas? 

No vai fazer. Quero que esteja no casamento, no na 
cozinha. Decidi contratar Anne Maclear para que se encarregue 
de tudo. Foi a que organizou o catering do banquete de Redmond 


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e estar encantada de aceitar o trabalho assim que se inteire. S 
quero duas coisas de voc. Que me ajude a escolher um vestido 
de noiva sabe que sou um desastre com esse tipo de coisas.  
provvel que escolha algo horroroso e nem sequer me inteire. 

Georgeanne sorriu. 

Eu adorarei te ajudar. 

Tenho que te pedir outra coisa mais.  Georgeanne apertou 
as mos dela com mais fora. Quero que seja minha dama de 
honra. Mas Hugh vai pedir a John que seja seu padrinho pelo que 
ter que estar com ele. 

As lgrimas puseram um n na garganta de Georgeanne. 

No se preocupe por ns. Eu adorarei ser sua dama de 
honra. 

H um problema mais e  o pior de todos. 

O que pode ser pior que planejar um casamento em trs 
semanas e ter que estar com John? 

Virgil Duffy. 

Georgeanne ficou paralisada. 

Eu disse a Hugh que no podamos convid-lo, mas Hugh no 
sabe como evitar isso. Pensa que se convidarmos seus 
companheiros da equipe e aos treinadores e instrutores, no 
poderemos ignorar o dono da equipe. Sugeri a ele que 
convidssemos s os amigos ntimos, mas seus companheiros de 
equipe so seus melhores amigos. Ento no sabemos como fazer 
para convidar a uns sim e a outros no. Mae cobriu a cara com 
as mos. No sabemos o que fazer. 

 obvio que convidaro a Virgil. Georgeanne tomou o 
controle, enquanto tinha a sensao que seu passado retornava 
para acoss-la. Primeiro John e agora Virgil. 

Mae meneou a cabea e deixou cair as mos. 

No posso fazer isso com voc. 

Sou adulta. E Virgil Duffy no me assusta  disse ao tempo 


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que se perguntava se realmente era certo. Ali sentada na 
cozinha, no estava assustada, mas no sabia como se sentiria 
quando o visse no casamento. Convide a ele e a qualquer pessoa 
que deseje. No se preocupe por mim. 

Eu disse a Hugh que o melhor seria ir a Las Vegas e que nos 
casasse um desses imitadores do Elvis. Isso solucionaria todos os 
problemas. 

De maneira nenhuma, Georgeanne no podia permitir que sua 
melhor amiga acabasse casando em Las Vegas por culpa dos 
enganos de seu passado. 

Nem te ocorra pensar nisso advertiu, elevando o nariz. J 
sabe o que opino a respeito das pessoas de mau gosto e que Elvis 
te case  do mais vulgar. E eu teria que te dar de presente algo 
igual de medocre. Algo que comprasse por televenda, como o 
cortador de vidro com o que pode fazer seus prprios vasos com 
garrafas de Pepsi. E sinto, mas acredito que se fizer isso, depois 
no me olhar igual. 

Mae riu. 

Certo, nada do Elvis. 

Bem. Ser um casamento precioso  predisse, e se 
levantou para ir procurar sua agenda. 

Juntas puseram mos  obra. Chamaram os fornecedores que 
Mae queria contratar, logo subiram ao carro de Georgeanne e 
conduziram at Redmond. 

Na semana seguinte, chamaram  floricultura e procuraram o 
vestido de noiva. Entre o Heron's, o programa de televiso, Lexie 
e a rapidez com a que se aproximava o casamento, Georgeanne 
no teve tempo para si mesma. O nico momento do dia em que 
podia sentar e relaxar um pouco eram as noites da segunda-feira 
e da quarta-feira, quando John levava Lexie e Ponho s aulas de 
treinamento de mascotes. Mas, inclusive ento, no podia 
relaxar. No quando John aparecia por sua casa, alto, atrativo e 


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cheirando como uma tardia brisa de vero. O olhava e esse 
estpido seu corao comeava a palpitar e, quando ele partia, 
seu peito doa. Voltou a se apaixonar por ele. S que desta vez se 
sentia mais infeliz que a anterior. Tinha estado firmemente 
convencida que j no se dedicava a querer aos que no podiam 
corresponder a seu amor, mas ao que parecia no era assim. 
Entretanto, apesar de ter quebrado seu corao, o mais provvel 
era que sempre amasse a John, que se apropriaria de seu amor e 
de sua filha e a deixaria sem nada. Mae se casaria e seguiria com 
sua vida. Georgeanne sentiu que a deixavam atrs. Sua vida era 
plena, mas apesar disso, os que mais amava tomavam caminhos 
que ela no podia seguir. 

Em uns dias, Lexie passaria seu primeiro fim de semana com 
John e conheceria Ernie Maxwell e  me de John, Glenda. Sua 
filha teria a famlia que Georgeanne no podia lhe oferecer. Uma 
famlia da que ela no fazia parte e a que nunca pertenceria. 
John podia oferecer a Lexie tudo o que desejasse ou 
necessitasse e Georgeanne se sentia apartada e abandonada. 

Dez dias antes do casamento, Georgeanne estava sozinha, 
sentada no escritrio do Heron's, pensando em Lexie e John e 
em Mae e se sentindo sozinha. Quando Charles ligou e lhe sugeriu 
que comesse com ele no McCormick and Schmick's se alegrou de 
poder escapar por umas horas. Era sexta-feira, tinha muito 
trabalho essa noite e necessitava uma cara amiga e uma conversa 
agradvel. 

Enquanto comiam almejas e caranguejos, contou a Charles 
tudo sobre Mae e o casamento. 

Se casar na quinta-feira seguinte a este  disse enquanto 
limpava as mos no guardanapo de linho. Com to pouco tempo, 
tiveram sorte de encontrar uma pequena igreja sem religio 
oficial em Kirkland e um salo de banquetes no Redmond para a 
recepo posterior. Lexie levar as flores e eu sou a dama de 


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honra.  Georgeanne meneou a cabea com o garfo na mo. 
Ainda no comprei o vestido. Dou graas a Deus que toda esta 
confuso acabe logo e j no tenha que me preocupar de nada 
parecido at que Lexie se case. 

No pensa em casar? 

Georgeanne deu de ombros e apartou o olhar. Quando 
pensava em casar, imaginava sempre John com o smoking que 
usava no dia que lhe fizeram a reportagem para o GQ. 

O certo  que no pensei nisso. 

Bom, e por que no pensou? 

Georgeanne voltou a olhar para Charles e sorriu. 

Est me propondo isso? 

Faria se pensasse que iria aceitar. 

O sorriso de Georgeanne se esfumou de repente. 

No se preocupe  disse ele, e depositou outra concha de 
almeja sobre o monto de seu prato. No tinha pensado te 
envergonhar propondo isso agora, e no penso faz-lo enquanto 
saiba que vai me rejeitar. Sei que no est preparada. 

O olhou fixamente, a esse maravilhoso homem que tanto 
significava para ela, mas ao que no amava como uma mulher 
deveria amar a seu marido. Sua cabea queria lhe amar, mas seu 
corao j amava a outro. 

No rechace a idia sem mais. Simplesmente pense  disse 
ele, e ela o fez. Pensou como resolveriam alguns de seus 
problemas casando com Charles. 

Podia proporcionar uma vida confortvel para ela e para 
Lexie e poderiam formar uma famlia. Talvez no o amasse como 
devesse, mas possivelmente com o tempo o fizesse. 
Possivelmente sua cabea pudesse convencer seu corao. 

John jogou a camiseta sobre o monto de meias esportivas 
que havia no cho do banheiro. Vestido s com umas calas de 


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esporte, cobriu a parte inferior da cara com creme de barbear. 
Enquanto procurava o barbeador eltrico de barbear, olhou ao 
espelho e sorriu. 

Se quiser, pode entrar e falar comigo  disse a Lexie que 
se deteve a suas costas para olhar s escondidas dentro do 
banheiro. 

O que faz? 

Estou me barbeando  colocou a lmina na bochecha 
esquerda e a deslizou para baixo. 

Mame depila as pernas e a axilas  comentou enquanto se 
aproximava dele. Usava uma camisola de listas rosa e brancas e 
tinha o cabelo despenteado da noite de sono. A noite anterior 
tinha sido a primeira vez que ficava com ele, e depois que ele 
matou a aranha de sua cama, tudo tinha ido bem. Depois de 
esmagar ao inseto com um livro, ela o olhou como se pudesse 
caminhar sobre as guas. Suponho que terei que me depilar 
quando estiver na stima  continuou. Provavelmente ento j 
tenha cabelos. O olhou com ateno atravs do espelho. 
Acredita que Ponho ser peludo? 

John enxaguou o barbeador eltrico e negou com a cabea. 

No, nunca ter muito cabelo. 

Ao pegar Lexie na noite anterior, o pobre cachorro vestia um 
novo pulver vermelho com jias de imitao costuradas por toda 
parte e uma boina combinando. Quando entrou na casa, o co o 
olhou e correu para outro cmodo para se esconder. Georgeanne 
sups que o assustava a altura de John, mas John imaginou que o 
pobre Ponho no queria que outro espcime do gnero masculino 

o visse com essa pinta de maricas. 
Como te fez essa grande cicatriz na sobrancelha? 
Esta coisinha?  destacou uma velha cicatriz. Quando 
tinha uns dezenove anos, um menino me lanou o disco  cabea e 
no me agachei a tempo. 


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Doeu? 

Como um condenado. 

No. John levantou o queixo e se barbeou debaixo da 
mandbula. Pela extremidade do olho viu que Lexie o observava. 
Possivelmente deveria ir se vestindo. Sua av e seu bisav Ernie 
estaro aqui em meia hora. 

Pode me pentear?  ela levantou a mo e lhe mostrou uma 
escova. 

No sei se saberei pentear uma menina. 

Pode me fazer um rabo de cavalo.  muito fcil. Ou 
possivelmente dois rabos de cavalo. Tem que se assegurar que 
esto muito altos; eu no gosto de os levar to baixos. 

Tentarei  disse, limpando o creme de barbear e os restos 
de plo da lmina, e a seguir comear a barbear a outra 
bochecha. Mas se parecer uma menina selvagem no jogue a 
culpa em mim. 

Lexie riu e apoiou a cabea contra ele. Sentiu o fino cabelo 
de Lexie contra a pele de seu flanco. 

Se mame se casar com Charles, eu seguiria me apelidando 
Kowalsky como voc? 

A lmina de barbear se deteve bruscamente na comissura da 
boca de John. Deslizou o olhar pelo espelho at a cara levantada 
de Lexie. Com lentido baixou o barbeador eltrico de sua cara e 

o colocou sob a gua quente. 
Sua me pensa casar com Charles? 
Lexie deu de ombros. 
Possivelmente. Ela est pensando. 
John no tinha pensado a srio que Georgeanne pudesse 
casar com algum. Mas agora, ao pensar em que outro homem a 
tocasse, sentiu como se o golpeassem no estmago. Terminou de 
se barbear e fechou o grifo. 

Ela lhe disse isso? 


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Sim, mas como voc  meu papai eu disse que devia casar 
com voc. 

Ele pegou uma toalha e limpou o creme que lhe tinha ficado 
debaixo da orelha esquerda 

E ela o que disse? 

Riu e disse que isso era algo que no ia passar, mas pode 
pedir, no pode? 

Casar com Georgeanne? No podia casar com Georgeanne. 
Embora tivessem se levado bastante bem depois do incidente de 
Ponho, nem sequer estava seguro de gostar dela. 

Era o suficientemente sincero consigo mesmo para admitir 
que gostava. Possivelmente muito. Todas as vezes que tinha ido 
recolher Lexie a tinha imaginado sem roupa, mas a luxria no 
era suficiente para se comprometer durante toda a vida. 
Respeitava-a, mas o respeito tampouco era suficiente. Amava 
Lexie e queria lhe dar tudo o que necessitasse para ser feliz, 
mas anos atrs tinha aprendido que um no devia casar s porque 
tivesse um filho pelo meio. 

No poderia lhe perguntar? Ento poderamos ter um beb. 

Ela o olhou com o mesmo olhar de splica que tinha utilizado 
para conseguir que lhe comprasse o mascote, mas desta vez no 
ia ceder. Se alguma vez se casava de novo, o faria porque viver 
sem essa mulher seria um inferno. 

No acredito que sua me goste de mim  disse, jogando a 
toalha  cesta da roupa suja que havia junto ao lavabo. Como te 
fao o rabo? 

Lexie lhe deu a escova. 

Primeira desenreda os ns. 

John se apoiou sobre um joelho e deslizou a escova com 
cuidado pelo cabelo de Lexie. 

Te machuco? 

Ela negou com a cabea. 


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A mame gosta de voc sim. 

Ela disse isso? 

Alm disso pensa que  muito bonito e agradvel. 

John riu entre dentes. 

Sei que ela no te disse isso. 

Lexie deu de ombros. 

Se a beijar, pensar que  muito bonito. Depois podero 
ter um beb. 

Embora a idia de beijar Georgeanne tinha sido uma 
condenada tentao para ele, duvidava que um s beijo pudesse 
exercer tanta magia para resolver todos seus problemas. Nem 
sequer queria pensar no de fazer um beb. 

Girou Lexie um pouco e lhe desenredou os ns do lado 
esquerdo. 

Parece que tem comida grudada no cabelo  disse, 
procurando no puxar com muita fora. 

Pode ser que seja pizza  disse Lexie sem se preocupar 
pelo assunto, depois permaneceram em silncio enquanto John 
penteava as finas mechas, pensando que no estava fazendo-o 
bem. Lexie permaneceu quieta e John se sentiu aliviado ao ver 
que se esgotou o tema de Georgeanne, os beijos e os bebs. 

Se a beijar, gostar mais que de Charles  sussurrou 
Lexie. 

John afastou as cortinas e olhou a noite de Detroit. Desde 
seu quarto no Hotel Omni, podia ver o rio que deslizava 
brandamente como uma mar negra. Se sentia inquieto e com os 
nervos a flor da pele, mas isso no era nada novo. Era normal que 
lhe levasse vrias horas relaxar depois de uma partida, em 
especial se era contra os Red Wings. No ano anterior, a equipe 
do Motown s tinha vencido aos Chinooks, nos play-offs por um 
gol de diferena que Sergei Fedorov marcou. Esse ano os 


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Chinooks tinham comeado a temporada ganhando por 4-2 de seu 
rival. A vitria tinha sido uma agradvel forma de comear a liga. 

A maior parte da equipe estava na cafeteria do hotel 
celebrando. Mas no John. E embora no podia dormir, tampouco 
queria estar rodeado de gente. No queria comer amendoins, 
manter conversaes suprfluas nem tirar-se de cima s 
groupies. 

Algo ia mal. Mas salvo o passe s cegas que tinha enviado a 
Fetisov, John tinha jogado como nos livros de hquei. Tinha-o 
feito tal como gostava: com velocidade, fora e habilidade 
enquanto levava seu corpo ao limite. Fazia o que mais gostava. O 
que sempre tinha gostado. 

Mas lhe acontecia algo. No se sentia satisfeito. Pode ter 
sua carreira com os Chinooks, ou pode ter Georgeanne. Mas no 
pode ter as duas coisas. 

John deixou cair  cortina em seu lugar e jogou uma olhada 
ao relgio. Era meia-noite em Detroit. Nove em Seattle. Se 
aproximou da mesinha, desprendeu o telefone e marcou. 

Ol  respondeu ela ao terceiro toque, revolvendo algo no 
mais profundo das vsceras de John. 

Se a beijar, pensar que  muito bonito. Depois podero ter 
um beb. John fechou os olhos. 

Ol, Georgie. 

John? 

Sim. 

Onde est? O que faz? Justo agora estava te vendo na 
televiso. 

Abriu os olhos e olhou as cortinas fechadas. 

Na costa oeste emitem a partida em diferido. 

Ah. Ganharam? 

Sim. 

Lexie se alegrar de ouvir isso. Est te vendo no salo. 


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E o que opina? 

Bom, acredito que estava gostando at que esse grandote 
de vermelho o derrubou. Depois ficou um pouco transtornada. 

O grandote de vermelho era um jogador do Detroit. 

Agora j est bem? 

Sim. Quando viu que voltava a patinar, lhe passou. Acredito 
que gosta de te ver jogar. Deve ser algo gentico. 

John deu uma olhada nas folhas que havia junto ao telefone. 

E que tal voc?  perguntou ele, e se perguntou por que a 
resposta dela era to importante para ele. 

Bom, quase nunca vejo os esportes. No diga a ningum, 
porque como sabe, sou do Texas disse em um sussurro. Mas 
eu gosto mais de ver hquei que futebol americano. 

A voz dela o fazia pensar em escuras paixes, reflexos na 
janela e sexo quente. Se a beijar, gostar mais que de Charles. 
Pensar nela beijando a esse homem o fez sentir como se o peito 
estalasse. 

Tenho entradas para Lexie e para voc para a partida da 
sexta-feira. Eu gostaria muito que viessem. 

Na sexta-feira? O dia depois do casamento? 

No pode? Tem que trabalhar? 

Ela se manteve em silncio um longo momento antes de 
responder: 

No, podemos ir. 

Sorriu-lhe ao telefone. 

A linguagem pode ser um pouco soez s vezes. 

Parece que a estas alturas j estamos acostumadas  disse 
ela, e ele pde notar a risada em sua voz. Lexie est a meu 
lado. Vou passar para ela. 

Espera..., outra coisa... 

O que? 

Espera at que chegue em casa antes de decidir se casar 


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com esse homem.  um paspalho e um idiota, e merece algum 
melhor. Se deixou cair sobre a cama. No tinha direito de pedir 
nada a ela. 

D igual. Estou muito cansado. 

Necessita algo? 

Ele fechou os olhos e suspirou profundamente. 

No, me ponha com Lexie. 

Captulo 18 

Lexie percorria o corredor da igreja como se tivesse nascido 
para ser a pequena dama de honra. Os cachos ricocheteavam 
pelos ombros e as ptalas rosa voavam de sua pequena mo 
enluvada para o tapete da pequena igreja. Georgeanne aguardava 
a esquerda do pastor resistindo ao desejo de puxar a prega do 
vestido de crepe de seda rosa que ficava uns centmetros acima 
dos joelhos. Tinha o olhar posto em sua filha enquanto Lexie 
percorria o corredor vestida com renda branca, resplandecendo 
como se ela fosse a verdadeira razo de que toda aquela gente 
se reunisse na igreja. Georgeanne no podia imagin-la mais 
radiante. Se sentia muito orgulhosa de sua pequena contista. 

Quando Lexie chegou ao lado de sua me, girou e sorriu ao 
homem que permanecia de p do outro lado do corredor com um 
traje azul marinho do Hugo Boss. Levantou trs dedos de sua 
cesta e os meneou. John curvou os lbios e agitou dois dedos 
como resposta. 

Comeou a soar a marcha nupcial e todos os olhos se voltaram 
para a porta. Mae estava preciosa com uma coroa de flores rosa 
rodeando o curto cabelo loiro e um vu de organza branco que 
Georgeanne tinha ajudado a escolher. O vestido era simples e 
ressaltava a figura de Mae em lugar de ocult-la sob capas de 
renda e tule. O corte enviesado dissimulava sua baixa estatura e 
a fazia parecer mais alta. 


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Sem acompanhante, Mae andou pelo corredor com a cabea 
erguida. No tinha convidado sua famlia, embora os bancos do 
lado da noiva estavam a transbordar com seus amigos. 
Georgeanne tinha tentado persuadi-la para que convidasse seus 
pais, mas Mae era muito teimosa. Seus pais no tinham assistido 
ao enterro de Ray e ela no queria que fossem a seu casamento. 
No queria que estragassem o dia mais feliz de sua vida. 

Enquanto todos os olhos estavam postos na noiva, 
Georgeanne aproveitou para estudar o noivo. Com um smoking 
negro, Hugh, estava muito arrumado, entretanto ela no estava 
interessada nem em seu aspecto nem no corte de sua roupa. 
Queria observar sua reao ao ver Mae, e o que viu aliviou muitas 
de suas preocupaes sobre o inesperado casamento. O via to 
feliz que Georgeanne quase esperava que abrisse os braos para 
que Mae pudesse se perder neles. Toda sua cara sorria e seus 
olhos brilhavam como se tivesse ganho na loteria. Parecia um 
homem loucamente apaixonado. No era de estranhar que Mae 
tivesse demorado to pouco tempo em cair. 

Quando Mae passou por seu lado sorriu para Georgeanne, 
logo se colocou ao lado de Hugh. 

Queridos irmos... 

Georgeanne olhou os dedos dos ps que apareciam nas 
sandlias de pele. Loucamente apaixonado, pensou. Na noite 
anterior, tinha dito a Charles que no poderia casar com ele. No 
podia casar com um homem ao que no amasse com loucura. 
Atravessou o corredor com o olhar at os mocasins negros de 
John. Ao longo de sua vida, o tinha visto olh-la vrias vezes com 
a luxria aparecendo nesses olhos azuis. De fato, nos ltimos 
dias que tinha vindo pegar Lexie j tinha visto esse olhar de 
quero-saltar-sobre-voc. Mas sentir luxria no era estar 
apaixonado. A luxria se desvanecia na manh seguinte, 
especialmente com John. Subiu o olhar por suas longas pernas, 


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pela jaqueta cruzada e pela gravata granada e azul marinho. Logo 
escrutinou sua cara e os olhos azuis que lhe devolviam o olhar. 

Ele sorriu. S foi um sorrisinho agradvel que, entretanto, 
fez ressoar sinos de alarme em sua cabea. Logo Georgeanne 
centrou a ateno na cerimnia. John queria algo. 

As mulheres sentadas nos bancos dianteiros da igreja 
comearam a chorar e Georgeanne as observou. Inclusive embora 
no as tivessem apresentado um momento antes do casamento 
teria sabido que eram familiares de Hugh. Toda sua famlia se 
parecia, desde sua me e suas trs irms, a suas oito sobrinhas e 
sobrinhos. 

Choraram durante tudo o que durou a curta cerimnia e 
quando terminou, seguiram chorando enquanto soava a marcha 
nupcial. Georgeanne e Lexie percorreram o longo corredor ao 
lado de John at sair pela porta. Em vrias ocasies, a manga de 
sua jaqueta azul marinho roou seu brao. 

No corredor, a me de Hugh apartava a cotoveladas seu filho 
para se aproximar da noiva. 

 como uma boneca  declarou a me enquanto abraava 
Mae e apresentava s irms. 

Georgeanne, John e Lexie se mantiveram afastados enquanto 
os amigos e a famlia de Hugh se dirigiam para o casal para 
felicit-los. 

Pegue. Lexie estendeu a Georgeanne a cesta de ptalas 
rosa e suspirou. Estou cansada. 

Acredito que j podemos partir para a recepo  disse 
John, se movendo para se colocar atrs de Georgeanne. Por que 
no vm em meu carro? 

Georgeanne girou e levantou a vista para ele. Estava muito 
arrumado vestido de padrinho, o nico defeito era a rosa 
vermelha da lapela; tinha-a inclinada para um lado. Tinha posto o 
alfinete no caule em vez de no corpo da flor. 


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No podemos ir at que Wendell tire as fotos. 

Quem? 

Wendell.  o fotgrafo que Mae contratou, e no podemos 
partir at que faa as fotos do casamento. 

O sorriso de John se transformou em uma careta de 
desgosto. 

Est segura? 

Georgeanne assentiu com a cabea e apontou para o trax 
dele. 

Essa rosa est a ponto de cair. 

Ele baixou a vista e deu de ombros. 

No sei como p-la. Pode faz-lo voc? 

Sem fazer caso de seu bom senso, Georgeanne colocou os 
dedos sob a lapela de seu traje azul marinho. Enquanto John 
inclinava a cabea para ela, tirou o alfinete. Estavam to perto 
que podia sentir seu flego na tmpora direita. O aroma de sua 
colnia invadiu seus sentidos, se ela girava a cara, suas bocas se 
tocariam. Pressionou o alfinete para que atravessasse a l e a 
rosa vermelha. 

No v me furar. 

No. Fao-o frequentemente. Passou a mo pela lapela, 
alisando as rugas invisveis e sentindo a textura da cara l sob as 
pontas dos dedos. 

Costuma pr alfinetes nas casas dos homens? 

Ela meneou a cabea e lhe roou com a tmpora a suave 
mandbula. 

No, os ponho em Mae, e tambm em mim mesma. No 
trabalho. 

Posou a mo em seu brao nu. 

Est segura que no quer que as leve a recepo? Virgil vai 
estar ali, supus que no quereria chegar sozinha. 

Com o caos que rodeava o casamento, Georgeanne tinha 


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obtido no pensar em seu antigo noivo. Agora, ao pensar nele, um 

n se formou em seu estmago. 

Disse algo sobre Lexie a ele? 

J sabe. 

Como reagiu? Ela deslizou os dedos sobre uma invisvel 
ruga mais, logo deixou cair a mo. 

John encolheu seus grandes ombros. 

No pareceu dar importncia. J passaram sete anos, ter 
virado a pgina. 

Georgeanne relaxou. 

Ento irei  recepo em meu carro, mas obrigado pelo 
oferecimento. 

De nada. John deslizou sua clida mo at o ombro dela, 
logo a baixou at o pulso. Um arrepio atravessou Georgeanne. 
Est segura que vo tirar fotos? 

Por que? 

Odeio que me tirem fotos. 

Ele o estava fazendo outra vez. Estava lhe roubando todo o 
espao e anulando sua capacidade para pensar. Tocar-lhe era de 
uma vez uma tortura e um prazer. 

Acreditei que j estaria acostumado a estas alturas. 

No  pelas fotos,  pela espera. No sou um homem 
paciente. Quando quero algo, no espero, vou por isso. 

Georgeanne teve o pressentimento que j no falava das 
fotos. Uns minutos mais tarde quando o fotgrafo os situou nas 
escadas da entrada, se viu forada a voltar a sofrer a 
experincia do prazer e da tortura outra vez. Wendell situou s 
mulheres diante dos homens, e Lexie se localizou perto de Mae. 

Quero ver sorrisos felizes  pediu o fotgrafo. Sua voz 
amaneirada sugeria que mantinha uma estreita relao com seu 
lado feminino. Quando olhou atravs da cmara que estava sobre 

o trpode, indicou-lhes com as mos que se juntassem mais. 

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Vamos, quero ver sorrisos felizes nessas caras felizes. 
Est relacionado com esse artista do PSB? perguntou 

John a Hugh entre dentes. 
O pintor dandy de influncia africana? 
Sim. Costumava pintar nuvens felizes e merda dessa. 
Papai! sussurrou Lexie com fora. No diga palavres. 
Sinto muito. 
Podem dizer todos noite de bodas? perguntou Wendell. 
Noite de bodas!  gritou Lexie. 
A pequena dama o faz bem. O que passa aos outros?  

Georgeanne olhou para Mae e comearam a rir. Quero ver 

felicidade. 
Merda, de onde tirou esse homem?  quis saber Hugh. 
Conheo-o h anos. Era um bom amigo de Ray. 
Ahh, isso explica tudo. 
John ps a mo na cintura de Georgeanne, e a risada desta se 

interrompeu bruscamente. Deslizou-lhe a palma da mo pelo 
estmago e a apertou contra a slida parede de seu peito. Sua 
voz ressoou como um trovo no ouvido de Georgeanne quando 
disse: 

Diga batata. 
Georgeanne ficou sem flego. 
Batata  disse fracamente e o fotgrafo tirou a foto. 
Agora a famlia do noivo  anunciou Wendell enquanto 


punha outro carretel. 

Os msculos do brao de John se esticaram. Fechou os dedos 
positivamente e a prega do vestido subiu um pouco pelas coxas 
de Georgeanne. Logo ele relaxou a mo e deu um passo atrs, 
deixando uns centmetros entre seus corpos. Georgeanne o 
olhou, e de novo lhe dirigiu esse sorriso agradvel. 

Oua, Hugh  disse John, se centrando em seu amigo como 
se no acabasse de segurar Georgeanne com fora contra seu 


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peito. 

O que soube do Chebos quando estivemos em Chicago? 

Georgeanne disse a si mesma que no deveria interpretar 
nada desse abrao. Deveria ser o suficientemente preparada 
para no procurar motivos ou atribuir sentimentos que no 
existiam. No deveria cair sob o influxo de seus possessivos 
abraos ou seus agradveis sorrisos. Era melhor esquecer de 
tudo isso. No significava nada, no conduzia a nenhuma parte. 
No estava to louca para esperar algo dele. 

Uma hora mais tarde, enquanto estava no salo do banquete 
ao lado da mesa do buf repleto de comida e flores, seguia 
tentando esquecer. Tratava de no o buscar com o olhar com 
freqncia e tentava no v-lo em meio de um grupo de homens 
que obviamente eram jogadores de hquei ou rindo com alguma 
loira tola de pernas longas. Tratou de esquecer, mas no pde. 
Igual a no podia esquecer que Virgil andava por ali em algum 
lugar. 

Georgeanne depositou um morango com chocolate no prato 
que estava preparando para Lexie. Acrescentou para ela um 
muslito de frango e dois pedaos de brcolis. 

Quero bolo e tambm algo disso. Lexie apontou para uma 
tigela de cristal cheia de caramelos. 

J pegou bolo justo depois que Mae e Hugh o cortaram.  
Georgeanne ps alguns caramelos no prato junto com uma 
cenoura e deu o prato a Lexie. Logo esquadrinhou rapidamente a 
multido. 

Seu estmago deu um tombo. Pela primeira vez em sete anos, 
viu Virgil Duffy em pessoa. 

Fica com tia Mae  disse, segurando sua filha pelos 
ombros para gir-la. Virei te buscar dentro de um momento.  
Empurrou Lexie ligeiramente e a observou caminhar para os 
noivos. Georgeanne no podia passar a tarde se perguntando se 


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Virgil a saudaria e imaginando o que ele podia lhe dizer. Tinha que 
sair a seu encontro antes de perder a coragem. Tomou flego e 
decidida foi enfrentar seu passado. Abriu caminho entre os 
convidados at se deter diante dele. 

Ol, Virgil  disse e observou como suas feies 
endureciam. 

V Georgeanne, ao que parece tem o descaramento de vir 
me saudar. Me perguntava se o faria. O tom de sua voz no era 

o de algum que tinha virado a pgina como John tinha insinuado 
na igreja. 

Passaram sete anos e segui adiante com minha vida. 

Foi fcil para voc. Para mim no foi tanto. 

Fisicamente no tinha mudado muito. Possivelmente tinha 
menos cabelo e os olhos apagados pela idade. 

Acredito que ambos deveramos esquecer o passado. 

Por que deveria faz-lo? 

Ela olhou um momento, alm dos traos de sua cara, ao 
homem amargurado que havia debaixo. 

Sinto o que aconteceu e a dor que te causei. Tratei de te 
dizer na noite antes do casamento, mas no quis me escutar. No 
estou te culpando, s explico como me sentia. Era jovem e 
imatura e sinto muito. Espero que possa aceitar minhas 
desculpas. 

Quando o inferno se congelar. 

A surpreendeu descobrir que sua clera no lhe importava. 
Dava igual se ele aceitasse ou no suas desculpas. Enfrentou o 
passado e se sentia livre da culpa que a tinha acompanhado 
durante anos. J no era nem jovem nem imatura. E j no estava 
assustada. 

Sinto muito te ouvir dizer isso, mas de todos os modos que 
aceite ou no minhas desculpas no me importa. Minha vida est 
cheia de pessoas que me amam e sou feliz. Sua clera e sua 


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hostilidade no podem me machucar. 

Ainda  to ingnua como h sete anos  disse enquanto 
uma mulher se aproximava de Virgil e colocava a mo em seu 
ombro. Georgeanne reconheceu imediatamente Caroline Foster 
Duffy por reportagens publicadas em jornais locais. John 
nunca casar com voc. Nunca escolher a voc por cima da 
equipe  acrescentou; logo girou para partir com sua esposa. 

Georgeanne o seguiu com o olhar desconcertado por suas 
palavras de despedida. Se perguntou se teria ameaado John de 
algum modo e, se o tinha feito, por que John no tinha lhe 
contado nada. Sacudiu a cabea sem saber o que pensar. Nunca, 
nem em seus sonhos mais descabelados, tinha pensado que John 
se casaria com ela ou que a escolheria sobre algo. 

Bom, se voltou para se dirigir para Lexie que estava junto 
aos noivos rodeada por alguns convidados do casamento. Talvez 
em seus sonhos mais descabelados imaginasse John lhe propondo 
algo mais que uma noite de sexo selvagem, mas sabia que essa 
no era a realidade. Embora o amasse e ele algumas vezes a 
olhava com um faminto desejo aparecendo nos olhos, sabia que 
isso no queria dizer que ele a amasse. No significava que a 
quisesse para algo mais que uma noite na cama. No queria dizer 
que no a abandonaria pela manh, deixando-a vazia e s outra 
vez. 

Georgeanne passou diante do cenrio onde a banda tocaria, 
pensando em Virgil. Enfrentou a ele e se livrou da carga do 
passado; se sentia bem. 

Como vai tudo?  perguntou, se aproximando de Mae. 

Genial. Mae a olhou aos olhos e sorriu, estava muito 
bonita e parecia feliz. No princpio estava um pouco nervosa 
pelo de estar na mesma sala com trinta jogadores de hquei. Mas 
agora que conheci a maior parte deles, vi que so gente 
agradvel, quase humanos. Menos mal que Ray no est aqui. 


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Estaria na glria rodeado de todos estes msculos e estes 
traseiros escuros. 

Georgeanne riu entre dentes e pegou um morango do prato 
de Lexie. Percorreu a sala com o olhar procurando John e o 
pegou olhando-a por cima das cabeas das pessoas. Mordeu a 
fruta e apartou o olhar. 

Oua  Lexie a olhou zangada. Da prxima vez coma s 
coisas verdes que ps no prato. 

Conheceu aos amigos de Hugh?  Mae se pegou ao cotovelo 
de seu flamejante marido. 

Ainda no  respondeu ela, e meteu o resto do morango na 
boca. 

Hugh as apresentou a dois homens com trajes de l e 
gravatas de seda. O primeiro, chamado Mark Butcher, tinha um 
espetacular olho arroxeado. 

E suponho que se lembrar de Dmitri  disse Hugh depois 
de t-la apresentado. Estava na casa flutuante de John quando 
foi h alguns meses. 

Georgeanne olhou ao homem de cabelo castanho claro e olhos 
azuis. No o recordava. 

Lembro vagamente  mentiu. 

Recordo de voc  disse Dmitri, tinha um acento 
fechado. Tinha posto algo vermelho. 

Srio? Georgeanne se sentiu adulada que ele recordasse 
a cor de seu vestido. Me surpreende que lembre. 

Dmitri sorriu e lhe apareceram rugas ao redor dos olhos. 

Claro que recordo. Agora j no uso correntes de ouro. 

Georgeanne olhou para Mae que deu de ombros e voltou a 
olhar para Hugh que sorria abertamente. 

 certo. Tive que explicar a Dmitri que as mulheres 
americanas no gostam dos homens com correntes. 

Ah, no sei o que dizer  dissentiu Mae. Conheo vrios 


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homens que usam colares de prolas com brincos combinando. 

Hugh atraiu Mae a seu lado e a beijou no cocuruto. 

Eu no falo de drag-Queens, carinho. 

 sua filha?  Mark perguntou a Georgeanne. 

Sim, . 

O que aconteceu com seu olho? Lexie deu a Georgeanne o 
prato, e apontou para Mark com o ltimo morango. 

Um dos jogadores dos Avalanche o encurralou em uma 
esquina e lhe deu um bom golpe respondeu John atrs de 
Georgeanne. Pegou Lexie nos braos e a levantou contra seu 
peito. No se preocupe, ele merecia. 

Georgeanne olhou para John. Queria lhe perguntar sobre as 
palavras de Virgil, mas teria que esperar at que estivessem a 
ss. 

Talvez no devesse ter feito Ricci cair com o stick  
acrescentou Hugh. 

Mark deu de ombros. 

Ricci quebrou meu pulso no ano passado -disse, e a 
conversa girou em torno de quem tinha sofrido piores leses. No 
princpio Georgeanne se sentiu esmagada pela lista de ossos 
quebrados, msculos rasgados e nmero de pontos. Mas quanto 
mais escutava mais formosa e fascinante encontrava a conversa. 
Comeou a se perguntar quantos dos homens do salo teriam a 
dentadura completa. Pelo que estava ouvindo, no muitos. 

Lexie pegou a cabea de John entre suas mos para girar sua 
cara para ela. 

O machucaram ontem  noite, papai? 

A mim? No nada. 

Papai?  Dmitri olhou para Lexie.  sua filha? 

Sim. John olhou a seus companheiros de equipe. Esta 
piralha  minha filha, Lexie Kowalsky. 

Georgeanne esperava que dissesse que no tinha sabido de 


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Lexie at h pouco, mas no o fez. No ofereceu nenhuma 
explicao sobre a repentina apario de uma filha em sua vida. 
Simplesmente a sustentava entre seus braos como se sempre 
tivesse estado ali. 

Dmitri repassou Georgeanne com o olhar e logo olhou para 
John para levantar uma sobrancelha inquisitivamente. 

Sim  disse John, fazendo que Georgeanne se perguntasse 
que se comunicaram os dois homens sem palavras. 

Quantos anos tem, Lexie?  perguntou Mark. 

Seis. J foi meu aniversrio e agora estou no primeiro grau. 
Agora tenho um co que meu papai comprou. Se chama Ponho, 
mas no  muito grande. Nem tem muito cabelo. Suas orelhas 
esfriam muito, por isso lhe fiz um gorro. 

De cor prpura  disse Mae a John. 

Parece o gorro dos tolos. 

Como o pe no co? 

O segura com os joelhos  respondeu Georgeanne. 

John olhou a sua filha. 

Senta em cima de Ponho? 

Sim, papai, ele gosta. 

John duvidava que Ponho gostasse de ter posto um estpido 
gorro. Abriu a boca para sugerir que talvez no devesse sentar 
sobre um co to pequeno, mas a banda comeou a tocar e 
prestou ateno ao cenrio. 

Boa tarde  disse o cantor pelo microfone. Para a 
primeira cano, Hugh e Mae querem ver todo mundo danando 
na pista. 

Papai  disse Lexie por cima da msica. Posso comer um 
pedao de bolo? 

E sua me o que diz? 

Que sim. 

Ele se voltou para Georgeanne e lhe disse ao ouvido: 


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Vamos ao buf. Vem? 

Ela negou com a cabea, e John se olhou nesses olhos verdes. 

No se mova daqui.  Antes que ela pudesse lhe responder, 
Lexie e ele se foram. 

Quero um pedao muito grande  informou Lexie. Com 
um monto de acar. 

Sua barriga vai doer. 

No, no me doer. 

Ele a deixou de p ao lado da mesa e esperou com frustrao 
que escolhesse o nico pedao de bolo com aucaradas rosas 
prpuras. Deu-lhe um garfo e buscou um lugar em uma mesa 
redonda para que se sentasse ao lado de uma das sobrinhas de 
Hugh. Quando procurou Georgeanne, a divisou na pista de dana 
com Dmitri. Em geral apreciava ao jovem russo, mas no essa 
noite. No quando Georgeanne tinha posto um vestido to curto 
nem quando Dmitri a olhava como se ela fosse uma poro de 
caviar beluga. 

John abriu caminho pela abarrotada pista de dana e colocou 
uma mo no ombro de seu companheiro de equipe. No teve que 
dizer nada. Dmitri o olhou, deu de ombros e partiu. 

No acredito que isto seja uma boa idia  disse 
Georgeanne enquanto a agarrava entre seus braos. 

Por que no? A aproximou mais, acomodando as suaves 
curvas contra seu peito e movendo seus corpos ao compasso da 
msica lenta. Pode ter sua carreira com os Chinooks, ou pode 
ter Georgeanne. Mas no pode ter as duas coisas. Pensou na 
advertncia de Virgil e logo na clida mulher que tinha entre os 
braos. J tinha tomado uma deciso. Tinha-o feito dias atrs, 
em Detroit. 

Em primeiro lugar, porque Dmitri tinha me pedido esta 
dana. 

 um bastardo comunista. Se mantenha afastada dele. 


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Georgeanne se tornou para trs para poder o olhar a cara. 

Pensava que era seu amigo. 

Era. 

Franziu o cenho. 

O que passou? 

Os dois queremos o mesmo, mas ele no vai conseguir. 

O que ele quer? 

Queria muitas coisas. 

Te vi falando com o Virgil. O que te disse? 

Nada. Eu disse que lamentava o que aconteceu h sete 
anos, mas no aceitou minhas desculpas. Ela pareceu perplexa 
por um momento, logo sacudiu a cabea e afastou o olhar. Me 
disse que tinha virado a pgina, mas parecia muito amargurado. 

John lhe deslizou a palma da mo pela garganta e levantou 
seu queixo com o polegar. 

No se preocupe por ele. A olhou e logo levantou a vista 
para observar ao ancio. Seu olhar se encontrou com o de Dmitri 
e de meia dzia de homens que estavam olhando o busto de 
Georgeanne. Logo baixou a cara e seus lbios se amoldaram aos 
dela. A acariciou com a boca e a lngua, enquanto deslizava a mo 
pelas costas dela. O beijo foi deliberado, longo e duro. Ela se 
derreteu contra ele e, quando finalmente abandonou sua boca, 
estava ofegante. 

Vou me arrepender  sussurrou ela. 

Agora, me diga uma coisa sobre Charles. Tinha o olhar um 
pouco empanado e aturdido. A paixo que viu em seus olhos o fez 
pensar em lenis emaranhados e pele nua. 

O que quer saber do Charles? 

Lexie me disse que pensa casar com ele. 

Eu disse que no. 

John sentiu um grande alvio. Envolveu-a com fora entre 
seus braos e sorriu contra seu cabelo. 


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Esta noite est preciosa  lhe disse ao ouvido. Logo se 
tornou um pouco para trs para olhar sua cara e essa deliciosa 
boca, ento disse: por que no procuramos algum lugar onde 
possa me aproveitar de voc?  o suficientemente grande a 
penteadeira do banheiro de senhoras? 

Ele chegou a ver a fasca de interesse nos olhos dela antes 
que voltasse a cabea e tentasse ocultar um sorriso. 

Est drogado, John Kowalsky? 

Esta noite no  riu ele. Escutei o S diga: No de 
Nancy Reagan. E voc? 

 obvio que no  zombou ela. 

Terminou a msica e comeou uma cano mais rpida. 

Onde est Lexie?  perguntou ela por cima do rudo. 

John olhou  mesa onde a tinha deixado e a mostrou. Tinha a 
bochecha apoiada contra a palma da mo e as plpebras meio 
fechadas. 

Parece que est a ponto de dormir. 

Ser melhor que a leve a casa. 

John deslizou as mos pelas costas dela at os ombros. 

A levarei nos braos at o carro. 

Georgeanne meditou seu oferecimento um instante logo 
decidiu aceit-lo. 

Muito obrigado. Irei procurar a bolsa e j nos vemos fora. 

 Ele a apertou durante uns segundos e logo a soltou. Ela o 
observou caminhar para Lexie, logo procurou Mae. 
Definitivamente havia algo diferente em suas carcias essa 
noite. Algo na maneira em que a abraava e a beijava. Algo 
quente e possessivo como se resistisse a deix-la partir. Se 
advertiu que no devia lhe dar muita importncia, mas uma clida 
chama acendeu seu corao. 

Recuperou sua bolsa com rapidez, procurou Mae e se 
despediu de Hugh. Quando saiu fora j era noite e o 


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estacionamento estava iluminado por umas luzes. Divisou John 
apoiado sobre o porta-malas do carro. Tinha envolvido Lexie em 
sua jaqueta e a apertava contra seu peito. Sua camisa branca 
resplandecia na escurido do estacionamento. 

No  assim  ouviu que dizia a Lexie. No pode se pr 
voc mesma um apelido. Outra pessoa tem que comear a te 
chamar assim e o nome simplesmente fica. Ou acaso acredita que 
Ed Jovanovski se chamou a si mesmo Ed especial? 

Mas eu quero ser O Gato. 

No pode ser O Gato. Viu que Georgeanne se 
aproximava e se separou do carro. 

Flix Potvin  O Gato. 

Posso ser um co?  perguntou Lexie, apoiando a testa em 
seu ombro. 

No acredito que queira de verdade que as pessoas a 
chamem Lexie O Co Kowalsky, no? 

Lexie riu bobamente contra seu pescoo. 

No, mas quero ter um apelido como voc. 

Se quer ser um gato, o que te parece Leopardinho? Lexie 
Leopardinho Kowalsky. 

De acordo  disse com um bocejo. Papai, sabe por que os 
animais no jogam cartas na selva? 

Georgeanne ps os olhos em branco e introduziu a chave na 
fechadura do carro. 

Porque ali h muitos leopardinhos  respondeu ele. J me 
contou essa pelo menos cinqenta vezes. 

Ah, esqueci. 

No acredito que tenha esquecido nunca de nada. John 
riu entre dentes e deixou Lexie no assento do acompanhante 
sobre o elevador de segurana. A luz do teto do veculo arrancou 
brilhos de seu cabelo escuro e iluminou os suspensrios azuis 
grana de cachemira. 


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Te verei na partida de hquei amanh a noite. 

Lexie pegou o cinto de segurana e o grampeou. 

Me d um beijo, papai. Franziu os lbios e esperou. 

Georgeanne sorriu e se dirigiu para o assento do condutor. A 
tenra maneira em que John tratava Lexie abrandava seu corao. 
Era um pai genial e, acontecesse o que acontecesse a Georgeanne 
e John, sempre o quereria por amar Lexie. 

Oua, Georgie?  a chamou em voz alta, sentindo que sua 
voz era uma clida carcia no frio ar da noite. 

Ela o olhou por cima do teto do carro; a cara de John ficava 
oculta pelas sombras da noite. 

Aonde vai?  perguntou ele. 

Para casa,  obvio. 

Uma risada rouca retumbou dentro de seu peito. 

No quer dar um beijo ao papai? 

A tentao atacou sua dbil vontade e seu autocontrole. 
Caramba, a quem pretendia enganar? Quando John andava pelo 
meio, no tinha nenhum tipo de autocontrole. Especialmente 
depois desse beijo que lhe tinha dado na pista de dana. Abriu 
com rapidez a porta antes de considerar to atraente 
proposio. 

Esta noite no, playboy. 

Me chamou de playboy? 

Ela colocou um p no chassi da porta. 

 uma grande melhoria em relao ao que o chamava no ms 
passado  disse, e se meteu dentro do carro. Ligou o motor e 
com a risada de John enchendo a noite tirou o carro do 
estacionamento. 

A caminho de casa pensou em quo diferente estava John. 
Seu corao queria acreditar que isso implicava algo maravilhoso; 
ao melhor tinha golpeado a cabea um disco de borracha e se deu 
conta de repente e que estava apaixonado e no podia viver sem 


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ela. Mas a experincia com John tinha lhe demonstrado algo 
diferente. Era melhor no projetar seus sentimentos sobre ele e 
deixar de procurar motivos ocultos. Tentar interpretar cada 
palavra ou carcia de John era tarefa de loucos. Cada vez que 
cedia e esperava algo dele, acabava saindo ferida. 

Depois de deitar Lexie, Georgeanne pendurou a jaqueta de 
John no respaldo de uma cadeira da cozinha e se descalou. Uma 
fina chuva golpeava as janelas enquanto fazia um ch de ervas. 
Se aproximou da cadeira e alisou com os dedos a costura do 
ombro da jaqueta de John, recordando com exatido a imagem 
dele do outro lado do corredor da igreja, enquanto a olhava 
profundamente com esses olhos azuis. Recordou o aroma de sua 
colnia e o som de sua voz. por que no procuramos algum lugar 
onde possa me aproveitar de voc?, tinha dito e ela tinha se 
sentido muito tentada. 

Ponho soltou a corda que estava mordendo e comeou a 
emitir pequenos latidos, segundos antes que soasse o timbre da 
porta. Georgeanne deixou cair a mo e pegou o co nos braos 
para ir  entrada. No a surpreendeu muito encontrar John na 
porta, as gotas de chuva refulgiam no cabelo escuro. 

Esqueci de te dar as entradas para a partida de amanh  
disse, lhe dando um envelope. 

Georgeanne pegou as entradas e ignorando qualquer indcio 
de bom senso o convidou a entrar. 

Estou fazendo ch. Quer um pouco? 

Quente? 

Sim. 

No tem ch gelado? 

 obvio, sou do Texas. Voltou com Ponho  cozinha e o 
depositou no cho. O co se aproximou de John e lambeu seu 
sapato. 

Ponho est se convertendo em um co guardio bastante 


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bom  lhe disse, abrindo a geladeira para pegar uma jarra de 
ch. 

Sim. J vejo. O que faria se entrasse algum para roubar? 
Lamber-lhe os ps? 

Georgeanne riu e fechou a porta da geladeira. 

 o mais provvel, mas antes ladraria como um louco. Ter 
Ponho  melhor que instalar um alarme. Tem bom corao com os 
estranhos, mas me sinto mais segura quando est em casa.  
Deixou o envelope das entradas na bancada e encheu um copo 
para John. 

Da prxima vez te comprarei um co de verdade. John se 
aproximou dela e pegou o ch. Sem gelo. Obrigado. 

Melhor que no haja uma prxima vez. 

Sempre h uma prxima vez, Georgie  disse ele, e levou o 
copo aos lbios olhando-a aos olhos enquanto tomava um longo 
gole. 

Est seguro que no quer gelo? 

Ele negou com a cabea e baixou o copo. Lambeu a umidade 
dos lbios enquanto deslizava o olhar de seus seios a suas coxas, 
logo o subiu at sua cara. 

Esse vestido me deixou louco todo o dia. Me recorda aquele 
vestidinho de casamento rosa que usava na primeira vez que a vi. 

Ela se olhou. 

No se parece em nada a esse vestido. 

 curto e rosa. 

Aquele vestido era bastante mais curto, sem suspensrios, 
e me apertava tanto que no podia respirar. 

Recordo. Ele sorriu e apoiou um quadril contra o 
mostrador. At o Copalis, esteve todo o momento puxando a 
parte de acima e estirando a de abaixo. Foi algo 
endiabradamente sedutor, como uma competio de erotismo. Me 
perguntava qual das duas metades ganharia. 


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Georgeanne apoiou um ombro contra a geladeira e cruzou os 
braos. 

Me surpreende que lembre de tudo isso. Tal e como eu o 
recordo parecia que voc no gostava muito de mim. 

E tal e como eu o recordo, prefiro pensar que tentava ser 
preparado. 

S quando estive nua. O resto do tempo foi muito grosseiro 
comigo. 

Olhou com o cenho franzido o copo de ch que tinha na mo, 
logo a olhou. 

Eu no o recordo desse modo, mas se fui grosseiro com 
voc, no foi nada pessoal. Minha vida era uma autntica merda 
nesse momento. Estava bebendo muito e fazendo tudo o que 
podia por arruinar minha carreira e a mim mesmo. Fez uma 
pausa e aspirou profundamente. Recorda que lhe disse que 
estive casado? 

 obvio. Como ia esquecer de DeeDee e de Linda?. 

Bom o que no te contei foi que Linda se suicidou. A 
encontrei morta na banheira. Cortou as veias com uma lmina de 
barbear e durante muito tempo me culpei. 

Georgeanne cravou os olhos nele, estupefata. No sabia o que 
dizer nem o que fazer. Seu primeiro impulso foi rodear sua 
cintura com os braos para lhe dizer o muito que sentia, mas se 
conteve. 

Ele tomou outro gole, logo limpou a boca com a mo. 

O certo  que no a amava. Fui um mau marido, e s me 
casei com ela porque estava grvida. Quando o beb morreu, no 
ficou nada que nos mantivesse unidos. Passei do casamento. Ela 
no. 

Notou uma dor no peito. Conhecia John, e sabia que deve ter 
se sentido desolado. Se perguntou por que lhe contaria tudo isso 
agora. Por que lhe confiaria algo to doloroso? 


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Teve um filho? 

Sim. Nasceu prematuro e morreu um ms depois. Toby 
teria agora oito anos. 

Sinto muito. Foi o nico que lhe ocorreu dizer. No podia 
nem imaginar perder Lexie. 

John deixou o copo no mostrador ao lado de Georgeanne, logo 
a pegou pela mo. 

Algumas vezes me pergunto como seria se tivesse vivido. 

Observou-lhe a cara e sentiu de novo essa clida chama no 
corao. John se preocupava com ela. Talvez da confiana e da 
preocupao pudesse surgir algo mais. 

Queria te contar o de Linda e Toby por duas razes. 
Queria que soubesse deles e tambm queria que soubesse que, 
embora estive casado duas vezes, no penso voltar a cometer os 
mesmos enganos. No voltarei a me casar nem porque haja um 
menino no meio nem por luxria. Ser porque esteja loucamente 
apaixonado. 

Suas palavras apagaram a clida chama do corao de 
Georgeanne como um jarro de gua fria e retirou a mo da dele. 
Tinham uma filha e no era um segredo que John se sentia 
atrado fisicamente por ela. Nunca lhe tinha prometido nada 
exceto passar um bom momento, mas ela o tinha feito de novo. 
Se permitiu desejar coisas que no podia ter, e o sab-lo fazia 
tanto dano que seus olhos encheram de lgrimas. 

Obrigado por compartilh-lo comigo, John, mas me perdoe 
se neste momento no aprecio sua sinceridade disse, se 
aproximando da porta principal. Acredito que  melhor que v. 

O que?  soou incrdulo como se no a entendesse. 
Pensava que estvamos chegando a algum lado. 

Sei. Mas no pode vir aqui cada vez que goste de sexo e 
esperar que eu arranque a roupa para te agradar. Ela sentiu 
que seu queixo tremia quando puxou porta principal para abri-la. 


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Queria que estivesse fora antes de perder o controle. 

Isso  o que pensa? Que s  um bom sexo? 

Georgeanne tentou no se amedrontar. 

Sim. 

Que diabos te passa? Arrebatou-lhe bruscamente a 
porta da mo para fech-la de repente. Abro meu corao, e 
voc agarra e o pisoteia! Estou sendo honesto com voc e 
acredita que estou tratando de te arrancar as calcinhas. 

Honesto? S  honesto quando quer algo. No faz mais que 
me mentir. 

Quando te menti? 

Primeiro com o do advogado  recordou. 

Isso no foi uma mentira de verdade, foi uma omisso. 

Foi uma mentira, e hoje me mentiu de novo. 

Quando? 

Na igreja. Me disse que Virgil tinha virado a pgina, que 
tinha superado o ocorrido h sete anos. Mas sabe que no  
assim. 

Ele se balanou sobre os calcanhares e a olhou com o cenho 
franzido. 

O que te disse? 

Que no me escolheria por cima da equipe. O que quis 
dizer? perguntou, esperando que ele esclarecesse. 

A verdade? 

 obvio. 

De acordo, ameaou me transpassar a outra equipe se me 
envolver com voc, mas no importa. Esquea do Virgil. S est 
aborrecido porque obtive o que ele queria. 

Georgeanne se apoiou contra a parede. 

Eu? 

Voc. 

 isso o que sou para voc? Ela o olhou. 


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Ele soltou um suspiro e passou os dedos pelo cabelo. 

Se acredita que estive com voc para me aliviar, se 
equivoca de meio a meio. 

Ela baixou o olhar at o vulto de suas calas, logo voltou a 
subir a sua cara. 

Me equivoco? 

A clera tingiu as bochechas de John e segurou Georgeanne 
com fora pelo queixo. 

No tome o que sinto por voc para convert-lo em algo 
sujo. Te desejo, Georgeanne. Tudo o que tem que fazer  entrar 
em um cmodo e te desejo. Quero te beijar, te tocar e fazer 
amor com voc. Minha resposta fsica  natural e no me 
desculparei por ela. 

E pela manh ir e ficarei sozinha outra vez. 

Isso so tolices. 

Isso  o que ocorreu nas duas vezes. 

Da ltima vez foi voc quem partiu. 

Ela negou com a cabea. 

No importa quem se foi. Acabar igual. Embora no tenha 
inteno de me machucar, far. 

No quero te machucar. Quero te fazer sentir bem e se 
fosse honesta comigo admitiria que tambm me deseja, que 
deseja tanto estar comigo como eu com voc. 

No. 

John entrecerrou os olhos. 

Odeio essa palavra. 

Sinto muito, mas aconteceram muitas coisas entre ns para 
te dizer outra coisa. 

Ainda quer me castigar pelo que passou h sete anos, ou s 
 uma desculpa? Ele plantou as mos na parede a ambos os 
lados da cabea de Georgeanne. O que a assusta tanto? 

Certamente voc no. 


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Cavou-lhe o queixo com a palma de sua mo. 

Mentirosa. Teme que papai no a queira. 

Ela ficou sem respirao. 

Isso foi muito cruel. 

Talvez, mas  a verdade.  Acariciou-lhe a boca fechada 
com o polegar e pegou o pulso com a mo livre. Te d medo 
estender a mo e pegar o que quer, mas a mim no. Sei o que 
quero. Ele deslizou a palma da mo de Georgeanne por seu duro 
trax e abriu os botes de sua camisa. Ainda tenta ser uma boa 
garota para que papai te faa conta? Bom, adivinha o que, nenm 

 sussurrou, movendo a mo de Georgeanne  braguilha e 
apertando-a contra a grossa ereo. Te fao conta. 
Pare  disse ela, e perdeu o controle das lgrimas. O 
odiava. O amava. Queria tanto que ficasse como que se fosse. 
Tinha sido rude e cruel, mas tinha razo. Estava aterrorizada 
que a tocasse e assustada que no o fizesse. Dava-lhe medo 
tomar o que queria e que a fizesse se sentir desgraada e infeliz. 
Mas j era desgraada e infeliz. No tinha nada a perder. Ele era 
como uma droga, um vcio, e ela estava enganchada. No me 
faa isto. 

John lhe secou com o dedo a lgrima que deslizava pela 
bochecha e soltou sua mo. 

Te desejo e no me importa jogar sujo. 

Tinha que se afastar de John, se desenganchar. Se 
reabilitar. No mais quentes beijos, nem carcias, nem olhadas 

famintas. Tinha que se endurecer. 
Voc s quer um pedao de... de... 
John negou com a cabea e sorriu. 
No quero s um pedao. Quero tudo. 

Captulo 19 


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John escrutinou os olhos de Georgeanne e riu baixo. Estava 
tratando de ser rude mas era incapaz de pronunciar a palavra. 

... carne 

Era s uma das coisas que lhe fascinavam dela. 

Desejo seu corao, sua mente e seu corpo. John inclinou 
a cabea e lhe roou os lbios com os dele. Desejo tudo de 
voc, para sempre  sussurrou, lhe rodeando a cintura com o 
brao. 

Ela tinha as palmas das mos esmagadas contra seu trax 
como se tivesse inteno de empurr-lo, mas ento abriu sua 
suave boca e ele sentiu um triunfo to doce que quase o fez cair 
de joelhos. Desejava-a ardentemente de corpo e alma e a 
levantou pondo-a nas pontas dos ps para saciar sua fome. Ao 
cabo de uns segundos, o beijo se converteu em um frenesi carnal 
de bocas, lnguas e prazer quente, ardente. John abriu o zper 
das costas do vestido, o baixando dos ombros. Depois deslizou o 
vestido e os finos suspensrios do suti para despi-la at a 
cintura. Segurou os braos aos lados e logo passeou o olhar por 
seu corpo para esses seios nus que se ofereciam a ele e que eram 
sua viso particular do paraso. Rodeou-lhe a cintura com um 
brao enquanto voltava a olh-la  cara e lhe deu um beijo suave 
no prprio topo do peito esquerdo. Lambeu com a lngua a ponta 
enrugada e ela gemeu. Se arqueou para ele que sugou o mamilo 
com a boca. Georgeanne tentou liberar os braos, mas ele a 
segurava com fora. 

John  gemeu. Quero te tocar. 

Ele afrouxou as mos e se moveu para sugar o peito direito. 
J estava a ponto de estalar. Levava assim vrios meses. O 
palpitar de sua virilha o apurava a empurr-la contra a parede, 
levantar seu vestido at a cintura, e se sepultar profundamente 
no interior desse corpo quente e acolhedor. Agora. 

Ela liberou os braos do enredo de suspensrios e lhe tirou a 


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camisa das calas. John se endireitou e a observou com os olhos 
entrecerrados. Antes de ceder a seu desejo e tom-la ali mesmo 
junto  porta principal, a pegou pela mo e a conduziu  parte 
posterior da casa. 

Onde est seu quarto? perguntou enquanto percorriam o 
corredor. Sei que est por aqui. 

A ltima porta  esquerda. 

John entrou no quarto e se deteve em seco. A cama tinha 
uma colcha de flores e uma sianinha de renda. Uma meia dzia de 
almofadas cheias de laos estavam dispostas contra o 
travesseiro. Tambm havia flores no papel da parede e no tecido 
das cadeiras. Havia uma grande coroa de flores em cima da 
penteadeira e dois floreiros cheios. Acabava de entrar no ninho 
da essncia feminina. 

Georgeanne se adiantou, segurando o vestido sobre os seios. 

O que te passa? 

Ele a olhou, estava ali rodeada de flores por todos os lados e 
tratando de se ocultar com as mos, e fracassando 
miseravelmente. 

Nada, o que passa  que ainda est vestida. 

Voc tambm. 

Ele sorriu e se descalou. 

No por muito tempo. Ao cabo de uns segundos, ele tinha 
se desfeito de toda a roupa e quando voltou a olhar Georgeanne 
quase explodiu. Ela estava de p fora de seu alcance, levando 
postas s umas minsculas calcinhas e as meias sustentadas por 
umas ligas rosadas. Deslizou o olhar pela tentadora parte da 
coxa a descoberto por cima das meias at os voluptuosos quadris 
de Georgeanne. Seus seios eram belos e redondos, seus ombros 
suaves, sua cara formosa. Se aproximou e a apertou contra si. 
Ela era ardente e suave, e tudo o que tinha querido sempre em 
uma mulher. Tinha a inteno de ir devagar. Queria fazer amor 


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com ela, queria prolongar o prazer. Mas no pde. Se sentiu como 
um menino correndo para seu brinquedo favorito, incapaz de se 
deter, o nico que o deteve por um momento foi a indeciso 
sobre onde tocar primeiro. Queria sua boca, seus ombros e seus 
seios. Queria beijar seu ventre, suas coxas e entre suas pernas. 

A empurrou em cima da cama, logo comeou a rodar com ela. 
Beijou-a na boca e lhe tocou as mos com suavidade sobre o 
traseiro. Pegou suas calcinhas e as deslizou com brutalidade 
pelas pernas. Esfregou sua ereo contra o estmago suave para 
que sentisse como crescia por ela. A tenso de sua virilha era 
cada vez mais premente e pensou que ia estalar. 

Queria esperar. Queria se assegurar que ela estava 
preparada. Queria ser um amante terno. A fez rodar sobre suas 
costas e terminou de lhe tirar as calcinhas. Sentou sobre os 
calcanhares e a olhou, estava nua com exceo das meias e da 
liga. Ela levantou os braos para ele, e soube que no poderia 
esperar. Cobriu-a com seu corpo, embalando os quadris entre as 
suaves coxas, e colocou as mos a ambos os lados da cara. 

Te amo, Georgeanne  sussurrou enquanto se olhava em 
seus olhos verdes. Diga que me ama. 

Ela gemeu e lhe deslizou as mos com suavidade dos flancos 
s ndegas. 

Te amo, John. Sempre te amei. 

Ele descendeu rpida e profundamente em seu interior e se 
deu conta imediatamente que esqueceu a camisinha. Pela primeira 
vez em anos se sentiu envolto por carne quente e escorregadia. 
Lutou com desespero por se controlar enquanto a necessidade 
que sentia por ela rasgava seu ventre. Se retirou, empurrou 
outra vez, e ambos explodiram em um clmax vertiginoso. 

Eram trs da madrugada quando John saiu da cama e 
comeou a se vestir. Georgeanne assegurou o lenol ao redor dos 


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seios e se levantou para observar como colocava as calas. Ia. 
Sabia que no tinha outra opo. Nenhum dos dois queria que 
Lexie soubesse onde tinha passado a noite. Mas no mais profundo 
de seu corao lhe doa sua ida. Tinha dito que a amava. Tinha 
dito muitas vezes. Era um pouco difcil acreditar. Era difcil que 
ela confiasse na alegria que sentia no mais profundo de seu ser. 

Ele pegou a camisa e colocou os braos nas mangas. As 
lgrimas alagaram os olhos de Georgeanne e piscou para que se 
fossem. Quis lhe perguntar se o veria outra vez no dia seguinte, 
mas no queria parecer possessiva e ansiosa. 

No precisa ir muito cedo ao Key Areia  disse ele, se 
referindo s entradas para o hquei que lhe tinha dado antes. 
Para Lexie ser suficiente ver a partida sem as atuaes prvias. 
Estava sentado sobre a beirada da cama enquanto colocava as 
meias e os sapatos. Vo abrigadas. Quando acabou, levantou e 
a pegou entre seus braos. A ps no colo e a beijou. Te amo, 
Georgeanne. 

Ela pensou que nunca se cansaria de o ouvir dizer essas 
palavras. 

Eu tambm te amo. 

Te verei depois da partida  disse, lhe dando um ltimo 
beijo. Logo partiu, deixando-a s com a advertncia de Virgil 
alagando sua mente e ameaando destruir sua felicidade. 

John a amava. Ela o amava. A amava o suficiente para 
renunciar  equipe? E como poderia viver ela consigo mesma se o 
fazia? 

Os refletores azuis e verdes rodeavam o gelo como um 
caldeiro enjoativo de luzes, enquanto meia dzia de animadoras 
de roupa leve danavam ao ritmo da estridente msica rock que 
bombeavam os alto-falantes do Key Areia. Georgeanne podia 
sentir como os baixos lhe retumbavam no peito e se perguntava 


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como Ernie o agentava. Observou ao av de John por cima da 
cabea de Lexie que tinha as mos nas orelhas. No parecia que o 
forte rudo o incomodasse. 

Ernie Maxwell estava igual a sete anos atrs, com seu cabelo 
branco descascado ao corte de barba e sua voz grave seguia se 
parecendo a de Burgess Meredith. Na realidade, a nica 
diferena que encontrou era que agora usava um par de culos de 
aros negros e um aparelho de surdez na orelha esquerda. 

Quando Georgeanne e Lexie encontraram seus assentos, 
tinha-a surpreendido v-lo ali esperando por elas. No sabia o 
que esperar do av de John, mas ele a tranqilizou rapidamente. 

Ol, Georgeanne. Est ainda mais bonita do que recordava 

 tinha dito enquanto lhes dava uma mo com as jaquetas. 
E voc, senhor Maxwell, est muito melhor do que lembrava 
 tinha declarado ela com um de seus encantadores sorrisos. 
Ele tinha rido. 
Sempre gostei das garotas sulinas. 
A msica se sossegou de repente e as luzes do Key Areia se 
apagaram, salvo os dois enormes logotipos dos Chinooks que 
permaneceram iluminados a ambos os extremos da pista. 

Senhoras e cavalheiros, os Chinooks de Seattle. A voz 
masculina ressoou cada vez com mais volume no recinto. Os 
seguidores se voltaram loucos e, em meio de gritos e vitrias, a 
equipe local saiu patinado  pista. Suas camisetas de ponto 
brancas cintilavam na escurido. Desde sua posio, vrias filas 
por cima da pista, Georgeanne esquadrinhou o dorsal de cada 
camiseta at que encontrou Kowalsky escrito com letras 
maisculas azuis em cima do nmero onze. Seu corao revoou 
com orgulho e amor. Esse enorme homem com um capacete 
branco sobre a testa era dela. Era tudo to recente que ainda 
lhe custava trabalho acreditar que ele a amava. No tinha falado 
com ele desde que a tinha beijado para se despedir e, aps, tinha 


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experimentado horrveis momentos nos que temeu ter sonhado 
tudo. 

At de longe podia ver que levava as ombreiras debaixo da 
camiseta e as perneiras debaixo das meias acanaladas que 
cobriam suas pernas e que desapareciam sob as calas curtas. 
Segurava o pau de hquei com as grandes luvas acolchoadas que 
lhe cobriam as mos. Parecia to impenetrvel como o apodo que 
tinha recebido, to firme como um muro. 

Os Chinooks patinaram de portaria a portaria, logo 
finalmente se detiveram formando uma linha reta no meio da 
pista. As luzes subiram de intensidade e anunciaram aos Coiotes 
de Phoenix. Mas quando patinaram sobre a pista de gelo foram 
vaiados pelos admiradores dos Chinooks que abarrotavam o Key 
Areia. Georgeanne sentiu tanta lstima por eles que, se no 
tivesse temido por sua segurana, os teria aclamado. 

Os cinco suplentes de cada equipe saram do gelo e outros 
ocuparam suas posies na pista. John deslizou ao crculo 
central, apoiou o stick no gelo e esperou. 

Chutem esses homens, meninos  gritou Ernie logo que o 
disco ficou em movimento ao comear a partida. 

Vov Ernie!  disse Lexie, contendo o flego. Disse um 
palavro. 

Ernie no ouviu ou preferiu ignorar a reprimenda de Lexie. 

Tem frio?  perguntou Georgeanne a Lexie por cima do 
rudo que as pessoas faziam. Se abrigaram com uns jrseis 
brancos de pescoo voltado, jeans e botas forradas. 

Lexie apartou os olhos da pista e negou com a cabea. 
Apontou para John que se movia a grande velocidade sobre o 
gelo, dirigindo um olhar feroz a um jogador da equipe contrria 
que lhe tinha roubado o disco. Empurrou-o duramente contra a 
barreira, o plexigls ressoou e tremeu, e Georgeanne pensou que 

o derrubariam e cairia sobre o pblico. Ouviu a ofegante 

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respirao de ambos os homens, e no duvidou que depois 
daquele golpe, ao outro jogador teriam que arrastar fora da 
pista. Mas nem sequer caiu. Os dois homens se acotovelaram e 
empurraram e, ao final, o disco deslizou para a portaria dos 
Coiotes. 

Observou John patinar de lado a lado, empurrando aos da 
equipe contrria pelo gelo para lhes tirar o disco. As colises 
eram freqentemente topadas brutais, como choques de carros 
e, pensando na noite anterior, esperou que no lhe danificassem 
nada vital. 

O pblico era como uma horda selvagem que enchia o ar com 
grosseiras maldies. Ernie preferiu insultar quase todo o 
momento aos rbitros. 

Vamos ver se abrem os malditos olhos e prestam ateno 
ao jogo  gritou. Georgeanne nunca tinha ouvido tantos 
palavres em to curto perodo de tempo, nem tinha ouvido 
tantos gritos em sua vida. Alm de amaldioar e gritar, os 
jogadores se golpeavam e empurravam, patinavam rpido e se 
cevavam com os porteiros. Ao final do primeiro tempo, nenhuma 
das duas equipes tinha cotado. 

No segundo tempo John foi penalizado por empurrar e teve 
que sair ao banquinho. 

Filhos de puta!  gritou Ernie aos rbitros. Roenick caiu 
sozinho. 

Vov Ernie! 

Georgeanne no ia discutir com Ernie, mas ela tinha visto 
como John deslizava a folha do stick sob os patins do outro 
jogador e logo a tinha puxado, fazendo-o cair. E tinha feito tudo 
sem nenhum esforo aparente, logo levou a mo enluvada ao peito 
com uma cara to inocente que Georgeanne comeou a se 
perguntar se possivelmente teria imaginado ao outro homem 
deslizando-se como uma enguia pelo gelo. 


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No terceiro tempo, Dmitri conseguiu marcar por fim para os 
Chinooks, mas dez minutos mais tarde, os Coiotes igualaram o 
marcador. A tenso zumbia no ar do Key Areia, enchendo os 
degraus e mantendo a todos na beira dos assentos. Lexie ficou 
de p, muito excitada para estar sentada. 

Vai, papai  gritou, enquanto John lutava pelo disco de 
borracha, logo saiu disparado pelo gelo. Inclinando a cabea voou 
por cima da linha central, logo saiu de um nada um dos jogadores 
dos Coiotes e se estrelou contra ele. Se Georgeanne no o 
tivesse visto, no teria acreditado que um homem do tamanho de 
John pudesse dar voltas pelo ar. Aterrissou sobre o traseiro e 
jazeu ali at que os assobios cessaram. Todos os treinadores dos 
Chinooks saltaram do banquinho e correram  pista. 

Lexie comeou a chorar e Georgeanne conteve o flego, com 
uma m sensao na boca do estmago. 

Seu pai est bem. Olhe  disse Ernie, apontando para o 
gelo, est se levantando. 

Mas lhe di muito  soluou Lexie, que olhava como John 
patinava lentamente, no para o banco, a no ser para o tnel por 
onde a equipe ia aos vesturios. 

Estar bem.  Ernie rodeou a cintura de Lexie com o brao 
e a apertou a seu lado. Ele  Muro. 

Mame  gemeu Lexie enquanto as lgrimas lhe rodavam 
pela cara,d a papai um band daid. 

Georgeanne no acreditava que um band daid fosse ser de 
muita ajuda. Ela tambm queria chorar, pensou enquanto olhava 
fixamente o tnel de vesturios, mas John no retornou. Alguns 
minutos mais tarde, soou o timbre, e a partida terminou. 

Georgeanne Howard? 

Sim? Levantou a vista para o homem que se colocou 
detrs de seu assento. 

Sou Howie Jones, um dos treinadores dos Chinooks. John 


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Kowalsky me pediu que viesse procur-la e a levasse com ele. 

Est ferido gravemente? 

No sei. S quer que a leve com ele. 

Meu Deus! No podia pensar em nenhum motivo pelo que 
pediria v-la a menos que estivesse seriamente ferido. 

 melhor que v  disse Ernie, levantando. 

E o que fao com Lexie? 

A levarei para a casa de John e ficarei com ela at que 
retornem. 

Est seguro?  perguntou com os pensamentos girando to 
rpido em sua cabea que no podia reter nenhum. 

 obvio. Agora vamos, v. 

Ligarei para te dizer o que saiba.  Se inclinou para beijar 
as bochechas molhadas de Lexie e pegou a jaqueta. 

OH, no acredito que te d tempo de ligar. 

Georgeanne seguiu Howie entre os degraus e logo se meteu 
no tnel por onde tinha visto que John desaparecia uns minutos 
antes. Caminharam sobre grossa e esponjosa borracha e entre 
homens de uniforme. Giraram  direita para entrar em uma 
estadia muito grande com uma cortina que a dividia em duas 
zonas. A preocupao ps um n em seu estmago. Algo terrvel 
devia ter ocorrido a John. 

J estamos chegando  disse Howie quando passaram por 
um corredor cheio de homens, vestidos com traje ou roupa 
esportiva dos Chinooks. Chegaram at uma porta fechada onde 
punha Vesturio, e girando  direita atravessaram outro par 
de portas. 

E ali estava John sentado, falando com um reprter de 
televiso diante de um grande logotipo dos Chinooks. Tinha o 
cabelo mido e a pele brilhante; parecia o que era, um homem que 
tinha jogado duro, mas no parecia ferido. Tinha tirado a 
camiseta de ponto e as ombreiras e vestia em seu lugar uma 


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camiseta azul suada que lhe moldava o grande peito. Ainda vestia 
as calas curtas de hquei, as meias acanaladas e as grandes 
almofadas protetoras das pernas, mas no os patins. Mesmo 
assim, sem todo seu equipamento, se via enorme. 

Tkachuk te deu um bom golpe a cinco minutos do final. 
Como se encontra?  perguntou o reprter para depois 
aproximar o microfone  cara de John. 

Me sinto bastante bem. Vou ter um ou outro machucado, 
mas assim  o hquei. 

Entra em seus planos se vingar? 

De maneira nenhuma, Jim. No estou to mal da cabea, e 
com um tipo como Tkachuk perto tem que estar  espreita em 
todo momento.  Limpou a cara com uma toalha pequena, logo 
percorreu com o olhar a estadia. Divisou Georgeanne na porta e 
sorriu. 

Empataram esta noite. Se conforma com esse resultado? 

John voltou a prestar ateno ao homem que o entrevistava. 

 obvio que no nos conformamos nunca com outra coisa 
que no seja ganhar. Est claro que temos que aproveitar melhor 
as oportunidades. E alm disso precisamos melhorar a defesa. 

Aos trinta e cinco anos ainda est entre os melhores. Como 
consegue? 

Ele sorriu abertamente e riu entre dentes. 

Bom,  provvel que seja o resultado de anos de vida s. 

O reprter e o cmara riram com ele. 

O que oferece o futuro a John Kowalsky? 

ele olhou em direo a Georgeanne e a apontou com o dedo. 

Isso depende dessa mulher ali. 

Georgeanne ficou paralisada e comeou a olhar para trs. O 
recinto estava cheio de homens. 

Georgeanne, carinho, me refiro a voc. 

Ela voltou a olhar  frente e se destacou a si mesma. 


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Recorda que ontem  noite lhe disse que s me casaria se 
estivesse loucamente apaixonado? 

Ela assentiu com a cabea. 

Bom, j sabe que estou loucamente apaixonado por voc.  
Ficou de p calado s com as meias trs - quartos acanaladas e 
lhe estendeu a mo. Cheia de estupor caminhou para ele e ps a 
mo na sua. 

Voc disse que no jogaria limpo. A pegou pelos ombros e 
a obrigou a sentar na cadeira que acabava de desocupar. Logo 
olhou  cmara. Estamos ainda no ar? 

Sim. 

Georgeanne levantou o olhar que comeava a se empanar. 
Tentou se agarrar a John, mas foi ele quem se afastou. 

No me toque, carinho. Estou um pouco suado. Logo se 
ajoelhou e a olhou fixamente. Quando nos conhecemos h sete 
anos, te fiz mal e sinto muito. Mas agora sou um homem 
diferente e em parte sou diferente graas a voc. Voltou para 
minha vida e conseguiu que fosse melhor. Quando entra em uma 
estadia, no sinto frio porque trouxe o sol com voc. Fez uma 
pausa e lhe apertou a mo. Uma gota de suor deslizou por sua 
tmpora e sua voz tremeu um pouco quando continuou: No sou 
nem um poeta, nem um romntico e no sei que palavras usar para 
expressar com exatido o que sinto por voc. S sei que voc  o 
ar de meus pulmes, os batimentos de meu corao, o desejo de 
minha alma e que sem voc estou vazio. Pressionou sua clida 
boca contra a palma da mo de Georgeanne e fechou os olhos. 
Quando a olhou outra vez, seu olhar era muito azul e muito 
intenso. Colocou a mo na cintura das calas curtas de hquei e 
tirou um anel com um diamante azul rodeado por esmeraldas de 
pelo menos quatro quilates. Case comigo, Georgie. 

OH, Meu Deus!  Mal podia ver e enxugou as lgrimas com 
a mo livre. No posso acreditar que me esteja ocorrendo isto. 


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Aspirou profundamente e levantou o olhar do anel  cara de 
John.  de verdade? 

 obvio  respondeu, ligeiramente ofendido. Acredita 
que pediria que se casasse comigo com um diamante falso? 

No falo do anel.  Sacudiu a cabea e passou a mo pelas 
lgrimas que lhe escorregavam pelas bochechas. De verdade 
quer casar comigo? 

Sim. Quero que envelheamos juntos e que tenhamos cinco 
meninos mais. A farei feliz, Georgeanne. Prometo. 

Ela observou a aposta cara de John e o corao lhe palpitou 
com fora. Tinha escolhido a ela, nessa ocasio ela no tinha 
perdido. E o tinha feito diante de uma cmara de televiso, com 
um grande diamante, ajoelhado a seus ps e segurando sua mo. 
Na noite anterior se perguntou se a escolheria. Se perguntou o 
que faria se o fizesse. Agora sabia a resposta a ambas as 
perguntas. 

Sim, claro que me casarei com voc  disse, rindo e 
chorando ao mesmo tempo. 

Jesus  suspirou John enquanto o alvio alagava sua cara. 
Chegou a me preocupar. 

Fora, nos degraus, um ensurdecedor aplauso alagou o Key 
Areia, seguido pela grande ovao de milhares de pessoas. As 
paredes do Key Areia tremeram ante to entusiasta resposta. 

John olhou  cmara por cima do ombro. 

Estamos saindo pelo Jumbotron? 

O homem levantou o polegar, e John voltou a olhar para 
Georgeanne. Pegou sua mo esquerda e lhe beijou os ndulos. 

Te amo  disse, lhe deslizando o anel no dedo. 

Georgeanne rodeou seu pescoo com os braos e se apertou 
contra ele. 

Te amo, John  disse entre soluos ao ouvido. 

Ele deixou que enterrasse a cabea contra seu pescoo e 


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percorreu com o olhar aos homens da estadia. 

Isso  tudo  lhes disse, e o cmara cortou. Georgeanne se 
apoiou nele enquanto os felicitavam, e no o deixou se separar 
inclusive quando j o tinha feito at o ltimo homem da estadia. 

Vou te pr perdida de suor  disse John com suavidade, 
sorrindo para ela. 

No me importa. Te amo e tambm amo seu suor. Ficou 
nas pontas dos ps e se apertou contra ele. 

Ele enrugou a testa. 

Bom, porque em parte  responsvel. Durante uns segundos 
eternos pensei que ia dizer que no. 

Quando planejou tudo isto? 

Comprei o anel em So Luis h quatro dias e falei com as 
pessoas da televiso esta manh. 

To seguro estava que diria sim? 

Ele deu de ombros. 

Voc disse que no ia jogar limpo. 

Georgeanne se aproximou e o beijou. Tinha esperado muito 
tempo esse momento e ps todo seu corao no beijo. Suas bocas 
se amoldaram, abertas e molhadas. Ela inclinou a cabea e lhe 
lambeu a ponta da lngua. Deslizou-lhe as mos pelos ombros, 
subindo pelo pescoo at o cabelo umedecido. 

A luxria inflamou a virilha de John e se separou do doce 
beijo de Georgeanne. 

Alto  gemeu. 

Dobrando os joelhos, colocou uma mo dentro das calas 
curtas e reacomodou os atributos masculinos. O duro protetor 
de plstico lhe beliscava os testculo e se conteve para no 
amaldioar diante de Georgeanne. 

Meu amiguinho est muito incmodo. 

Tire o protetor. 

Estou com quatro capas de roupa e tenho que fazer uma 


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coisa antes de comear a me despir.  se endireitou e leu a 

decepo no verde olhar de Georgeanne. 

O que poderia ser mais importante que se despir para mim? 

Nada. O queria e, de fato, queria estar rodeada por seu 
varonil e poderoso peito. A amava de uma maneira em que nunca 
tinha amado a ningum. A amava como amiga, como uma mulher a 
que respeitava e como uma amante a que desejava a todas as 
horas, todos os dias. E ela o amava. No sabia por que mas o 
amava. Era um irascvel jogador de hquei que amaldioava com 
freqncia, mas no ia se questionar sua boa sorte. 

Agora no queria mais que lev-la a casa e despi-la, mas 
primeiro tinham um ltimo assunto pendente. A puxou pela mo e 
a arrastou com ele fora da estadia para atravessar o corredor. 

S preciso esclarecer algo antes de ir. 

Georgeanne freou em seco. 

Virgil? 

Sim. Franzindo o cenho, ele se deteve e ps as mos em 
seus ombros. Te d medo? 

Ela negou com a cabea. 

Vai te fazer escolher? Vai te fazer escolher entre sua 
equipe e eu. 

Um treinador vinha pelo corredor a caminho do vesturio e 
John se pegou mais a Georgeanne para permitir que o homem 
passasse. 

Felicidades, Muro  disse. 

John inclinou a cabea. 

Obrigado. 

Georgeanne o pegou pela camiseta. 

No quero que tenha que escolher. 

Ele voltou a olhar para Georgeanne e beijou o cenho que tinha 
na testa. 

Nunca houve nenhuma escolha a fazer. Nunca teria 


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escolhido uma equipe de hquei em vez de voc. 

Virgil vai te despedir? 

Ele riu largamente e negou com a cabea. 

Virgil no pode me despedir, carinho. Pode me transpassar 
a outra equipe por quinhentos mil dlares no mnimo, o pior que 
poderia me passar  ter que levar um pato na camiseta. Mas isso 
no vai ocorrer. 

Como? 

Ele apertou sua mo. 

Vamos. Quanto antes faamos isto, antes poderemos ir 
para casa. 

Na semana anterior tinha dado luz verde a seu agente para 
contatar com Pat Quinn, o gerente dos Vancouver Canucks. 
Vancouver estava s a duas horas de carro de Seattle e 
necessitavam um central de primeira linha. John precisava 
controlar seu futuro. 

Com Georgeanne a seu lado, penetrou no escritrio de Virgil. 

Pensei que o encontraria aqui disse. 

Virgil o olhou da escrivaninha. 

Esteve ocupado. Vejo que seu agente contatou com Quinn. 
J viu a oferta? 

Sim. 

John fechou a porta e rodeou com o brao a cintura de 
Georgeanne. 

Trs temporadas e duas mais se cumprir os objetivos. 

Tem trinta e cinco anos. Surpreende-me que lhe 
oferecessem isso. 

John no acreditou que estivesse to surpreso como dizia. 
Era o trato usual com o capito de uma equipe ou com qualquer 
jogador livre. 

Sou o melhor  indicou. 

Teria gostado que falasse antes comigo. 


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Por que? Na ltima vez que falamos me disse que 
escolhesse entre Georgeanne e a equipe. Mas sabe o que? Nem 
sequer tive que pensar duas vezes. 

Virgil olhou para Georgeanne e logo voltou a olhar para John. 

Foi todo um espetculo o que montou h uns minutos. 

John apertou mais Georgeanne contra seu flanco. 

Eu no fao nada pela metade. 

No, no faz. Mas se arriscou o bastante, sem mencionar a 
possibilidade que o rechaasse direto na ESPN. 

Sabia que me diria sim. 

Georgeanne o olhou e arqueou uma sobrancelha. 

Um pouco presunoso, no acredita? 

John se inclinou e lhe sussurrou no ouvido: 

Carinho, pouco e presunoso so duas palavras que um 
homem nunca quer ouvir juntas na mesma frase. Observou-a 
ruborizar e riu entredentes. Embora tinha tido esses segundos 
horrveis quando no tinha se sentido to presunoso. Segundos 
interminveis quando ainda no tinha lhe respondido nos que 
tinha tido a fugaz tentao de carrega-la no ombro, partir da 
estadia e a ter seqestrada at que lhe dissesse o que queria 
ouvir. 

O que quer, Muro? 

John voltou a olhar para Virgil. 

Perdo? 

Perguntei o que quer. 

Estava srio, mas por dentro sorria. 

Cheque mate. O velho bastardo se atirou um farol. 

Por que? 

Tomei uma deciso muito impulsiva e pouco inteligente 
quando ameacei te transpassar. O que quer para ficar? 

John se balanou sobre os calcanhares e pareceu pensar na 
pergunta alguns momentos, mas j tinha antecipado que Virgil se 


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retrataria. 

Um defesa para a segunda linha poderia me persuadir de 
esquecer que ameaou me transpassar. E no falo de um novato, 
pode comprar a algum dos melhores. Quero um homem com 
experincia no hquei. Algum ao que no lhe d medo jogar nas 
esquinas e se mantenha firme ante a rede. Grande. Com muito 
equilbrio. Que golpeie com fora. Vai ter que soltar muito 
dinheiro por um tipo assim. 

Virgil entrecerrou os olhos. 

Faz uma lista e me d isso amanh. 

Sinto muito, estarei muito ocupado esta noite.  
Georgeanne lhe deu uma cotovelada nas costelas, e ele a olhou  
cara. O que? Voc tambm estar ocupada. 

Estupendo  disse Virgil. Me d isso na prxima semana. 
Agora, se me perdoa, tenho outros assuntos dos que me ocupar. 

H outra coisa mais. 

Um defesa de um de milho de dlares no  suficiente? 

No. John negou com a cabea.Pea perdo a minha 
noiva. 

No acredito que seja necessrio  balbuciou 
Georgeanne. De verdade, John. O senhor Duffy j te deu o que 
queria. Acredito que foi muito amvel... 

Deixa que me encarregue disto  a interrompeu John. 

Virgil entrecerrou os olhos ainda mais. 

Exatamente por que pediria perdo  senhorita Howard? 

Porque fez mal a ela. Te disse que lamentava ter fugido do 
casamento, mas voc lhe atirou a desculpa  cara. Georgie  
muito sensvel. Apertou-a brandamente. No  assim, nenm? 

Virgil se levantou e passou o olhar de John a Georgeanne. 
Pigarreou garganta vrias vezes e sua cara ficou vermelho vivo. 

Aceito suas desculpas, senhorita Howard. Aceitar agora 
as minhas? 


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John pensou que Virgil podia faz-lo um pouco melhor e ia 
abrir a boca para dizer que voltasse a tentar, mas Georgeanne o 
deteve. 

 obvio  disse, e colocou a palma da mo nas costas de 
John. O olhou enquanto deslizava esta para baixo. Deixemos ao 
senhor Duffy com seu trabalho  sugeriu, com um brilho 
amoroso e talvez um pouco peralta nos olhos. 

John lhe deu um beijo rpido nos lbios e saram do 
escritrio. Apertou-a contra si enquanto iam andando lentamente 
pelo corredor para os vesturios, e pensou no sonho que tinha 
tido depois de retornar a sua casa de madrugada. Em lugar do 
sonho ertico que normalmente tinha com Georgeanne, tinha 
sonhado despertando em uma cama enorme cheia de flores e 
rodeado por garotinhas saltando por toda parte. Garotas muito 
femininas com ces femininos, que o olhavam como se fosse um 
super hroi por matar aranhas e salvar peixes diminutos. 

Queria esse sonho. Queria Georgeanne. Queria uma vida 
cheia de meninas charlatonas com o cabelo escuro, bonecas 
Barbie e ces sem cabelo. Queria camas com renda, empapuado 
de flores e uma mulher com uma ertica voz sulina lhe 
sussurrando ao ouvido. 

Ele sorriu e deslizou a mo pelo brao de Georgeanne at o 
ombro. Embora no tivessem mais filhos, tinha tudo o que queria. 

Tinha tudo. 

Eplogo 

Georgeanne parou nas escadas do Princeville Hotel na ilha de 


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Kauai. O sol tropical lhe esquentava os ombros nus e a cabea. 
Tinha demorado vrios dias para dominar completamente como 
vestir o sarong, mas agora vestia um, fcsia com a parte de trs 
do floreado tecido atado ao pescoo e cobrindo o traje de banho. 
Ps uma grande orqudea atrs de uma orelha e sandlias 
amarradas nos tornozelos. Sentia-se muito feminina e pensou em 
Lexie. 

Lexie teria adorado Kauai. Teria adorado as belas praias e a 
gua fresca e azul. Mas Lexie teria que se conformar com uma 
camiseta. Georgeanne e John precisavam de um tempo a ss e 
tinham deixado sua filha com Ernie e a me de John. 

Um Jipe Cherokee alugado estacionou na sarjeta. A porta do 
condutor abriu e o corao palpitou sob o peito. Gostava de como 
John se movia. Transbordava confiana e caminhava com a 
eloqente segurana de um homem de bem consigo mesmo. S um 
homem to seguro de si mesmo teria escolhido vestir uma camisa 
azul com enormes flores vermelhas e grandes folhas verdes. 
Estava to seguro de si mesmo que algumas vezes a deixava um 
pouco aflita. Se deixasse que John fizesse as coisas a sua 
maneira, teriam se casado no dia seguinte aps ter se declarado. 
Tinha conseguido, atrasar um ms e assim tinha podido planejar 
uma bonita cerimnia de casamento em uma pequena capela em 
Bellevue. 

Estavam casados a uma semana e cada dia o queria mais. 
Algumas vezes seus sentimentos eram muito intensos e no podia 
cont-los. Se refreava olhando ao cu e sorrindo, ou rindo sem 
razo aparente incapaz de conter sua felicidade. Tinha dado a 
John sua confiana e seu corao. Em troca, ele a tinha feito se 
sentir segura e amada com uma intensidade que algumas vezes 
lhe tirava o flego. 

O seguiu com o olhar enquanto rodeava o Jipe. Abriu a porta 
do acompanhante, logo girou e lhe sorriu. Georgeanne recordou a 


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primeira vez que o tinha visto, de p ao lado de um Corvette 
vermelho, com esses largos ombros e essa elegncia inata, como 
um cavalheiro com uma brilhante armadura. 

Aloha, senhor  o saudou em voz alta, descendo as escadas 
para sair a seu encontro. 

John franziu o cenho. 

Veste algo embaixo disso? 

Ela se deteve diante dele e encolheu os ombros. 

Depende.  um jogador de hquei? 

Sim. Um sorriso fez desaparecer o cenho. Voc gosta 
do hquei? 

No.  Georgeanne negou com a cabea e baixou a voz, 
sussurrando com aquela voz sulina que sabia que o deixava 
louco. Mas talvez faa uma exceo com voc, carinho. 

Ele a alcanou e deslizou as mos por seus braos nus. 

Ento deseja meu corpo? 

Que se vai fazer. Georgeanne suspirou e de novo sacudiu 
a cabea. Sou uma mulher fraca e voc  simplesmente 
irresistvel. 



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